{"id":308408,"date":"2023-07-07T00:00:59","date_gmt":"2023-07-07T03:00:59","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=308408"},"modified":"2023-07-07T05:28:19","modified_gmt":"2023-07-07T08:28:19","slug":"mulheres-negras-sao-mais-expostas-ao-racismo-ambiental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/mulheres-negras-sao-mais-expostas-ao-racismo-ambiental\/","title":{"rendered":"Mulheres negras s\u00e3o mais expostas ao racismo ambiental"},"content":{"rendered":"<p>As mulheres quilombolas s\u00e3o mais vulnerabilizadas aos efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e da falta de pol\u00edticas p\u00fablicas. A opini\u00e3o \u00e9 da secret\u00e1ria-executiva da Coordena\u00e7\u00e3o Nacional de Articula\u00e7\u00e3o das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), Selma Dealdina.<\/p>\n<p>A indiferen\u00e7a com as comunidades tradicionais pode ser chamada de \u201cracismo ambiental\u201d, segundo explica. Ela vai tratar do tema no Festival Latinidades, nesta sexta (7), no audit\u00f3rio 2 do Museu da Rep\u00fablica, em Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>\u201cOs homens saem para as grandes cidades para trabalhar, enquanto que as mulheres ficam para cuidar da ro\u00e7a. S\u00e3o mais vulner\u00e1veis aos efeitos das mudan\u00e7as de clima. Ainda s\u00e3o invisibilizadas no papel de quem deve cuidar da fam\u00edlia e do campo\u201d, afirma. Ela avalia que o Latinidades \u00e9 uma realiza\u00e7\u00e3o que garante discuss\u00e3o de visibilidade das demandas das mulheres negras. \u201c\u00c9 um debate importante do clima ao racismo ambiental\u201d, opina.<\/p>\n<p>A coordenadora de Justi\u00e7a Racial e de G\u00eanero na Oxfam Brasil, Tau\u00e1 Pires, que tamb\u00e9m estar\u00e1 presente no Latinidades, entende que a responsabilidade das mulheres nas comunidades tradicionais excede o campo do trabalho.<\/p>\n<p>Ela destaca que as mulheres t\u00eam uma lideran\u00e7a fundamental. N\u00e3o somente na quest\u00e3o do trato da terra, mas na din\u00e2mica social, j\u00e1 que uma comunidade quilombola se organiza de uma forma diferente do que ocorre em centros urbanos. Na l\u00f3gica comunit\u00e1ria, a terra n\u00e3o pertence a uma pessoa, mas \u00e0s fam\u00edlias.<\/p>\n<p>Para a pesquisadora, o que est\u00e1 em jogo n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o desmatamento ou a derrubada da floresta. \u201cMas \u00e9 tamb\u00e9m como os recursos naturais s\u00e3o preservados e utilizados para o bem social\u201d, observa.<\/p>\n<p>Nesse sentido, o racismo ambiental \u00e9 um fato. \u201cQuando a gente observa as pessoas que moram nesses territ\u00f3rios, s\u00e3o em sua maioria n\u00e3o brancas. A gente est\u00e1 falando de comunidades tradicionais com maioria negra e mais atingidas pelas emerg\u00eancias, como enchentes e secas\u201d, enfatiza.<\/p>\n<p><strong>Responsabilidade<\/strong><br \/>\nEla identifica que s\u00e3o as mulheres que assumem maior responsabilidade comunit\u00e1ria e familiar porque cuidam, por exemplo, dos mais velhos e das crian\u00e7as. \u201cEnt\u00e3o o racismo acaba atingindo de maneira diferente as mulheres\u201d, opina.<\/p>\n<p>Nesse sentido, Selma Dealdina salienta que as comunidades quilombolas buscam &#8211; a partir do exemplo das pessoas mais velhas &#8211; explicar diariamente a necessidade da preserva\u00e7\u00e3o da natureza. \u201cA gente tem que tentar sobreviver e enfrentar a invas\u00e3o do agrot\u00f3xico, do desmatamento, das queimadas\u2026\u201d.<\/p>\n<p>Afinal, as comunidades que vivem da agricultura familiar devem assimilar o cuidado como pr\u00e1tica viva. Segundo o \u00faltimo censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica), h\u00e1 6,5 mil comunidades quilombolas em 24 estados do pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel, segundo Selma, constatar o racismo ambiental nas demonstra\u00e7\u00f5es de injusti\u00e7as nas proximidades de comunidades dos quilombolas.<\/p>\n<p>\u201cPor que algu\u00e9m coloca um aterro sanit\u00e1rio no territ\u00f3rio quilombola? Ou uma linha de energia el\u00e9trica sem beneficiar a comunidade? Ningu\u00e9m coloca um gasoduto cortando a fazenda de um grande fazendeiro ou em um latif\u00fandio brasileiro. Isso \u00e9 racismo\u201d, exemplifica.<\/p>\n<p><strong>Resist\u00eancia ambiental<\/strong><br \/>\nOs grupos quilombolas, diz Selma, s\u00e3o espa\u00e7os de resist\u00eancia. \u201cNa minha comunidade (na cidade de S\u00e3o Mateus, no Esp\u00edrito Santo), o rio secou. Minha fam\u00edlia n\u00e3o parou de plantar e a \u00e1gua voltou a aparecer\u201d. Foi plantando a bananeira \u00e0s margens do Rio Angelim e o rio reapareceu.<\/p>\n<p>\u201cHoje, as pessoas podem pescar e as crian\u00e7as podem tomar banho\u201d, comemora Selma. Ela contextualiza que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas afastaram os mais jovens do trabalho no campo, inclusive com o avan\u00e7o das planta\u00e7\u00f5es de eucalipto nas cercanias de comunidades quilombolas.<\/p>\n<p>\u201cEntendo que a gente precisa discutir como incentivar os jovens a ficar na ro\u00e7a e com possibilidade de gera\u00e7\u00e3o de emprego e renda. Esse \u00e9 o nosso grande desafio\u201d, opina. Ela testemunha que houve, no campo, uma mudan\u00e7a de comportamento das chuvas.<\/p>\n<p>Para a coordenadora da Oxfam Brasil, Tau\u00e1 Pires, as comunidades quilombolas oferecem exemplos de pr\u00e1ticas ambientais. A pesquisadora diz que a resist\u00eancia passa pela influ\u00eancia da mulher. \u201cOs povos e comunidades tradicionais, na verdade, fazem um trabalho de preserva\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 da floresta, mas da pr\u00f3pria vida. Est\u00e3o ajudando para que a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o fique pior\u201d, finaliza.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As mulheres quilombolas s\u00e3o mais vulnerabilizadas aos efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e da falta de pol\u00edticas p\u00fablicas. A opini\u00e3o \u00e9 da secret\u00e1ria-executiva da Coordena\u00e7\u00e3o Nacional de Articula\u00e7\u00e3o das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), Selma Dealdina. A indiferen\u00e7a com as comunidades tradicionais pode ser chamada de \u201cracismo ambiental\u201d, segundo explica. 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