{"id":309102,"date":"2023-07-18T00:54:53","date_gmt":"2023-07-18T03:54:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=309102"},"modified":"2023-07-18T07:57:11","modified_gmt":"2023-07-18T10:57:11","slug":"mst-negocia-tratores-direto-com-a-china","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/mst-negocia-tratores-direto-com-a-china\/","title":{"rendered":"MST negocia tratores direto com a China"},"content":{"rendered":"<p>Uma parceria envolvendo o Cons\u00f3rcio Nordeste por meio do governo do Rio Grande do Norte, a Associa\u00e7\u00e3o Internacional para a Coopera\u00e7\u00e3o Popular (AICP), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a Universidade Agr\u00edcola da China e a Associa\u00e7\u00e3o de Fabricantes de M\u00e1quinas Agr\u00edcolas chinesa deve trazer ao Brasil 25 m\u00e1quinas voltadas \u00e0 agricultura camponesa.<\/p>\n<p>A vinda de uma delega\u00e7\u00e3o de 14 representantes da universidade chinesa ao Brasil entre a \u00faltima segunda-feira (10) e a esta ter\u00e7a (18) \u00e9 o mais recente cap\u00edtulo de um interc\u00e2mbio de conhecimentos e tecnologia entre as entidades de ambos os pa\u00edses. A rela\u00e7\u00e3o se estreitou h\u00e1 cerca de um ano e meio.<\/p>\n<p>Com o objetivo de conhecer a realidade da agricultura familiar brasileira, a delega\u00e7\u00e3o chinesa passou pela Escola Nacional Florestan Fernandes, do MST e, em seguida, um grupo foi para a Bahia e outro para o Rio Grande do Sul. No Nordeste, visitaram as unidades produtivas do MST no munic\u00edpio de Prado (BA) e a Escola Popular de Agroecologia e Agrofloresta Eg\u00eddio Brunetto. No Sul, passaram pelas cooperativas da cadeia de produ\u00e7\u00e3o de arroz org\u00e2nico do movimento.<\/p>\n<p>Em seguida, os integrantes da Universidade Agr\u00edcola da China \u2013 que lidera a plataforma de coopera\u00e7\u00e3o internacional B&amp;R Instituto Internacional de Inova\u00e7\u00e3o de Equipamentos Agr\u00edcolas e Agricultura Inteligente \u2013 foram ao Rio Grande do Norte. Ali, visitaram a cidade de Apodi (RN), que vai sediar a unidade demonstrativa onde as m\u00e1quinas agr\u00edcolas de diferentes modelos devem chegar e ser testadas em novembro.<\/p>\n<p>\u201cA sede ser\u00e1 no munic\u00edpio de Apodi (RN), mas tamb\u00e9m vai ser poss\u00edvel que essas m\u00e1quinas sejam testadas em outras regi\u00f5es do Nordeste, espa\u00e7os de cooperativas, assentamentos da reforma agr\u00e1ria e centros de forma\u00e7\u00e3o. A ideia \u00e9 que num prazo de dois anos sejam testadas a qualidade, a capacidade de adaptabilidade com implementos que j\u00e1 existem aqui no Brasil e as condi\u00e7\u00f5es com a agricultura camponesa\u201d, explica Luiz Zarref, pesquisador da AICP.<\/p>\n<p>A delega\u00e7\u00e3o asi\u00e1tica encerra a viagem na capital do Brasil, com uma reuni\u00e3o sobre projetos de coopera\u00e7\u00e3o com a Universidade de Bras\u00edlia. \u201cTamb\u00e9m v\u00e3o ser recebidos por membros do governo federal respons\u00e1veis pela pauta da mecaniza\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, dos bioinsumos da diversifica\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica das sementes para alimentos\u201d, diz Zarref.<\/p>\n<p><strong>Desigualdade<\/strong><br \/>\n\u201cEsse processo de coopera\u00e7\u00e3o \u00e9 no sentido de a gente superar uma lacuna hist\u00f3rica no Brasil no que se refere ao processo de mecaniza\u00e7\u00e3o e acesso \u00e0 tecnologias pela reforma agr\u00e1ria\u201d, avalia D\u00e9bora Nunes, da dire\u00e7\u00e3o nacional do MST.<\/p>\n<p>Entre os produtores da agricultura familiar no Brasil, 88% trabalha manualmente, contando apenas com a ajuda de animais. Os dados s\u00e3o do \u00faltimo Censo Agropecu\u00e1rio, divulgado em 2017.<\/p>\n<p>Segundo o levantamento, no Nordeste a desigualdade no acesso \u00e0 tecnologia \u00e9 mais acentuada. A regi\u00e3o concentra cerca de 50% da agricultura familiar de todo o pa\u00eds. Apenas 1,5% destes camponeses trabalha com maquin\u00e1rio.<br \/>\n\u201cA mecaniza\u00e7\u00e3o traz resultados que envolvem outras dimens\u00f5es da vida. \u00c9 tamb\u00e9m um fator fundamental para a gente enfrentar o debate da pr\u00f3pria sucess\u00e3o rural. De fato, nossa juventude quer permanecer no campo. Mas quer permanecer no campo com condi\u00e7\u00f5es de acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e ao trabalho\u201d, exp\u00f5e Nunes. \u201c\u00c9 uma gera\u00e7\u00e3o que tem acesso a outras tecnologias e quer ver isso sendo aplicado tamb\u00e9m no processo produtivo\u201d, completa.<\/p>\n<p><strong>Interc\u00e2mbio com a China<\/strong><br \/>\nEm setembro de 2022, quando autoridades chinesas e brasileiras assinaram o Memorando de Entendimento sobre coopera\u00e7\u00e3o em mecaniza\u00e7\u00e3o e energia agr\u00edcolas, se deu o in\u00edcio formal desta parceria.<\/p>\n<p>As trocas j\u00e1 haviam come\u00e7ado ao longo da pandemia, com webin\u00e1rios conjuntos que contaram com a presen\u00e7a de professores chineses como Yang Minli e Wang Fengde. Entre os temas, a hist\u00f3ria da mecaniza\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e o desenvolvimento desta ind\u00fastria na China.<\/p>\n<p>O acordo foi firmado entre o Cons\u00f3rcio do Nordeste, que representa os nove estados da regi\u00e3o, a plataforma de inova\u00e7\u00e3o internacional da Universidade Agr\u00edcola da China e a Associa\u00e7\u00e3o de Fabricantes de M\u00e1quinas Agr\u00edcolas chinesa. Esta \u00faltima \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o industrial formada pelas principais fabricantes de m\u00e1quinas agr\u00edcolas do pa\u00eds asi\u00e1tico.<\/p>\n<p>A ponte foi facilitada pela AICP, organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos criada por movimentos populares da Am\u00e9rica Latina, \u00c1frica e \u00c1sia no intuito de combater a fome, promover forma\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas e interc\u00e2mbio tecnol\u00f3gico para a agroecologia.<\/p>\n<p>A parceria foi refor\u00e7ada em solo chin\u00eas por Jo\u00e3o Pedro Stedile, lideran\u00e7a do MST, e a governadora do RN, F\u00e1tima Bezerra (PT), quando visitaram o pa\u00eds junto com a comitiva do presidente Lula (PT) em abril.<\/p>\n<p>A expectativa, segundo a AICP, \u00e9 que, como desdobramento deste processo, f\u00e1bricas que produzam m\u00e1quinas para a agricultura camponesa se instalem no Brasil.<\/p>\n<p>\u201cDepois da funda\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Popular da China em 1949, a mecaniza\u00e7\u00e3o agr\u00edcola se desenvolveu rapidamente\u201d, explica documento da Associa\u00e7\u00e3o Internacional para a Coopera\u00e7\u00e3o Popular. \u201cAtualmente existem mais de 1.600 empresas de m\u00e1quinas agr\u00edcolas que proporcionam apoio t\u00e9cnico e equipamento para garantir a seguran\u00e7a alimentar\u201d, afirma a entidade.<\/p>\n<p>\u201cA inten\u00e7\u00e3o est\u00e1 casada com aquela do pr\u00f3prio governo Lula, que est\u00e1 nesse processo de retomada da industrializa\u00e7\u00e3o nacional. Temos o objetivo que, com essa aproxima\u00e7\u00e3o da tecnologia chinesa, f\u00e1bricas de l\u00e1 sejam atra\u00eddas para o Brasil\u201d, defende Zarref.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma parceria envolvendo o Cons\u00f3rcio Nordeste por meio do governo do Rio Grande do Norte, a Associa\u00e7\u00e3o Internacional para a Coopera\u00e7\u00e3o Popular (AICP), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a Universidade Agr\u00edcola da China e a Associa\u00e7\u00e3o de Fabricantes de M\u00e1quinas Agr\u00edcolas chinesa deve trazer ao Brasil 25 m\u00e1quinas voltadas \u00e0 agricultura camponesa. 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