{"id":309704,"date":"2023-07-27T00:58:50","date_gmt":"2023-07-27T03:58:50","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=309704"},"modified":"2023-07-27T07:41:22","modified_gmt":"2023-07-27T10:41:22","slug":"manter-manguezais-evita-absorcao-de-carbono-pela-atmosfera","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/manter-manguezais-evita-absorcao-de-carbono-pela-atmosfera\/","title":{"rendered":"Manter manguezais evita absor\u00e7\u00e3o de carbono pela atmosfera"},"content":{"rendered":"<p>A busca por uma melhor compreens\u00e3o sobre como os manguezais podem contribuir para mitigar problemas clim\u00e1ticos tem mobilizado esfor\u00e7os de pesquisadores. Os resultados v\u00eam mostrando que a recupera\u00e7\u00e3o desses ecossistemas pode ser uma das frentes de atua\u00e7\u00e3o para reduzir a disponibilidade de carbono no ambiente e, assim, desacelerar o ritmo do aquecimento global.<\/p>\n<p>No in\u00edcio do m\u00eas, pesquisadores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) finalizaram um estudo com foco nos manguezais situados em munic\u00edpios fluminenses. As investiga\u00e7\u00f5es se deram na Ba\u00eda da Ilha Grande, Ba\u00eda de Sepetiba, Ba\u00eda de Guanabara, Baixada de Jacarepagu\u00e1 e Baixada Norte Fluminense. Segundo conclu\u00edram, as \u00e1reas analisadas evitam ao todo a libera\u00e7\u00e3o de 25 milh\u00f5es de toneladas de carbono para a atmosfera. De acordo com o estudo, em valor monet\u00e1rio, esse volume equivaleria a cerca de R$ 500 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;Pela primeira vez, obtivemos uma vis\u00e3o detalhada do estoque de carbono nos manguezais, considerando diferentes escalas espaciais, como sistemas costeiros, munic\u00edpios e unidades de conserva\u00e7\u00e3o. Essa conquista representa um avan\u00e7o significativo e coloca o Rio de Janeiro como o primeiro estado a ter um invent\u00e1rio de todos os seus manguezais, fornecendo um maior entendimento de seu papel na mitiga\u00e7\u00e3o do aquecimento global&#8221;, registra postagem nas redes sociais do N\u00facleo de Estudos em Manguezais da UERJ, que conduziu o estudo.<\/p>\n<p><strong>Capta\u00e7\u00e3o de carbono<\/strong><br \/>\nH\u00e1 dois anos, um outro levantamento, conduzido pela Funda\u00e7\u00e3o Grupo Botic\u00e1rio de Prote\u00e7\u00e3o \u00e0 Natureza, apontou que a captura de carbono \u00e9 57% maior em manguezais do que em outras vegeta\u00e7\u00f5es tropicais. Denominada Oceano Sem Mist\u00e9rios: Desvendando os Manguezais, a pesquisa indicou ainda que o ecossistema est\u00e1 associado ao ciclo de vida de diversas esp\u00e9cies marinhas de grande valor comercial, como robalos, tainhas, siris, ostras e caranguejos.<\/p>\n<p>Os manguezais ocupam atualmente uma \u00e1rea de aproximadamente 10 mil quil\u00f4metros quadrados em todo o Brasil. S\u00e3o forma\u00e7\u00f5es vegetais t\u00edpicas de \u00e1reas alagadi\u00e7as nas zonas litor\u00e2neas e desempenham importante fun\u00e7\u00e3o para o equil\u00edbrio ambiental e para a manuten\u00e7\u00e3o da vida marinha. Situados na fronteira entre a terra e o mar e submetidos aos ciclos das mar\u00e9s que fazem o n\u00edvel da \u00e1gua subir e descer, os manguezais abrigam grande biodiversidade e \u00e9 um ber\u00e7\u00e1rio natural para v\u00e1rias esp\u00e9cies de peixes e crust\u00e1ceos que ali se reproduzem e se alimentam.<\/p>\n<p><strong>Mobiliza\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nO movimento pela prote\u00e7\u00e3o dessas \u00e1reas mobiliza pesquisadores e ativistas n\u00e3o apenas no Brasil. Essa tamb\u00e9m \u00e9 uma pauta mundial promovida pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, a Ci\u00eancia e a Cultura (Unesco). Nesta quarta-feira (26), a entidade celebra o Dia Internacional de Conserva\u00e7\u00e3o dos Manguezais. O marco, fixado em 26 de julho, foi estabelecido dentro de uma estrat\u00e9gia para reverter a situa\u00e7\u00e3o desses ecossistemas e estimular discuss\u00f5es sobre o manejo sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>De acordo com nota divulgada mais cedo pela Unesco por ocasi\u00e3o da data, mais de tr\u00eas quartos dos manguezais do planeta est\u00e3o em perigo. Eles estariam desaparecendo mais r\u00e1pido do que as florestas globais em geral, o que gera impactos n\u00e3o apenas ecol\u00f3gicos, mas tamb\u00e9m socioecon\u00f4micos tendo em vista que s\u00e3o fonte de alimento e de renda para comunidades costeiras em todo o mundo.<\/p>\n<p>Segundo a Unesco, a cobertura de mangue no planeta caiu pela metade nos \u00faltimos 40 anos, favorecendo a ocorr\u00eancia de inunda\u00e7\u00f5es e representando uma amea\u00e7a ao equil\u00edbrio natural no combate \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas j\u00e1 que os solos dos manguezais s\u00e3o eficazes sumidouros de carbono, retirando grandes quantidades do g\u00e1s da atmosfera. Para ajudar a reverter esse quadro, a entidade desenvolve diretamente a\u00e7\u00f5es em sete pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina: Col\u00f4mbia, Cuba, Equador, El Salvador, Mexico, Panama e Peru. S\u00e3o projetos que, simultaneamente, geram oportunidades econ\u00f4micas para as comunidades locais e fomentam o interc\u00e2mbio de conhecimento entre as popula\u00e7\u00f5es e a comunidade cient\u00edfica.<\/p>\n<p><strong>Desafios<\/strong><br \/>\nA pesquisa conduzida pela UERJ foi financiada pela Enauta, empresa sediada no Rio de Janeiro que atua na explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo, \u00f3leo e g\u00e1s natural. Os resultados foram entregues ao governo fluminense e \u00e0 Ag\u00eancia Nacional do Petr\u00f3leo, G\u00e1s Natural e Biocombust\u00edveis (ANP). Tendo em vista o hist\u00f3rico de danos ambientais causados aos manguezais, o setor petrol\u00edfero \u00e9 recorrentemente cobrado por ativistas para desenvolver suas atividades de modo sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>Em 2000, por exemplo, grandes extens\u00f5es do ecossistema foram atingidas em uma trag\u00e9dia na Ba\u00eda de Guanabara que fez circular imagens em todo o mundo: 1,3 milh\u00e3o de litros de \u00f3leo foram derramados ap\u00f3s o rompimento de um duto da Petrobras. Apontado como local mais afetado no epis\u00f3dio, a Praia de Mau\u00e1, no munic\u00edpio de Mag\u00e9 (RJ), est\u00e1 novamente com uma densa vegeta\u00e7\u00e3o e grandes popula\u00e7\u00f5es de caranguejos e outros animais. Uma amostra de que a associa\u00e7\u00e3o entre os intensos trabalhos de ambientalistas e a resili\u00eancia das esp\u00e9cies permite apostar na recupera\u00e7\u00e3o desses ecossistemas.<\/p>\n<p>No entanto, os desafios para o combate \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o dos manguezais s\u00e3o variados, uma vez que ela pode ocorrer devido a m\u00faltiplas atividades e a explora\u00e7\u00e3o petrol\u00edfera \u00e9 apenas uma delas. H\u00e1 danos tamb\u00e9m relacionados, por exemplo, com a minera\u00e7\u00e3o, com a produ\u00e7\u00e3o industrial, com a pesca predat\u00f3ria, com a agricultura e com a carcinicultura (cria\u00e7\u00e3o de camar\u00e3o em cativeiro). Segundo o pesquisador Ronaldo Christofoletti, da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp), os manguezais funcionam como um filtro retendo res\u00edduos, poluentes qu\u00edmicos e todo tipo de lixo descartado de forma incorreta e carregado pelos rios em dire\u00e7\u00e3o ao mar.<\/p>\n<p>&#8220;Devido \u00e0s suas ra\u00edzes a\u00e9reas, os manguezais concentram muitos sedimentos e res\u00edduos, fato que, inclusive, \u00e9 usado por pessoas mal-intencionadas para justificar sua remo\u00e7\u00e3o&#8221;, diz Christofoletti em texto divulgado por ocasi\u00e3o do Dia Internacional de Conserva\u00e7\u00e3o dos Manguezais e produzido pela Rede de Especialistas em Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza (RECN), iniciativa da Funda\u00e7\u00e3o Grupo Botic\u00e1rio de Prote\u00e7\u00e3o \u00e0 Natureza.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o lixo jogado nas praias ou poluentes derramados no oceano podem chegar aos mangues em decorr\u00eancia das correntes mar\u00edtimas. Apesar de carregarem esses res\u00edduos mal\u00e9ficos, essas correntes mar\u00edtimas s\u00e3o fundamentais para o desenvolvimento do ecossistema segundo apontado pode diversos estudos. Uma pesquisa recente, desenvolvida pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) mostrou que, por meio delas, h\u00e1 inclusive troca de material gen\u00e9tico entre popula\u00e7\u00f5es de manguezais localizados em distintos pontos do litoral brasileiro.<\/p>\n<p>A dispers\u00e3o das sementes das esp\u00e9cies vegetais que habitam os mangues, chamadas de prop\u00e1gulos, n\u00e3o ocorre por conta da a\u00e7\u00e3o de animais ou do vento. As \u00e1guas \u00e9 que as carregam e depositam pela costa. Atrav\u00e9s de simula\u00e7\u00f5es em computador e an\u00e1lises gen\u00e9ticas para avaliar grau de parentesco entre vegetais de diferentes \u00e1reas, a pesquisa coordenada por Andr\u00e9 Guilherme Madeira atestou a troca de material gen\u00e9tico atrav\u00e9s das correntes costeiras. Os resultados foram publicados em maio na revista cient\u00edfica internacional Molecular Ecology Resources.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A busca por uma melhor compreens\u00e3o sobre como os manguezais podem contribuir para mitigar problemas clim\u00e1ticos tem mobilizado esfor\u00e7os de pesquisadores. Os resultados v\u00eam mostrando que a recupera\u00e7\u00e3o desses ecossistemas pode ser uma das frentes de atua\u00e7\u00e3o para reduzir a disponibilidade de carbono no ambiente e, assim, desacelerar o ritmo do aquecimento global. 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