{"id":309917,"date":"2023-07-31T00:01:15","date_gmt":"2023-07-31T03:01:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=309917"},"modified":"2023-07-31T07:06:27","modified_gmt":"2023-07-31T10:06:27","slug":"marcha-das-mulheres-negras-toma-conta-de-copacabana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/marcha-das-mulheres-negras-toma-conta-de-copacabana\/","title":{"rendered":"Marcha das Mulheres Negras toma conta de Copacabana"},"content":{"rendered":"<p>Mulheres negras de v\u00e1rias partes do estado do Rio de Janeiro tomaram conta da orla de Copacabana neste domingo (30). Elas participaram da 9\u00aa Marcha das Mulheres Negras, que levou para o bairro da zona sul carioca o lema Mulheres Negras Unidas contra o Racismo, Toda Forma de Opress\u00e3o, Viol\u00eancia e pelo Bem Viver.<\/p>\n<p>A manifesta\u00e7\u00e3o foi organizada pelo F\u00f3rum Estadual de Mulheres Negras &#8211; RJ e contou com a participa\u00e7\u00e3o de diversos coletivos ligados ao combate da desigualdade racial. O evento fecha a semana de mobiliza\u00e7\u00e3o pelo Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, em 25 de julho, e acontece na v\u00e9spera do Dia Internacional da Mulher Africana.<\/p>\n<p>A escritora Maria da Concei\u00e7\u00e3o Evaristo, dona de uma produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria que combate a opress\u00e3o do povo negro, leu o manifesto de abertura da marcha. \u201cVamos ocupar uma das orlas brasileiras de maior visibilidade, \u00e9 um ato de coragem e den\u00fancia\u201d, disse ao microfone para as milhares de negras presentes.<\/p>\n<p>\u201cMarchamos pelo bem viver. O bem viver convoca a uma pol\u00edtica de participa\u00e7\u00e3o coletiva da popula\u00e7\u00e3o negra, de constru\u00e7\u00e3o de poder horizontal e de distribui\u00e7\u00e3o dos lugares de decis\u00e3o para mulheres negras\u201d, completou a escritora que, neste m\u00eas, inaugurou um centro cultural na regi\u00e3o conhecida como Pequena \u00c1frica, no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Ao lado de Concei\u00e7\u00e3o Evaristo, cerca de dez gri\u00f4s carregavam uma faixa de abertura da marcha, com o tema da edi\u00e7\u00e3o deste ano. Gri\u00f4s s\u00e3o contadoras de hist\u00f3rias, muito respeitadas nas comunidades onde vivem.<\/p>\n<p><strong>Juventude<\/strong><br \/>\nA Marcha das Mulheres Negras tamb\u00e9m abriu espa\u00e7o para jovens lideran\u00e7as, inclusive crian\u00e7as. Alia Terra, de apenas 10 anos de idade, foi uma das ativistas que discursaram. \u201cA gente est\u00e1 batalhando aqui com todas as mulheres, sempre unidas, contra todo tipo de viol\u00eancia e racismo e pelo bem viver\u201d, bradou, sendo ovacionada em seguida.<\/p>\n<p>O ato seguiu pela orla de Copacabana com gritos de \u201cvem para a marcha, vem!\u201d. As participantes carregavam faixas, cartazes e ostentavam placas como retratos de mulheres negras que lutaram pela defesa, respeito e empoderamento da popula\u00e7\u00e3o preta, como a escritora Carolina Maria de Jesus, a cantora Elza Soares, a intelectual L\u00e9lia Gonzalez, a l\u00edder quilombola no s\u00e9culo 18 Tereza de Benguela, e a vereadora carioca Marielle Franco, assassinada em 2018.<\/p>\n<p><strong>Marielle presente<\/strong><br \/>\nA ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, irm\u00e3 de Marielle, esteve na passeata e disse ser uma importante ressignifica\u00e7\u00e3o ter tanta mulher negra reunida na orla de um bairro onde costumam apenas trabalhar.<\/p>\n<p>&#8220;A gente est\u00e1 em marcha, a gente n\u00e3o est\u00e1 dispersa, pelo contr\u00e1rio. Que bom que a gente tem o governo federal \u00e0 frente de pol\u00edticas p\u00fablicas eficazes, de sa\u00fade a educa\u00e7\u00e3o, seguran\u00e7a, que \u00e9 o mais importante. \u00c9 a nona marcha. A gente sempre marchou e vai continuar marchando. Estar ao lado dessas mulheres, para mim, est\u00e1 dando um sentimento de acalanto e fortalecimento nesse lugar&#8221;.<\/p>\n<p>A ministra lembrou que a irm\u00e3 sempre participava das marchas. \u201cMari, se estivesse aqui, com certeza estaria abrilhantando muito essa marcha, estaria aqui \u00e0 frente. A Mari n\u00e3o estar aqui significa que toda e qualquer mulher para ter que estar aqui tamb\u00e9m corre perigo, ent\u00e3o, enquanto a gente n\u00e3o conseguir descobrir quem mandou matar e por qu\u00ea, significa que as mulheres negras, a democracia, quem est\u00e1 aqui \u00e0 frente, corajosamente, colocando o seu corpo nesse lugar, onde historicamente n\u00e3o \u00e9 para a gente, tamb\u00e9m corre perigo\u201d, disse Anielle.<\/p>\n<p>A advogada Marinete da Silva, m\u00e3e de Marielle, lembrou que a marcha acontece no m\u00eas em que a filha faria anivers\u00e1rio. \u201cEstamos aqui para, a cada dia, dizer que estamos assumindo cada vez mais esse poder e esse lugar de fala, que \u00e9 nosso. Esse julho que nos representa. \u00c9 o julho das pretas\u201d, disse.<\/p>\n<p><strong>Negra no Supremo<\/strong><br \/>\nLembrando que no ano que vem acontecem elei\u00e7\u00f5es municipais, Clatia Vieira, uma das organizadoras da marcha, defendeu que as mulheres negras ganhem mais espa\u00e7o na pol\u00edtica. Ela levantou ainda outra bandeira do movimento: a esperan\u00e7a de uma negra ocupar a pr\u00f3xima vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00f3s trabalhamos para isso, n\u00f3s constru\u00edmos. \u00c9 nesse governo que as mulheres negras, pela primeira vez na hist\u00f3ria, v\u00e3o sentar naquela cadeira, para que as nossas pautas sejam discutidas com a gente\u201d.<\/p>\n<p>A pr\u00f3xima vaga na corte m\u00e1xima do Judici\u00e1rio brasileiro vai ser aberta em outubro deste ano, com a aposentadoria compuls\u00f3ria (75 anos) da ministra Rosa Weber. O nome do futuro ministro \u00e9 uma escolha do presidente da Rep\u00fablica, e precisa ser aprovado pelo Senado.<\/p>\n<p><strong>Desafios<\/strong><br \/>\nClatia Vieira lembrou que a marcha n\u00e3o \u00e9 uma festa, e sim um movimento para enfrentar lutas. N\u00fameros comprovam que a situa\u00e7\u00e3o da mulher negra \u00e9 desafiadora. Elas s\u00e3o 67% das v\u00edtimas de feminic\u00eddios e 89% das v\u00edtimas de viol\u00eancia sexual. No mercado de trabalho, s\u00e3o as que sofrem mais com o desemprego.<\/p>\n<p>Leon\u00eddia Carvalho, \u00e9 presidente do Quilombo Dona Bilina, em Campo Grande, na zona oeste do Rio de Janeiro. Para ela, o ato deste domingo \u00e9 tamb\u00e9m pela soberania alimentar da popula\u00e7\u00e3o preta.<\/p>\n<p>\u201cEstamos lutando por v\u00e1rias lutas que foram pautadas ao longo da hist\u00f3ria, ap\u00f3s a liberta\u00e7\u00e3o [fim da escravid\u00e3o], quando foram tirados do povo negro o direito \u00e0 terra, \u00e0 moradia, \u00e0 planta\u00e7\u00e3o, \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o de qualidade. Essa marcha representa uma luta dessas mulheres que est\u00e3o em casa, nas cozinhas delas e n\u00e3o t\u00eam o alimento de qualidade, \u00e9 uma luta antirracista e pela soberania alimentar\u201d.<\/p>\n<p>A manifesta\u00e7\u00e3o contou com a participa\u00e7\u00e3o de grupos de m\u00fasica, como o Filhos de Gandhi, que completou 70 anos.<\/p>\n<p><strong>Passagem de gera\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nAlgumas das mulheres presentes na marcha fizeram quest\u00e3o de levar filhos pequenos, em um esfor\u00e7o para preservar e passar adiante o interesse pela luta antirracista.<\/p>\n<p>Pulch\u00e9ria Silva \u00e9 de Volta Redonda, cidade no sul do estado do Rio de Janeiro, que fica a mais de duas horas de carro de Copacabana. Ao mesmo tempo em que acompanhava a marcha, ela amamentava o filho de 1 ano e 7 meses.<\/p>\n<p>\u201cTemos que nos posicionar, demonstrar para a sociedade a nossa conscientiza\u00e7\u00e3o, as nossas lutas e a valoriza\u00e7\u00e3o que vem crescendo, cada vez mais, da mulher negra\u201d, disse \u00e0 Ag\u00eancia Brasil, afirmando acreditar que a presen\u00e7a do filho \u00e9 uma forma de faz\u00ea-lo crescer com consci\u00eancia nas ra\u00edzes dele.<\/p>\n<p><strong>Dia Internacional<\/strong><br \/>\nO Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha (25 de julho) foi criado pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unida (ONU), durante o 1\u00ba Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-Caribenhas, em Santo Domingo, na Rep\u00fablica Dominicana, em 1992. No Brasil, a data tamb\u00e9m \u00e9 uma homenagem \u00e0 Tereza de Benguela, conhecida como Rainha Tereza, que viveu no s\u00e9culo 18, no Vale do Guapor\u00e9, em Mato Grosso, e liderou o Quilombo de Quariter\u00ea.<\/p>\n<p>O Dia Internacional da Mulher Africana, celebrado em 31 de julho, foi criado em refer\u00eancia \u00e0 Confer\u00eancia das Mulheres Africanas, em 1962, na cidade de Dar Es Salaam, na Tanz\u00e2nia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mulheres negras de v\u00e1rias partes do estado do Rio de Janeiro tomaram conta da orla de Copacabana neste domingo (30). Elas participaram da 9\u00aa Marcha das Mulheres Negras, que levou para o bairro da zona sul carioca o lema Mulheres Negras Unidas contra o Racismo, Toda Forma de Opress\u00e3o, Viol\u00eancia e pelo Bem Viver. 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