{"id":309924,"date":"2023-07-31T00:17:02","date_gmt":"2023-07-31T03:17:02","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=309924"},"modified":"2023-07-31T07:19:12","modified_gmt":"2023-07-31T10:19:12","slug":"exposicao-costura-historia-de-b-b-king-contra-o-racismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/exposicao-costura-historia-de-b-b-king-contra-o-racismo\/","title":{"rendered":"Exposi\u00e7\u00e3o costura hist\u00f3ria de B. B. King contra o racismo"},"content":{"rendered":"<p>A trajet\u00f3ria do guitarrista e compositor norte-americano B.B. King est\u00e1 sendo apresentada em uma exposi\u00e7\u00e3o no Museu da Imagem e do Som (MIS), na zona oeste da capital paulista. Logo na entrada, quem visita a mostra recebe uma provoca\u00e7\u00e3o que contextualiza a trajet\u00f3ria do artista, que ficou conhecido internacionalmente como Rei do Blues. \u00c9 preciso escolher entre duas portas, uma para pessoas brancas e outra para negras, lembrando, assim, do per\u00edodo das leis racistas de segrega\u00e7\u00e3o que vigoraram nos Estados Unidos na primeira metade do s\u00e9culo 20.<\/p>\n<p>O blues \u00e9 um g\u00eanero musical que surgiu nos Estados Unidos no s\u00e9culo 19. Esse estilo se desenvolveu a partir das tradi\u00e7\u00f5es musicais africanas, que envolviam aspectos religiosos, culturais e principalmente a quest\u00e3o racial.<\/p>\n<p>A exposi\u00e7\u00e3o do MIS proporciona ao visitante uma narrativa sensorial, quando este passa por um corredor que simula o clima das planta\u00e7\u00f5es de algod\u00e3o do Mississipi, no sul do pa\u00eds, onde King trabalhou na juventude.<\/p>\n<p>As can\u00e7\u00f5es de trabalho e as que conclamam \u00e0 revolta as popula\u00e7\u00f5es negras que viveram a escraviza\u00e7\u00e3o nas fazendas, anos antes, tamb\u00e9m fazem parte da trilha sonora da exposi\u00e7\u00e3o. Assim, a vida do m\u00fasico \u00e9 costurada com a luta por direitos das pessoas negras norte-americanas.<\/p>\n<p><strong>M\u00fasica e guitarra autografada<\/strong><br \/>\nFotografias, objetos e m\u00fasicas tocadas em v\u00eddeos e instala\u00e7\u00f5es ambientes, mostram ao p\u00fablico como foi a carreira art\u00edstica de King. Ap\u00f3s deixar o trabalho nas planta\u00e7\u00f5es, o m\u00fasico, nascido em 16 de setembro de 1925 e batizado Riley Ben King, foi DJ e apresentador na WDIA, primeira esta\u00e7\u00e3o de r\u00e1dio com programa\u00e7\u00e3o destinada a afro-americanos. \u00c9 poss\u00edvel ver cartazes de shows e espet\u00e1culos a partir de 1948, quando ele j\u00e1 usava o nome art\u00edstico de B.B. King.<\/p>\n<p>Uma guitarra Gibson Lucille, autografada, est\u00e1 em exibi\u00e7\u00e3o em uma das vitrines. O modelo foi batizado pela fabricante em homenagem ao m\u00fasico, que chamava seus instrumentos de Lucille, como forma de carinho e tamb\u00e9m como um lembrete para si mesmo. No in\u00edcio da carreira, King entrou em um teatro em chamas para salvar sua guitarra. Segundo narra\u00e7\u00e3o dele pr\u00f3prio, mais tarde, King soube que o fogo havia come\u00e7ado durante uma briga entre dois homens por uma mulher chamada Lucille. Na anedota, King diz que chamou sua guitarra de Lucille para evitar correr tantos riscos no futuro.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m podem ser vistas partituras, registros de turn\u00eas, figurino de shows e pr\u00eamios recebidos pelo artista ao longo da carreira, encerrada em 2015, com sua morte, aos 89 anos por complica\u00e7\u00f5es da diabetes.<\/p>\n<p><strong>Imers\u00e3o na hist\u00f3ria e no blues<\/strong><br \/>\nO auge da carreira de King, que chegou a fazer mais de 340 apresenta\u00e7\u00f5es em um ano, \u00e9 marcado por uma foto dele e sua banda com o \u00f4nibus que levava o grupo por todas as partes dos Estados Unidos. A imagem dialoga com uma reconstru\u00e7\u00e3o cenogr\u00e1fica de um \u00f4nibus segregado, em homenagem a Rosa Parks, uma mulher negra que foi presa ao se negar a ceder seu lugar para um homem branco. A injusti\u00e7a inflamou a comunidade negra, que promoveu um duro boicote ao sistema de transporte p\u00fablico, em Montgomery, no estado sulista do Alabama.<\/p>\n<p>As a\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e sociais do pr\u00f3prio King t\u00eam espa\u00e7o na mostra, que traz fotos dos shows que fez em pres\u00eddios, como forma de solidariedade \u00e0 popula\u00e7\u00e3o negra encarcerada. O m\u00fasico criou ainda uma associa\u00e7\u00e3o para facilitar a reinser\u00e7\u00e3o de ex-detentos na sociedade, muitos deles v\u00edtimas do sistema de Justi\u00e7a norte-americano, considerado racista.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo que \u00e9 poss\u00edvel aprofundar-se na hist\u00f3ria de um dos maiores nomes do blues do mundo, o p\u00fablico pode fazer uma imers\u00e3o completa na obra do artista, chegando \u00e0 sensa\u00e7\u00e3o quase literal de estar em um disco de vinil, como proposta de uma das instala\u00e7\u00f5es. Muito do material exposto veio do B.B.King Museum, que fica no estado do Mississipi.<\/p>\n<p>A mostra B.B. King: Um Mundo Melhor em Algum Lugar pode ser visitada at\u00e9 8 de outubro no Museu da Imagem e do Som (MIS).<\/p>\n<p>O MIS abre de ter\u00e7a a sexta-feira, das 10h \u00e0s 19h e, aos s\u00e1bados, das 10h \u00e0s 20h. Nos domingos e feriados, as visitas v\u00e3o das 10h \u00e0s 18h. A entrada \u00e9 gratuita \u00e0s ter\u00e7as-feiras.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A trajet\u00f3ria do guitarrista e compositor norte-americano B.B. King est\u00e1 sendo apresentada em uma exposi\u00e7\u00e3o no Museu da Imagem e do Som (MIS), na zona oeste da capital paulista. 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