{"id":309939,"date":"2023-07-31T08:12:58","date_gmt":"2023-07-31T11:12:58","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=309939"},"modified":"2023-07-31T08:12:58","modified_gmt":"2023-07-31T11:12:58","slug":"confusoes-afloram-nossas-mascaras-de-cada-dia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/confusoes-afloram-nossas-mascaras-de-cada-dia\/","title":{"rendered":"Confus\u00f5es afloram nossas m\u00e1scaras de cada dia"},"content":{"rendered":"<p>Lembro de minha falecida m\u00e3e pedindo diariamente para que eu n\u00e3o me metesse em confus\u00e3o. Eu era muito jovem e ainda n\u00e3o tinha ideia do que era de fato uma confus\u00e3o. Sabia conjugar o verbo meter em todos os tempos, mas confundia confus\u00e3o com, por exemplo, um buraco de formiga. Com o passar do tempo, aprendi com o amigo escriba aqui de <strong>Notibras<\/strong> Eduardo Mart\u00ednez, que denominamos confus\u00e3o o ato de tomar uma coisa ou uma pessoa por outra. Tamb\u00e9m pode ser equ\u00edvoco, engano e at\u00e9 distra\u00e7\u00e3o. Ser\u00e1? Digo isso porque j\u00e1 ouvi Renato Russo, o grande menestrel da Colina, dizer que andava distra\u00eddo, impaciente, indeciso e confuso. Os tempos eram dedicados ao Aborto El\u00e9trico, que, felizmente, n\u00e3o significava matar um feto com descarga el\u00e9trica, mas apenas uma banda de jovens que muito rapidamente alcan\u00e7ou o estrelato.<\/p>\n<p>Anos depois, o poeta brasiliense informou que estava diferente, tranquilo e muito contente. Algum delirium extremis? Claro que n\u00e3o! Era apenas o seu novo eu, o gajo que havia descoberto um mundo melodioso, delirante, prazeroso e sem preconceitos. No Rio de Janeiro urbano e com diversas legi\u00f5es, ele encontrou Cazuza, isto \u00e9, sua verdadeira praia. E dela nunca mais saiu. Que Deus os tenha. Como Renato, a maioria dos artistas de nossa \u00e9poca prefere o que \u00e9 confuso, enigm\u00e1tico. Nada do que \u00e9 expl\u00edcito os atrai. A tese da rapazeada n\u00e3o \u00e9 ganhar, mas evitar perder ou empatar. Ent\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 zero a zero e nem um a um. Eita! Olha eu de volta \u00e0 confus\u00e3o do in\u00edcio da narrativa. Se n\u00e3o sou artista, n\u00e3o ganhei, perdi ou empatei, o que fiz da vida?<\/p>\n<p>Abundei-me internamente de esperan\u00e7a pelo reconhecimento de minha segunda personalidade, pois achava que, se por um lado eu gostava, por outro tamb\u00e9m. Meu Deus! Ser\u00e1 que sou o que jamais experimentei? N\u00e3o, mil vezes n\u00e3o! Embora saiba que na vida existem muitas m\u00e1scaras para poucos rostos, melhor parar por aqui e n\u00e3o explicar demais, porque sempre haver\u00e1 algu\u00e9m que entender\u00e1 tudo errado de qualquer jeito. Antes que pensem algo a mais, devo esclarecer que minha masculinidade j\u00e1 ultrapassou o est\u00e1gio alfa. Agora, sou beta, gama, Flamengo e Mocidade Independente. Sei que a confus\u00e3o continua. E da\u00ed? Pelo menos descobri a tempo que saco vazio n\u00e3o para em p\u00e9. Por isso, fico deitado a maior parte do tempo. Ou seja, n\u00e3o desisto dos meus sonhos. Permane\u00e7o dormindo.<\/p>\n<p>Esclare\u00e7o que normalmente n\u00e3o me deito de bru\u00e7os, o famoso dec\u00fabito dorsal. Normalmente opto por aquele tipo de ladinho. \u00c9 o meu jeito. N\u00e3o tentem entender. Sigo a m\u00e1xima de que o errado \u00e9 errado, mesmo que todos estejam fazendo, e que o certo \u00e9 certo, mesmo que ningu\u00e9m esteja fazendo. Lembrem-se apenas que o casamento \u00e9 a principal raz\u00e3o de qualquer div\u00f3rcio. Afinal, quem nunca jogou o Danoninho na pia e a colher no lixo n\u00e3o sabe o que \u00e9 ficar confuso. Pior s\u00e3o aqueles que compram lim\u00f5es, mas fazem suco de laranja. Hoje, meu maior aprendizado \u00e9 que, entre as palavras mais profundas do mundo, h\u00e1 o subsolo. Eis a\u00ed minha l\u00f3gica sem l\u00f3gica sobre os pessimistas, que, na verdade, s\u00e3o os otimistas com alguma experi\u00eancia. Acho que est\u00e1 na hora de voltar a escrever sobre nossos anjinhos da pol\u00edtica. Corro menos risco. Ser\u00e1?<\/p>\n<p>Como sei que existem batalhas que s\u00f3 se ganham perdendo, s\u00f3 n\u00e3o procuro um psiquiatra porque eles resolveram cobrar pre\u00e7os de doidos. Pelo sim, pelo n\u00e3o, sabedor de que o trabalho duro d\u00e1 muitos frutos, danei a plantar \u00e1rvores frut\u00edferas. Em outras palavras, depois dos serm\u00f5es de minha m\u00e3e, acho que amadureci: hoje fico triste, mas n\u00e3o anuncio no Twitter ou no Facebook. Ou\u00e7o Waldick Soriano por uma \u00fanica raz\u00e3o: o trem da alegria s\u00f3 me traz tristezas. Enfim, tudo isso para dizer que estou avaliando o carinhoso convite de Eduardo Mart\u00ednez para tomar umas com ele e com Jos\u00e9 Seabra. Ainda n\u00e3o aceitei porque o \u00e1lcool n\u00e3o soluciona nenhum problema. Nem a \u00e1gua. Na verdade, n\u00e3o estou dando sopa. Se tr\u00eas mulheres juntas s\u00e3o a cobra, o jacar\u00e9 e o elefante, o que diriam sobre tr\u00eas homens na mesma mesa?<\/p>\n<p>Melhor nem saber. S\u00f3 respondo por mim. Mesmo sem pilha, at\u00e9 tenho controle, mas o pre\u00e7o \u00e9 uma prece. E eu n\u00e3o pago para ver. Embora atormentado pelo sil\u00eancio de minhas notifica\u00e7\u00f5es no WhatsApp, n\u00e3o tenho desculpas para deixar de estudar a vida a partir de prismas divergentes, mas com ideias convergentes. Me perdoem, mas existem ocasi\u00f5es em que preciso muito de voc\u00eas e da aus\u00eancia de ambos. Sendo ainda mais verdadeiro, h\u00e1 dias em que o sil\u00eancio \u00e9 o suspiro de um grito calado. Resumindo toda essa confus\u00e3o, fa\u00e7o minhas as palavras de Appar\u00edcio Torelly, o Bar\u00e3o de Itarar\u00e9: \u201cA alma humana, como os bolsos da batina do padre, tem segredos inconfess\u00e1veis\u201d. \u00c9 cada qual com seu cada qual. Eu fico com os meus. Do alto de minha alma predadora e de meus conceitos alfas, mantenho a cabe\u00e7a fria para ter sempre ideias frescas. Meus irm\u00e3os, estou \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o. Sobre o abundar-se, nada a ver com a abund\u00e2ncia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lembro de minha falecida m\u00e3e pedindo diariamente para que eu n\u00e3o me metesse em confus\u00e3o. Eu era muito jovem e ainda n\u00e3o tinha ideia do que era de fato uma confus\u00e3o. Sabia conjugar o verbo meter em todos os tempos, mas confundia confus\u00e3o com, por exemplo, um buraco de formiga. 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