{"id":310357,"date":"2023-08-06T06:40:03","date_gmt":"2023-08-06T09:40:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=310357"},"modified":"2023-08-06T08:51:13","modified_gmt":"2023-08-06T11:51:13","slug":"marcelo-50-tataraneto-de-rei-druso-e-rei-da-ti-com-a-reitec","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/marcelo-50-tataraneto-de-rei-druso-e-rei-da-ti-com-a-reitec\/","title":{"rendered":"Marcelo, 50, tataraneto de rei druso, \u00e9 rei da TI com a Reitec"},"content":{"rendered":"<p>Hoje \u00e9 dia de narrativa em poucas linhas. Do L\u00edbano ao Brasil, com uma parada no Marrocos. Quatrocentos anos depois, na terra descoberta por Cabral. A primeira parada foi em Bel\u00e9m &#8211; a nossa, no Par\u00e1, n\u00e3o aquela onde uma estrela guiou os 3 Reis Magos. Depois, Recife&#8230; e Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>A viagem teve in\u00edcio em meados de 1914, ano que come\u00e7ou com o pren\u00fancio de terra banhada em sangue. Rifles, metralhadoras, canh\u00f5es. E guilhotinas. Em junho irrompeu a I Guerra Mundial. O Imp\u00e9rio Otomano virou p\u00f3. E a Fran\u00e7a, antes de ser dado o primeiro tiro, j\u00e1 andava bisbilhotando o Vale do Bekaa, onde era produzido, dizia a lenda, o melhor vindo de todo o planeta.<\/p>\n<p>Enquanto a Europa jorrava muito mais sangue do que aquele que manchou as ruas de Sarajevo, borbulhando das art\u00e9rias do arquiduque Francisco Fernando, da \u00c1ustria, o xeique Mohamed Marmhut Sabra El-Awar &#8211; mal comparando, algo parecido como rei do Vale do Bekaa -, tinha sua cabe\u00e7a decepada pela arma criada por Joseph Ignace Gillotin.<\/p>\n<p>\u00c9 um per\u00edodo de pouco mais de um centen\u00e1rio da hist\u00f3ria. O Vale do Bekaa, no sop\u00e9 do Monte L\u00edbano, \u00e9 uma terra f\u00e9rtil. Mohamed, O Druso, dominava, por mais n\u00f4made que fosse seu povo, toda a plan\u00edcie. Seu sobrenome, dif\u00edcil de pronunciar, corresponde, em tradu\u00e7\u00e3o livre, a Guerreiro de Um Olho S\u00f3. Explica-se. Imagine-se com arco e flecha na m\u00e3o. Para uma boa mira no alvo, voc\u00ea fecha um dos olhos. Dada a explica\u00e7\u00e3o, retornemos \u00e0 narrativa.<\/p>\n<p>Os franceses, que voltaram para seus portos ap\u00f3s uma infrut\u00edfera tentativa de ocupar a terra tupiniquim onde Cabral chegou primeiro, aprenderam com o tempo. Um seu general, por\u00e9m, n\u00e3o foi viver na Ilha de Santa Helena, para onde foi mandado Napole\u00e3o ap\u00f3s a derrota de Waterloo. De olho nas terras e no vinho libaneses, um tio-av\u00f4 de De Gaulle utilizou sua artilharia contra o xeique, que dispunha de arcos, flechas e sabres. O fim tr\u00e1gico de Mohamed est\u00e1 contado acima.<\/p>\n<p>O druso de Bekaa, ali pela fronteira com a S\u00edria, tinha dois filhos. Salim e Yousseff Hussein, herdeiros, como o pai, do sobrenome de Um Olho S\u00f3. Perseguidos pelos invasores franceses, os irm\u00e3os embarcaram em um porto do Mediterr\u00e2neo e aportaram no Marrocos. De l\u00e1 para Bel\u00e9m, foi como dar bra\u00e7adas em uma piscina do tamanho do Atl\u00e2ntico.<\/p>\n<p>Os irm\u00e3os, drusos-crist\u00e3os como Pedro, O Pescador de Homens, montaram uma frota de navios e passaram a pescar peixes. Temendo que os pr\u00edncipes voltassem para reclamar o trono, a Fran\u00e7a determinou uma ca\u00e7a \u00e0s bruxas. Salim morreu v\u00edtima de um atentado, com uma bomba explodindo o barco que ele pilotava. J\u00e1 Yousseff foi agraciado com o que se convenciona chamar Poder Divino. Foi a um cart\u00f3rio de Bel\u00e9m, naturalizou-se e disse l\u00e1, com seu sotaque carregado, Jos\u00e9 Sabra. O escriv\u00e3o colocou um E entre o S e o A. Talvez por haver, no Par\u00e1, uma col\u00f4nia portuguesa de sobrenome Seabra.<\/p>\n<p>O ent\u00e3o Jos\u00e9 pegou um Ita no Norte e desembarcou no Recife. Virou empres\u00e1rio da ind\u00fastria da panifica\u00e7\u00e3o, casou-se com uma portuguesa (J\u00falia), em quem plantou algumas sementes ao longo dos anos.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria do reinado ficou para tr\u00e1s. As sementes germinaram, deram mais frutos e um, batizado Geraldo, veio para Bras\u00edlia quando os candangos respiravam poeira na constru\u00e7\u00e3o da nova capital. Trouxe na bagagem a esposa Madalena e cinco filhos. A prole cresceu com outros cinco, todos brasilienses.<\/p>\n<p>Neste fim de semana (s\u00e1bado 5 e domingo 6) Marcelo Seabra, tataraneto do xeique druso l\u00e1 do in\u00edcio da narrativa, comemora 50 anos. Um belo e aconchegante espa\u00e7o no Setor de Mans\u00f5es Dom Bosco est\u00e1 recebendo um batalh\u00e3o de parentes e amigos. Marcelo \u00e9 filho de Bet\u00e2nia, a bisneta n\u00famero 1. E, para fazer jus a Mohamed, virou rei da tecnologia.<\/p>\n<p>A festa acaba logo mais, quando as estrelas come\u00e7arem a tomar emprestado o brilho dos olhos do aniversariante, da sua m\u00e3e, da esposa Bia, dos filhos, tios, primos e amigos do peito. Marcelo tem sangue real nas veias. E comanda um reinado de TI. \u00c9 a Reitec.<\/p>\n<p>Quanto aos franceses, eles tomaram o L\u00edbano como protetorado ao fim da I Guerra. Mas, em 1949, os Sabra El-Awar criaram sua pr\u00f3pria bandeira. E at\u00e9 hoje, no Vale do Bekaa, transformam uvas em vinho. O conte\u00fado de algumas dessas garrafas ser\u00e1 degustado ao longo do dia. Com direito a churrasco de carneiro, ao molho de hortel\u00e3. Tim-tim.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje \u00e9 dia de narrativa em poucas linhas. Do L\u00edbano ao Brasil, com uma parada no Marrocos. Quatrocentos anos depois, na terra descoberta por Cabral. 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