{"id":310373,"date":"2023-08-06T00:41:40","date_gmt":"2023-08-06T03:41:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=310373"},"modified":"2023-08-06T19:28:15","modified_gmt":"2023-08-06T22:28:15","slug":"colinas-coralinas-na-abrigam-biodiversidade-incomum","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/colinas-coralinas-na-abrigam-biodiversidade-incomum\/","title":{"rendered":"Colinas coralinas abrigam biodiversidade incomum"},"content":{"rendered":"<p>O Monte Davis n\u00e3o \u00e9 um tipo de colina que se possa escalar. Tampouco \u00e9 um local que possa ser usado como mirante. Tamb\u00e9m n\u00e3o adianta procurar em um mapa f\u00edsico brasileiro, pelo menos n\u00e3o em um mapa que mostre a topografia terrestre do pa\u00eds.<\/p>\n<p>A forma\u00e7\u00e3o geol\u00f3gica est\u00e1 localizada embaixo d\u2019\u00e1gua, no Oceano Atl\u00e2ntico, a 900 quil\u00f4metros da costa do Esp\u00edrito Santo. Mais especificamente na cadeia montanhosa Vit\u00f3ria-Trindade, uma cordilheira submarina que se estende por mil quil\u00f4metros entre o litoral capixaba e a ilha oce\u00e2nica de Trindade.<\/p>\n<p>Um artigo publicado no ano passado na revista cient\u00edfica Coral Reefs mostrou que, apesar de n\u00e3o servir como ponto de observa\u00e7\u00e3o de um p\u00f4r do sol, o local tem grande biodiversidade e abriga um novo ambiente marinho habitado por esp\u00e9cies de corais, batizado pelos pesquisadores de colinas coralinas.<\/p>\n<p>O ambiente inclui n\u00e3o apenas o Monte Davis, como v\u00e1rias colinas submersas dos arredores, que ocorrem de 70 a 17 metros de profundidade. As colinas coralinas s\u00e3o ricas em biodiversidade e apresentam grande diferen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o aos recifes de corais existentes na costa brasileira e na ilha de Trindade.<\/p>\n<p>\u201cEsse ecossistema recifal \u00e9 completamente diferente daquilo que era conhecido antes. Tem uma forma\u00e7\u00e3o bem diferente, com uma complexidade bem interessante. Eles t\u00eam esse formato de colinas e s\u00e3o formados principalmente de algas coralin\u00e1ceas. Foi uma descoberta muito interessante, e tivemos a possibilidade de batizar esse ecossistema \u00fanico da cadeia Vit\u00f3ria-Trindade\u201d, disse o pesquisador da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) Hudson Pinheiro, um dos coordenadores do estudo.<\/p>\n<p>A pesquisa, realizada pela Rede de Especialistas em Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza, mantida pela Funda\u00e7\u00e3o Botic\u00e1rio, revelou, por exemplo, a exist\u00eancia de duas novas esp\u00e9cies de peixes. Uma delas \u00e9 end\u00eamica (s\u00f3 existe ali), enquanto a outra s\u00f3 possui registros ali e na ilha de Fernando de Noronha.<\/p>\n<p>Mais de 90% das esp\u00e9cies observadas pela pesquisa nunca tinham sido registradas no local, mostrando que apenas 10% da fauna das colinas coralinas eram conhecidas. \u201cAs \u00fanicas esp\u00e9cies conhecidas eram aquelas que vinham na pesca. Os montes submarinos abrigavam uma diversidade muito maior do que era conhecida\u201d, afirma Pinheiro.<\/p>\n<p>O estudo constatou que as colinas coralinas abrigam a maior biomassa de peixes recifais do Oceano Atl\u00e2ntico, ou seja, a regi\u00e3o re\u00fane uma grande quantidade de peixes de grande porte. \u201cH\u00e1 uma quantidade muito grande de esp\u00e9cies. S\u00e3o peixes grandes. Temos a presen\u00e7a de tubar\u00f5es, garoupas, barracudas\u201d, diz o pesquisador.<\/p>\n<p>Segundo ele, as descobertas s\u00e3o importantes para garantir a preserva\u00e7\u00e3o do local, que \u00e9 alvo de pesca n\u00e3o controlada e j\u00e1 foi, recentemente, submetido \u00e0 minera\u00e7\u00e3o de calc\u00e1rio autorizada pelo governo.<\/p>\n<p>\u201cEsses ambientes s\u00e3o isolados. Algumas esp\u00e9cies at\u00e9 conseguem migrar de um monte at\u00e9 outro, mas muitas dependem de sua pr\u00f3pria popula\u00e7\u00e3o ali [em uma colina espec\u00edfica] para se manter e ter a possibilidade de evoluir. Destruindo o ambiente em que elas ocorrem, perde-se toda a linhagem evolutiva que demorou milhares e milhares de anos para ser formada, com esp\u00e9cies e linhagens \u00fanicas.\u201d<\/p>\n<p>O levantamento tamb\u00e9m \u00e9 importante, segundo Hudson Pinheiro, porque muitos montes est\u00e3o em \u00e1guas internacionais. \u201cO Brasil est\u00e1 pleiteando a inser\u00e7\u00e3o de muitos desses montes para a zona econ\u00f4mica exclusiva. A gente mostra que ali tem uma biodiversidade \u00fanica, que merece aten\u00e7\u00e3o, um planejamento para um desenvolvimento sustent\u00e1vel da regi\u00e3o. Tamb\u00e9m subsidia a proposta de cria\u00e7\u00e3o de uma reserva da biosfera marinha.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Monte Davis n\u00e3o \u00e9 um tipo de colina que se possa escalar. Tampouco \u00e9 um local que possa ser usado como mirante. 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