{"id":310631,"date":"2023-08-09T08:11:00","date_gmt":"2023-08-09T11:11:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=310631"},"modified":"2023-08-09T10:13:06","modified_gmt":"2023-08-09T13:13:06","slug":"estudo-mostra-impacto-de-tiroteios-na-saude-de-moradores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/estudo-mostra-impacto-de-tiroteios-na-saude-de-moradores\/","title":{"rendered":"Estudo mostra impacto de tiroteios na sa\u00fade de moradores"},"content":{"rendered":"<p>Os confrontos armados rotineiros em favelas cariocas causam centenas de mortes violentas anualmente. Mas ter que conviver com os tiroteios pode tamb\u00e9m piorar a sa\u00fade mental e f\u00edsica dos moradores dessas \u00e1reas, contribuindo para o desenvolvimento de quadros de hipertens\u00e3o arterial, ansiedade, ins\u00f4nia, falta de ar e depress\u00e3o.<\/p>\n<p>A constata\u00e7\u00e3o \u00e9 de pesquisa divulgada nesta quarta-feira (9) pelo Centro de Estudos de Seguran\u00e7a e Cidadania (Cesec), que compara a situa\u00e7\u00e3o de sa\u00fade de moradores de favelas expostas a um n\u00famero maior de tiroteios envolvendo agentes do Estado com a de pessoas que vivem em comunidades mais tranquilas (com n\u00famero menor de confrontos armados).<\/p>\n<p>A pesquisa mostra, por exemplo, que os riscos de moradores de favelas mais expostas a tiroteios desenvolverem depress\u00e3o e ansiedade s\u00e3o mais do que o dobro daqueles de outras comunidades. A preval\u00eancia tamb\u00e9m \u00e9 maior nos casos de ins\u00f4nia (73%) e hipertens\u00e3o arterial (42%).<\/p>\n<p>Um ter\u00e7o dos moradores dessas comunidades tamb\u00e9m relatou sudorese, falta de sono, tremor e falta de ar durante os tiroteios.<\/p>\n<p>\u201cA pol\u00edtica de seguran\u00e7a n\u00e3o promove seguran\u00e7a de verdade e promove, por outro lado, medo, adoecimento e, muitas vezes, morte\u201d, afirma a soci\u00f3loga Rachel Machado, coordenadora da pesquisa.<\/p>\n<p>O estudo tamb\u00e9m apresenta os efeitos dos tiroteios nas unidades de sa\u00fade. Nas comunidades com maior n\u00famero de confrontos armados, 59,5% dos moradores afirmaram que as unidades j\u00e1 tinham sido fechadas por causa da viol\u00eancia, enquanto nas demais comunidades, o \u00edndice \u00e9 de 12,9%.<\/p>\n<p>Nas comunidades mais expostas \u00e0 viol\u00eancia, 26,5% dos moradores j\u00e1 adiaram a busca por aten\u00e7\u00e3o m\u00e9dica devido a confrontos, enquanto nas \u00e1reas mais tranquilas esse \u00edndice \u00e9 de apenas 5,9%.<\/p>\n<p>\u201cExiste uma escolha pol\u00edtica [do Estado] por sistematicamente fazer opera\u00e7\u00f5es violentas, que causam esse impacto na sa\u00fade dos moradores, que transformam a rotina deles e n\u00e3o d\u00e3o paz nem dentro de casa. Tamb\u00e9m os impedem de acessar um direito t\u00e3o fundamental, que \u00e9 o direito \u00e0 sa\u00fade, garantido pela Constitui\u00e7\u00e3o. Existe uma unidade de sa\u00fade pr\u00f3xima \u00e0 sua resid\u00eancia, para voc\u00ea ser atendido e voc\u00ea n\u00e3o pode [por causa dos tiroteios]\u201d, explica Rachel.<\/p>\n<p>A pesquisa ouviu 1.500 moradores de seis comunidades cariocas, sendo tr\u00eas com maior n\u00famero de tiroteios em 2019 (Nova Holanda, na Mar\u00e9; CHP-2, em Manguinhos; e Vidigal, na zona sul) e tr\u00eas que n\u00e3o registraram confrontos armados naquele ano (Parque Prolet\u00e1rio dos Banc\u00e1rios, na Ilha; Parque Conquista, no Caju; e Jardim Moricaba, na zona oeste).<\/p>\n<p>Em nota, a Pol\u00edcia Militar (PM) informou que a \u201cop\u00e7\u00e3o inconsequente pelo confronto armado \u00e9 sempre dos criminosos\u201d e que suas a\u00e7\u00f5es \u201cs\u00e3o pautadas por informa\u00e7\u00f5es de intelig\u00eancia e planejamento pr\u00e9vio, tendo como preocupa\u00e7\u00e3o central a preserva\u00e7\u00e3o de vidas e o cumprimento irrestrito da legisla\u00e7\u00e3o em vigor\u201d.<\/p>\n<p>A PM destacou que investe em equipamentos para que suas a\u00e7\u00f5es \u201csejam cada vez mais t\u00e9cnicas e seguras\u201d e que, no primeiro semestre deste ano, houve queda de 12,3% no n\u00famero de mortes por interven\u00e7\u00e3o de agentes do Estado, em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano passado.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m em nota, a Pol\u00edcia Civil disse que usa informa\u00e7\u00f5es de intelig\u00eancia e faz planejamentos detalhados em todas suas opera\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m disso, as a\u00e7\u00f5es priorizam a preserva\u00e7\u00e3o da vida dos agentes e dos cidad\u00e3os.<\/p>\n<p>\u201cA Pol\u00edcia Civil acrescenta que a atua\u00e7\u00e3o em comunidades \u00e9 parte das a\u00e7\u00f5es de combate \u00e0 criminalidade e se trata de trabalho fundamental, uma vez que as organiza\u00e7\u00f5es criminosas utilizam os recursos advindos com as pr\u00e1ticas delituosas para financiar seus dom\u00ednios territoriais, com a restri\u00e7\u00e3o de liberdade dos moradores das regi\u00f5es ocupadas por elas\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os confrontos armados rotineiros em favelas cariocas causam centenas de mortes violentas anualmente. Mas ter que conviver com os tiroteios pode tamb\u00e9m piorar a sa\u00fade mental e f\u00edsica dos moradores dessas \u00e1reas, contribuindo para o desenvolvimento de quadros de hipertens\u00e3o arterial, ansiedade, ins\u00f4nia, falta de ar e depress\u00e3o. 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