{"id":310954,"date":"2023-08-14T00:41:28","date_gmt":"2023-08-14T03:41:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=310954"},"modified":"2023-08-14T08:43:53","modified_gmt":"2023-08-14T11:43:53","slug":"alvo-de-preconceitos-funk-muda-vidas-e-movimenta-economia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/alvo-de-preconceitos-funk-muda-vidas-e-movimenta-economia\/","title":{"rendered":"Alvo de preconceitos, funk muda vidas e movimenta economia"},"content":{"rendered":"<p>Nascido na favela, marginal, alvo de preconceitos, associado ao erotismo, \u00e0 viol\u00eancia e \u00e0 criminalidade, criticado, perseguido e no topo das paradas da m\u00fasica pop internacional. Esse \u00e9 o funk, g\u00eanero musical que, na \u00faltima semana, teve uma s\u00e9rie exibida pela <em>TV Brasil &#8211; Funk: das favelas do Brasil para o mundo<\/em>. Os epis\u00f3dios est\u00e3o dispon\u00edveis na \u00edntegra no Youtube.<\/p>\n<p>\u201cO preconceito que o g\u00eanero sofre hoje \u00e9 o que a capoeira e o samba j\u00e1 sofreram\u201d, diz o pesquisador e professor de m\u00fasica Thiagson. Apesar disso, est\u00e1 entre os ritmos brasileiros mais tocados no exterior, de acordo com a plataforma Spotify, e ganha cada vez mais ouvintes. \u201cA gente tem Anitta, Ludmila, MC Carol, que s\u00e3o funkeiras desde muito tempo, mas ainda falta\u201d, diz a MC Natitude.<\/p>\n<p>Neste ano, o \u00e1lbum Funk Brasil Vol. 1, do DJ Marlboro, lan\u00e7ado em 1989, completa 34 anos. O disco \u00e9 considerado o marco zero do funk brasileiro. O disco nasceu de um encontro. Certo dia, no ano de 1986, o antrop\u00f3logo Hermano Vianna presenteou o DJ Marlboro com uma pequena bateria eletr\u00f4nica Boss DR-110, tirada do est\u00fadio do seu irm\u00e3o Herbert Vianna, do Paralamas do Sucesso.<\/p>\n<p>\u201cO Hermano Vianna me procura na r\u00e1dio, ele ouvia meu programa e estava fazendo a tese de mestrado, ele queria que eu o levasse aos bailes. Um belo dia me d\u00e1 a bateria eletr\u00f4nica. Cara, acendeu a primeira eureca\u201d, diz Malboro. O disco, que tinha letras exclusivas em portugu\u00eas, sofreu resist\u00eancia das gravadoras e do pr\u00f3prio movimento funk, at\u00e9 ent\u00e3o mais voltado para a m\u00fasica internacional. Mas o disco foi um sucesso, com milhares de c\u00f3pias vendidas.<\/p>\n<p>Desde a d\u00e9cada de 80, Malboro prev\u00ea que o funk vai se espalhar. \u201cO futuro do funk, eu j\u00e1 previa. Sabia que ia cada vez mais se popularizar e se transformar em m\u00fasica pop dan\u00e7ante com batida de funk. Continuar sendo voz dos exclu\u00eddos\u201d, diz. O movimento se espalha, ent\u00e3o, do Rio de Janeiro para S\u00e3o Paulo, Minas Gerais, Esp\u00edrito Santos, Pernambuco e outras capitais.<\/p>\n<p>\u201cQuanto mais artistas tinha na favela, menos violenta ela era. V\u00e3o surgindo outras pessoas como exemplo de vida de ascens\u00e3o, de cidadania, de vida melhor\u201d, acrescenta Malboro.<\/p>\n<p><strong>Economia e impacto social<\/strong><br \/>\nCom milh\u00f5es de ouvintes e de visualiza\u00e7\u00f5es em clipes, o funk movimenta a economia. S\u00e3o v\u00e1rios os projetos, as gravadoras e as produtoras voltadas para o g\u00eanero musical. Entre os projetos citados nas reportagens da TV Brasil est\u00e3o o Rede Funk Social, em S\u00e3o Gon\u00e7alo (RJ), o Projeto Estudeofunk, no Rio de Janeiro, Enxame de MC, em Recife, Pernambuco e KondZilla, que \u00e9 o maior canal de m\u00fasica da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>\u201cA KondZilla nasce nesse lugar de repensar como o funk \u00e9 visto e \u00e9 reproduzido. \u00c9 posicionar nossos artistas, nosso movimento, as pessoas que constroem esse movimento do funk num lugar de artistas que t\u00eam que ser legitimados e reconhecidos pela arte que fazem\u201d, diz a gerente de artistas e repert\u00f3rio da KondZilla, Rachel Daniel.<\/p>\n<p>O funk mudou vidas, como a da bailarina e educadora Lilian Martins, criada em Pedreira, zona sul da cidade de S\u00e3o Paulo. \u201cEu sempre fui para o baile funk, desde pequenininha, sempre assisti. Depois, com meus 15, 16 anos comecei a frequentar os bailes. Mas, eu ia de bicicletinha, ficava escondida atr\u00e1s do carro e sempre via o baile como um grande espet\u00e1culo\u201d, conta.<\/p>\n<p>Ela faz parte da Clar\u00edn Cia de Dan\u00e7a, que levou o passinho ao palco do Theatro Municipal de S\u00e3o Paulo, com adapta\u00e7\u00e3o do espet\u00e1culo Ou 9 ou 80. O 9 faz refer\u00eancia ao Massacre de Parais\u00f3polis, na zona sul da cidade de S\u00e3o Paulo, quando nove jovens foram mortos em a\u00e7\u00e3o policial no baile funk DZ7 em Parais\u00f3polis. J\u00e1 o 80 faz refer\u00eancia ao assassinato do m\u00fasico Evaldo dos Santos Rosa, 51 anos, em decorr\u00eancia de uma opera\u00e7\u00e3o do Ex\u00e9rcito, em Guadalupe, zona oeste do Rio de Janeiro. O carro de Evaldo foi atingido por mais de 80 tiros de fuzil, disparados pelos militares.<\/p>\n<p>\u201cAs pessoas da comunidade n\u00e3o acreditam na pr\u00f3pria pot\u00eancia. A gente cresceu ouvindo que o funk tinha criminalidade, in\u00fameras coisas que acontecem, mas nunca como express\u00e3o cultural. Eu sou a prova viva de que o funk mudou minha vida\u201d, diz Martins.<\/p>\n<p>A s\u00e9rie \u00e9 dividida em cinco epis\u00f3dios. O primeiro aborda o surgimento do ritmo; o segundo, o funk como express\u00e3o de identidade; o terceiro, as pol\u00eamicas e preconceitos; o quarto, a cadeia produtiva e a economia; e, o \u00faltimo, o futuro do funk e o impacto social.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nascido na favela, marginal, alvo de preconceitos, associado ao erotismo, \u00e0 viol\u00eancia e \u00e0 criminalidade, criticado, perseguido e no topo das paradas da m\u00fasica pop internacional. Esse \u00e9 o funk, g\u00eanero musical que, na \u00faltima semana, teve uma s\u00e9rie exibida pela TV Brasil &#8211; Funk: das favelas do Brasil para o mundo. Os epis\u00f3dios est\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":310955,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[95],"class_list":["post-310954","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil","tag-capa"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/310954","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=310954"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/310954\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":310956,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/310954\/revisions\/310956"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/310955"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=310954"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=310954"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=310954"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}