{"id":311346,"date":"2023-08-19T08:46:44","date_gmt":"2023-08-19T11:46:44","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=311346"},"modified":"2023-08-19T08:50:02","modified_gmt":"2023-08-19T11:50:02","slug":"brasileiros-de-fora-apostam-no-mais-medicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/brasileiros-de-fora-apostam-no-mais-medicos\/","title":{"rendered":"Brasileiros &#8216;de fora&#8217; apostam no Mais M\u00e9dicos"},"content":{"rendered":"<p>Ana Caroline Feitosa tem 24 anos e se formou em medicina no Paraguai. Chegou ao pa\u00eds vizinho em 2017, quando ainda n\u00e3o pensava em atuar na sa\u00fade. Em 2022, j\u00e1 com o diploma em m\u00e3os, retornou ao Brasil. Nascida em S\u00e3o Lu\u00eds, a jovem viveu com a fam\u00edlia durante muitos anos em Barreirinhas (MA), onde p\u00f4de observar as dificuldades para se conseguir atendimento m\u00e9dico. Atualmente, Ana Caroline integra um grupo de 1.041 profissionais, formados em medicina no exterior, e que passam por um m\u00f3dulo de acolhimento e forma\u00e7\u00e3o para poderem atuar no programa Mais M\u00e9dicos.<\/p>\n<p>\u201cNo Paraguai, me identifiquei muito com a parte da sa\u00fade e decidi: quero ser m\u00e9dica, quero cuidar, quero ajudar a comunidade. Sou do Nordeste e, l\u00e1, a gente v\u00ea a comunidade, v\u00ea que ela precisa de um cuidado, de um olhar mais amplo. A gente precisa ver o paciente, o que ele precisa. L\u00e1, faltava n\u00e3o s\u00f3 m\u00e9dico, mas equipe. Temos bastante postos de sa\u00fade, mas h\u00e1 car\u00eancia de profissionais. Falta m\u00e9dico, enfermeira. Temos um agente de sa\u00fade, mas sobrecarregado, com muitas fam\u00edlias.\u201d<\/p>\n<p>Em cerca de duas semanas, Ana Caroline e os demais m\u00e9dicos concluem o per\u00edodo de forma\u00e7\u00e3o e ser\u00e3o encaminhados para 379 munic\u00edpios brasileiros. Mais da metade deles vai atuar na regi\u00e3o da Amaz\u00f4nia Legal. Dos profissionais que passam pelo acolhimento, 98% s\u00e3o brasileiros formados em medicina no exterior. Desses, 48% s\u00e3o formados na Bol\u00edvia; 41% no Paraguai; 3,8% na Argentina; 2,8% na Venezuela; e 1,6% na R\u00fassia. Os demais dividem-se entre pa\u00edses como Cuba, Peru, Uruguai, Rep\u00fablica Dominicana, Nicar\u00e1gua, Equador e Col\u00f4mbia. Eles atuar\u00e3o com o Registro do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade (RMS).<\/p>\n<p>Ana Caroline ser\u00e1 alocada em Godofredo Viana (MA), uma viagem de nove horas de \u00f4nibus at\u00e9 o munic\u00edpio onde est\u00e3o os pais e o namorado. Sobre o futuro, ela conta que pretende encarar o Exame Nacional de Revalida\u00e7\u00e3o de Diplomas M\u00e9dicos Expedidos por Institui\u00e7\u00e3o de Educa\u00e7\u00e3o Superior Estrangeira (Revalida) para, um dia, trabalhar com medicina do trabalho.<\/p>\n<p>\u201cPelo Mais M\u00e9dicos, vamos atender na aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica. Temos essa chance de fazer especialidade em medicina da comunidade. Tamb\u00e9m estou fazendo uma p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em sa\u00fade p\u00fablica. Gosto muito de medicina do trabalho, mas, pra isso, estou no processo de revalida\u00e7\u00e3o do meu diploma, pra poder entrar na resid\u00eancia\u201d, contou. \u201cNo come\u00e7o, terei muitos desafios. Mas estou aberta pra conhecer a comunidade, saber da necessidade dos pacientes. Estar l\u00e1 mesmo pra tudo o que precisarem\u201d.<\/p>\n<p>Mikaelle Cruz, 35 anos de idade, tamb\u00e9m integra o grupo de m\u00e9dicos que passa pelo m\u00f3dulo de acolhimento e forma\u00e7\u00e3o do programa. Formada em medicina na Bol\u00edvia, em 2022, a jovem, do interior da Bahia, foi selecionada para o munic\u00edpio de \u00c1guia Branca (ES). \u201cConhe\u00e7o o estado do Esp\u00edrito Santo, mas a cidade em si n\u00e3o. Visitei a grande Vit\u00f3ria, Colatina. Fui a passeio, nunca a trabalho. As expectativas s\u00e3o muito fortes, al\u00e9m de muita ansiedade. Quero saber logo como \u00e9 o local, a equipe, a popula\u00e7\u00e3o e poder atuar no Brasil\u201d, disse.<\/p>\n<p>Sobre a cidade para onde ser\u00e1 enviada, Mikaelle fez o dever de casa e pesquisou cada detalhe. Tem quase 10 mil habitantes e era bem o que eu pensava. Queria morar no interior. Prefiro o interior \u00e0 cidade grande. \u00c9 aconchegante, voc\u00ea consegue conhecer todo mundo, ter contato com todo mundo e dar mais aten\u00e7\u00e3o ao seu paciente\u201d, disse.<\/p>\n<p>\u201cEstou muito confiante. Acredito que vou ser bem recebida e que vou ter uma equipe maravilhosa. Estamos todos no mesmo barco, todo mundo acolhendo todo mundo. Todos buscando novas experi\u00eancias, com o mesmo objetivo e, com isso, todo mundo se ajudando\u201d.<\/p>\n<p>O m\u00e9dico Allyson Nunes Choma, 31 anos, \u00e9 natural de Guajar\u00e1-Mirim (RO) e tamb\u00e9m se formou na Bol\u00edvia, em 2021. Ele foi alocado para trabalhar em Santa Isabel do Rio Negro (AM). A cidade tem cerca de 28 mil habitantes e est\u00e1 inaugurando sua terceira unidade de sa\u00fade, mas conta com apenas um m\u00e9dico, que trabalha no hospital municipal.<\/p>\n<p>\u201cSomos nove m\u00e9dicos indo pra l\u00e1. Acredito que a gente vai mudar significativamente a quest\u00e3o da sa\u00fade no munic\u00edpio\u201d, disse.<\/p>\n<p>\u201cAs enfermeiras, acredito, estavam fazendo esse trabalho de imuniza\u00e7\u00e3o, preventivos, pr\u00e9-natal. Mas elas precisam de uma assist\u00eancia, at\u00e9 pela sobrecarga de servi\u00e7o que elas t\u00eam. Ent\u00e3o, acredito que a gente consiga mudar significativamente e melhorar bastante a sa\u00fade, tanto da popula\u00e7\u00e3o de l\u00e1 como das comunidades em volta.\u201d<\/p>\n<p>\u201cVenho de uma cidade do interior. A sa\u00fade l\u00e1 \u00e9 prec\u00e1ria. N\u00e3o chegam os recursos adequados. E, quando v\u00eam, os m\u00e9dicos da capital geralmente n\u00e3o querem ficar no interior. Ficam um, dois, tr\u00eas meses e acabam saindo e deixando a sa\u00fade e a popula\u00e7\u00e3o desassistida. Estou saindo de um interior e indo para outro. Sei mais ou menos como funciona. Foi uma escolha minha porque havia uma demanda maior para a Amaz\u00f4nia. Mil vagas. Queria me desafiar a conhecer outro estado e tentar implementar uma coisa boa\u201d, disse Allysson.<\/p>\n<p><strong>Entenda<\/strong><br \/>\nAo todo, 1.041 profissionais do Mais M\u00e9dicos passam por um m\u00f3dulo de acolhimento e forma\u00e7\u00e3o em Bras\u00edlia. Os profissionais, selecionados no primeiro edital ap\u00f3s a retomada do programa, t\u00eam habilita\u00e7\u00e3o para exerc\u00edcio da medicina no exterior e devem passar pelo curso antes de iniciar a atua\u00e7\u00e3o em unidades b\u00e1sicas de sa\u00fade. Ap\u00f3s esse per\u00edodo de tr\u00eas semanas, os m\u00e9dicos ser\u00e3o encaminhados para 379 munic\u00edpios brasileiros. Ao todo, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade ofertou mil vagas para a Amaz\u00f4nia Legal que, historicamente, sofre com a falta de profissionais e a dificuldade de fixa\u00e7\u00e3o de m\u00e9dicos.<\/p>\n<p>Criado no governo Dilma Rousseff, o Mais M\u00e9dicos foi desmontado no governo de Jair Bolsonaro. Quando lan\u00e7ado, em 2013, o programa sofreu diversas cr\u00edticas de entidades profissionais por causa da contrata\u00e7\u00e3o de m\u00e9dicos estrangeiros ou com diplomas no exterior. Alguns desses m\u00e9dicos foram vaiados e hostilizados ao chegarem ao Brasil. Anos depois, mesmo contribuindo para melhorar os indicadores de sa\u00fade, os profissionais de sa\u00fade cubanos acabaram expulsos por Bolsonaro.<\/p>\n<p><strong>Acolhimento<\/strong><br \/>\nO primeiro Ciclo Formativo do M\u00f3dulo de Acolhimento tem o objetivo de aproximar o m\u00e9dico participante do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) e da realidade enfrentada pela popula\u00e7\u00e3o em regi\u00f5es onde h\u00e1 falta de m\u00e9dicos. O conte\u00fado \u00e9 voltado para a legisla\u00e7\u00e3o do SUS, o funcionamento e as atribui\u00e7\u00f5es da rede de sa\u00fade, os protocolos cl\u00ednicos de atendimentos definidos pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e o c\u00f3digo de \u00e9tica m\u00e9dica. O acolhimento consiste no primeiro momento formativo do profissional intercambista, formado no exterior, no Mais M\u00e9dicos. A etapa \u00e9 obrigat\u00f3ria.<\/p>\n<p><strong>Avalia\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nA carga hor\u00e1ria m\u00ednima da forma\u00e7\u00e3o \u00e9 de 160 horas, dividida em 140 horas de responsabilidade dos minist\u00e9rios da Sa\u00fade e da Educa\u00e7\u00e3o, e 20 horas voltadas para os munic\u00edpios, que devem recepcionar os profissionais no momento de chegada aos postos de atua\u00e7\u00e3o. Ao final do curso, os m\u00e9dicos s\u00e3o avaliados sobre os conte\u00fados estudados e, logo ap\u00f3s, s\u00e3o encaminhados aos munic\u00edpios em que atuar\u00e3o, fortalecendo o atendimento \u00e0 popula\u00e7\u00e3o nas regi\u00f5es de maior vulnerabilidade do pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>Atua\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nAl\u00e9m desses profissionais, outros 4.096 m\u00e9dicos selecionados no edital do 28\u00ba ciclo \u2013 que ofertou 5.968 novas vagas pelo programa \u2013 j\u00e1 come\u00e7aram a atuar em postos de sa\u00fade. Nesse caso, eles n\u00e3o precisaram passar pelo treinamento porque t\u00eam registro profissional no Brasil. A previs\u00e3o do governo \u00e9 que a retomada do Mais M\u00e9dicos garanta acesso \u00e0 sa\u00fade para mais de 96 milh\u00f5es de brasileiros por meio da participa\u00e7\u00e3o, at\u00e9 o fim de 2023, de 28 mil profissionais, sobretudo em regi\u00f5es de maior vulnerabilidade social.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ana Caroline Feitosa tem 24 anos e se formou em medicina no Paraguai. Chegou ao pa\u00eds vizinho em 2017, quando ainda n\u00e3o pensava em atuar na sa\u00fade. Em 2022, j\u00e1 com o diploma em m\u00e3os, retornou ao Brasil. Nascida em S\u00e3o Lu\u00eds, a jovem viveu com a fam\u00edlia durante muitos anos em Barreirinhas (MA), onde [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":311347,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-311346","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/311346","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=311346"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/311346\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":311350,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/311346\/revisions\/311350"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/311347"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=311346"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=311346"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=311346"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}