{"id":311532,"date":"2023-08-23T04:01:09","date_gmt":"2023-08-23T07:01:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=311532"},"modified":"2023-08-23T01:20:08","modified_gmt":"2023-08-23T04:20:08","slug":"ja-ir-vira-tese-do-advogado-sujiro-kifuja-no-brasil-do-neologismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/ja-ir-vira-tese-do-advogado-sujiro-kifuja-no-brasil-do-neologismo\/","title":{"rendered":"J\u00e1 ir vira tese do advogado Sujiro Kifuja no Brasil do neologismo"},"content":{"rendered":"<p>F\u00e3 incondicional de palavras com conceitos conhecidos, mas grafadas e ditas de forma ou sentido diferente (\u00e0s vezes nada lisonjeiras), tenho me apegado cada vez aos chamados neologismos. Podemos classificar como neologismos termos que n\u00e3o existiam e passaram a existir, independentemente do tempo de vida. H\u00e1 os caretas, os engra\u00e7ados, os mais usuais, os ideol\u00f3gicos, os ultrapassados e aqueles que pais nenhum gostariam de ouvir dos genros e noras. Embora n\u00e3o divirja, gosto pouco dos tibum, chu\u00e1, puf, supimpa, c\u00e1spite e cataplaft. Peguei nojo mesmo foi do cocacolizar, fidelizar e bolsonarizar. Prefiro a sonoridade do Lula l\u00e1 l\u00e1 e, agora, do Fl\u00e1viodinozar (este \u00e9 de minha autoria).<\/p>\n<p>Entre os mais usados, morro de rir com o novo sentido modernista de gato, v\u00e9io, man\u00e9, zebra, mico, mala, barraco, laranja, quadrado e bofe, este mais ultrapassado do que siri com c\u00e2imbra. Hoje, \u00e9 mais f\u00e1cil dizer &#8220;meu marido&#8221;. E pouco importa quem seja a esposa. Agoniante \u00e9 ainda conviver com misoginia, feminic\u00eddio, transfobia, homofobia, esquerdofobia, etarismo, gordofobia e agrafobia (medo de abusos sexuais). Al\u00e9m da acrofobia (medo de altura) e da ablutofobia (medo de tomar banho), estou tentando junto ao Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o do mundo moderno fulanizar mitofobia, bozofobia, direitofobia, relogiofobia, joiofobia e golpefobia.<\/p>\n<p>Um dos neologismos mais atuais me lembra um refrigerante \u00e0 base de laranja e muito consumido nos anos 60 e 70. Crush, cuja tradu\u00e7\u00e3o literal do ingl\u00eas \u00e9 esmagamento ou colis\u00e3o, virou um sentimento de intensa paix\u00e3o por algu\u00e9m. No meu tempo, apelid\u00e1vamos esse tipo de sensa\u00e7\u00e3o de tes\u00e3o, que hoje \u00e9 delicadamente denominado de enorme vontade de fazer amor. Que coisa piegas. Coisas do Brasil e do mundo novidadeiros, nos quais conjuga\u00e7\u00f5es verbais lindas e sonoras foram transformadas em algo mais sem gra\u00e7a do que dizer cl\u00edmax em lugar de prazer.<\/p>\n<p>Por exemplo, o singelo fornicar hoje chamam de transar. No popularesco, o prazeroso ato \u00e9 denominado jocosamente de molhar o biscoito, afogar o ganso e descabelar o palha\u00e7o. Nada menos triste do que as altera\u00e7\u00f5es nos verbos namorar, casar e separar, que, respectivamente, viraram ficar, juntar e comemorar. Depois da substitui\u00e7\u00e3o do piupiu por bilau e da cassiterita por xumbrega, estou definitivamente pronto para meter o carimbo de aceito em todas as modifica\u00e7\u00f5es propostas ou j\u00e1 feitas ao vern\u00e1culo.<\/p>\n<p>Estrogonoficamente falando, no novo recorte brasileiro ou aceitamos ou ficamos com os gl\u00fateos nadegais de fora. Em resumo, \u00e9 pegar ou largar. Mesmo sem o devido preparo, preferi assumir a necessidade de remodela\u00e7\u00e3o fon\u00e9tica. Do rocambolesco e estramb\u00f3lico portugu\u00eas do prim\u00e1rio e do ginasial, que, ao contr\u00e1rio de hoje, n\u00e3o nos permitia brincar com a gram\u00e1tica, fantasticamente evolu\u00edmos tecnol\u00f3gica e lingu\u00edsticamente. Tanto que, quando menino, diante de um sil\u00eancio tempor\u00e1rio, minha m\u00e3e perguntava: &#8220;O gato comeu sua l\u00edngua?&#8221; Em nossos dias, na era digital, indago dos netos: &#8220;Engessaram vossos dedos?&#8221;<\/p>\n<p>Apesar de continuar sabendo que nada sei, tenho absoluta certeza de que falo apenas uma l\u00edngua. E n\u00e3o \u00e9 a minha. Por isso, n\u00e3o consigo me acostumar aos modismos xau, kb\u00e7a, kd, oiee, brou, muito menos \u00e0 era do googlar, shippar, tuitar ou internetar. Debo\u00edsmo (ficar de boa) \u00e0 parte, me escorneio na lux\u00faria s\u00f3 de lembrar que o Brasil est\u00e1 sob nova dire\u00e7\u00e3o. Em recente reuni\u00e3o com amigos da velha guarda do jornalismo, aprendi, por exemplo, que, embora n\u00e3o seja um neologismo, o termo mito define algo que n\u00e3o existe, uma lenda de origem incerta. Al\u00e9m de Jair Messias, os mais populares s\u00e3o Curupira, Lobisomem, Boitat\u00e1, Mula sem Cabe\u00e7a e Saci-Perer\u00ea. E por que Jair tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 um neologismo? Porque o adv\u00e9rbio j\u00e1 significa saia agora daqui, enquanto o verbo ir, muito mais do que Imposto de Renda, quer dizer v\u00e1 e n\u00e3o volte. Se estivesse em situa\u00e7\u00e3o como a dele, faria logo um contato de terceiro grau com Sujiro Kifuja, o advogado de 11 entre dez enrolados da elite brasileira.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>F\u00e3 incondicional de palavras com conceitos conhecidos, mas grafadas e ditas de forma ou sentido diferente (\u00e0s vezes nada lisonjeiras), tenho me apegado cada vez aos chamados neologismos. Podemos classificar como neologismos termos que n\u00e3o existiam e passaram a existir, independentemente do tempo de vida. 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