{"id":311637,"date":"2023-08-25T07:06:46","date_gmt":"2023-08-25T10:06:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=311637"},"modified":"2023-08-25T07:37:05","modified_gmt":"2023-08-25T10:37:05","slug":"movimento-negro-protesta-contra-violencia-policial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/movimento-negro-protesta-contra-violencia-policial\/","title":{"rendered":"Movimento negro protesta contra viol\u00eancia policial"},"content":{"rendered":"<p>No rastro de uma s\u00e9rie de opera\u00e7\u00f5es policiais que resultaram em dezenas de mortes ao longo das \u00faltimas semanas, com destaque para o caso do Guaruj\u00e1 (SP) e tamb\u00e9m epis\u00f3dios na Bahia e no Rio de Janeiro, entidades do movimento negro realizaram atos unificados em todo o pa\u00eds nesta quinta-feira (24). A data tamb\u00e9m marca os 141 anos da morte do advogado e abolicionista Luiz Gama, refer\u00eancia na luta por igualdade racial no Brasil.<\/p>\n<p>&#8220;Esta marcha \u00e9 em mem\u00f3ria de todas as v\u00edtimas das cachinas policiais, lembrar as v\u00edtimas de uma pol\u00edtica genocida e uma necropol\u00edtica que acontece todos os dias com os corpos negros&#8221;, afirmou a ativista Dani Sanchez, integrante da Coaliz\u00e3o Negra por Direitos e do movimento Pelas Vidas Negras no Distrito Federal.<\/p>\n<p>Em Bras\u00edlia, o ato reuniu algumas dezenas de pessoas, que caminharam do Museu Nacional da Rep\u00fablica pela Esplanada dos Minist\u00e9rios at\u00e9 a Pra\u00e7a dos Tr\u00eas Poderes, fechando duas faixas da pista. Atos foram convocados em mais de 30 cidades em ao menos 25 estados.<\/p>\n<p>Uma das homenageadas foi a Yalorix\u00e1 Maria Bernadete Pac\u00edfico, conhecida como M\u00e3e Bernadete. L\u00edder do Quilombo Pitanga de Palmares, localizado no munic\u00edpio de Sim\u00f5es Filho, na regi\u00e3o metropolitana de Salvador, ela foi brutalmente assassinada na noite da \u00faltima quinta-feira (17), dentro de casa e diante dos netos.<\/p>\n<p>M\u00e3e Bernadete era integrante da Coordena\u00e7\u00e3o Nacional de Articula\u00e7\u00e3o de Quilombos (Conaq) e ex-secret\u00e1ria de Promo\u00e7\u00e3o da Igualdade Racial de Sim\u00f5es Filho. O caso est\u00e1 em investiga\u00e7\u00e3o e pode ter rela\u00e7\u00e3o com a disputa pelo territ\u00f3rio quilombola, at\u00e9 hoje n\u00e3o regularizado. onde vivia a ativista.<\/p>\n<p>No Distrito Federal, as entidades tamb\u00e9m homenagearam o adolescente Gustavo Henrique Soares Gomes, morto a tiros em janeiro do ano passado, aos 17 anos, na cidade de Samambaia, periferia da capital federal, ap\u00f3s n\u00e3o obedecer ordem de parada em uma blitz policial.<\/p>\n<p><strong>Chacinas<\/strong><br \/>\nNo ato no Rio de Janeiro, os manifestantes chamaram a aten\u00e7\u00e3o para o alto n\u00famero de mortes de pessoas negras no estado.<\/p>\n<p>\u201cO estado do Rio de Janeiro \u00e9 onde mais se mata preto, pobre, favelado. Temos as maiores chacinas do pa\u00eds. Quando a pol\u00edcia erra, o cidad\u00e3o \u00e9 morto duas vezes, quanto mata a sua dignidade e a sua inoc\u00eancia. A gente precisa se manifestar. Quanto mais a gente se cala, a situa\u00e7\u00e3o piora. E n\u00e3o se trata mais de adultos, agora s\u00e3o crian\u00e7as e adolescentes mortos. O direito da maternidade das mulheres pretas est\u00e1 sendo exclu\u00eddo\u201d, disse a coordenadora no Rio de Janeiro da Uni\u00e3o de Negras e Negros Pela Igualdade, Cl\u00e1udia Menezes Vitalino.<\/p>\n<p>Dados do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica (FBSP) sobre o \u00edndice de mortes violentas intencionais mostram que a popula\u00e7\u00e3o negra \u00e9 o alvo principal. Em 2022, houve 47.508 casos e 76,5% das v\u00edtimas eram negras, segundo a \u00faltima edi\u00e7\u00e3o do Anu\u00e1rio Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica. Um outro levantamento &#8211; divulgado no ano passado pela Rede de Observat\u00f3rios da Seguran\u00e7a (ROS) &#8211; mostrou que a pol\u00edcia mata uma pessoa negra a cada quatro horas em ao menos seis estados: Bahia, Cear\u00e1, Piau\u00ed, Pernambuco, Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Em termos de viol\u00eancia policial, os dados n\u00e3o s\u00e3o menos eloquentes, envolvendo um n\u00famero impressionante de v\u00edtimas crian\u00e7as e adolescentes. Estat\u00edsticas tamb\u00e9m compiladas pelo F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica mostram que, entre 2017 e 2019, por exemplo, as for\u00e7as de seguran\u00e7a mataram 2.215 crian\u00e7as e adolescentes negros de at\u00e9 19 anos de idade em todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u00c9 o caso de Thiago Menezes Flausino, de 13 anos de idade, morto a tiros em uma opera\u00e7\u00e3o na Cidade de Deus, no estado do Rio, no in\u00edcio de agosto.<\/p>\n<p>Presente no ato, Priscila Menezes de Sousa, m\u00e3e do adolescente, cobrou justi\u00e7a pela morte do filho, v\u00edtima da viol\u00eancia policial.<\/p>\n<p>\u201cMeu filho n\u00e3o foi abordado, ele foi executado. Os policiais acharam que ele poderia ser bandido e atiraram contra o meu filho, uma crian\u00e7a de 13 anos que tinha o sonho de ser jogador de futebol, gostava de ir para a escola. Ele era a alegria da minha casa. Estamos aqui para que eles parem de entrar na favela atirando e que sejam responsabilizados. Os policiais foram afastados, mas isso \u00e9 pouco, que eles sejam presos e punidos\u201d, afirmou Priscila.<\/p>\n<p>A Pol\u00edcia Militar do Rio de Janeiro afastou da atua\u00e7\u00e3o nas ruas, em car\u00e1ter provis\u00f3rio, agentes do Batalh\u00e3o de Choque que atuaram na noite da segunda-feira, dia 7 de agosto, na Cidade de Deus, resultando na morte do Thiago. Os policiais ficar\u00e3o afastados at\u00e9 o fim das investiga\u00e7\u00f5es e cumprir\u00e3o fun\u00e7\u00f5es administrativas.<\/p>\n<p>Ana Paula Oliveira \u00e9 m\u00e3e de Johnatan de Oliveira Lima, morto aos 19 anos na Favela de Manguinhos, na zona norte do Rio. Ele foi morto pela pol\u00edcia no dia 14 de maio de 2014 com um tiro nas costas. Segundo Ana Paula, o policial acusado do assassinato vai a j\u00fari popular em mar\u00e7o do ano que vem, quase dez anos ap\u00f3s a morte.<\/p>\n<p>\u201cSe dependesse da minha luta e de outras m\u00e3es, mulheres pretas e moradoras de favela, que t\u00eam lutado contra a impunidade, nossos filhos teriam sido os \u00faltimos casos. Mas depende de pol\u00edticas p\u00fablicas em que haja uma pol\u00edtica de seguran\u00e7a p\u00fablica que realmente zele pela vida dos jovens e das crian\u00e7as pretas moradoras de favelas e da periferia. N\u00e3o \u00e9 uma realidade para n\u00f3s. O Brasil \u00e9 um pa\u00eds racista que mata, encarcera e desaparece com os corpos negros. Nossa luta \u00e9 pela vida\u201d, disse Ana Paula.<\/p>\n<p>Em nota, a Secretaria de Estado de Pol\u00edcia Militar informou que al\u00e9m da colabora\u00e7\u00e3o integral com as investiga\u00e7\u00f5es da Pol\u00edcia Civil, o comando da corpora\u00e7\u00e3o determinou que os seis agentes do Batalh\u00e3o de Choque que atuaram na noite em que o adolescente foi morto na Cidade de Deus, fossem transferidos de unidade e afastados do servi\u00e7o das ruas provisoriamente at\u00e9 o fim das investiga\u00e7\u00f5es e cumprem fun\u00e7\u00f5es administrativas. \u201cParalelamente ao trabalho da Pol\u00edcia Civil, o comando da corpora\u00e7\u00e3o instaurou um procedimento apurat\u00f3rio, por meio de sua Corregedoria Geral, para averiguar todas as circunst\u00e2ncias do caso ocorrido, no \u00faltimo dia 7 de agosto\u201d, diz a nota.<\/p>\n<p><strong>Execu\u00e7\u00e3o sum\u00e1ria<\/strong><br \/>\nEm S\u00e3o Paulo, a manifesta\u00e7\u00e3o foi realizada em frente ao Museu de Arte de S\u00e3o Paulo (Masp) e tamb\u00e9m pediu o fim das recentes opera\u00e7\u00f5es policiais nos estados de S\u00e3o Paulo, do Rio de Janeiro e Bahia.<\/p>\n<p>\u201cAs chacinas t\u00eam sido recorrentes em territ\u00f3rios negros no Brasil, como as opera\u00e7\u00f5es [da pol\u00edcia] Escudo em S\u00e3o Paulo; a chacina do Cruzeiro, no Rio de Janeiro; e a m\u00e9dia de duas chacinas por m\u00eas, na Bahia. O movimento negro hoje pede medidas emergenciais que o Poder P\u00fablico precisa tomar para redu\u00e7\u00e3o de homic\u00eddios e para acabarem essas chacinas\u201d, destacou Simone Nascimento, uma das organizadoras do ato.<\/p>\n<p>A manifesta\u00e7\u00e3o foi convocada por duas frentes de entidades: a Coaliz\u00e3o Negra por Direitos e a Converg\u00eancia Negra, que aglutinam grupos como Uneafro Brasil, Movimento Negro Unificado (MNU), Coletivo de Entidades Negras (CONEN), Unegro, e Geled\u00e9s.<\/p>\n<p>\u201cO Brasil n\u00e3o tem pena de morte, mas o que a pol\u00edcia est\u00e1 impondo ao povo negro, pobre e perif\u00e9rico n\u00e3o \u00e9 a pena de morte, porque na pena de morte voc\u00ea tem julgamento. E a\u00ed voc\u00ea decide se o julgamento foi justo ou n\u00e3o. Mas o que eles est\u00e3o fazendo \u00e9 execu\u00e7\u00e3o sum\u00e1ria\u201d, disse a coordenadora estadual do Movimento Negro Unificado (MNU), Regina L\u00facia de Santos.<\/p>\n<p>Ela acrescentou que o ato \u00e9 um pedido desesperado pelo direito de viver dos negros.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s estamos aqui defendendo o direito de viver: das crian\u00e7as, dos jovens negros, das mulheres. Inclusive, a morte de m\u00e3e Bernadete, que n\u00e3o foi uma morte provocada pelo aparato policial, ainda assim \u00e9 uma viol\u00eancia do Estado. Porque ela vinha sendo amea\u00e7ada, ela tinha pedido prote\u00e7\u00e3o e o Estado foi omisso\u201d, disse.<\/p>\n<p>A Secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica de S\u00e3o Paulo informou que as opera\u00e7\u00f5es da pol\u00edcia paulista ocorrem dentro da lei e que eventuais ilegalidades ser\u00e3o apuradas.<\/p>\n<p><strong>Medidas urgentes<\/strong><br \/>\nO movimento negro pretende engrossar o coro para que o Congresso Nacional avance na aprova\u00e7\u00e3o de uma lei federal que obrigue o uso de c\u00e2meras em uniformes de agentes da pol\u00edcia em todo o pa\u00eds. Em batalh\u00f5es da Pol\u00edcia Militar de S\u00e3o Paulo que adotaram o sistema, segundo dados oficiais, os n\u00fameros de mortes em confronto com a pol\u00edcia chegaram a cair 76%.<\/p>\n<p>As entidades tamb\u00e9m cobram a federaliza\u00e7\u00e3o de casos em que incurs\u00f5es policiais em comunidades resultem em massacres, chacinas ou mortes em s\u00e9rie.<\/p>\n<p>Outra reivindica\u00e7\u00e3o j\u00e1 hist\u00f3rica \u00e9 uma mudan\u00e7a na pol\u00edtica de drogas, baseada na redu\u00e7\u00e3o de danos e na descriminaliza\u00e7\u00e3o do uso individual. No ano passado, o Brasil atingiu propor\u00e7\u00e3o recorde de negros no sistema carcer\u00e1rio: 442.033 pessoas. A parcela equivale a 68,2%. Na maior parte dos casos, s\u00e3o jovens presos portando pequena quantidade de subst\u00e2ncias ilegais. O Supremo Tribunal Federal (STF) retomou hoje o julgamento sobre descriminaliza\u00e7\u00e3o do porte de drogas para consumo pessoal. O julgamento foi suspenso, com cinco votos a favor da descriminaliza\u00e7\u00e3o para porte de maconha.<\/p>\n<p>Para Dani Sanchez, representante no Distrito Federal, a popula\u00e7\u00e3o negra do pa\u00eds, apesar de ser maioria, \u00e9 historicamente desprovida de acesso a pol\u00edticas p\u00fablicas de inclus\u00e3o, o que tamb\u00e9m contribui para a perpetua\u00e7\u00e3o desse ciclo de viol\u00eancia da qual segue sendo a maior v\u00edtima. &#8220;A aus\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas tamb\u00e9m gera a morte social dessas pessoas, colocadas em subempregos, em situa\u00e7\u00f5es de extrema vulnerabilidade e empurradas para as viol\u00eancias, para o crime organizado&#8221;, finalizou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No rastro de uma s\u00e9rie de opera\u00e7\u00f5es policiais que resultaram em dezenas de mortes ao longo das \u00faltimas semanas, com destaque para o caso do Guaruj\u00e1 (SP) e tamb\u00e9m epis\u00f3dios na Bahia e no Rio de Janeiro, entidades do movimento negro realizaram atos unificados em todo o pa\u00eds nesta quinta-feira (24). 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