{"id":311706,"date":"2023-08-26T04:20:15","date_gmt":"2023-08-26T07:20:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=311706"},"modified":"2023-08-26T04:36:44","modified_gmt":"2023-08-26T07:36:44","slug":"brics-representa-para-o-dolar-a-queda-da-bastilha-na-franca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/brics-representa-para-o-dolar-a-queda-da-bastilha-na-franca\/","title":{"rendered":"Brics representa para o d\u00f3lar a queda da bastilha na Fran\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>O fim da hegemonia do d\u00f3lar diante da emerg\u00eancia da previs\u00edvel moeda comum dos BRICS tende a precipitar situa\u00e7\u00e3o incontrol\u00e1vel para os Estados Unidos. A d\u00edvida p\u00fablica americana de 31,4 trilh\u00f5es de d\u00f3lares (2022), superior ao PIB dos Estados Unidos de 23,32 trilh\u00f5es (2021), correspondentes a 24,1% do PIB mundial de 96,51 trilh\u00f5es (2022), transformou-se no maior fator de instabilidade global, segundo o Bloomberg.<\/p>\n<p>Mas, Washington n\u00e3o quer nem saber: emite moeda sem lastro e exige que bancos centrais do Ocidente, tribut\u00e1rios do FED, se virem para extrair renda da periferia capitalista. \u00c9 o que faz o BC brasileiro, comandado pelo bolsonarista Campos Neto, barrando o crescimento econ\u00f4mico sustent\u00e1vel mediante agiotagem financeira.<\/p>\n<p>No entanto, esse c\u00edrculo vicioso da financeiriza\u00e7\u00e3o especulativa global comandada por Wall Street balan\u00e7a diante da emerg\u00eancia de novo sistema monet\u00e1rio internacional, que daria fim \u00e0 unipolaridade imperialista.<\/p>\n<p>A moeda Brics (Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia China e \u00c1frica do Sul), que se discutiu em Joanesburgo, \u00e9 o ponto de inflex\u00e3o desse momento hist\u00f3rico capital, que a China comanda, como nova l\u00edder internacional, a amea\u00e7ar a pot\u00eancia imperialista.<\/p>\n<p>Como destacam os presidentes Lula e Wladimir Putin, o PIB do Brics (40% da popula\u00e7\u00e3o mundial) j\u00e1 representa 34% do PIB mundial em paridade do poder de compra, superando os pa\u00edses do G7, que est\u00e3o em torno de 31%.<\/p>\n<p>Projetando para os pr\u00f3ximos dez anos, a diferen\u00e7a entre ambos avan\u00e7a para 10%, o que leva o mercado financeiro a fazer novas apostas decisivas quanto ao poder emergente do Brics frente ao G7, para avan\u00e7ar em trocas comerciais com moedas locais. Essa compara\u00e7\u00e3o, decorrente da crescente desdolariza\u00e7\u00e3o, prevista pelos mercados, sinaliza novo sistema monet\u00e1rio internacional.<\/p>\n<p>A corrida dos pa\u00edses para participarem dos Brics, cada vez mais dispostos a tomar dist\u00e2ncia dos Estados Unidos e sua recorrente pr\u00e1tica de san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas sobre quem contraria o imp\u00e9rio, \u00e9 o novo fato pol\u00edtico global. Trata-se de fuga dos pa\u00edses pobres da influ\u00eancia cadente da moeda americana, o que aprofunda a cren\u00e7a do mercado em novas apostas monet\u00e1rias.<\/p>\n<p>Quanto mais avan\u00e7arem o que os novos l\u00edderes do Sul Global pregam, ou seja, trocas comerciais em moedas locais, maior ser\u00e1 a pot\u00eancia do Brics no cen\u00e1rio internacional, minando o poder hegem\u00f4nico do d\u00f3lar, com reflexo decisivo no mercado financeiro especulativo globalizado.<\/p>\n<p>Forma-se, assim, multid\u00e3o de pa\u00edses diante do imperialismo monet\u00e1rio americano sob desconfian\u00e7a dos investidores em escala global. E o presidente Joe Biden j\u00e1 acusa os ataques.<\/p>\n<p>Assim que os pa\u00edses do Brics iniciaram sua reuni\u00e3o na \u00c1frica do Sul, o l\u00edder americano adiantou que far\u00e1 reforma no FMI e no Banco Mundial, diante das novas circunst\u00e2ncias adversas que amea\u00e7am o poder imperial de Washington.<\/p>\n<p>\u00c9 de se destacar, inclusive, que o foco pol\u00edtico global, pelo menos nessa semana, mudou da Guerra na Ucr\u00e2nia, onde R\u00fassia enfrenta for\u00e7as da Otan-EUA, levando n\u00edtida vantagem, para o Brics, que planta sua semente na \u00c1frica.<\/p>\n<p>Os discursos coordenados dos presidentes do Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia, China e \u00c1frica do Sul, l\u00edderes do Brics, devido sua posi\u00e7\u00e3o privilegiada de maior poder de paridade de compra, comparado ao G7, impactar\u00e3o os fundos de investimentos internacionais.<\/p>\n<p>Empenhados em captar e direcionar seus capitais para onde as expectativas de lucros s\u00e3o mais atrativas e alvissareiras, tais fundos, certamente, focar\u00e3o no Brics sua a\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica. Nestes, as oportunidades, puxadas pela for\u00e7a dominante da economia chinesa, criar\u00e3o corrida aos projetos anunciados pelos cinco pa\u00edses em Joanesburgo.<\/p>\n<p>Essa possibilidade aumenta mais, se a for\u00e7a relativa do d\u00f3lar se fragilizar frente \u00e0 nova moeda internacional a nascer do movimento monet\u00e1rio, cujo mote ser\u00e1 trocas comerciais entre moedas locais. A senhoriagem absoluta e dominante da moeda americana est\u00e1 virando coisa do passado.<\/p>\n<p>A previs\u00edvel debacle da hegemonia do d\u00f3lar, dominante desde o Acordo de Bretton Woods, em 1944, no p\u00f3s-segunda guerra, da qual Estados Unidos saem do conflito como poder econ\u00f4mico e monet\u00e1rio a impor regras ao resto do mundo, seria simbolicamente a Queda da Bastilha, na Fran\u00e7a, em 1789, in\u00edcio da revolu\u00e7\u00e3o francesa, com emerg\u00eancia da burguesia como poder pol\u00edtico.<\/p>\n<p>O poder centralizado, de forma excessiva, pela aristocracia mon\u00e1rquica medieval, tinha o dom\u00ednio pol\u00edtico sobre os chamados Tr\u00eas Estados: o Primeiro Estado, Igreja e o clero; o Segundo, Nobreza; e o terceiro, Povo.<\/p>\n<p>A revolta popular, em meio a uma crise financeira inflacion\u00e1ria incontrol\u00e1vel, acelerada por concentra\u00e7\u00e3o de renda e desigualdade social, levou \u00e0 queda do rei e emerg\u00eancia da burguesia como poder pol\u00edtico.<\/p>\n<p>A Queda da Bastilha foi a invas\u00e3o e derrubada do poder absoluto onde se localizam as armas do Primeiro e Segundo Estado. Explodiu a revolu\u00e7\u00e3o e a moeda mon\u00e1rquica foi aos ares, dando lugar \u00e0 nova conjuntura nacional e internacional, agitando toda a Europa, centro do mundo.<\/p>\n<p>Mutatis mutantis, Washington, em 2023, seria a Paris de 1789, que impunha ao Terceiro Estado (capitalismo perif\u00e9rico empobrecido e colonizado) moeda hegem\u00f4nica, juros alt\u00edssimos e pol\u00edtica tribut\u00e1ria espoliadora e colonizadora. Era a arma do rei para bancar a aventura francesa na participa\u00e7\u00e3o da guerra de independ\u00eancia dos Estados Unidos, na segunda metade do s\u00e9culo 18.<\/p>\n<p>As d\u00edvidas francesas, diante de crises financeiras e clim\u00e1ticas, geradoras de secas, \u00e0s v\u00e9speras da Revolu\u00e7\u00e3o, que derrubaram colheitas e garrotearam d\u00edvidas p\u00fablicas, levantaram o Terceiro Estado miser\u00e1vel. Ele se uniria a uma parte do Segundo Estado, a fim de derrubar e, na sequ\u00eancia, decapitar Lu\u00eds XVI.<\/p>\n<p>O imperialismo americano, hoje, que tem mais de 200 bases militares nos cinco continentes, que exerce o privil\u00e9gio absurdo de emitir moeda sem lastro, conforme declarou a ex-presidente Dilma Roussef, presidente do Banco do Brics, \u00e9 o prot\u00f3tipo da Bastilha que o bloco amea\u00e7a derrubar.<\/p>\n<p>Como disse Lenin, citado por Keynes, no livro \u201cInfla\u00e7\u00e3o e Defla\u00e7\u00e3o\u201d, a coisa mais f\u00e1cil para derrubar um pa\u00eds, seja de que tamanho for, especialmente, se for poderoso, \u00e9 destruir sua moeda por um processo continuado de descr\u00e9dito, em face de elevado endividamento, a semear alta descontrolada de pre\u00e7os.<\/p>\n<p>A instabilidade do sistema financeiro americano, afetado pelo excessivo endividamento p\u00fablico, tem levado a sua economia a recorrentes bancarrotas banc\u00e1rias, a partir do crash de 2008. S\u00f3 este ano, o Banco Central dos Estados Unidos (FED), emissor de moeda, foi obrigado a salvar tr\u00eas grandes bancos ligados \u00e0s \u00e1reas de tecnologia, que impulsionam a produtividade americana.<\/p>\n<p>Diversos outros est\u00e3o dependurados, como tem denunciado o Global Times, site chin\u00eas. Ao lado desse fato, as taxas de juros no mercado interno americano, t\u00eam se situado em patamar elevado, especialmente na rede de bancos m\u00e9dios e pequenos, pois os banqueiros est\u00e3o temerosos de risco de inadimpl\u00eancia.<\/p>\n<p>A vantagem comparativa da China frente aos Estados Unidos, no mercado de dinheiro, \u00e9 evidente. Afinal, a economia chinesa \u00e9 dominada pelos bancos p\u00fablicos, os quais trabalham com taxas baixasde juros, capazes de assegurar competitividade no com\u00e9rcio internacional.<\/p>\n<p>O governo chin\u00eas, por sua vez, adota sistema monet\u00e1rio baseado no fato de que n\u00e3o h\u00e1 restri\u00e7\u00e3o ao endividamento p\u00fablico do pa\u00eds se \u00e9 realizado por moeda nacional, na linha do princ\u00edpio das finan\u00e7as funcionais. Esse \u00e9 o capital dominante que Pequim apresenta a seus parceiros do Brics, para ser a l\u00e2mpada de Aladim capaz de iluminar os novos caminhos da economia mundial, especialmente, com expans\u00e3o da Rota da Seda, na fronteira asi\u00e1tica, aliada da R\u00fassia e \u00cdndia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O fim da hegemonia do d\u00f3lar diante da emerg\u00eancia da previs\u00edvel moeda comum dos BRICS tende a precipitar situa\u00e7\u00e3o incontrol\u00e1vel para os Estados Unidos. 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