{"id":311870,"date":"2023-08-30T07:14:39","date_gmt":"2023-08-30T10:14:39","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=311870"},"modified":"2023-08-30T09:02:29","modified_gmt":"2023-08-30T12:02:29","slug":"pandemia-deixou-metade-das-mulheres-com-transtorno-mental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/pandemia-deixou-metade-das-mulheres-com-transtorno-mental\/","title":{"rendered":"Pandemia deixou metade das mulheres com transtorno mental"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio Esgotadas: empobrecimento, a sobrecarga de cuidado e o sofrimento ps\u00edquico das mulheres, desenvolvido pela Organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental &#8211; ONG Think Olga, indica que 45% das mulheres brasileiras t\u00eam um diagn\u00f3stico de ansiedade, depress\u00e3o, ou outros tipos de transtornos mental no contexto p\u00f3s pandemia de covid-19. A ansiedade, transtorno mais comum no Brasil, faz parte do dia a dia de 6 em cada 10 mulheres brasileiras. A pesquisa foi realizada com 1.078 mulheres, entre 18 e 65 anos, em todos os estados do pa\u00eds, entre 12 e 26 de maio de 2023. A margem de erro \u00e9 de 3 pontos percentuais e o intervalo de confian\u00e7a \u00e9 de 95%.<\/p>\n<p>\u201cO relat\u00f3rio n\u00e3o surpreende porque s\u00e3o dados que j\u00e1 sab\u00edamos que aconteciam, ou seja, as mulheres est\u00e3o cansadas e sobrecarregadas. Quase metade da popula\u00e7\u00e3o feminina tem algum transtorno mental e com muito pouco acesso a cuidados espec\u00edficos. A maioria diz que, como ferramentas para conseguir lidar com essa quest\u00e3o, tem a atividade f\u00edsica ou a religi\u00e3o. Tem uma insatisfa\u00e7\u00e3o com diversas \u00e1reas da vida. A quest\u00e3o financeira \u00e9 a que mais preocupa e a dupla ou tripla jornada \u00e9 o segundo maior fator de press\u00e3o sobre a psique feminina\u201d, disse Ma\u00edra Liguori, diretora da Think Olga.<\/p>\n<p>Com a proposta de entender as estruturas que imp\u00f5em o sofrimento das brasileiras na atualidade, o relat\u00f3rio re\u00fane dados que demonstram desde a sobrecarga de trabalho e inseguran\u00e7a financeira at\u00e9 o esgotamento mental e f\u00edsico causado pela economia do cuidado, que enquadra todas as atividades relacionadas aos cuidados com a casa e com produ\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o da vida.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o financeira e a capacidade de conciliar os diferentes aspectos da vida t\u00eam as menores notas de satisfa\u00e7\u00e3o entre as entrevistadas. Em uma classifica\u00e7\u00e3o de 1 a 10, a vida financeira recebeu a classifica\u00e7\u00e3o 1.4, j\u00e1 para a capacidade de concilia\u00e7\u00e3o das diferentes \u00e1reas da vida, a nota ficou em 2.2. A situa\u00e7\u00e3o financeira apertada atinge 48% das entrevistadas e a insatisfa\u00e7\u00e3o com a remunera\u00e7\u00e3o baixa alcan\u00e7a 32% delas. Cinquenta e nove por cento das mulheres das classes D e E est\u00e3o insatisfeitas com sua situa\u00e7\u00e3o financeira. Essa insatisfa\u00e7\u00e3o atinge 54% das pretas e pardas.<\/p>\n<p>As mulheres s\u00e3o as \u00fanicas ou principais provedoras em 38% dos lares. Essas mulheres s\u00e3o, em sua maior parte, negras, da classe D e E e com mais de 55 anos de idade. Somente 11% das entrevistadas dizem n\u00e3o contribuir financeiramente para a manuten\u00e7\u00e3o de suas fam\u00edlias.<\/p>\n<p>Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlio realizada em 2022, as mulheres gastam 21,4 horas da semana em tarefas dom\u00e9sticas e do cuidado, os homens usam 11 horas. J\u00e1 o relat\u00f3rio Esgotadas mostrou que a sobrecarga de trabalho dom\u00e9stico e a jornada excessiva de trabalho foram a segunda causa de descontentamento mais apontada, atr\u00e1s apenas de preocupa\u00e7\u00f5es financeiras. O trabalho de cuidado sobrecarrega principalmente as mulheres de 36 a 55 anos (57% cuidam de algu\u00e9m) e pretas e pardas (50% cuidam de algu\u00e9m).<\/p>\n<p>Oitenta e seis por cento das mulheres consideram ter muita carga de responsabilidades. A insatisfa\u00e7\u00e3o entre m\u00e3es solo e cuidadoras \u00e9 muito superior em rela\u00e7\u00e3o \u00e0quelas que n\u00e3o t\u00eam esse tipo de responsabilidade. As cuidadoras e m\u00e3e solo tamb\u00e9m s\u00e3o as mais sobrecarregadas com as tarefas dom\u00e9sticas e de cuidado, com 51% das m\u00e3es e 49% das cuidadoras apontando a situa\u00e7\u00e3o financeira restrita como o maior impacto na sa\u00fade mental. Isso quer dizer que a sobrecarga de cuidado tamb\u00e9m \u00e9 um fator de empobrecimento das mulheres ou \u201cfeminiza\u00e7\u00e3o da pobreza\u201d, segundo o relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Entre as entrevistadas mais jovens, 26% declararam que os padr\u00f5es de beleza impostos impactam negativamente na sa\u00fade mental. J\u00e1 o medo de sofrer viol\u00eancia \u00e9 citado por 16% das entrevistadas.<\/p>\n<p>Para 91% das entrevistadas, a sa\u00fade emocional deve ser levada muito a s\u00e9rio e 76% est\u00e3o buscando prestar aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade mental, principalmente ap\u00f3s a pandemia de covid-19. S\u00f3 11% afirmam que n\u00e3o cuidam da sua sa\u00fade emocional de nenhuma forma.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 necess\u00e1rio que comecemos a entender o impacto do trabalho de cuidado e suas consequ\u00eancias, al\u00e9m de partirmos de discuss\u00f5es que desestigmatizem tabus sobre a sa\u00fade mental. \u00c9 essencial incentivar a\u00e7\u00f5es do setor privado, da sociedade civil e, principalmente, do setor p\u00fablico para um futuro vi\u00e1vel para as mulheres\u201d, afirmou, em nota, Nana Lima, co-diretora da Think Olga.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; O relat\u00f3rio Esgotadas: empobrecimento, a sobrecarga de cuidado e o sofrimento ps\u00edquico das mulheres, desenvolvido pela Organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental &#8211; ONG Think Olga, indica que 45% das mulheres brasileiras t\u00eam um diagn\u00f3stico de ansiedade, depress\u00e3o, ou outros tipos de transtornos mental no contexto p\u00f3s pandemia de covid-19. 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