{"id":311925,"date":"2023-08-31T05:42:21","date_gmt":"2023-08-31T08:42:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=311925"},"modified":"2023-08-31T05:42:21","modified_gmt":"2023-08-31T08:42:21","slug":"grupo-do-brics-une-forcas-para-derrotar-economia-ocidental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/grupo-do-brics-une-forcas-para-derrotar-economia-ocidental\/","title":{"rendered":"Grupo do Brics une for\u00e7as para derrotar economia ocidental"},"content":{"rendered":"<p>A \u00faltima c\u00fapula do BRICS na \u00c1frica do Sul foi um marco para a hist\u00f3ria das rela\u00e7\u00f5es internacionais, com a aprova\u00e7\u00e3o da entrada de seis novos membros ao grupo. Essa verdadeira revolu\u00e7\u00e3o do BRICS tamb\u00e9m representa uma esp\u00e9cie de revolta do assim-chamado Terceiro Mundo contra as pot\u00eancias centrais do sistema.<\/p>\n<p>A princ\u00edpio, \u00e9 preciso lembrar que o termo Terceiro Mundo foi utilizado (vagamente) durante a Guerra Fria para se referir a pa\u00edses economicamente menos desenvolvidos pertencentes \u00e0 \u00c1sia, \u00c1frica e Am\u00e9rica Latina, que possu\u00edam certas caracter\u00edsticas comuns, tais como maiores n\u00edveis de pobreza, elevadas taxas de desigualdade e depend\u00eancia econ\u00f4mica para com os pa\u00edses avan\u00e7ados do Ocidente.<\/p>\n<p>O assim chamado Primeiro Mundo era composto, por sua vez, pelos Estados desenvolvidos, incluindo Estados Unidos, Canad\u00e1, a Europa Ocidental, o Jap\u00e3o e pa\u00edses como Austr\u00e1lia e Nova Zel\u00e2ndia. J\u00e1 o Segundo Mundo era composto pelo bloco comunista liderado pela Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e os pa\u00edses do Leste Europeu.<\/p>\n<p>Todavia, com o desaparecimento da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica o termo Segundo Mundo j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais utilizado para se referir aos pa\u00edses do espa\u00e7o p\u00f3s-sovi\u00e9tico ou mesmo \u00e0 pr\u00f3pria R\u00fassia. Ainda assim, o t\u00edtulo Terceiro Mundo continua em uso em diversos c\u00edrculos acad\u00eamicos e pol\u00edticos ao redor do mundo.<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria China, por exemplo, apesar de ter se desenvolvido economicamente durante as \u00faltimas d\u00e9cadas, permanece sendo considerada como parte do Terceiro Mundo, juntamente com regi\u00f5es como Am\u00e9rica Latina, \u00c1frica e a maior parte dos pa\u00edses asi\u00e1ticos.<\/p>\n<p>Nos meios de comunica\u00e7\u00e3o social e na academia, quando se discute, seja o Terceiro Mundo seja o Sul Global, aponta-se que a culpa por seu subdesenvolvimento se deve ao fato de que, por um longo per\u00edodo da hist\u00f3ria, suas economias foram distorcidas pelas pot\u00eancias ocidentais (o chamado Primeiro Mundo), tornando-os dependentes dos grandes centros industrializados europeus e norte-americanos.<\/p>\n<p>Em vista disso, os pa\u00edses do Terceiro Mundo foram incentivados a exercer o papel de meros exportadores de produtos prim\u00e1rios para o mundo desenvolvido, enquanto absorviam destes produtos manufaturados de maior valor agregado; esse tipo de situa\u00e7\u00e3o teria gerado, por sua vez, pouca mobilidade social, estruturas sociais e rurais de teor tradicionalista, al\u00e9m de uma deficiente distribui\u00e7\u00e3o da riqueza nacional.<\/p>\n<p>Pa\u00edses como Brasil, Argentina, \u00cdndia e diversos Estados africanos teriam assumido, em algum momento do tempo, justamente essas caracter\u00edsticas. Ora, dado que as economias dos pa\u00edses subdesenvolvidos na Am\u00e9rica Latina, \u00c1sia e \u00c1frica foram orientadas para as necessidades dos pa\u00edses industrializados (pertencentes ao Ocidente, o assim chamado Primeiro Mundo), e dado que sua import\u00e2ncia pol\u00edtica se viu diminu\u00edda em vista dessa condi\u00e7\u00e3o, todas essas regi\u00f5es se viram menos representadas em institui\u00e7\u00f5es multilaterais de tomada de decis\u00e3o global.<\/p>\n<p>O controle destas organiza\u00e7\u00f5es acabou ent\u00e3o nas m\u00e3os de um pequeno grupo privilegiado de pa\u00edses (o vulgo G7), que passou a utiliz\u00e1-las para o seu pr\u00f3prio benef\u00edcio. O baixo poder de voto de pa\u00edses n\u00e3o ocidentais nestas institui\u00e7\u00f5es \u00e9 um retrato claro da falta de considera\u00e7\u00e3o das pot\u00eancias centrais pelas economias emergentes, que, durante os anos 2000, passaram a pleitear maior voz e representatividade dentro do sistema.<\/p>\n<p>Foi ent\u00e3o que, em 2009, surgiu o BRICS, uma associa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica heterog\u00eanea que visava enfrentar o car\u00e1ter injusto da arquitetura global sob domina\u00e7\u00e3o do Ocidente, dando espa\u00e7o para que pa\u00edses do Terceiro Mundo pudessem defender seus interesses no sistema.<\/p>\n<p>Se antes, durante as d\u00e9cadas de 1950, 1960 e 1970, as economias do Terceiro Mundo desenvolviam-se de forma lenta, nos anos 2000 o crescimento acelerado de diversos pa\u00edses latino-americanos, africanos e asi\u00e1ticos apontava para uma nova realidade econ\u00f4mica global, realidade essa que demandava mudan\u00e7as pol\u00edticas significativas.<\/p>\n<p>China e \u00cdndia, por exemplo, dois Estados com sistemas sociais e econ\u00f4micos bastante distintos (mas ainda assim considerados como parte do Terceiro Mundo), desempenharam um papel fundamental na promo\u00e7\u00e3o dessa mudan\u00e7a sist\u00eamica, que encontrou sua mais clara manifesta\u00e7\u00e3o na forma\u00e7\u00e3o e consolida\u00e7\u00e3o do BRICS.<\/p>\n<p>Como resultado, o BRICS n\u00e3o somente auferiu maior autoridade no plano internacional, como tamb\u00e9m passou a operar no formato BRICS+, visando atrair a coopera\u00e7\u00e3o de pa\u00edses terceiros no \u00e2mbito das reuni\u00f5es do grupo. Desse modo, conforme outros Estados foram sendo convidados a discutir as principais pautas da agenda global junto aos cinco membros originais, o BRICS foi gradualmente se transformando numa esp\u00e9cie de f\u00f3rum dos pa\u00edses do Terceiro Mundo.<\/p>\n<p>Com crescente urg\u00eancia, os problemas do subdesenvolvimento, da falta de representatividade em institui\u00e7\u00f5es multilaterais dominadas pelo Ocidente, assim como a \u00eanfase na multipolaridade nas rela\u00e7\u00f5es internacionais tornaram-se o foco de permanentes debates intra-BRICS.<\/p>\n<p>Como se n\u00e3o bastasse, discuss\u00f5es acerca da possibilidade de amplia\u00e7\u00e3o do grupo foram ganhando forma ao longo dos anos, culminando ent\u00e3o na esperada expans\u00e3o do BRICS, aprovada durante a \u00faltima c\u00fapula na \u00c1frica do Sul.<\/p>\n<p>O BRICS mostrou, portanto, que a unidade do Terceiro Mundo \u00e9 sim poss\u00edvel, e que ela pode ser expressada pela coopera\u00e7\u00e3o em plataformas pol\u00edticas alternativas e abrangentes, facilitando a defesa de seus interesses no plano internacional.<\/p>\n<p>Por certo, qualquer que seja o desenvolvimento futuro do grupo daqui para a frente, fato \u00e9 que o assim chamado Terceiro Mundo (ou, para quem preferir, o Sul Global) j\u00e1 demonstrou claramente sua insatisfa\u00e7\u00e3o com as estruturas de poder existentes.<\/p>\n<p>Tais estruturas, dominadas pelo Ocidente (o vulgo Primeiro Mundo), al\u00e9m de radicalmente injustas tamb\u00e9m s\u00e3o radicalmente obsoletas, a julgar pelas novas realidades globais do s\u00e9culo XXI. \u00c9 por isso que, al\u00e9m de simb\u00f3lica, a c\u00fapula na \u00c1frica do Sul representou uma verdadeira revolta do Terceiro Mundo e uma revolu\u00e7\u00e3o do BRICS.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00faltima c\u00fapula do BRICS na \u00c1frica do Sul foi um marco para a hist\u00f3ria das rela\u00e7\u00f5es internacionais, com a aprova\u00e7\u00e3o da entrada de seis novos membros ao grupo. 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