{"id":312319,"date":"2023-09-06T08:32:24","date_gmt":"2023-09-06T11:32:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=312319"},"modified":"2023-09-06T08:32:24","modified_gmt":"2023-09-06T11:32:24","slug":"atos-publicos-marcam-grito-dos-excluidos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/atos-publicos-marcam-grito-dos-excluidos\/","title":{"rendered":"Atos p\u00fablicos marcam Grito dos Exclu\u00eddos"},"content":{"rendered":"<p>Com atos p\u00fablicos, manifesta\u00e7\u00f5es e caminhadas, a 29\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Grito dos Exclu\u00eddos e Exclu\u00eddas toma as ruas de 26 estados para propor uma reflex\u00e3o sobre a garantia de vida digna para os segmentos da popula\u00e7\u00e3o marginalizados. Este ano o grito traz o tema Voc\u00ea tem fome e sede de qu\u00ea?, chamando a aten\u00e7\u00e3o para o problema, que voltou a atingir grande parcela da popula\u00e7\u00e3o brasileira. Relat\u00f3rio divulgado em julho pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Alimenta\u00e7\u00e3o e Agricultura (FAO) confirmou a piora dos indicadores de fome e inseguran\u00e7a alimentar no Brasil no ano passado.<\/p>\n<p>Segundo a FAO, em 2022, 70,3 milh\u00f5es de pessoas estiveram em estado de inseguran\u00e7a alimentar moderada, que \u00e9 quando t\u00eam dificuldade para se alimentar. O levantamento tamb\u00e9m mostra que 21,1 milh\u00f5es de pessoas no pa\u00eds passaram por inseguran\u00e7a alimentar grave, caracterizada por estado de fome.<\/p>\n<p>A maioria das a\u00e7\u00f5es ocorrem na semana do 7 de Setembro, com o objetivo de mobilizar as pessoas para a luta por seus direitos, na den\u00fancia das injusti\u00e7as e viol\u00eancias, valorizando a vida e na busca de um mundo com justi\u00e7a social.<\/p>\n<p>&#8220;O grito \u00e9 essa oportunidade para refletirmos e para dizer que queremos caminhar juntos e juntas com vida e dignidade. Alimentar a esperan\u00e7a de um mundo melhor, de uma sociedade mais justa e mais fraterna. E esse mundo ser\u00e1 concretizado, na medida em que as organiza\u00e7\u00f5es, juntamente com aqueles e aquelas que t\u00eam seus direitos negados, possam ser sujeitos dessa sociedade\u201d, disse em entrevista segunda-feira (4) o bispo de Brejo (MA) e presidente da Comiss\u00e3o Episcopal Pastoral para A\u00e7\u00e3o Sociotransformadora da Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) dom Jos\u00e9 Valdeci Santos Mendes.<\/p>\n<p>Ele lembrou que o Grito sempre dialoga com o tema da Campanha da Fraternidade, da CNBB, que este ano tem o lema \u201cDai-lhes v\u00f3s mesmos de comer\u201d. O tema aborda a necessidade de a\u00e7\u00f5es em busca de alternativas para a dificuldade de acesso aos alimentos e \u00e0 \u00e1gua, bem como chama a aten\u00e7\u00e3o para a necessidade de maior participa\u00e7\u00e3o popular e constru\u00e7\u00e3o coletiva em busca de solu\u00e7\u00f5es para os diferentes tipos de problemas que atingem a parcela mais vulner\u00e1vel da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma das vozes exclu\u00eddas que buscam ser ouvidas \u00e9 a da raizeira e arte educadora Rosilene de Jesus Santos, a Negah Rosi, uma das pessoas atingidas pelas fortes chuvas que atingiram o litoral norte de S\u00e3o Paulo, especialmrente o munic\u00edpio de S\u00e3o Sebasti\u00e3o. As chuvas deixaram 64 mortos no munic\u00edpio e, segundo Negah Rose, afetaram direta e indiretamente mais de 4 mil pessoas. Moradora h\u00e1 32 anos da Barra do Sahy, uma das \u00e1reas mais atingidas, ela relata que ap\u00f3s a trag\u00e9dia, os moradores est\u00e3o lutando por moradia digna, saneamento e acesso \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel<\/p>\n<p>\u201cMoro aqui h\u00e1 uns 32 anos e nunca pensei em passar o que a gente enfrentou aqui dentro. Perdemos muitos amigos, pessoas pr\u00f3ximas, e fica dif\u00edcil falar sobre isso. Estou falando aqui sobre justi\u00e7a, sobre o que aconteceu e est\u00e1 acontecendo em S\u00e3o Sebasti\u00e3o. Tem gente ainda em \u00e1rea de risco, muitas m\u00e3es solo n\u00e3o est\u00e3o nem conseguindo trabalhar. Estamos aqui nesse descaso\u201d, desabafou.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o das in\u00fameras fam\u00edlias de S\u00e3o Sebasti\u00e3o e dos outros munic\u00edpios afetados ilustra o chamado racismo ambiental &#8211; termo que trata da desigualdade socioambiental, quando os impactos n\u00e3o afetam da mesma maneira a popula\u00e7\u00e3o, incidindo principalmente sobre as comunidades marginalizadas, como pessoas negras, ind\u00edgenas e pobres. Por outro lado, as popula\u00e7\u00f5es mais privilegiadas usufruem de maior prote\u00e7\u00e3o ambiental e melhores condi\u00e7\u00f5es de vida, como no caso de S\u00e3o Sebasti\u00e3o.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o desastre, o governo de S\u00e3o Paulo disse que iria desapropriar e declarar de utilidade p\u00fablica um terreno particular de mais de 10 mil metros quadrados, localizado na Vila Sahy, em S\u00e3o Sebasti\u00e3o, para a constru\u00e7\u00e3o de moradias populares para fam\u00edlias atingidas pelas chuvas. Entretanto, os moradores n\u00e3o foram ouvidos e o projeto apresentado prop\u00f5e a verticaliza\u00e7\u00e3o das constru\u00e7\u00f5es, com moradias populares em pr\u00e9dios de cinco andares.<\/p>\n<p>Para os moradores, as obras n\u00e3o respeitam \u00e1reas de povos origin\u00e1rios ind\u00edgenas, cai\u00e7aras e ribeirinhos, que tradicionalmente habitam em casas.<\/p>\n<p>\u201cEstamos lutando por moradia digna para cada um. N\u00e3o est\u00e1 f\u00e1cil para os moradores, porque n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil deixar a sua casa e agora fizeram pr\u00e9dio, n\u00f3s n\u00e3o moramos em pr\u00e9dios. A maioria aqui tinha ro\u00e7a, fazia sua ro\u00e7a; aqui a gente tinha quintal e n\u00e3o est\u00e1 nada f\u00e1cil. As m\u00e3es e av\u00f3s solo est\u00e3o precisando muito de aten\u00e7\u00e3o e moradia digna\u201d, disse Negah Rose.<\/p>\n<p>Preocupados com o descaso das autoridades nas \u00e1reas da educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade mental e com os projetos de moradias populares, os moradores se organizaram por meio da Uni\u00e3o dos Atingidos em S\u00e3o Sebasti\u00e3o, que luta ainda para que as moradias sejam constru\u00eddas fora de \u00e1reas alagadas e de risco e denunciam o descaso com as escolas estaduais e municipais.<\/p>\n<p>\u201cQuando ocorre a trag\u00e9dia, ficamos sem saber que dire\u00e7\u00e3o tomar, a gente n\u00e3o foi ouvido em momento nenhum. Fomos \u00e0 prefeitura e a prefeitura fechou as portas. E, at\u00e9 o momento, n\u00e3o fomos ouvidos sobre nossas casas, at\u00e9 porque vamos pagar por elas\u201d, afirmou. \u201cOs col\u00e9gios foram atingidos e as crian\u00e7as est\u00e3o estudando cerca de tr\u00eas horas por dia. J\u00e1 tinha tido antes a pandemia [de covid-19], em que o ensino tinha ca\u00eddo, e agora estamos sem as crian\u00e7as poderem estudar direito. Tenho fome de justi\u00e7a e de moradia neste momento\u201d, concluiu Negah Rose.<\/p>\n<p>Durante a entrevista para falar sobre o Grito dos Exclu\u00eddos, dom Jos\u00e9 Valdeci lembrou que o esfor\u00e7o tamb\u00e9m est\u00e1 na defesa do acesso \u00e0 terra, teto e trabalho no campo e na cidade, na defesa da agroecologia, com o acesso a alimentos saud\u00e1veis, na soberania alimentar; em defender a M\u00e3e Terra, os rios, as florestas e o direito dos povos ind\u00edgenas, ribeirinhos e quilombolas aos seus territ\u00f3rios.<\/p>\n<p>\u201cPara haver uma sociedade justa, \u00e9 preciso lutar para que, de fato, ocorra uma transforma\u00e7\u00e3o e ela deve se concretizar em pol\u00edticas p\u00fablicas, deve se realizar em uma boa educa\u00e7\u00e3o, em sa\u00fade para todos e todas, em territ\u00f3rios livres. Agora mesmo estamos enfrentando o desafio do marco temporal, que \u00e9 um absurdo. Precisamos dizer que nossos irm\u00e3os, os povos ind\u00edgenas, t\u00eam todo o direito ao territ\u00f3rio, como as comunidades quilombolas, os pescadores e pescadoras, os geraizeiros, as quebradeiras de coco. Nesse sentido, \u00e9 importante que continuemos lutando ao lado daqueles que s\u00e3o exclu\u00eddos\u201d, reiterou.<\/p>\n<p>Em diversas regi\u00f5es do pa\u00eds, a programa\u00e7\u00e3o do Grito dos Exclu\u00eddos j\u00e1 come\u00e7ou. No Acre, as atividades come\u00e7aram no dia 2, com o pr\u00e9-Grito. No Maranh\u00e3o, as atividades come\u00e7aram nessa ter\u00e7a-feira (5), com uma caminhada no centro da capital S\u00e3o Lu\u00eds. No dia 9 de setembro (s\u00e1bado), haver\u00e1 celebra\u00e7\u00e3o da missa em a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as pelo 29\u00ba Grito dos Exclu\u00eddos, na igreja matriz da Par\u00f3quia Santa Clara de Assis, no bairro Santa Clara. Veja aqui a programa\u00e7\u00e3o nacional do Grito.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com atos p\u00fablicos, manifesta\u00e7\u00f5es e caminhadas, a 29\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Grito dos Exclu\u00eddos e Exclu\u00eddas toma as ruas de 26 estados para propor uma reflex\u00e3o sobre a garantia de vida digna para os segmentos da popula\u00e7\u00e3o marginalizados. 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