{"id":312423,"date":"2023-09-08T06:48:34","date_gmt":"2023-09-08T09:48:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=312423"},"modified":"2023-09-08T07:57:35","modified_gmt":"2023-09-08T10:57:35","slug":"grito-dos-excluidos-pede-protagonismo-para-o-povo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/grito-dos-excluidos-pede-protagonismo-para-o-povo\/","title":{"rendered":"Grito dos Exclu\u00eddos pede protagonismo para o povo"},"content":{"rendered":"<p>Enquanto os \u00faltimos militares terminavam o tradicional desfile de 7 de setembro na Avenida Presidente Vargas, umas das principais do centro do Rio de Janeiro, um outro ato tomou parte da via nesta quinta-feira (7). Rostos \u2013 na maioria de pessoas negras \u2013 representavam os protagonistas da 29\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Grito dos Exclu\u00eddos e Exclu\u00eddas.<\/p>\n<p>A manifesta\u00e7\u00e3o ocorre sempre no feriado da Independ\u00eancia, em todos os estados do pa\u00eds, e leva para as ruas reinvindica\u00e7\u00f5es de movimentos sociais, especialmente das minorias pol\u00edticas. O tema da edi\u00e7\u00e3o deste ano \u00e9 \u201cVoc\u00ea tem fome e sede de qu\u00ea?\u201d.<\/p>\n<p>\u201cFazer uma pergunta vem da tradi\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o popular. A gente faz a pergunta e isso desencadeia uma reflex\u00e3o\u201d, explicou \u00e0 Ag\u00eancia Brasil a economista e educadora popular Sandra Quintela, uma das organizadoras do ato.<\/p>\n<p>Problema da fome<br \/>\nO questionamento chama a aten\u00e7\u00e3o para o problema da fome no pa\u00eds. Cerca de 70,3 milh\u00f5es de pessoas vivem em inseguran\u00e7a alimentar, ou seja, n\u00e3o sabem se v\u00e3o conseguir comida suficiente, e 21 milh\u00f5es n\u00e3o t\u00eam o que comer todos os dias, de acordo com um relat\u00f3rio da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU).<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 muita gente. \u00c9 quase metade da popula\u00e7\u00e3o que n\u00e3o tem garantido o direito \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o\u201d, lamenta Sandra. A organizadora explica que h\u00e1 \u201coutras fomes\u201d da popula\u00e7\u00e3o brasileira, como fome por justi\u00e7a e por um ambiente sadio.<\/p>\n<p><strong>Povo protagonista<\/strong><br \/>\nSandra criticou a militariza\u00e7\u00e3o do desfile de 7 de setembro. \u201cComo \u00e9 que se comemora a independ\u00eancia de um pa\u00eds soberano com um desfile militar? A soberania est\u00e1 nos militares ou no povo brasileiro? A gente est\u00e1 dizendo que est\u00e1 no povo brasileiro, por isso que a gente est\u00e1 aqui hoje\u201d, explica. Para ela, o povo precisa de mais protagonismo.<\/p>\n<p>\u201cO Brasil tem que ser constru\u00eddo de baixo para cima. N\u00f3s acreditamos que o nosso planalto \u00e9 a plan\u00edcie, onde est\u00e1 realmente o povo brasileiro, na luta pela sobreviv\u00eancia e pelo bem-estar\u201d, afirmou, fazendo refer\u00eancia ao Planalto Central, onde fica a capital do pa\u00eds, Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>Entre os temas lembrados pelos manifestantes, bandeiras como a defesa do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS), direitos de povos ind\u00edgenas, igualdade racial, direito \u00e0 moradia, trabalho digno e educa\u00e7\u00e3o. Houve espa\u00e7o tamb\u00e9m para cr\u00edticas ao governador do Rio de Janeiro, Claudio Castro, por causa de opera\u00e7\u00f5es policiais em favelas, e ao ex-presidente Jair Bolsonaro.<\/p>\n<p><strong>Mortes nas favelas<\/strong><br \/>\nA manifesta\u00e7\u00e3o contou com grupos de m\u00e3es que perderam os filhos para a viol\u00eancia. Uma das fundadoras do Movimento M\u00e3es de Manguinhos, F\u00e1tima Pinho levava uma faixa com fotos de jovens mortos. Entre eles, o filho dela, Paulo Roberto Pinho de Menezes, assassinado na comunidade em 2013, aos 18 anos. A fam\u00edlia responsabilizou abusos de policiais pela morte do rapaz.<\/p>\n<p>Com o filho Antony Davi, de 3 anos, no colo, F\u00e1tima acredita que o ato, al\u00e9m de um pedido de repara\u00e7\u00e3o para v\u00e1rias fam\u00edlias, \u00e9 importante tamb\u00e9m para as futuras gera\u00e7\u00f5es. \u201cEssa luta \u00e9 para mant\u00ea-lo vivo e para ele entender o porqu\u00ea da nossa luta. Eu o trago com o maior prazer\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Dados da plataforma Fogo Cruzado mostram que 16 crian\u00e7as foram baleadas na regi\u00e3o metropolitana do Rio, em 2023. Dessas, sete morreram.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o haver\u00e1 independ\u00eancia e soberania enquanto o Estado matar a juventude pobre e negra nas favelas. Favela e periferia n\u00e3o s\u00e3o territ\u00f3rios inimigos&#8221;, discursou o deputado federal Tarc\u00edsio Motta (PSOL-RJ). &#8220;Estamos na rua porque sabemos que \u00e9 o povo na rua e organizado que ser\u00e1 capaz de mudar essa realidade. Estamos dizendo que democracia \u00e9 gente na rua, gente organizada e gente no poder&#8221;, complementou.<\/p>\n<p><strong>Outras lutas<\/strong><br \/>\nO pedido por mais representatividade para minorias esteve presente no Grito dos Exclu\u00eddos.<\/p>\n<p>\u201cA representatividade \u00e9 um fator primordial, sobretudo, da popula\u00e7\u00e3o negra, quilombola, perif\u00e9rica, favelada. Estar nesse movimento \u00e9 uma forma de reafirmar a nossa identidade\u201d, avalia Roberto Gomes do Santos, que faz parte da coordena\u00e7\u00e3o do Quilombo da Gamboa, na regi\u00e3o central do Rio.<\/p>\n<p>Representante da popula\u00e7\u00e3o LGBTQIA+, Katiaa Dami acha que \u201ca import\u00e2ncia de estar na manifesta\u00e7\u00e3o \u00e9 fazer a voz ecoar, se empoderar\u201d e fazer a sociedade perceber a luta de minorias. \u201cO povo perif\u00e9rico, preto, trabalhador, LGBTQIA+ est\u00e1 na luta, e a gente n\u00e3o pode parar\u201d, completou a moradora do conjunto de comunidades da Mar\u00e9, na zona norte do Rio.<\/p>\n<p>A aluna de direito Giovanna Almeida, representante do Diret\u00f3rio Central de Estudantes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), defende mais participa\u00e7\u00e3o de estudantes em manifesta\u00e7\u00f5es populares. \u201cA gente tem feito esse esfor\u00e7o de mobilizar o movimento estudantil para tamb\u00e9m cumprir esse papel de fazer as den\u00fancias no campo da educa\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p><strong>Tr\u00eas d\u00e9cadas de Grito<\/strong><br \/>\nA um ano de o movimento completar tr\u00eas d\u00e9cadas, a organizadora Sandra Quintela entende que tantas edi\u00e7\u00f5es realizadas s\u00e3o uma prova de resili\u00eancia do ato. Mas sonha com um dia em que o Grito dos Exclu\u00eddos n\u00e3o seja mais necess\u00e1rio. \u201cA gente luta por um mundo de justi\u00e7a, no dia que n\u00e3o tiver injusti\u00e7a, a gente para. Mas vai demorar&#8230; Independentemente de qual seja o governo, n\u00f3s estamos aqui sempre e esperamos que um dia n\u00e3o precisemos mais estar aqui\u201d, vislumbra.<\/p>\n<p>A manifesta\u00e7\u00e3o desta quinta-feira percorreu cerca de 1 quil\u00f4metro e terminou na Pra\u00e7a Mau\u00e1.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Enquanto os \u00faltimos militares terminavam o tradicional desfile de 7 de setembro na Avenida Presidente Vargas, umas das principais do centro do Rio de Janeiro, um outro ato tomou parte da via nesta quinta-feira (7). Rostos \u2013 na maioria de pessoas negras \u2013 representavam os protagonistas da 29\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Grito dos Exclu\u00eddos e Exclu\u00eddas. 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