{"id":312687,"date":"2023-09-11T00:00:34","date_gmt":"2023-09-11T03:00:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=312687"},"modified":"2023-09-11T11:11:32","modified_gmt":"2023-09-11T14:11:32","slug":"efeitos-da-pandemia-com-suicidios-precisam-ser-monitorados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/efeitos-da-pandemia-com-suicidios-precisam-ser-monitorados\/","title":{"rendered":"Efeitos da pandemia com suic\u00eddios precisam ser monitorados"},"content":{"rendered":"<p>Apesar de a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) ter declarado, em maio deste ano, o fim da emerg\u00eancia de sa\u00fade p\u00fablica provocada pela covid-19, os efeitos indiretos da pandemia devem continuar sendo monitorados, no que se referem ao aumento de casos de suic\u00eddio. Essa \u00e9 a ideia defendida por pesquisadores do Instituto Le\u00f4nidas &amp; Maria Deane da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz no Amazonas (ILMD\/Fiocruz Amaz\u00f4nia), neste 10 de setembro, Dia Mundial da Preven\u00e7\u00e3o do Suic\u00eddio.<\/p>\n<p>Com base em dados de mortalidade do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, o epidemiologista Jesem Orellana, o psiquiatra Maximiliano Ponte, da Fiocruz Cear\u00e1, e o pesquisador s\u00eanior da Fiocruz Amaz\u00f4nia Bernardo Lessa Horta se propuseram a analisar a ocorr\u00eancia de casos de suic\u00eddios no pa\u00eds durante as fases mais cr\u00edticas da pandemia.<\/p>\n<p>Eles identificaram um n\u00famero maior que o esperado \u2013 com base em m\u00e9dias hist\u00f3ricas \u2013 nas faixas de idade a partir dos 30 anos, sobretudo em mulheres das regi\u00f5es Norte e Nordeste. O estudo Excess Suicides in Brazil during the First Two Years of the Covid-19 Pandemic: Gender, Regional and Age Group Inequalities (Excesso de Suic\u00eddios no Brasil nos Dois Primeiros Anos da Pandemia de Covid-19: Desigualdades de G\u00eanero, Regionais e de Faixas Et\u00e1rias) foi publicado no International Journal of Social Psychiatry, tradicional peri\u00f3dico no campo da psiquiatria social.<\/p>\n<p><strong>Mulheres<\/strong><br \/>\nEntre mar\u00e7o de 2020 \u2013 in\u00edcio da pandemia no Brasil \u2013 e fevereiro de 2022, os pesquisadores identificaram cerca de 30 mil casos no pa\u00eds. At\u00e9 ent\u00e3o, n\u00famero dentro do esperado. Por\u00e9m, no segundo ano do estudo (mar\u00e7o de 2021 a fevereiro de 2022), o cen\u00e1rio teve pontos cr\u00edticos. \u201cHouve 28% de suic\u00eddios al\u00e9m do esperado em mulheres com 60 anos ou mais da regi\u00e3o Sudeste, bem como 32% e 61% de suic\u00eddios al\u00e9m do esperado em mulheres na faixa de 30 a 59 anos das regi\u00f5es Norte e Nordeste, respectivamente.\u201d<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a pesquisa aponta que, entre os meses de julho e outubro de 2021, registrou-se o \u201calarmante excesso de suic\u00eddios de 83% em mulheres com 60 anos e mais do Nordeste\u201d.<\/p>\n<p>O estudo refor\u00e7a que pa\u00edses severamente atingidos pelos efeitos diretos da pandemia, como o Brasil \u2013 onde houve mais de 700 mil mortes \u2013 foram mais propensos aos efeitos indiretos sobre outras causas de morte, como o suic\u00eddio.<\/p>\n<p>Dados do Anu\u00e1rio Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica, do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica, divulgado em julho, revelam que, em 2022, o Brasil teve 16,2 mil casos de suic\u00eddios, uma m\u00e9dia de 44 por dia. Em 2021, tinham sido 14,4 mil, um crescimento de quase 12%.<\/p>\n<p>\u201cInfelizmente, nosso estudo mostrou um agravamento do problema, sobretudo entre as mulheres\u201d, lamenta Orellana, que \u00e9 tamb\u00e9m chefe do Laborat\u00f3rio de Modelagem em Estat\u00edstica, Geoprocessamento e Epidemiologia da Fiocruz Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>Acompanhamento de casos<br \/>\nPara o pesquisador, monitorar os casos, identificar as segmenta\u00e7\u00f5es de idade, g\u00eanero e regi\u00f5es fazem parte de um conjunto de estrat\u00e9gias de enfrentamento do cen\u00e1rio. \u201cUm dos primeiros passos \u00e9 monitorar adequadamente o problema, pois o desafio da subnotifica\u00e7\u00e3o, especialmente em regi\u00f5es menos desenvolvidas, limita o alcance de pol\u00edticas p\u00fablicas adequadas \u00e0 sua preven\u00e7\u00e3o, justamente entre os mais vulner\u00e1veis\u201d, disse \u00e0 Ag\u00eancia Brasil.<\/p>\n<p>De acordo com o estudo publicado na revista internacional, o fato de o Brasil ter tido um n\u00famero t\u00e3o grande de mortes por covid-19 e outros danos materiais e imateriais fazem que efeitos devastadores da pandemia n\u00e3o tenham ficado totalmente para tr\u00e1s.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 fundamental que trabalhadores de sa\u00fade, pesquisadores, popula\u00e7\u00e3o em geral, gestores e tomadores de decis\u00e3o n\u00e3o apenas sigam monitorando os poss\u00edveis efeitos residuais da pandemia sobre os suic\u00eddios e se preparando para novas emerg\u00eancias sanit\u00e1rias, como tamb\u00e9m promovam o fortalecimento da Rede de Aten\u00e7\u00e3o Psicossocial\u201d, defende.<\/p>\n<p><strong>Acolhimento<\/strong><br \/>\nA Rede de Aten\u00e7\u00e3o Psicossocial corresponde a um conjunto articulado de diferentes pontos de aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade, no \u00e2mbito do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS), com foco em acolhimento e tratamento de pessoas com transtorno mental e\/ou depend\u00eancias qu\u00edmicas.<\/p>\n<p>\u201cEm termos de aten\u00e7\u00e3o psicossocial, \u00e9 crucial a amplia\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias que integrem e envolvam n\u00e3o apenas v\u00edtimas em potencial e pessoas do entorno, mas diferentes atores da sociedade civil organizada, tomadores de decis\u00e3o, trabalhadores de sa\u00fade e comunidade\u201d, observa Orellana.<\/p>\n<p>Na vis\u00e3o do pesquisador, a sociedade deve ter parte ativa no enfrentamento do problema.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 preciso ampliar a discuss\u00e3o do problema junto \u00e0 sociedade, pois mitos, tabus e at\u00e9 mesmo vis\u00f5es preconceituosas ou pouco emp\u00e1ticas acabam agravando o problema&#8221;, aponta. &#8220;Neste caso, processos de escuta ativa e o reconhecimento de sinais que indicam conduta ou propens\u00e3o ao suic\u00eddio s\u00e3o cruciais, assim como limitar m\u00e9todos que oportunizam a autoagress\u00e3o letal, como armas de fogo&#8221;, conclui.<\/p>\n<p>A opini\u00e3o do pesquisador sobre a import\u00e2ncia de \u201cquebrar o sil\u00eancio\u201d para prevenir casos de suic\u00eddio faz coro a outros especialistas, como j\u00e1 mostrou reportagem da Ag\u00eancia Brasil.<\/p>\n<p><strong>Setembro Amarelo<\/strong><br \/>\nEstamos em pleno Setembro Amarelo, m\u00eas especialmente dedicado \u00e0 preven\u00e7\u00e3o do suic\u00eddio. Um dos objetivos da a\u00e7\u00e3o \u00e9 aumentar a conscientiza\u00e7\u00e3o sobre sinais de que uma pessoa pensa em tirar a pr\u00f3pria vida. A Ag\u00eancia Brasil aponta alguns ind\u00edcios, segundo a campanha:<\/p>\n<p>&#8211; Express\u00e3o de ideias ou de inten\u00e7\u00f5es suicidas;<\/p>\n<p>&#8211; Publica\u00e7\u00f5es nas redes sociais com conte\u00fado negativista ou participa\u00e7\u00e3o em grupos virtuais que incentivem o suic\u00eddio ou outros comportamentos associados;<\/p>\n<p>&#8211; Isolamento e distanciamento da fam\u00edlia, dos amigos e dos grupos sociais, particularmente importante se a pessoa apresentava uma vida social ativa;<\/p>\n<p>&#8211; Atitudes perigosas que n\u00e3o necessariamente podem estar associadas ao desejo de morte (dirigir perigosamente, beber descontroladamente, brigas constantes, agressividade, impulsividade, etc.);<\/p>\n<p>&#8211; Aus\u00eancia ou abandono de planos;<\/p>\n<p>&#8211; Forma desinteressada como a pessoa est\u00e1 lidando com algum evento estressor (acidente, desemprego, fal\u00eancia, separa\u00e7\u00e3o dos pais, morte de algu\u00e9m querido);<\/p>\n<p>&#8211; Despedidas (\u201cacho que no pr\u00f3ximo Natal n\u00e3o estarei aqui com voc\u00eas\u201d, liga\u00e7\u00f5es com conota\u00e7\u00e3o de despedida, distribuir os bens pessoais);<\/p>\n<p>&#8211; Colocar os assuntos em ordem, fazer um testamento, dar ou devolver os bens;<\/p>\n<p>&#8211; Queixas cont\u00ednuas de sintomas como desconforto, ang\u00fastia, falta de prazer ou sentido de vida;<\/p>\n<p>&#8211; Qualquer doen\u00e7a psiqui\u00e1trica n\u00e3o tratada (quadros psic\u00f3ticos, transtornos alimentares e os transtornos afetivos de humor).<\/p>\n<p><strong>Obter ajuda<\/strong><br \/>\nEntre os profissionais que tratam de sa\u00fade mental e institui\u00e7\u00f5es especialistas em preven\u00e7\u00e3o ao suic\u00eddio, \u00e9 un\u00e2nime a ideia de procurar (ou orientar) ajuda espec\u00edfica sempre que sentir necessidade de acolhimento (ou perceber que algu\u00e9m precisa). Veja alguns canais de acolhimento:<\/p>\n<p>&#8211; Centro de Valoriza\u00e7\u00e3o da Vida (CVV), realiza apoio emocional e preven\u00e7\u00e3o do suic\u00eddio, atendendo volunt\u00e1ria e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, e-mail e chat 24 horas todos os dias.<\/p>\n<p>&#8211; Mapa da Sa\u00fade Mental, que traz uma lista de locais de atendimento volunt\u00e1rio online e presencial em todo pa\u00eds.<\/p>\n<p>&#8211; Pode Falar, um canal lan\u00e7ado pelo Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (Unicef) de ajuda em sa\u00fade mental para adolescentes e jovens de 13 a 24 anos. Funciona de forma an\u00f4nima e gratuita, indicando materiais de apoio e servi\u00e7o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apesar de a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) ter declarado, em maio deste ano, o fim da emerg\u00eancia de sa\u00fade p\u00fablica provocada pela covid-19, os efeitos indiretos da pandemia devem continuar sendo monitorados, no que se referem ao aumento de casos de suic\u00eddio. 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