{"id":312864,"date":"2023-09-13T09:08:07","date_gmt":"2023-09-13T12:08:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=312864"},"modified":"2023-09-13T09:08:07","modified_gmt":"2023-09-13T12:08:07","slug":"por-que-marcham-as-nossas-indigenas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/por-que-marcham-as-nossas-indigenas\/","title":{"rendered":"Por que marcham as nossas ind\u00edgenas?"},"content":{"rendered":"<p>S\u00e3o muitas as causas para que cerca de 5 mil mulheres ind\u00edgenas tenham deixado suas comunidades, viajado por horas e, grande parte delas, permanecido por 3 dias acampadas a quatro quil\u00f4metros da Pra\u00e7a dos Tr\u00eas Poderes, em Bras\u00edlia, para participar da 3\u00aa Marcha das Mulheres Ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>Promovida pela Articula\u00e7\u00e3o Nacional das Mulheres Ind\u00edgenas Guerreiras da Ancestralidade, a marcha, este ano, tem como lema a defesa da biodiversidade. Mas, para al\u00e9m da pauta conjunta, extra\u00edda dos desafios enfrentados coletivamente, cada mulher presente ao ato carrega consigo, tamb\u00e9m, uma justificativa para marchar pela capital federal na manh\u00e3 desta quarta-feira (13).<\/p>\n<p>\u201cLutamos por mais respeito e considera\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres. E tamb\u00e9m em defesa de nossos territ\u00f3rios\u201d, justificou a estudante secundarista Samara Cristina Paramirim de Oliveira Martim, 17 anos de idade, que deixou a Terra Ind\u00edgena Jaragu\u00e1, na cidade de S\u00e3o Paulo, convencida de que a uni\u00e3o de tantas mulheres \u00e9 capaz de dar mais visibilidade a temas caros \u00e0s comunidades ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 importante estarmos juntas. Cada uma de n\u00f3s t\u00eam sua for\u00e7a, mas juntas somos mais fortes. S\u00f3 assim conseguimos construir algo. Na marcha, cada uma estar\u00e1 com seu povo e todos os povos estaremos juntos, chamando a aten\u00e7\u00e3o para a luta de todos os ind\u00edgenas, independente da etnia, da idade e do g\u00eanero\u201d, acrescentou Samara, destacando que o fato das participantes da marcha virem de diferentes partes do pa\u00eds favorece a troca de experi\u00eancias, refor\u00e7ando os tra\u00e7os em comum, mas tamb\u00e9m as particularidades de cada comunidade.<\/p>\n<p>Larissa Xerente, representante de comunidade xerente de Tocantins. Foto: Alex Rodrigues\/Ag\u00eancia Brasil<br \/>\nDez anos mais velha que a jovem paulistana, a artes\u00e3 Larissa Xerente passou 12 horas em um \u00f4nibus, junto com outras 23 mulheres ind\u00edgenas de sua etnia, para superar a dist\u00e2ncia entre Tocantinia (TO) e Bras\u00edlia. Escolhida representante da aldeia Formosa, da TI Xerente, Larissa considera que recebeu uma oportunidade que cada vez mais mulheres ind\u00edgenas almejam.<\/p>\n<p>\u201cHoje, h\u00e1 muitas mulheres querendo participar de v\u00e1rios movimentos, incluindo o ind\u00edgena. Infelizmente, ainda encontramos alguns obst\u00e1culos. Fui indicada e vim certa de que, quando sa\u00edmos para denunciar o que acontece em nossas comunidades, para reivindicar as demandas de nossos grupos, que s\u00e3o muitas, recebemos voz para tentar solucionar problemas que ocorrem h\u00e1 anos\u201d, explicou Larissa antes de elencar aspectos como sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e mais igualdade entre g\u00eaneros.<\/p>\n<p>&#8220;Os homens costumam falar por n\u00f3s, mas \u00e9 cada vez mais forte a vis\u00e3o de que se n\u00f3s mesmo n\u00e3o formos atr\u00e1s [de resolu\u00e7\u00e3o para os problemas], os homens n\u00e3o conseguir\u00e3o muito do que podemos alcan\u00e7ar, pois eles n\u00e3o conseguem, por exemplo, explicar pelo que as mulheres [em particular] est\u00e3o passando. E todas, de alguma forma, passam por um mesmo processo de viola\u00e7\u00e3o de seus corpos\u201d, acrescentou Larissa, chamando aten\u00e7\u00e3o para o fato de que embora as mulheres sejam as protagonistas da marcha, h\u00e1 muitos homens presentes, acompanhando-as e incentivando-as a lutar pelos direitos ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>J\u00e1 Dayane Rikbaktsa representa a Curva, uma das aldeias da TI Rikbaktsa, em Mato Grosso. Como as demais mulheres ouvidas pela Ag\u00eancia Brasil, ela defende que, em \u00faltima inst\u00e2ncia, o movimento luta pela preserva\u00e7\u00e3o da vida, costumes e terras ind\u00edgenas, mas destaca a diversidade dos temas discutidos no acampamento montado junto ao Centro Ibero-Americano de Culturas, antigo Complexo Cultural Funarte.<\/p>\n<p>\u201cA principal luta dos povos ind\u00edgenas \u00e9 em prol dos nossos territ\u00f3rios, para n\u00e3o deixar que nossas terras sejam invadidas e buscar resolver os problemas existentes, como a invas\u00e3o por madeireiros e a expans\u00e3o da agropecu\u00e1ria, mas h\u00e1 tamb\u00e9m quest\u00f5es localizadas. No Mato Grosso, por exemplo, temos a quest\u00e3o das usinas hidrel\u00e9tricas que impactam nossa sobreviv\u00eancia e nossas tradi\u00e7\u00f5es, j\u00e1 que afetam a qualidade dos rios de onde retiramos muitos de nossos recursos\u201d, disse Dayane, assegurando que, em muitas partes do territ\u00f3rio brasileiro, os povos ind\u00edgenas j\u00e1 \u201csofrem muito com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u201d.<\/p>\n<p>\u201cS\u00f3 mesmo os povos ind\u00edgenas sabem, entendem e sentem o que est\u00e3o vivendo. E as mulheres sentem isso e querem se somar \u00e0 luta. Somos guerreiras, estamos aqui para marchar em nome de nossas ancestrais; fortalecer o movimento e conseguir um modo de vida mais qualificado para nossos filhos, que v\u00e3o dar continuidade \u00e0 nossa luta\u201d, finalizou Dayane.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00e3o muitas as causas para que cerca de 5 mil mulheres ind\u00edgenas tenham deixado suas comunidades, viajado por horas e, grande parte delas, permanecido por 3 dias acampadas a quatro quil\u00f4metros da Pra\u00e7a dos Tr\u00eas Poderes, em Bras\u00edlia, para participar da 3\u00aa Marcha das Mulheres Ind\u00edgenas. 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