{"id":313139,"date":"2023-09-20T01:35:31","date_gmt":"2023-09-20T04:35:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=313139"},"modified":"2023-09-20T01:35:31","modified_gmt":"2023-09-20T04:35:31","slug":"maior-mostra-cultural-do-mundo-chega-a-brasilia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/maior-mostra-cultural-do-mundo-chega-a-brasilia\/","title":{"rendered":"Maior mostra cultural do mundo chega a Bras\u00edlia"},"content":{"rendered":"<p>Desde a ter\u00e7a-feira (19) at\u00e9 5 de novembro, Bras\u00edlia ser\u00e1, pela primeira vez, uma das sedes da Bienal Internacional de Arte Contempor\u00e2nea do Sul, a BienalSur, coordenada, desde 2017, pela Universidad Nacional de Tres de Febrero, na Argentina.<\/p>\n<p>A quarta edi\u00e7\u00e3o do evento cultural, que ocorrer\u00e1 nos cinco continentes, chega ao Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) com t\u00edtulo \u201cSignos na Paisagem\u201d. Ser\u00e3o expostas as obras de 11 artistas, de seis pa\u00edses.<\/p>\n<p>Na abertura da exposi\u00e7\u00e3o, o diretor-Geral da BienalSur, o soci\u00f3logo argentino An\u00edbal Jozami, explicou que a t\u00f4nica da exposi\u00e7\u00e3o traz a preocupa\u00e7\u00e3o dos artistas contempor\u00e2neos com as quest\u00f5es ambientais.<\/p>\n<p>\u201cDa mesma maneira que, nas edi\u00e7\u00f5es anteriores, foram tratados problemas como de migra\u00e7\u00f5es, de igualdade de g\u00eanero e de quest\u00f5es sociais, nesta edi\u00e7\u00e3o, os artistas adotaram como tema principal o meio ambiente. Por isso, essa mostra e, praticamente, todas as 175 mostras diferentes da Bienal Sur 2023, em diferentes lugares do mundo, t\u00eam como tema predominante a necessidade de conservar a Terra.\u201d<\/p>\n<p>O objetivo da Bienal Internacional \u00e9 levar o p\u00fablico a refletir sobre as formas de como o ambiente natural est\u00e1 sendo modificado, h\u00e1 s\u00e9culos, pela a\u00e7\u00e3o humana, seus impactos no planeta e a exig\u00eancia de aten\u00e7\u00e3o especial ao tema.<\/p>\n<p>Para os organizadores, as obras podem despertar emo\u00e7\u00f5es, h\u00e1bitos de pensamento e sentimentos necess\u00e1rios ao enfrentamento da crise clim\u00e1tica, que ano a ano provoca mais eventos extremos e com maior intensidade.<\/p>\n<p><strong>Diversidade<\/strong><br \/>\nA Bienal Sur 2023 \u00e9 apontada como a mostra cultural mais extensa do mundo. Isto porque, a partir da sede da Bienal, na cidade de Buenos Aires, na Argentina, batizada de Quil\u00f4metro Zero, at\u00e9 o ponto mais distante, o Jap\u00e3o, o p\u00fablico pode percorrer 18.370 km, onde est\u00e3o as 175 sedes do evento, localizadas em mais de 70 cidades, de 28 pa\u00edses. O evento re\u00fane as express\u00f5es art\u00edsticas de mais de 400 artistas.<\/p>\n<p>As 175 exposi\u00e7\u00f5es come\u00e7aram a ser abertas em julho e est\u00e3o sendo inauguradas, desde ent\u00e3o, em v\u00e1rios endere\u00e7os. A curadora mostra e diretora art\u00edstica da Bienal Sur 2023, Diana B. Wechsler, explica a din\u00e2mica do evento mundial.<\/p>\n<p>\u201cA essa altura, a BienalSur, que \u00e9 o projeto cultural mais extenso do globo, come\u00e7a a estar simultaneamente em todo o planeta, entre setembro e outubro. Isso faz de cada espa\u00e7o um centro e, ao mesmo tempo, o conecta de maneira global. Ent\u00e3o, essa rela\u00e7\u00e3o entre o local e o global \u00e9 parte do que a Bienal Sur busca como experi\u00eancia cultural.\u201d<\/p>\n<p>No Brasil, a BienalSur 2023 tem outras sedes, al\u00e9m da capital federal. S\u00e3o elas: a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), em Santa Maria (RS); Museu Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba (PR); Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas, no Rio de Janeiro; Centro Cultural da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em Porto Alegre (RS); Museo de Arte Contempor\u00e2nea de Sorocaba, Sorocaba (SP); Memorial da Am\u00e9rica Latina, S\u00e3o Paulo (SP). E, ainda, na Embaixada do Brasil, na capital portenha, na Argentina.<\/p>\n<p><strong>Obras e projetos<\/strong><br \/>\nA BienalSur abre chamadas internacionais, sem temas pr\u00e9-estabelecidos. A partir das chamadas livres e com formato in\u00e9dito, os pr\u00f3prios artistas delineiam quais ser\u00e3o os grandes eixos tem\u00e1ticos de cada edi\u00e7\u00e3o, e que v\u00e3o nortear as escolhas dos trabalhos pela curadoria.<\/p>\n<p>Em 2023, a tem\u00e1tica do meio ambiente ganhou corpo e, atualmente, est\u00e1 presente nas esculturas, performances ao vivo, fotografias, pinturas, montagens, entre outras express\u00f5es art\u00edsticas expostas na maior parte das 175 sedes desta edi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O secret\u00e1rio de Promo\u00e7\u00e3o Comercial, Ci\u00eancia, Tecnologia, Inova\u00e7\u00e3o e Cultura do Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores do Brasil, embaixador Laudemar Aguiar, destacou a import\u00e2ncia da BienalSur ter sedes no Brasil, al\u00e9m dos interc\u00e2mbios de ideias, de culturas e dos movimentos de aproxima\u00e7\u00e3o entre as na\u00e7\u00f5es do sul global.<\/p>\n<p>\u201cTemos que ser mais protagonistas em coisas que n\u00f3s n\u00e3o estamos sendo, ainda, e que queremos ser, como por exemplo, os protagonistas em quest\u00f5es do meio ambiente e a sustentabilidade. Isso \u00e9 o que tem acontecido no in\u00edcio desse governo [do presidente Lula].\u201d<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a abertura das chamadas internacionais, por seis meses, artistas, institui\u00e7\u00f5es ligadas \u00e0s artes e curadores de diversos pontos geogr\u00e1ficos do planeta trabalharam em esquema colaborativo para definir o que, agora, est\u00e1 sendo exposto ao p\u00fablico e em quais formatos.<\/p>\n<p>A curadora Diana B. Wechsler explica que as artes tentam propor alternativas aos problemas vividos e s\u00e3o um importante espa\u00e7o de reflex\u00e3o, diante dos problemas da vida contempor\u00e2nea<\/p>\n<p>Em Bras\u00edlia, a BienalSur apresenta ao p\u00fablico obras em que est\u00e3o presentes elementos como \u00e1gua, ar, terra, fogo, mem\u00f3rias olfativas e auditivas. Entre os trabalhos expostos est\u00e3o o da fot\u00f3grafa e artista pl\u00e1stica brasileira Rochelle Costi, falecida em 2022, autora de Casa &amp; Jardim com registros de insetos encontrados na \u00e1rea externa de sua casa\/ateli\u00ea.<\/p>\n<p>E tamb\u00e9m pode ser conferida a s\u00e9rie Silence, com 16 fotografias digitais do meio urbano, de Dias &amp; Riedweg, do Brasil, captadas em 2020.<\/p>\n<p>Na inaugura\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o, tr\u00eas artistas estrangeiros estiveram presentes para explicar ao p\u00fablico o contexto da cria\u00e7\u00e3o de suas obras. O artista saudita Hatem Al Ahmad fez uma performance ao vivo, em seu v\u00eddeo em que membros da comunidade Abha (Ar\u00e1bia Saudita), cuidam das \u00e1rvores de um bosque local, em um ritual que reconecta o tempo e as boas pr\u00e1ticas de conviv\u00eancia com o ambiente natural.<\/p>\n<p>J\u00e1 a uruguaia Silvia Alejandra Gonzalez Soca, autora da Moebius, apresentou sua obra viva em que sementes de chia, linha\u00e7a foram plantadas na terra que ela coletou nos jardins do CCBB- Bras\u00edlia. O material org\u00e2nico, regado de tempos em tempos, serviu tamb\u00e9m fazer moldes do rosto da pr\u00f3pria artista e que dividem o espa\u00e7o da obra com os brotos que germinam.<\/p>\n<p>Em entrevista, a artista explicou que a obra se modifica constantemente. \u201c\u00c9 uma pe\u00e7a que nos leva a repensar as formas que habitamos, a forma que cuidamos de n\u00f3s e dos outros seres que habitam os mesmos territ\u00f3rios. De alguma maneira, nos remete aos rituais muito ancestrais, que tem a ver com esse olhar de onde estamos e como cuidar dessas sementes, esses alimentos para que a vida possa continuar crescendo\u201d.<\/p>\n<p>A uruguaia ainda valoriza o papel das mulheres. \u201cAs mulheres sempre foram as grandes cuidadoras da terra, das sementes, dos rituais vinculados ao plantar, de estar na casa, no lugar. Pessoalmente, Moebius me leva \u00e0 minha m\u00e3e e \u00e0 minha av\u00f3, mulheres rurais do centro de Uruguai.\u201d<\/p>\n<p><strong>P\u00fablico<\/strong><br \/>\nO p\u00fablico que compareceu \u00e0 abertura da BienalSur, foi formado, sobretudo, por estudantes de universit\u00e1rios de Artes e artistas locais que contribu\u00edram, na \u00faltima semana, para a exposi\u00e7\u00e3o das obras.<\/p>\n<p>\u00c9 o caso da curadora e gestora cultural da galeria de arte A Pilastra, Gisele Lima, que apoia a arte no Distrito Federal. \u201cA exposi\u00e7\u00e3o est\u00e1 inexplicavelmente linda. Tem trabalhos \u00fanicos que trazem, de fato, mat\u00e9ria org\u00e2nica viva para dentro de uma galeria, que tamb\u00e9m \u00e9 outro ponto diferencial.\u201d<\/p>\n<p>Gisele Lima trouxe a filha, de dois meses, e a m\u00e3e, a pedagoga aposentada Maria Lu\u00edsa Rocha. Ela aprovou o que viu. \u201cEu amei porque tem a discuss\u00e3o sobre todo esse momento que a gente tem vivido: essa quest\u00e3o do clima, da vegeta\u00e7\u00e3o, da preserva\u00e7\u00e3o ambiental\u201d.<\/p>\n<p>A estudante universit\u00e1ria de Teoria Cr\u00edtica e Hist\u00f3ria da Arte, Sabrina Lima, esteve em contato com os artistas enquanto eles montavam as obras. \u201cO p\u00fablico vai reagir muito bem, principalmente, por ter v\u00e1rias instala\u00e7\u00f5es com algo que, mesmo que n\u00e3o se possa tocar, mas, \u00e9 permitido ter mais contato, por n\u00e3o ter um vidro, e nem outra barreira f\u00edsica.\u201d<\/p>\n<p>A estudante universit\u00e1ria de Artes Visuais, S\u00f4nia Helena, trabalhou como assistente dos artistas tamb\u00e9m e dimensionou a experi\u00eancia. \u201cAchei muito frut\u00edfero conhecer as artistas, trabalhar junto a elas. Como estudante de artes, foi muito bom ter essa gama de artistas de diferentes pa\u00edses, com diferentes conceitos, aqui dentro.\u201d<\/p>\n<p><strong>BienalSur na Amaz\u00f4nia<\/strong><br \/>\nO secret\u00e1rio de Promo\u00e7\u00e3o Comercial, Ci\u00eancia, Tecnologia, Inova\u00e7\u00e3o e Cultura do Itamaraty, o embaixador Laudemar Aguiar, sugere que a 5\u00aa edi\u00e7\u00e3o do evento ocorra na mesma \u00e9poca da 30\u00aa Confer\u00eancia da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (COP-30), que ser\u00e1 realizada em novembro de 2025, em Bel\u00e9m (PA).<\/p>\n<p>O embaixador Laudemar Aguiar defendeu o desenvolvimento sustent\u00e1vel e aprofundamento do conhecimento sobre o maior bioma do Brasil.<\/p>\n<p>\u201cAs pessoas, muitas vezes, pensam que sustentabilidade \u00e9 s\u00f3 a preserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente. Mas, vai al\u00e9m. O desenvolvimento sustent\u00e1vel \u00e9 a preserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente, mas tamb\u00e9m tem a inclus\u00e3o social, o desenvolvimento social e desenvolvimento econ\u00f4mico: um trip\u00e9. Temos quase 30 milh\u00f5es de habitantes, na Amaz\u00f4nia. N\u00f3s temos que incluir essas pessoas nesse processo de sustentabilidade, que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 de preservar as \u00e1rvores\u201d, defende o embaixador do MRE, Laudemar Aguiar.<\/p>\n<p>O diretor geral de Bienal Sur, An\u00edbal Jozami, aceitou o convite para ter uma sede do evento na Amaz\u00f4nia em 2025.<\/p>\n<p><strong>Servi\u00e7o:<\/strong><br \/>\nBienal Sur &#8211; exposi\u00e7\u00e3o Signos na Paisagem<br \/>\nLocal: Galeria 4, CCBB Bras\u00edlia<br \/>\nHor\u00e1rio: ter\u00e7a a domingo, das 9h \u00e0s 21h<br \/>\nEntrada gratuita<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde a ter\u00e7a-feira (19) at\u00e9 5 de novembro, Bras\u00edlia ser\u00e1, pela primeira vez, uma das sedes da Bienal Internacional de Arte Contempor\u00e2nea do Sul, a BienalSur, coordenada, desde 2017, pela Universidad Nacional de Tres de Febrero, na Argentina. 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