{"id":314377,"date":"2023-10-09T09:48:06","date_gmt":"2023-10-09T12:48:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=314377"},"modified":"2023-10-09T09:48:06","modified_gmt":"2023-10-09T12:48:06","slug":"ritmo-vence-preconceito-e-ganha-seu-espaco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/ritmo-vence-preconceito-e-ganha-seu-espaco\/","title":{"rendered":"Ritmo vence preconceito e ganha seu espa\u00e7o"},"content":{"rendered":"<p>A cidade de S\u00e3o Lu\u00eds tem motivos para comemorar: aos 411 anos, a capital maranhense foi agraciada com o t\u00edtulo de capital nacional do reggae, concedida por lei. Mas o caminho que o ritmo e seus admiradores, a chamada massa regueira, percorreu ao longo dos mais de 40 anos em que aportou na Jamaica brasileira, um dos ep\u00edtetos de S\u00e3o Lu\u00eds, foi marcado por preconceito, discrimina\u00e7\u00e3o e at\u00e9 racismo. Da estigmatiza\u00e7\u00e3o, a aceita\u00e7\u00e3o e reconhecimento, \u00e9 um pouco dessa trajet\u00f3ria que a Ag\u00eancia Brasil vem contar.<\/p>\n<p>N\u00e3o se sabe ao certo como o reggae chegou ao Maranh\u00e3o, mas o fato \u00e9 que o ritmo jamaicano j\u00e1 est\u00e1 presente, desde meados de 1970, nas festas da cultura popular, em bailes, com pequenas aparelhagens, as radiolas, nas periferias. Algumas vers\u00f5es apontam que os maranhenses come\u00e7aram a curtir o rimo ao sintonizar r\u00e1dios caribenhas de ondas curtas.<\/p>\n<p><strong>Origem<\/strong><br \/>\nPesquisadora sobre o g\u00eanero, a especialista em Jornalismo Cultural e mestra em Ci\u00eancias Sociais pela Universidade Federal do Maranh\u00e3o (UFMA), Karla Freire, conta \u00e0 Ag\u00eancia Brasil que a hip\u00f3tese mais prov\u00e1vel \u00e9 que o reggae tenha aportado no Maranh\u00e3o trazido por marinheiros vindos da Guiana e de ilhas do Caribe.<\/p>\n<p>\u201cO que \u00e9 comprovado \u00e9 que, sim, alguns ritmos caribenhos eram escutados aqui atrav\u00e9s das ondas curtas, mas ningu\u00e9m consegue dizer que o reggae chegou aqui atrav\u00e9s das ondas curtas do r\u00e1dio. Ent\u00e3o a hip\u00f3tese mais prov\u00e1vel da chegada do reggae aqui no Maranh\u00e3o \u00e9 mesmo atrav\u00e9s dos vinis que vieram pelo mar em navios a\u00ed que vinham da Guiana e que vinham de outras ilhas do Caribe. E a\u00ed chegavam aqui, aportavam nos portos do Maranh\u00e3o e os marinheiros chegavam aqui, trocavam esses vinis por fazer um escambo, trocavam por alimento, enfim, por servi\u00e7o\u201d.<\/p>\n<p>Autora de livro sobre o tema, Karla chama a aten\u00e7\u00e3o para o fato de que o ritmo n\u00e3o foi \u201cimposto\u201d, a partir de uma a\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria fonogr\u00e1fica, mas sim, caiu no gosto da popula\u00e7\u00e3o ludovicence. Ela aponta para a possibilidade de identifica\u00e7\u00e3o pela proximidade com ritmos caribenhos, como o bolero, a salsa e o merengue, muito tocados em festas dos povoados negros e rurais do interior do estado, de onde parte da popula\u00e7\u00e3o que habita as periferias da capital S\u00e3o Lu\u00eds \u00e9 oriunda.<\/p>\n<p>\u201cNo come\u00e7o, o reggae era conhecido como m\u00fasica estrangeira lenta. As pessoas nem sabiam de onde vinha, que era da Jamaica, e n\u00e3o entendiam a letra tamb\u00e9m, porque as pessoas n\u00e3o entendiam a l\u00edngua inglesa. Mas ent\u00e3o a gente pode pensar, como \u00e9 que as pessoas passaram a gostar tanto de uma m\u00fasica que n\u00e3o se sabia a origem, n\u00e3o se sabia nada sobre ela? \u00c9 que o reggae conquistou primeiro uma juventude negra da periferia, prioritariamente. Ent\u00e3o eram jovens negros que tinham o reggae, adotaram o reggae como um elemento de identifica\u00e7\u00e3o cultural&#8221;, afirma.<\/p>\n<p><strong>Dan\u00e7a<\/strong><br \/>\nE foi essa popula\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica, em sua maioria negra e pobre, que criou as particularidades que o reggae adquiriu no Maranh\u00e3o, a come\u00e7ar pela forma de dan\u00e7ar. No estado, o reggae \u00e9 majoritariamente dan\u00e7ado a dois, esse tipo de dan\u00e7a \u00e9 chamada de agarradinho e, possivelmente foi desenvolvido em refer\u00eancia a forma como os ritmos caribenhos eram dan\u00e7ados.<\/p>\n<p>\u201cAquela coisa assim: a festa vinha quente, tocava uma lambada, uma salsa, um merengue, a\u00ed vinha um reggae para dar uma esfriada. E \u00e9 por isso, inclusive, que as pessoas dan\u00e7am reggae agarrado, que \u00e9 o reggae agarradinho, porque elas j\u00e1 estavam dan\u00e7ando aos pares e elas permaneciam aos pares. Como ningu\u00e9m sabia o que era reggae, era uma m\u00fasica estrangeira lenta, uma m\u00fasica rom\u00e2ntica e as pessoas continuavam dan\u00e7ando em casais\u201d, detalha Karla.<\/p>\n<p>Outra semelhan\u00e7a apontada \u00e9 em raz\u00e3o do ritmo, da marca\u00e7\u00e3o se assemelhar ao de manifesta\u00e7\u00f5es culturais negras, muito fortes no estado, como o bumba-meu-boi e o tambor de crioula.<\/p>\n<p>\u201cA batida do reggae tem um contratempo, um baixo, um grave bastante acentuado e ela tem uma batida que lembra um pouco a batida do bumba-meu-boi, do tambor de crioula. Por isso que, de alguma forma, \u00e9 muito f\u00e1cil voc\u00ea encontrar a mesma pessoas, o mesmo cara, a mesma mulher que vai no bumba-meu-boi, no tambor de crioula. \u00c9 uma pessoas que \u00e9 f\u00e3 do reggae&#8221;, relata Karla.<\/p>\n<p>\u201cEles fizeram uma releitura desse reggae e passaram a sentir. Ent\u00e3o, h\u00e1 uma quest\u00e3o da batida das semelhan\u00e7as musicais do reggae com as nossas tradi\u00e7\u00f5es locais, que fazem com que o maranhense acabe se identificando. E, se a gente pensar que S\u00e3o Lu\u00eds e a Jamaica s\u00e3o duas ilhas predominantemente negras, que t\u00eam uma ancestralidade africana em comum, muitos ritmos que l\u00e1 surgiram fazem sentido para a gente. Ent\u00e3o, o Reggae conquista primeiro a massa, vamos dizer, que s\u00e3o os regueiros. E muito tempo depois \u00e9 que ele vai se disseminando pela cidade toda, \u00e9 que a classe m\u00e9dia vai tamb\u00e9m abra\u00e7ando esse ritmo, mas no come\u00e7o o reggae se popularizou de forma muito forte, muito evidente nas periferias\u201d, afirma.<\/p>\n<p><strong>Pedras<\/strong><br \/>\nOs regueiros do Maranh\u00e3o tamb\u00e9m foram respons\u00e1veis pelos termos aos quais se refere para definir as m\u00fasicas consideradas boas, bonitas, que agitam o sal\u00e3o, s\u00e3o as chamadas \u201cpedras de responsa\u201d ou simplesmente \u201cpedradas\u201d ou \u201cpedras\u201d.<\/p>\n<p>Outra especificidade \u00e9 a forma como s\u00e3o nomeadas as m\u00fasicas, chamadas de mel\u00f4s, que geralmente fazem refer\u00eancia ao que se imaginava corresponder ao som de determinado trecho do reggae ou mesmo batizando com nomes de pessoas.<\/p>\n<p>A hip\u00f3tese mais aceita \u00e9 que essa forma de batizar as m\u00fasicas foi uma estrat\u00e9gias que os DJ\u2019s criaram, com objetivo de esconder a verdadeira identidade da m\u00fasica para evitar o acesso da concorr\u00eancia.<\/p>\n<p>Esses mel\u00f4s s\u00e3o tocados pelas radiolas, equipamento em que s\u00e3o acopladas caixas de som, formando um \u201cpared\u00e3o\u201d, similar as sound systems jamaicanas. Um dos mais famosos, o Mel\u00f4 do Caranguejo foi batizado em refer\u00eancia ao que se acreditava significar o refr\u00e3o da m\u00fasica White Witch, da cantora norte-americana Andread True, que diz \u201cWhite witch\u2019s gonna get ya?\u201d. Outro caso exemplar \u00e9 o da m\u00fasica Think Twice, cantada pela canadense Donna Mari e que em S\u00e3o Lu\u00eds, virou o M\u00ealo de Poliana ou de \u201cMy Mind\u201d, gravada em 1976 por Hugh Mundell, rebatizada como Mel\u00f4 de Val\u00e9ria e antes conhecida como Mel\u00f4 dos Astros.<\/p>\n<p><strong>Preconceito, discrimina\u00e7\u00e3o e persegui\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nApesar de toda a criatividade, a rela\u00e7\u00e3o do ritmo com a cidade n\u00e3o foi tranquila. No come\u00e7o, o reggae era associado pelos jornais e m\u00eddias locais \u00e0 viol\u00eancia e ao consumo de drogas.<\/p>\n<p>&#8220;Quando voc\u00ea encontrava o reggae no jornal, era na p\u00e1gina policial. Normalmente era facada no reggae, era opera\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia, a pol\u00edcia invadindo, as pessoas sendo presas, As pessoas passando por baixo da policial. O reggae era o local onde aconteciam os crimes. E tudo isso porque o regueiro era marginalizado, tudo isso porque o ritmo era marginalizado, era acusado de ser uma cultura importada, uma acultura\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, durante muitos anos, o reggae foi muito marginalizado\u201d, explica Karla.<\/p>\n<p>Outro ponto levantado \u00e9 o preconceito devido ao fato do ritmo ter vindo de baixo para cima. As classes altas, identificadas com outros ep\u00edtetos da cidade &#8211; \u201cAtenas Brasileira\u201d e \u201ccidade fundada por franceses\u201d \u2013 tamb\u00e9m discriminava o ritmo e seus amantes.<\/p>\n<p>\u201cDurante muito tempo, o reggae foi estigmatizado, foi marginalizado justamente pela sua origem, al\u00e9m da origem que \u00e9 jamaicana, negra, \u00e9 uma ilha pobre do Caribe, a origem tamb\u00e9m das camadas sociais de S\u00e3o Lu\u00eds, que eram camadas menos privilegiadas, foram essas camadas que abra\u00e7aram esse ritmo. Ent\u00e3o, a elite aqui de S\u00e3o Lu\u00eds n\u00e3o viu com bons olhos\u201d, analisa Karla. \u201cA gente tem embates fenomenais na d\u00e9cada de 1990 nos jornais. A gente tem artigos de jornais publicados por membros da Academia Maranhense de Letras, onde h\u00e1 toda uma discuss\u00e3o sobre esse t\u00edtulo de Jamaica brasileira, achando que \u00e9 um absurdo: Como \u00e9 que a gente era Atenas brasileira por conta dos grandes poetas que a gente tinha nos s\u00e9culos passados e, agora, a gente vira Jamaica negra, pobre, que n\u00e3o tem cultura, que n\u00e3o tem refer\u00eancia\u201d, relata.<\/p>\n<p>Esse cen\u00e1rio come\u00e7a a mudar, em meados dos anos de 1990, quando o som foi aos poucos conquistando espa\u00e7o, ocupando clubes, promovendo eventos, shows, novos programas de r\u00e1dio especializados em reggae foram surgindo, programas televisivos. Isso acabou atraindo aliados, em especial a classe m\u00e9dia que passou a frequentar esses clubes.<\/p>\n<p>\u201c\u00c0 medida que a classe m\u00e9dia foi abra\u00e7ando o ritmo, \u00e0 medida que a pr\u00f3pria m\u00eddia foi mudando esse recorte, ao longo da d\u00e9cada de 90 para os anos 2000, televis\u00f5es, jornais, sites come\u00e7aram a dar muito mais visibilidade \u00e0 Jamaica brasileira, que identifica o Maranhense, que \u00e9 orgulho do Maranhense, e a\u00ed v\u00e1rios s\u00edmbolos, voc\u00ea tem as v\u00e1rios \u00edcones, as radiolas, o dan\u00e7ar agarradinho, a figura do regueiro, as cores do reggae, o Bob Marley, voc\u00ea tem v\u00e1rias coisas que identificam a cidade e isso passa a ser muito mais explorado\u201d, disse Karla. \u201cE a\u00ed vai diminuindo um pouco o preconceito. Ele acabou? N\u00e3o. Ele continua. At\u00e9 porque o racismo n\u00e3o acabou, a elite ainda tem preconceito com as classes sociais menos favorecidas, Ent\u00e3o a gente v\u00ea, sim, ainda muito preconceito com o reggae, mas isso j\u00e1 foi diminuindo bastante\u201d, conclui.<\/p>\n<p><strong>Mudan\u00e7a de perspectiva<\/strong><br \/>\nE quem faz parte dessa hist\u00f3ria ainda est\u00e1 lutando para acabar com a estigmatiza\u00e7\u00e3o e o preconceito. Um bom exemplo \u00e9 o do Grupo de Dan\u00e7a Afro Malungos (GDAM), fundado em 1986 e que desenvolve trabalhos sociais para crian\u00e7as e jovens atrav\u00e9s da arte, cultura e cidadania. Um desses projetos leva o ritmo para crian\u00e7as, adolescentes e jovens das escolas p\u00fablicas das periferias da capital.<\/p>\n<p>A iniciativa come\u00e7ou em 2006, com a cria\u00e7\u00e3o do bloco do reggae, que sai durante o per\u00edodo do Carnaval. O coordenador do GDAM, Cl\u00e1udio Ad\u00e3o explicou \u00e0 Ag\u00eancia Brasil que a iniciativa \u00e9 uma forma de trazer o debate sobre quest\u00f5es como racismo, preconceito, discrimina\u00e7\u00e3o, de uma forma mais leve.<\/p>\n<p>\u201cA gente trabalha durante o ano todos nas escolas municipais e estaduais da periferia de S\u00e3o Lu\u00eds atrav\u00e9s de palestras, rodas de conversas, oficinas de dan\u00e7a e m\u00fasica, isso tudo direcionado aos amantes da m\u00fasica reggae. A sele\u00e7\u00e3o \u00e9 feita de forma simples, a gente divulga nas r\u00e1dios comunit\u00e1rias, nas redes sociais do grupo, nas r\u00e1dios com programas de reggae. As pessoas interessadas, se forem menores de idade, o pai, m\u00e3e ou respons\u00e1vel tem que fazer a inscri\u00e7\u00e3o\u201d, explica. &#8220;E a gente conseguiu, atrav\u00e9s da mensagem do reggae, falar de racismo de uma forma muito mais f\u00e1cil, de preconceito, homofobia, educa\u00e7\u00e3o, denunciar a forma como a pol\u00edcia nos trata. Para n\u00f3s \u00e9 uma ferramenta muito boa\u201d, pontua.<\/p>\n<p>Ad\u00e3o real\u00e7a a liga\u00e7\u00e3o que a popula\u00e7\u00e3o negra de S\u00e3o Lu\u00eds tem com a cultura popular e o reggae. \u201cA gente anda junto, porque o reggae \u00e9 primo irm\u00e3o de uma express\u00e3o muito forte no Maranh\u00e3o que \u00e9 o bumba-meu-boi. Na morte do bumba-meu-boi tem barrac\u00f5es do reggae ao lado, do tambor de crioula e tamb\u00e9m do hip hop e do samba\u201d, conta.<\/p>\n<p><strong>Re(x)ist\u00eancia<\/strong><br \/>\nNeste s\u00e1bado, o GDAM vai participar do Festival Re(x)istencia Fest lll, no Parque do Rangedor, em S\u00e3o Lu\u00eds. Com o tema, Amaz\u00f4nia \u00e9 Agora, o festival vai chamar aten\u00e7\u00e3o para a necessidade de preserva\u00e7\u00e3o da floresta e de celebrar os povos, a cultura da regi\u00e3o. No evento, o GDAM vai realizar o \u201cChama pra Dan\u00e7ar!\u201d, uma grande aula de reggae ao ar livre.<\/p>\n<p>Ad\u00e3o disse que, mesmo com a discrimina\u00e7\u00e3o e o preconceito, o reggae foi capaz de criar uma imensa cadeia produtiva, que vai das radiolas e casas de show aos dan\u00e7arinos e professores de dan\u00e7a que conseguem gerar renda, tendo o ritmo como carro-chefe.<\/p>\n<p>\u201cInfelizmente, durante praticamente 40 anos a gente foi v\u00edtima da sociedade branca, racista, vistos como marginais. A massa regueira sofreu muito. Isso diminuiu muito, mas atrav\u00e9s de estudos a gente foi mostrando que o reggae \u00e9 o estilo de vida de uma cidade em que 73% da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 negra e que voc\u00ea tem o direito de escolher a m\u00fasica que voc\u00ea quer ouvir no final de semana\u201d, conta. \u201cA gente tem direito de consumir o reggae como uma forma de lazer, de trabalho e tamb\u00e9m contribui\u00e7\u00e3o da cadeia produtiva no Maranh\u00e3o, atrav\u00e9s dessa ferramenta que \u00e9 o reggae, inclusive com esse vi\u00e9s da cultura, do turismo e da economia solid\u00e1ria\u201d defende.<\/p>\n<p>Essa mudan\u00e7a na forma de tratar o ritmo levou \u00e0 cria\u00e7\u00e3o do Museu do Reggae do Maranh\u00e3o. Fundado em 2018, o espa\u00e7o conta com diversos ambientes, onde homenageia grandes nomes do reggae maranhense que j\u00e1 morreram, tradicionais clubes de reggae de S\u00e3o Lu\u00eds, como o Clube Pop Som, Clube Toque de Amor, Clube Uni\u00e3o do BF e Clube Espa\u00e7o Aberto, algumas delas citadas na m\u00fasica Regueiros Guerreiros da banda maranhense Tribo de Jah.<\/p>\n<p>O museu tamb\u00e9m possui fotografias, v\u00eddeos e discos raros, al\u00e9m de muitas informa\u00e7\u00f5es e promove atividades como aulas de dan\u00e7a, rodas de conversa, proje\u00e7\u00e3o de filmes. Tem ainda a Quinta do Reggae, atividade que ocorre de julho a dezembro e re\u00fane toda a cadeia produtiva em torno do Movimento (cantores, bandas, DJs, moda reggae, etc).<\/p>\n<p>Ad\u00e3o tamb\u00e9m conta que ap\u00f3s o reggae ter atravessado a ponte que corta a cidade e separa os bairros mais ricos dos mais pobres da capital, o momento \u00e9 de pensar na promo\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablica voltadas para essa popula\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica,<\/p>\n<p>\u201cA gente come\u00e7ou a ganhar alguns espa\u00e7os pol\u00edticos, nos partidos, associa\u00e7\u00f5es, clubes e a m\u00eddia teve que dar espa\u00e7o para n\u00f3s, atrav\u00e9s dos programas de r\u00e1dio e isso facilitou, mas ainda falta muito. \u00c9 uma conquista, mas tem que estar atento. Estamos discutindo pol\u00edticas p\u00fablicas para o povo, independente de ser do reggae ou n\u00e3o, mas o povo preto da cidade de S\u00e3o Lu\u00eds do Maranh\u00e3o\u201d, disse.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cidade de S\u00e3o Lu\u00eds tem motivos para comemorar: aos 411 anos, a capital maranhense foi agraciada com o t\u00edtulo de capital nacional do reggae, concedida por lei. 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