{"id":315289,"date":"2023-10-23T14:41:05","date_gmt":"2023-10-23T17:41:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=315289"},"modified":"2023-10-23T14:56:07","modified_gmt":"2023-10-23T17:56:07","slug":"gestantes-negras-sao-principais-vitimas-de-morte-por-hipertensao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/gestantes-negras-sao-principais-vitimas-de-morte-por-hipertensao\/","title":{"rendered":"Gestantes negras s\u00e3o principais v\u00edtimas de morte por hipertens\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Dados dos minist\u00e9rios da Sa\u00fade e da Igualdade Racial divulgados nesta segunda-feira (23) mostram que a mortalidade materna no Brasil atinge desproporcionalmente mulheres negras. A morte materna por hipertens\u00e3o, por exemplo, aumentou 5% entre mulheres pretas no per\u00edodo de 2010 a 2020. Nos demais grupos, houve queda na mortalidade por hipertens\u00e3o \u2013 entre mulheres ind\u00edgenas, os registros ca\u00edram 30%; entre mulheres brancas, 6%; e entre pardas, 1,6%.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 inadmiss\u00edvel morrer de hipertens\u00e3o durante a gravidez, algo que n\u00f3s temos v\u00e1rios medicamentos para controlar, temos como fazer o manejo. Infelizmente, tivemos queda em todas as outras categorias, mas, entre as mulheres pretas, tivemos um aumento de 5% nesse per\u00edodo de 2010 a 2020\u201d, avaliou a secret\u00e1ria de Vigil\u00e2ncia em Sa\u00fade e Ambiente, Ethel Maciel.<\/p>\n<p>De acordo com o boletim epidemiol\u00f3gico Sa\u00fade da Popula\u00e7\u00e3o Negra, a covid-19 foi um dos principais motivos de morte materna no pa\u00eds em 2020, representando 22% do total de \u00f3bitos maternos registrados. Os n\u00fameros mostram ainda que, do total de mortes maternas por covid-19 registradas no pa\u00eds, 63,4% foram entre mulheres pretas e pardas.<\/p>\n<p>\u201cToda vez que se tem um evento inesperado, aqui vou colocar a pandemia, aquelas pessoas que j\u00e1 s\u00e3o vulnerabilizadas pelas nossas pol\u00edticas e pela nossa sociedade s\u00e3o as que mais sofrem o impacto. Ent\u00e3o, a mortalidade materna por covid-19 foi maior entre mulheres negras \u2013 63%. A gente precisa mudar isso.\u201d<\/p>\n<p><strong>Pr\u00e9-natal<\/strong><br \/>\nO boletim indica crescimento geral na propor\u00e7\u00e3o de m\u00e3es que relataram realizar sete ou mais consultas de pr\u00e9-natal, subindo de 60,6% em 2010 para 66,5% em 2015 e mais de 71% em 2020. O maior aumento foi registrado entre m\u00e3es pretas e pardas, um incremento de 22,6% e 19,5% em 2010 e 2020, respectivamente. Entretanto, mulheres que se declaram brancas seguem com maior acesso proporcional ao pr\u00e9-natal: 80,9% delas tiveram acesso a sete ou mais consultas durante a gesta\u00e7\u00e3o, seguidas pelas amarelas (74,3%), pretas (68,7%), pardas (66,2%) e ind\u00edgenas (39,4%).<\/p>\n<p>\u201cQuando a gente coloca a propor\u00e7\u00e3o de sete ou mais consultas \u00e9 porque esse \u00e9 um indicador internacional utilizado para que a gente possa saber se as pessoas tiveram acesso, se chegaram \u00e0s unidades, se fizeram pelo menos essas sete consultas durante a gravidez. E a gente observa que tivemos um crescimento entre todas as categorias, mas, infelizmente, ainda, entre as mulheres pretas, a desigualdade \u00e9 enorme. Temos o menor percentual a\u00ed.\u201d<\/p>\n<p><strong>Rec\u00e9m-nascidos com baixo peso<\/strong><br \/>\nOutro dado relevante indica que a propor\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as nascidas vivas com peso menor que 2,5 quilos (kg) aumentou entre m\u00e3es negras, passando de 8% em 2010 para 10,1% em 2020. O percentual tamb\u00e9m foi maior entre pardas e ind\u00edgenas, ao mesmo tempo em que caiu para as amarelas e ficou est\u00e1vel entre as brancas. Na m\u00e9dia geral, o n\u00famero de rec\u00e9m-nascidos com baixo peso permaneceu est\u00e1vel, de 8,4% para 8,6% no mesmo per\u00edodo.<\/p>\n<p>De acordo com o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, o peso ao nascer \u00e9 um dos indicadores de maior influ\u00eancia na sa\u00fade e sobreviv\u00eancia infantil, uma vez que dados epidemiol\u00f3gicos mostram que crian\u00e7as nascidas com peso abaixo de 2,5kg apresentam maior risco de mortalidade. \u201cFatores como vulnerabilidade socioecon\u00f4mica e falta de assist\u00eancia m\u00e9dica est\u00e3o entre os principais causadores do baixo peso e da morbimortalidade neonatal e infantil\u201d, destacou a pasta.<\/p>\n<p><strong>Malforma\u00e7\u00f5es e \u00f3bitos infantis<\/strong><br \/>\nO boletim indica ainda que malforma\u00e7\u00f5es cong\u00eanitas \u2014 altera\u00e7\u00f5es estruturais ou funcionais que ocorrem durante a vida intrauterina \u2014 e prematuridade foram as principais causas de morte infantil entre 2010 e 2020. As condi\u00e7\u00f5es responderam, respectivamente, por 21,6% e 16,3% dos \u00f3bitos registrados.<\/p>\n<p>A malforma\u00e7\u00e3o cong\u00eanita, a partir de 2015, se tornou a principal causa de mortes infantis na popula\u00e7\u00e3o preta e parda, superando a prematuridade e as infec\u00e7\u00f5es perinatais. Para os rec\u00e9m-nascidos negros, a propor\u00e7\u00e3o de \u00f3bitos por malforma\u00e7\u00e3o cong\u00eanita passou de 16,7% em 2010 para 19,1% em 2020, enquanto para os pardos, subiu de 16,1% para 20,3% no mesmo per\u00edodo.<\/p>\n<p>Em contrapartida, os \u00f3bitos por prematuridade ca\u00edram ao longo dos anos analisados. Em 2010, as propor\u00e7\u00f5es de \u00f3bitos por prematuridade em crian\u00e7as pretas e pardas eram de 17,1% e 19,7%, caindo para 14,8% e 15,5% em 2020, respectivamente.<\/p>\n<p><strong>HIV<\/strong><br \/>\nEm 2021, mais de 60% dos casos e \u00f3bitos por aids foram diagnosticados em pessoas pretas e pardas. O boletim destaca que, nos \u00faltimos dez anos, os casos de HIV entre pretos e pardos aumentou 12%, passando de 20,3% em 2011 para 62,3% em 2021. Entre menores de 14 anos, a propor\u00e7\u00e3o de negros infectados \u00e9 superior a 70%, sendo 6,3% pretos e 64,9% pardos.<\/p>\n<p>O maior n\u00famero de \u00f3bitos por aids tamb\u00e9m se concentra na popula\u00e7\u00e3o negra, que representa dois ter\u00e7os do total de mortes em rela\u00e7\u00e3o a pessoas brancas. Em 2011, eram 52,6%, passando para 60,5% em 2021. \u201cIsso mostra de forma muito evidente como n\u00f3s precisamos diminuir essa desigualdade de acesso a medicamentos e da continuidade desses medicamentos. H\u00e1 v\u00e1rias barreiras porque os pr\u00f3prios medicamentos t\u00eam efeitos adversos e a gente precisa de outros especialistas durante esse manejo cl\u00ednico\u201d, destacou a secret\u00e1ria.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, no Brasil, 67,7% das gestantes diagnosticadas com HIV s\u00e3o negras. Em 2021, houve preval\u00eancia de casos de gestantes com infec\u00e7\u00e3o pelo HIV autodeclaradas negras, sendo que a maior propor\u00e7\u00e3o est\u00e1 entre as gestantes de 15 a 29 anos (69,6%). \u201cIsso impacta na qualidade de vida dessa crian\u00e7a, na transmiss\u00e3o vertical [de m\u00e3e para filho durante a gesta\u00e7\u00e3o ou no momento do parto] se n\u00e3o prestarmos aten\u00e7\u00e3o a esse grupo, a essa gestante, a educa\u00e7\u00e3o em sa\u00fade\u201d, completou Esther.<\/p>\n<p><strong>S\u00edfilis cong\u00eanita<\/strong><br \/>\nOutro dado revela que mais de 70% das crian\u00e7as com s\u00edfilis cong\u00eanita (transmitida para a crian\u00e7a durante a gesta\u00e7\u00e3o) s\u00e3o filhas de m\u00e3es negras, apesar da propor\u00e7\u00e3o ter diminu\u00eddo nesse grupo ao longo dos \u00faltimos anos, passando de 13,3% em 2011 para 9,5% em 2021. J\u00e1 entre as m\u00e3es pardas, houve aumento, no mesmo per\u00edodo, de 61% para 65,2%.<\/p>\n<p>\u201cEsse \u00e9 um dado inaceit\u00e1vel. \u00c9 inaceit\u00e1vel que, no s\u00e9culo 21, n\u00f3s tenhamos ainda transmiss\u00e3o vertical de s\u00edfilis, s\u00edfilis cong\u00eanita e uma concentra\u00e7\u00e3o t\u00e3o grande em filhos de mulheres negras. Mostra, de forma contundente, o caminho que n\u00f3s precisamos percorrer para a diminui\u00e7\u00e3o dessas desigualdades\u201d, avaliou a secret\u00e1ria.<\/p>\n<p><strong>Tuberculose<\/strong><br \/>\nA tuberculose tamb\u00e9m \u00e9 citada pela pasta como uma doen\u00e7a socialmente determinada \u2013 os dados mostram que em 2022, 78 mil pessoas foram diagnosticadas com a enfermidade no Brasil, sendo 49.381 casos foram entre pretos e pardos (63,3%). Al\u00e9m disso, o pa\u00eds registrou, entre 2010 e 2020, uma m\u00e9dia de 4,5 mil \u00f3bitos por tuberculose, sendo que o percentual de pessoas negras mortas pela doen\u00e7a ficou em 64,4%.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma doen\u00e7a socialmente determinada, mas com forte recorte nessa vari\u00e1vel ra\u00e7a\/cor, com incid\u00eancia muito maior na popula\u00e7\u00e3o negra\u201d, lembrou Esther.<\/p>\n<p><strong>Doen\u00e7a falciforme<\/strong><br \/>\nO minist\u00e9rio destacou que a doen\u00e7a falciforme \u00e9 uma das patologias gen\u00e9ticas mais comuns no mundo e afeta principalmente a popula\u00e7\u00e3o preta e parda. No Brasil, estima-se que h\u00e1 entre 60 mil e 100 mil pessoas com a doen\u00e7a, sendo a Bahia o estado com maior incid\u00eancia (9,46 casos para cada grupo de 100 mil habitantes), seguida por S\u00e3o Paulo (6,52 casos a cada 100 mil habitantes) e pelo Piau\u00ed (6,23 casos a cada 100 mil habitantes).<\/p>\n<p>Dados do Sistema de Informa\u00e7\u00f5es sobre Mortalidade (SIM) mostram que, entre os anos de 2014 e 2020, a mortalidade por doen\u00e7a falciforme foi de 0,22 a cada 100 mil habitantes. Quando se trata de faixa et\u00e1ria, pessoas entre 20 e 29 anos correspondem ao maior percentual de mortes pela patologia no pa\u00eds.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dados dos minist\u00e9rios da Sa\u00fade e da Igualdade Racial divulgados nesta segunda-feira (23) mostram que a mortalidade materna no Brasil atinge desproporcionalmente mulheres negras. 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