{"id":315668,"date":"2023-10-29T00:01:20","date_gmt":"2023-10-29T03:01:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=315668"},"modified":"2023-10-29T08:44:19","modified_gmt":"2023-10-29T11:44:19","slug":"casa-das-rosas-reabre-restaurada-e-com-nova-exposicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/casa-das-rosas-reabre-restaurada-e-com-nova-exposicao\/","title":{"rendered":"Casa das Rosas reabre restaurada e com nova exposi\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Depois de quase dois anos fechada para restauro, a Casa das Rosas, um dos poucos casar\u00f5es remanescentes na Avenida Paulista, em S\u00e3o Paulo, abriu novamente suas portas ao p\u00fablico. Foi no s\u00e1bado (28). Criada pelo escrit\u00f3rio do arquiteto Ramos de Azevedo (1851-1928) &#8211; o mesmo idealizador de outros edif\u00edcios importantes da cidade, como o Theatro Municipal, a Pinacoteca de S\u00e3o Paulo e o Mercado Municipal, a Casa das Rosas foi originalmente concebida para ser resid\u00eancia e era mais um entre os muitos casar\u00f5es de milion\u00e1rios bar\u00f5es do caf\u00e9 que havia na Avenida Paulista daquela \u00e9poca.<\/p>\n<p>Visitantes contar\u00e3o com espa\u00e7os antes n\u00e3o dispon\u00edveis ao p\u00fablico &#8211; Paulo Pinto\/Ag\u00eancia Brasil<br \/>\nA mans\u00e3o foi conclu\u00edda em 1935 e habitada pelos herdeiros do arquiteto at\u00e9 meados dos anos 80, quando a Avenida Paulista j\u00e1 n\u00e3o era a mesma: pr\u00e9dios comerciais, bancos, arranha-c\u00e9us e tr\u00e2nsito viraram sua nova realidade. Hoje, poucos casar\u00f5es daquele per\u00edodo. A Casa das Rosas, que virou um museu em 2004, \u00e9 um deles.<\/p>\n<p><strong>Restauro<\/strong><br \/>\nO p\u00fablico que visitar a nova Casa das Rosas vai poder conhecer espa\u00e7os da casa que n\u00e3o estavam abertos para visita\u00e7\u00e3o, como a sala de lanche e a copa. J\u00e1 os banheiros com azulejos e objetos verdes ou em cor de rosa e o quarto do casal, por exemplo, que eram conhecidos, foram restaurados. O investimento no restauro foi de R$ 4,2 milh\u00f5es, custeados pelo governo de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>\u201cA Casa das Rosas renasce com suas caracter\u00edsticas originais vis\u00edveis e recuperadas\u201d, disse Marcelo T\u00e1pia, diretor da Casa das Rosas, em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia Brasil. Entre essas caracter\u00edsticas originais, destacou ele, est\u00e3o alguns pap\u00e9is de parede originais que foram restaurados \u00e0 m\u00e3o.<\/p>\n<p>Um dos focos do restauro foi a repara\u00e7\u00e3o de problemas identificados na estrutura f\u00edsica do im\u00f3vel, como rachaduras, infiltra\u00e7\u00f5es e melhoria nos sistemas el\u00e9trico e hidr\u00e1ulico. Al\u00e9m disso foram mantidos detalhes originais da casa como as g\u00e1rgulas e os adornos met\u00e1licos. O projeto tamb\u00e9m deixou o museu mais acess\u00edvel com piso t\u00e1til, corrim\u00e3os duplos e placas contendo inscri\u00e7\u00e3o em Braille. \u201cForam feitas, por exemplo, valas entre o solo e o subsolo para ter um arejamento onde fica o acervo do Haroldo de Campos. Foram feitas interven\u00e7\u00f5es estruturais e est\u00e9ticas\u201d, explicou T\u00e1pia.<\/p>\n<p>\u201cFoi um processo longo e profundo, porque foi preciso investigar a textura e a composi\u00e7\u00e3o da massa original. Foi a primeira vez que a casa recebeu um restauro que desocultou caracter\u00edsticas originais. \u00c9 poss\u00edvel viver aqui essa apar\u00eancia ligada ao passado, \u00e0 mem\u00f3ria da casa, a esse estilo arquitet\u00f4nico ecl\u00e9tico que representa muitas tend\u00eancias, um tempo de morar e um tempo da Avenida Paulista que era feita s\u00f3 de resid\u00eancias da elite. Agora, como espa\u00e7o p\u00fablico, a pessoa vai poder ter contato com essa hist\u00f3ria, inserido nesse contexto atual fren\u00e9tico da avenida\u201d, disse o diretor da Casa das Rosas.<\/p>\n<p>Cada um desses espa\u00e7os da casa conta agora com uma placa informativa, que dizia como ele era usado na \u00e9poca. \u201cTem algumas indica\u00e7\u00f5es com fotos e textos mostrando como era usado o ambiente no tempo da resid\u00eancia\u201d, explicou T\u00e1pia.<\/p>\n<p><strong>Ressignifica\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nRenovada e com mais ambientes abertos para visita\u00e7\u00e3o, a Casa das Rosas agora apresenta um novo conceito museol\u00f3gico e expogr\u00e1fico. Com isso, a casa-museu vai se dedicar n\u00e3o somente \u00e0 sua voca\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria e po\u00e9tica, mas tamb\u00e9m para as artes visuais e outras identidades art\u00edsticas, como as performances.<\/p>\n<p>\u201cO aspecto da literatura e da poesia ser\u00e1 mantido. Ele prossegue sendo o Espa\u00e7o Haroldo de Campos de Poesia e Literatura, mas em di\u00e1logo com outras express\u00f5es. Ent\u00e3o, estamos ampliando esse leque para acolher as tend\u00eancias e as linguagens diferentes que convivem nessa cidade. H\u00e1 representa\u00e7\u00e3o de linguagens, artistas, tend\u00eancias e grupos das diferentes regi\u00f5es\u201d, disse Marcelo T\u00e1pia.<\/p>\n<p>Com essa ressignifica\u00e7\u00e3o, o museu preparou uma exposi\u00e7\u00e3o in\u00e9dita para a sua reabertura e que re\u00fane esculturas, instala\u00e7\u00f5es, v\u00eddeos, gravuras e pinturas. A exposi\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria e chamada de Viv\u00eancias do Novo, \u00e9 composta por dois m\u00f3dulos.<\/p>\n<p>O primeiro, no t\u00e9rreo, apresenta imagens hist\u00f3ricas da Avenida Paulista e do museu como testemunha das transforma\u00e7\u00f5es urbanas, culturais e art\u00edsticas da cidade. No t\u00e9rreo tamb\u00e9m \u00e9 falado sobre o trabalho de restauro do museu. J\u00e1 a segunda parte da mostra, chamada Dimens\u00e3o Cidade, exibe no andar superior, obras de 15 artistas contempor\u00e2neos. A exposi\u00e7\u00e3o tem curadoria de Paula Borghi.<\/p>\n<p>Dimens\u00e3o Cidade exibe no andar superior, obras de 15 artistas contempor\u00e2neos. &#8211; Paulo Pinto\/Ag\u00eancia Brasil<br \/>\n\u201cPara a abertura, fizemos uma exposi\u00e7\u00e3o que toma conta da casa. O mesmo espa\u00e7o que vamos utilizar para atividades culturais, agora est\u00e1 sendo usado para a exposi\u00e7\u00e3o. Vamos mostrar a voca\u00e7\u00e3o da casa, mas mostrando a diversidade de express\u00f5es art\u00edsticas da cidade, a hist\u00f3ria da casa e a import\u00e2ncia desse patrim\u00f4nio nesse corredor cultural\u201d, disse Tapia.<\/p>\n<p>A nova exposi\u00e7\u00e3o, disse a curadora, foi pensada para a reabertura e tem in\u00edcio do lado de fora da Casa das Rosas, no jardim de rosas. \u201cTemos uma instala\u00e7\u00e3o l\u00e1 fora, da Natalie Salazar, uma poesia em neon no jardim. E, no primeiro andar, em todos os c\u00f4modos da casa, desde o banheiro \u00e0 varanda, do corredor \u00e0 sala, h\u00e1 trabalhos art\u00edsticos. S\u00e3o 15 artistas diversos em identidade, pesquisa e linguagens art\u00edsticas. Temos artistas de 29 a 92 anos. Temos trabalhos em gravura, uma linguagem antiga das artes visuais, at\u00e9 trabalhos com novas m\u00eddias audiovisuais\u201d, explicou Paula Borghi.<\/p>\n<p>Entre os trabalhos em exposi\u00e7\u00e3o est\u00e1 um produzido pelo artista ind\u00edgena Xadalu Tup\u00e3 Jekup\u00e9. \u201cO Xadalu \u00e9 um artista de Porto Alegre e que trabalha aqui em S\u00e3o Paulo e que tem um di\u00e1logo muito grande com a aldeia Guarani-Jaragu\u00e1. Ele traz para a gente um depoimento de um parente falando sobre como \u00e9 morar em uma aldeia, muito pr\u00f3xima da cidade, e vir trabalhar no centro da cidade de S\u00e3o Paulo, vendendo artesanato. Temos um relato desse parente do Xadalu, escrito em guarani, com tipografia da picha\u00e7\u00e3o. Mas temos tamb\u00e9m uma tradu\u00e7\u00e3o em portugu\u00eas, contando esse lamento da terra. Acho que abrir uma exposi\u00e7\u00e3o falando da Dimens\u00e3o Cidade e n\u00e3o trazer as vozes diversas dessa cidade n\u00e3o seria coerente\u201d, disse a curadora.<\/p>\n<p>Outro artista que ter\u00e1 trabalho exposto nessa mostra \u00e9 o poeta Augusto de Campos. \u201cA exposi\u00e7\u00e3o faz bastante esse cruzamento entre literatura e artes visuais. A gente tem um artista ic\u00f4nico, o Augusto de Campos, participando com um poema, que \u00e9 uma vers\u00e3o in\u00e9dita e que passa em um painel de led\u201d, adiantou Paula Borghi. Como parte da mostra, a exposi\u00e7\u00e3o contar\u00e1 tamb\u00e9m com interven\u00e7\u00f5es, visita guiada, bate-papo e performances que ocorrem entre outubro e novembro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois de quase dois anos fechada para restauro, a Casa das Rosas, um dos poucos casar\u00f5es remanescentes na Avenida Paulista, em S\u00e3o Paulo, abriu novamente suas portas ao p\u00fablico. Foi no s\u00e1bado (28). 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