{"id":316310,"date":"2023-11-07T04:09:49","date_gmt":"2023-11-07T07:09:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=316310"},"modified":"2023-11-07T04:11:22","modified_gmt":"2023-11-07T07:11:22","slug":"lula-engole-fiasco-no-acordo-de-paz-com-politica-externa-fragil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/lula-engole-fiasco-no-acordo-de-paz-com-politica-externa-fragil\/","title":{"rendered":"Lula engole fiasco no acordo de paz com pol\u00edtica externa fr\u00e1gil"},"content":{"rendered":"<p>O Oriente M\u00e9dio sempre teve um lugar especial na pol\u00edtica externa dos governos Lula \u00e0 frente do Brasil. Juntamente do seu assessor para Rela\u00e7\u00f5es Exteriores Celso Amorim, Lula tem tentado exercer um papel decisivo para a resolu\u00e7\u00e3o do conflito entre Israel e Palestina, embora sem muito sucesso.<\/p>\n<p>Fato \u00e9 que, durante seus dois primeiros mandatos (2003-2010), Lula procurou posicionar o Brasil como uma pot\u00eancia global emergente, apoiado em uma intensa diplomacia presidencial, o que levou a uma maior participa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds na discuss\u00e3o de problemas regionais complexos, como \u00e9 o caso da situa\u00e7\u00e3o envolvendo o conflito Israel-Palestina.<\/p>\n<p>Em repetidas ocasi\u00f5es, o presidente Lula expressou seu desejo de ajudar a resolver o impasse nos processos de paz da regi\u00e3o, apesar de entender os limites da atua\u00e7\u00e3o do Brasil para a consecu\u00e7\u00e3o desse objetivo.<\/p>\n<p>No geral, a estrat\u00e9gia de Lula para o Oriente M\u00e9dio tradicionalmente conteve duas caracter\u00edsticas principais. Em primeiro lugar, estava o papel do Brasil como potencial mediador de conflitos regionais. Tal aspira\u00e7\u00e3o j\u00e1 fora demonstrada quando, em 2010, Lula viajou para Jerusal\u00e9m e Ramallah, na Cisjord\u00e2nia, no intuito de estreitar contatos tanto com Israel quanto com a Autoridade Palestina.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m para apresentar-se como um mediador internacional \u201cneutro\u201d, Lula e Amorim fizeram visitas inclusive ao Ir\u00e3 para auxiliar (junto da Turquia) um acordo nuclear com Teer\u00e3. Essas visitas, em um segundo momento, ampliavam as oportunidades comerciais e pol\u00edticas para o Brasil no \u00e2mbito global, dado que o pa\u00eds pleiteava um t\u00e3o sonhado assento permanente no Conselho de Seguran\u00e7a das Na\u00e7\u00f5es Unidas.<\/p>\n<p>Fazendo sinaliza\u00e7\u00f5es positivas ao mundo \u00e1rabe, o Brasil de Lula tamb\u00e9m foi um dos poucos pa\u00edses fora da Europa e do Oriente M\u00e9dio a criticar abertamente a decis\u00e3o do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, de invadir o Iraque no in\u00edcio de 2003. Como resultado, o Brasil recebeu pouco tempo depois o status de membro observador da Liga \u00c1rabe.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, estavam os interesses brasileiros com a amplia\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio, importante componente nas intera\u00e7\u00f5es do Brasil com o mundo \u00e1rabe. At\u00e9 por isso Lula procurou impulsionar rela\u00e7\u00f5es com pa\u00edses-chave na regi\u00e3o como S\u00edria e L\u00edbia (antes da eclos\u00e3o da Primavera \u00c1rabe em 2011), que se apresentavam como potenciais parceiros comerciais de peso, podendo abrir oportunidades estrat\u00e9gicas para setores exportadores importantes do Brasil, como a agricultura e a pecu\u00e1ria.<\/p>\n<p>Durante os dois primeiros mandatos de Lula, ali\u00e1s, transa\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas com Israel tamb\u00e9m estiveram no foco das aten\u00e7\u00f5es, sobretudo ap\u00f3s a assinatura de um acordo de livre com\u00e9rcio Mercosul-Israel em 2007.<\/p>\n<p>Entretanto, as rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas do Brasil com Tel Aviv viriam a ser impactadas negativamente pela posi\u00e7\u00e3o abertamente pr\u00f3-Palestina de Lula, que se manteve em conson\u00e2ncia com as posi\u00e7\u00f5es tradicionais do Partido dos Trabalhadores em favor da autodetermina\u00e7\u00e3o dos povos oprimidos em todo o mundo. N\u00e3o por acaso, entre 2006 e 2010 o ent\u00e3o ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores do Brasil Celso Amorim (hoje assessor especial da Presid\u00eancia) visitou os territ\u00f3rios palestinos por quatro vezes.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, em 2007 o Brasil foi convidado a participar da Confer\u00eancia de An\u00e1polis, nos Estados Unidos, encontro dedicado a promover uma retomada nos processos de paz no Oriente M\u00e9dio envolvendo Israel e a Palestina. Na ocasi\u00e3o, o Brasil chegou at\u00e9 mesmo a apresentar um roteiro pol\u00edtico para os americanos, contendo determinadas premissas que, no entendimento brasileiro, poderiam ser \u00fateis para diminuir as tens\u00f5es na Faixa de Gaza e na Cisjord\u00e2nia.<\/p>\n<p>Seja como for, a aproxima\u00e7\u00e3o mais evidente do Brasil com a Palestina e com o pr\u00f3prio Ir\u00e3 n\u00e3o foi bem recebida pelo governo de Israel. Ainda mais porque, em um de seus \u00faltimos atos diplom\u00e1ticos em dezembro de 2010, o Brasil de Lula reconheceu oficialmente a soberania do Estado da Palestina ao longo das fronteiras de 1967, decis\u00e3o apoiada por diversos outros governos latino-americanos. Seja como for, os interesses estrat\u00e9gicos do Brasil no Oriente M\u00e9dio, a saber, como poss\u00edvel mediador em conflitos locais, inegavelmente tiveram suas limita\u00e7\u00f5es, em fun\u00e7\u00e3o do posicionamento mais pr\u00f3-Palestina de Lula, gerando certas tens\u00f5es sazonais com Israel e com o pr\u00f3prio Ocidente, principal patrocinador pol\u00edtico de Tel Aviv.<\/p>\n<p>Com Dilma \u00e0 frente do Brasil entre 2011 e 2016, no entanto, arrefeceram as tentativas do Brasil de participar ativamente da resolu\u00e7\u00e3o do conflito palestino-israelense, dado o baixo engajamento internacional da ent\u00e3o presidente brasileira, que preferiu relegar ao Conselho de Seguran\u00e7a da ONU o papel de resolver as constantes crises no Oriente M\u00e9dio. Ainda assim, em termos de marco pol\u00edtico, o governo Dilma apoiou em 2012 o pedido de Mahmoud Abbas para que a Palestina obtivesse maior reconhecimento no \u00e2mbito das Na\u00e7\u00f5es Unidas, auferindo ent\u00e3o o status de membro observador na organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Atualmente, diante da trag\u00e9dia humanit\u00e1ria resultante de mais um novo conflito envolvendo Israel e a Palestina, Lula e a diplomacia brasileira t\u00eam enfrentado mais uma vez dificuldades em promover uma solu\u00e7\u00e3o para a crise. Presidindo as \u00faltimas reuni\u00f5es no Conselho de Seguran\u00e7a, o Brasil tentou passar resolu\u00e7\u00f5es (como as do dia 18 de outubro) que pediam por uma \u201cpausa humanit\u00e1ria\u201d e um cessar-fogo nas hostilidades na Faixa de Gaza.<\/p>\n<p>A proposta brasileira, embora apoiada no mundo \u00e1rabe, no Sul Global e pela pr\u00f3pria Palestina, foi vetada de forma c\u00ednica pelos Estados Unidos que, assim como no conflito na Ucr\u00e2nia, parecem estar satisfeitos com o prolongamento da viol\u00eancia na regi\u00e3o, enquanto fornecem apoio incondicional para as a\u00e7\u00f5es do governo de Israel.<\/p>\n<p>Esbarrando nos jogos de poder da principal pot\u00eancia ocidental, h\u00e1 muito pouco o que Lula e o Itamaraty possam fazer para trazer um fim ao conflito, independente das boas inten\u00e7\u00f5es do presidente brasileiro. Diante desse contexto, as esperan\u00e7as de Lula com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 causa palestina tendem a se transformar em frustra\u00e7\u00e3o e a demonstrar os limites da diplomacia brasileira.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Oriente M\u00e9dio sempre teve um lugar especial na pol\u00edtica externa dos governos Lula \u00e0 frente do Brasil. Juntamente do seu assessor para Rela\u00e7\u00f5es Exteriores Celso Amorim, Lula tem tentado exercer um papel decisivo para a resolu\u00e7\u00e3o do conflito entre Israel e Palestina, embora sem muito sucesso. Fato \u00e9 que, durante seus dois primeiros mandatos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":316311,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[95],"class_list":["post-316310","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mundo","tag-capa"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/316310","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=316310"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/316310\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":316313,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/316310\/revisions\/316313"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/316311"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=316310"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=316310"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=316310"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}