{"id":316326,"date":"2023-11-07T05:10:53","date_gmt":"2023-11-07T08:10:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=316326"},"modified":"2023-11-07T05:11:31","modified_gmt":"2023-11-07T08:11:31","slug":"velhos-fazem-peripecias-no-paradisiaco-mundo-erotico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/velhos-fazem-peripecias-no-paradisiaco-mundo-erotico\/","title":{"rendered":"Velhos fazem perip\u00e9cias no paradis\u00edaco mundo er\u00f3tico"},"content":{"rendered":"<p>Sei que, querendo ou n\u00e3o, vamos envelhecer. O problema \u00e9 que, t\u00e3o logo somos informados disso, nos imaginamos com as pernas pesadas, a coluna doendo, a estatura diminuindo o colesterol e o triglicer\u00eddeo aumentando. Os estudiosos e especialistas do assunto chamam isso de idade do \u201cesse\u201d, embora todos os sufixos sejam escritos com a letra C. N\u00e3o importa. De forma did\u00e1tica, \u00e9 a fase em que o espelho empretece, o cabelo embranquece, o osso adoece, o joelho endurece, o l\u00e1bio escurece, a barriga cresce, a mem\u00f3ria esquece, a hemorroida engrandece, a pelanca desce, o ju\u00edzo desaparece, o dedo amolece, o ovo padece, o bilau desapetece, a mulher se oferece e a gente agradece. Ah, se eu pudesse. S\u00e3o as senhas para uma nova fase da vida.<\/p>\n<p>Apesar dos percal\u00e7os f\u00edsicos, emocionais e sexuais, temos de viv\u00ea-la com galhardia. Bem sei que \u00e9 dif\u00edcil, mas o que fazer? Hoje mesmo, depois de duas tentativas, ele permaneceu duro feito ferro. N\u00e3o amolecia nem com reza forte. Joguei fora e decidi n\u00e3o comprar mais a tal marca de feij\u00e3o. Contando essas hist\u00f3rias que s\u00f3 acontecem comigo, \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o lembrar das est\u00f3rias psicossexuais e psicoterapeutas de vov\u00f4. A mais engra\u00e7ada \u2013 e mais teratol\u00f3gica &#8211; ocorreu quando ele j\u00e1 tinha mais de 90 anos. Uruguaia fogosa, vov\u00f3, com 86 primaveras, inventava posi\u00e7\u00f5es que at\u00e9 hoje n\u00e3o tive coragem de experimentar.<\/p>\n<p>Uma delas quase calou o nonagen\u00e1rio portugu\u00eas para sempre. Sem imaginar o perigo do experimento, vov\u00f3, j\u00e1 em \u00eaxtase, pediu ao vetusto v\u00f4 para que ele apagasse a lamparina e lambesse. Como o v\u00e9io entendeu tudo errado, acabou queimando toda a boca. A chapa teve de ser trocada no dia seguinte. \u00c9 isso que d\u00e1 querer vulgarizar a vida a dois. Usando o caso de vov\u00f4, n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil associ\u00e1-lo \u00e0 maioria dos menos jovens. Sem os naturais recursos para salgar a picanha, talvez os homens da idade da raz\u00e3o n\u00e3o consigam mais comer uma suculenta rabada, se engalfinhar com uma carnuda chuleta, tostar uma maminha, tentar uma galinha \u00e0 cabidela ou mesmo mirar numa coxinha ao molho.<\/p>\n<p>Para estes, al\u00e9m do muro das lamenta\u00e7\u00f5es defronte aos quart\u00e9is das grandes cidades, recomendo uma chupetinha sem molho, um pudim de p\u00e3o manchado da Gr\u00e3-Bretanha, uma fraldinha temperada ou um lagarto \u00e0 Belle Meuni\u00e8re. A sobremesa pode ser um p\u00e3o com mortadela recheado com leite condensado. Para nossa sorte, a longeva e querid\u00edssima escritora Ad\u00e9lia Prado nos traz boas not\u00edcias. Uma delas \u00e9 que a alma pode permanecer com o humor dos 10, o vi\u00e7o dos 20 e o erotismo dos 30 anos. Segundo ela, o segredo n\u00e3o \u00e9 reformar por fora. \u201c\u00c9, acima de tudo, renovar a mob\u00edlia interior, tirar o p\u00f3, dar brilho, trocar o estofado, abrir as janelas, arejar o ambiente e n\u00e3o se escravizar\u201d.<\/p>\n<p>Parafraseando a not\u00e1vel Ad\u00e9lia Prado, n\u00e3o tenho mais tempo para erotismos. Ali\u00e1s, nem em pensamento, embora a mente seja o \u00f3rg\u00e3o mais erotizado do corpo. Er\u00f3tica \u00e9 minha alma, \u201cque se diverte, se perdoa, que ri de si mesma e faz as pazes com sua hist\u00f3ria\u201d. Passados os melhores anos de minha vida, perdi os pudores e o medo das dores, mas o m\u00e1ximo de sensualidade que consigo hoje \u00e9 me despir de preconceitos, descabelar as intoler\u00e2ncias, envernizar o c\u00f3digo de barra acima dos l\u00e1bios e, me fazendo de gago, enxoxotar os desafetos.<\/p>\n<p>\u00c9 por a\u00ed que eu vou. Sei que o homem s\u00f3 percebe que est\u00e1 ficando velho quando seus sonhos er\u00f3ticos s\u00e3o reprises. \u00c9 a idade em que a raz\u00e3o diz uma coisa e o corpo pede outra, a cabe\u00e7a pro\u00edbe, mas o corpo desobedece. Enfim, \u00e9 a fase em que a Tonga da Mironga perde de vez o contato com o Kabulet\u00ea. Triste, mas \u00e9 a\u00ed que o Bumbum, Paticumbum, Prugurundum deixa de ser apoteose e vira apenas um enfeite de carnaval. Como mais vale um galo no terreiro do que dois na testa, assumo que preciso urgentemente de um adjut\u00f3rio. Ainda que me ache um Fusca, aquele em que o importante \u00e9 o estado de conserva\u00e7\u00e3o, pretendo envelhecer pintando o sete, independentemente das cerdas do pincel. Estou curado. Portanto, j\u00e1 estou no lucro. Ent\u00e3o, por que ficar sarado para lacrar?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sei que, querendo ou n\u00e3o, vamos envelhecer. 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