{"id":316355,"date":"2023-11-07T00:00:15","date_gmt":"2023-11-07T03:00:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=316355"},"modified":"2023-11-07T07:22:04","modified_gmt":"2023-11-07T10:22:04","slug":"empresarios-e-moradores-calculam-prejuizo-de-3-dias-sem-luz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/empresarios-e-moradores-calculam-prejuizo-de-3-dias-sem-luz\/","title":{"rendered":"Empres\u00e1rios e moradores calculam preju\u00edzo de 3 dias sem luz"},"content":{"rendered":"<p>A queda de energia el\u00e9trica, ocasionada pelas chuvas registradas desde a \u00faltima sexta-feira (3), ainda prejudica pelo menos 500 mil pessoas em S\u00e3o Paulo. O n\u00famero refere-se aos usu\u00e1rios atendidos pela Enel, concession\u00e1ria que atua na cidade de S\u00e3o Paulo e em mais 23 munic\u00edpios da regi\u00e3o metropolitana. Comerciantes de bairros da zona sul paulistana registram significativa perda de produtos e clientes, enquanto moradores lidam com transtornos na rotina.<\/p>\n<p>A Porto Maria Padaria, que fica na Vila da Sa\u00fade, teve enorme preju\u00edzo, j\u00e1 que trabalha com uma grande quantidade de produtos perec\u00edveis. Os donos do local tiveram que fechar as portas at\u00e9 que a energia volte e, com isso, pediram aos funcion\u00e1rios que fiquem em casa, com exce\u00e7\u00e3o de alguns que ajudam a organizar a loja, se desfazendo dos alimentos e bebidas que estragaram e higienizando prateleiras, ch\u00e3o, fornos e congeladores.<\/p>\n<p>A loja ficou sem luz ap\u00f3s um poste ter explodido, logo depois que a energia foi restabelecida em uma parte da Avenida Bosque da Sa\u00fade, onde est\u00e1 localizada. Desde ent\u00e3o, um dos s\u00f3cios do estabelecimento, o portugu\u00eas Baltazar Lisboa, tenta acionar a Enel, que fornece o servi\u00e7o na capital, sem que a companhia envie uma equipe ao endere\u00e7o, para solucionar o problema. Na \u00faltima vez em que ligou, no in\u00edcio do dia de hoje, o atendente da empresa informou, por telefone, que iria enviar algu\u00e9m at\u00e9 10h, o que n\u00e3o aconteceu. Em outras liga\u00e7\u00f5es que fez, chegou a permanecer por um hora e meia na fila, aguardando um atendente.<\/p>\n<p>Segundo Lisboa, o fim de semana \u00e9 um per\u00edodo de bastante movimento na padaria, o que significa que perderam muitos clientes, quadro que o desanimou ainda mais, tendo em vista que j\u00e1 abriu a loja em um momento complicado, durante a pandemia de covid-19 -, mais precisamente, em setembro de 2020. Sem energia, a equipe n\u00e3o consegue nem sequer dimensionar os danos, j\u00e1 que podem envolver, inclusive, perda de maquin\u00e1rio, considerando que muitos queimam quando h\u00e1 um corte s\u00fabito.<\/p>\n<p>&#8220;A gente j\u00e1 est\u00e1 falando com nosso setor jur\u00eddico, para ver o que d\u00e1 para fazer&#8221;, disse.<\/p>\n<p>&#8220;E bem pr\u00f3ximo do Natal, para melhorar, quando a gente tem que pagar d\u00e9cimo terceiro sal\u00e1rio. Algu\u00e9m vai ter que dividir esse preju\u00edzo com a gente&#8221;, explicou, acrescentando que tem cerca de 45 funcion\u00e1rios e que seu s\u00f3cio tem outras duas lojas, uma na Vila Ema e outra na Vila Alpina, ambas na zona leste da cidade e tamb\u00e9m em situa\u00e7\u00e3o semelhante, de dificuldades com a interrup\u00e7\u00e3o do fornecimento de energia el\u00e9trica.<\/p>\n<p>O aposentado Vasco Quito mora exatamente na casa diante da qual fica o poste que explodiu e provocou a segunda queda de energia na regi\u00e3o. Ele relata que estava dentro de casa quando ouviu um estrondo e que chegou a avisar \u00e0 equipe da Enel estava na rua de cima prestando servi\u00e7o.<\/p>\n<p>Quando aconteceu a explos\u00e3o do poste, quase ficou incomunic\u00e1vel, porque, na hora, seu carregador de celular queimou. A sorte foi que um primo seu, que vive na rua perpendicular \u00e0 sua, tinha um semelhante e p\u00f4de emprestar a ele, que assim conseguiu seguir ligando para a companhia, em busca de atualiza\u00e7\u00f5es sobre a estimativa de retomada do servi\u00e7o. &#8220;No s\u00e1bado, restabeleceu o fornecimento na parte de cima [da avenida], mas a\u00ed estourou o poste aqui&#8221;, contou. &#8220;Transtornos, estou tendo v\u00e1rios. Minha esposa precisa usar inalador. Minhas coisas todinhas do freezer estragaram, da geladeira, latic\u00ednios, porque n\u00e3o tenho outro lugar aonde levar.&#8221;<\/p>\n<p>O aut\u00f4nomo Paulo Marcos Leite tem uma loja que fabrica e reforma m\u00f3veis, em frente \u00e0 padaria de Lisboa, e n\u00e3o foi afetado pelo problema no poste de luz, mas ficou sem energia com a chuva de sexta-feira, por algumas horas, at\u00e9 o meio da tarde daquele dia. Ele comentou que, embora n\u00e3o tenha tido perdas, pela natureza da mat\u00e9ria-prima com que trabalha, teve que explicar para clientes que precisaria de mais prazo para entregar as encomendas. &#8220;Perda eu n\u00e3o tive, porque n\u00e3o \u00e9 material perec\u00edvel&#8221;, ponderou.<\/p>\n<p>Os lojistas e moradores que conversaram com a reportagem pontuaram, ainda, que houve um acidente nas proximidades da avenida. Isso porque alguns sem\u00e1foros pararam de funcionar, sendo que parte deles at\u00e9 agora n\u00e3o foi religada.<\/p>\n<p>A faxineira Maria do Carmo Ramos, da academia Fitness, tamb\u00e9m vizinha dos demais entrevistados, destacou que o maior inconveniente tem sido n\u00e3o ter condi\u00e7\u00f5es de acolher devidamente os alunos que frequentam o local, especializado no atendimento integrado e que oferece tamb\u00e9m apoio psicol\u00f3gico aos clientes. &#8220;A gente est\u00e1 abrindo enquanto tem sol, porque a\u00ed abre a janela&#8221;, explica.<\/p>\n<p>Colega de Maria do Carmo, a recepcionista Ana Beatriz Ferrari complementa dizendo que a academia funciona 24 horas, em condi\u00e7\u00f5es normais, mas que, desde a \u00faltima sexta-feira, tem fechado por volta de 17h. &#8220;Parte da equipe est\u00e1 vindo de madrugada. Ficou escuro e muito aluno ainda vinha para c\u00e1, querendo conversar. Temos muitos clientes idosos&#8221;, esclarece.<\/p>\n<p>No bairro de Mirand\u00f3polis, o zelador F\u00e1bio Oliveira tem trabalhado mais horas, desde que os temporais atingiram a cidade, pois os port\u00f5es do pr\u00e9dio em que trabalha, de 52 apartamentos, est\u00e3o sendo abertos manualmente e o sistema de seguran\u00e7a foi desligado temporariamente, por depender da luz para funcionar. Em poucos dias, o pr\u00e9dio j\u00e1 teve at\u00e9 epis\u00f3dios de moradores sofrendo tombos nas escadas, uma vez que os elevadores n\u00e3o est\u00e3o podendo ser usados, assim como as luzes de emerg\u00eancia, que iluminariam os degraus. Outra consequ\u00eancia \u00e9 a falta de \u00e1gua, por causa da bomba que a leva a cada im\u00f3vel.<\/p>\n<p>&#8220;A situa\u00e7\u00e3o aqui est\u00e1 ca\u00f3tica. A gente tentou v\u00e1rios contatos com a Enel, sem sucesso. Liguei hoje e a previs\u00e3o deles \u00e9 muito vaga&#8221;, disse.<\/p>\n<p>&#8220;Estamos trabalhando dobrado, fazendo horas extras. \u00c9 um pr\u00e9dio residencial, com muito morador de idade, com dificuldades de mobilidade&#8221;, adicionou.<\/p>\n<p><strong>Zona Oeste<\/strong><br \/>\nA professora Maria Bonduki estava na rua quando houve queda de energia no bairro onde reside, Jardim Bonfiglioli, na zona oeste da capital, na \u00faltima sexta-feira, e n\u00e3o suspeitou que houvesse sido afetada porque nenhum vizinho a avisou sobre a queda de energia. S\u00f3 foi se dar conta quando retornou a sua casa.<\/p>\n<p>&#8220;Tenho uma filha de 5 anos, que n\u00e3o queria ficar em casa. Ent\u00e3o, ficamos no shopping, ela jantou, brincou, enrolamos bastante. De l\u00e1, tentei falar com a Enel, pelo aplicativo, n\u00e3o consegui, tentei ligar, ningu\u00e9m atendeu. Fui para casa dormir&#8221;, diz.<\/p>\n<p>No s\u00e1bado, Maria foi informada, por uma pessoa contaminada por covid-19, com quem havia se encontrado, sobre o resultado do teste. Por isso, fez o seu pr\u00f3prio, que tamb\u00e9m deu positivo. &#8220;Entupi a geladeira do meu cunhado [com os alimentos de casa] e, pelo que estou tendo de not\u00edcia, ainda segue sem luz. E hoje parece que ainda acabou a \u00e1gua&#8221;, prosseguiu. &#8220;Tentei falar com a Enel, sem sucesso. N\u00e3o consegui falar com ningu\u00e9m l\u00e1.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Enel<\/strong><br \/>\nEm nota publicada no site da empresa, a Enel informa que j\u00e1 restabeleceu a energia de 76% dos clientes que tiveram o fornecimento impactado pelo vendaval da \u00faltima sexta-feira (3). \u201cA tempestade foi a mais forte dos \u00faltimos anos e provocou danos severos na rede de distribui\u00e7\u00e3o. Nossos esfor\u00e7os est\u00e3o concentrados em reconstruir os trechos destru\u00eddos e normalizar o cen\u00e1rio\u201d, diz o texto. Pelo menos 2,1 milh\u00f5es de pessoas ficaram sem energia.<\/p>\n<p>A concession\u00e1ria destaca que est\u00e1 \u201ctrabalhando 24 horas por dia para normalizar o fornecimento o mais breve poss\u00edvel\u201d. Informa ainda que o trabalho \u00e9 complexo pois envolve a reconstru\u00e7\u00e3o da rede atingida por queda de \u00e1rvores de grande porte e galhos. \u201cA recupera\u00e7\u00e3o ocorre de forma gradual.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A queda de energia el\u00e9trica, ocasionada pelas chuvas registradas desde a \u00faltima sexta-feira (3), ainda prejudica pelo menos 500 mil pessoas em S\u00e3o Paulo. O n\u00famero refere-se aos usu\u00e1rios atendidos pela Enel, concession\u00e1ria que atua na cidade de S\u00e3o Paulo e em mais 23 munic\u00edpios da regi\u00e3o metropolitana. 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