{"id":316424,"date":"2023-11-08T10:16:18","date_gmt":"2023-11-08T13:16:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=316424"},"modified":"2023-11-08T10:16:39","modified_gmt":"2023-11-08T13:16:39","slug":"inimigos-de-ontem-adversarios-para-sempre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/inimigos-de-ontem-adversarios-para-sempre\/","title":{"rendered":"Inimigos de ontem, advers\u00e1rios para sempre"},"content":{"rendered":"<p>Alimentada durante d\u00e9cadas por disputas em Copa do Mundo, na Ta\u00e7a Libertadores e na compara\u00e7\u00e3o entre o desempenho de Maradona e de Pel\u00e9, a rivalidade atual entre Brasil e Argentina se limita ao futebol. Embora com alguns sintomas de uma soberba que n\u00e3o existe mais e, principalmente, com a arrog\u00e2ncia, o convencimento, a emp\u00e1fia, o desd\u00e9m e os lampejos de selvageria de parte dos torcedores alvi celeste, a briga fica nos campos de futebol, nas quadras de voleibol ou de basquetebol e nas pistas de atletismo. No m\u00e1ximo no entorno das canchas. A rixa, no entanto, data do s\u00e9culo 19, quando os dois pa\u00edses passaram a disputar a lideran\u00e7a regional na Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n<p>Na verdade, acho que essa heran\u00e7a vem da hostilidade existente entre os ex-colonizadores Portugal e Espanha no processo de ocupa\u00e7\u00e3o do continente. A disputa alcan\u00e7ou o \u00e1pice na Guerra da Cisplatina (1825\/28), quando o Brasil, j\u00e1 independente de Portugal, se op\u00f4s \u00e0s chamadas Prov\u00edncias Unidas do Rio da Prata, mais tarde Argentina. A emp\u00e1fia dos argentinos \u00e9 hist\u00f3rica e justific\u00e1vel. Afinal, eles j\u00e1 pertenceram a um dos pa\u00edses mais ricos do mundo em PIB per capita, com uma classe m\u00e9dia regionalmente bem pujante. Foram, n\u00e3o s\u00e3o mais. Depois da ditadura militar e da Guerra das Malvinas (1976\/1983), a sucess\u00e3o de crises econ\u00f4micas levou a Argentina \u00e0s cordas, de onde nunca mais saiu.<\/p>\n<p>O mundo mudou, a roda girou, o Brasil cresceu, se consolidou e a Argentina empobreceu econ\u00f4mica, pol\u00edtica, social e culturalmente. Duela a quien duela, hoje o ator global de peso \u00e9 o Brasil. Duas das melhores escolas do mundo s\u00e3o brasileiras e s\u00e3o p\u00fablicas. Sem d\u00f3 e nem piedade, os brasile\u00f1os expurgaram para o al\u00e9m um mito de armaz\u00e9m. Pobres de \u201cmarr\u00e9 deci\u201d, los hermanos n\u00e3o querem nos ouvir e podem repetir nossa fracassada experi\u00eancia, colocando um louco fantasiado de profeta na Casa Rosada. Veremos no que vai dar. Tomara que os torcedores do Boca Junior, do River Plate, do Hurac\u00e1n, Racing, Independiente, Estudiantes, V\u00e9lez Sarsfield, San Lorenzo, entre outros clubes, se unam contra o libert\u00e1rio e ultraconservador Javier Milei.<\/p>\n<p>Do alto de minha ojeriza ao sistema unilateral de governo, acho que vai dar ruim. Ali\u00e1s, para os fan\u00e1ticos de l\u00e1, ruim sem ele, muito pior com ele. Se querem insistir, azar de voc\u00eas. Voltando \u00e0s quatro linhas, alegria e paix\u00e3o est\u00e3o visceralmente vinculadas \u00e0 tristeza, \u00e0 rebeldia e \u00e0 m\u00e1 educa\u00e7\u00e3o de uma suposta minoria. Para quem ainda n\u00e3o perdeu a antiga pose de europeu e a afeta\u00e7\u00e3o de povo diferente, o argentino que teima em rotular o brasileiro de escravo e de macaco deve ter se curvado definitivamente \u00e0 superioridade do Brasil em todos os segmentos da economia, da pol\u00edtica e, agora, do esporte, particularmente o futebol. N\u00e3o \u00e0 toa, os cinco \u00faltimos t\u00edtulos da Ta\u00e7a Libertadores, o mais importante torneio do continente americano, est\u00e3o em m\u00e3os de clubes nacionais.<\/p>\n<p>O Fluminense, do portenho G\u00e9rman Cano, foi o vencedor de s\u00e1bado passado. Mesmo sem o futebol envolvente de outras partidas, o tricolor das Laranjeiras ganhou do Boca Junior por 2&#215;1 no Maracan\u00e3. Comprovando que n\u00f3s n\u00e3o viemos da selva, no domingo (5) o Brasil fechou os Jogos Pan-Americanos em segundo lugar no quadro geral de medalhas. Foram 205 no total, sendo 66 de ouro, 73 pratas e 66 bronzes. A Argentina ficou em s\u00e9timo, com 75 medalhas, das quais somente 17 de ouro. Campeonatos mundiais de futebol, temos cinco, dois a mais do que eles. Sobre a diferen\u00e7a das medalhas ol\u00edmpicas, perdi a conta. Em outras palavras, inimigos de ontem, advers\u00e1rios para sempre.<\/p>\n<p>Nada tenho de pessoal contra os argentinos. O que sinto \u00e9 coletivo. Fazendo minhas as palavras de um famoso narrador, ganhar em qualquer esporte \u00e9 muito bom, mas ganhar da Argentina \u00e9 muito melhor. E siga la pelota. Que venham novas Libertadores em cima do Boca e do River. Ainda sobre o jogo de s\u00e1bado, a equipe do Boca Junior jogou sob a inspira\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito xeneize de Juan Domingo Per\u00f3n. O que eles n\u00e3o sabiam \u00e9 que, no Maracan\u00e3, quem d\u00e1 as ordens e cisca para frente \u00e9 o anjo fantasiado de dem\u00f4nio tricolor Nelson Rodrigues. Tudo sob o olhar complacente do irm\u00e3o e duende rubro-negro M\u00e1rio Filho, que empresta seu nome ao est\u00e1dio. Ou seja, da fam\u00edlia para a fam\u00edlia.<\/p>\n<p><strong>*Mathuzal\u00e9m J\u00fanior \u00e9 jornalista profissional desde 1978<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alimentada durante d\u00e9cadas por disputas em Copa do Mundo, na Ta\u00e7a Libertadores e na compara\u00e7\u00e3o entre o desempenho de Maradona e de Pel\u00e9, a rivalidade atual entre Brasil e Argentina se limita ao futebol. 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