{"id":316573,"date":"2023-11-09T11:57:52","date_gmt":"2023-11-09T14:57:52","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=316573"},"modified":"2023-11-09T22:00:45","modified_gmt":"2023-11-10T01:00:45","slug":"brilho-feminino-amplia-delegacao-brasileira-em-paris","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/brilho-feminino-amplia-delegacao-brasileira-em-paris\/","title":{"rendered":"Brilho feminino amplia nossa delega\u00e7\u00e3o em Paris"},"content":{"rendered":"<p>Uma das metas do Comit\u00ea Ol\u00edmpico do Brasil (COB) nos Jogos Pan-Americanos de Santiago era retornar do Chile com o m\u00e1ximo poss\u00edvel de vagas \u00e0 Olimp\u00edada de Paris, em 2024. A percep\u00e7\u00e3o da entidade \u00e9 de que o objetivo foi alcan\u00e7ado. A delega\u00e7\u00e3o brasileira garantiu, gra\u00e7as ao Pan, mais 40 lugares no avi\u00e3o rumo \u00e0 capital francesa, que agora tem 143 assentos reservados.<\/p>\n<p>Das 40 vagas obtidas em Santiago, 15 s\u00e3o nominais, ou seja, pertencem aos atletas. No t\u00eanis, Laura Pigossi se assegurou em Paris ao alcan\u00e7ar a final do torneio de simples no Pan. Para n\u00e3o perder o lugar ela tem de seguir entre as 400 primeiras do ranking mundial at\u00e9 o meio de 2024. A brasileira est\u00e1 na 134\u00aa posi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No pentatlo moderno, o nono lugar garantiu Isabela Abreu nos Jogos de 2024, como melhor sul-americana da disputa no Chile. No t\u00eanis de mesa, Bruna Takahashi e Vitor Ishiy foram \u00e0 final das duplas mistas do Pan e tamb\u00e9m asseguraram as respectivas vagas na capital francesa. Em Santiago, ambos ficaram com a prata. Bruna ainda obteve mais tr\u00eas medalhas (prata no individual e nas duplas femininas &#8211; jogando ao lado da irm\u00e3 Giulia Takahashi &#8211; e bronze por equipes), enquanto Vitor foi ouro por equipes e prata nas duplas masculinas, com Hugo Calderano, principal mesatenista do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Nas piscinas, Maria Fernanda Costa e Gabrielle Roncato atingiram \u00edndice ol\u00edmpico nos 400 metros nado livre. Elas fizeram, respectivamente, tempos de 4min06s68 e 4min06s88, conquistando prata e bronze. Foi a primeira vez, em um Pan, que duas brasileiras ocuparam o mesmo p\u00f3dio na nata\u00e7\u00e3o. Se nenhuma atleta alcan\u00e7ar o \u00edndice da prova na seletiva nacional da modalidade, no ano que vem, as vagas ser\u00e3o delas.<\/p>\n<p>O boxe foi a modalidade com mais atletas garantidos nominalmente: nove, todos finalistas. Com eles vieram quatro ouros (Beatriz Ferreira, B\u00e1rbara Santos, Jucielen Romeu e Caroline Almeida) e cinco pratas (Tatiana Chagas, Keno Marley, Wanderley Pereira, Michael Trindade e Abner Teixeira &#8211; com problemas f\u00edsicos, os dois \u00faltimos foram poupados da luta decisiva, j\u00e1 que estavam com a vaga ol\u00edmpica confirmada).<\/p>\n<p>\u201cA medalha do Pan foi muito importante para mim, mais ainda a classifica\u00e7\u00e3o [ol\u00edmpica]. \u00c9 uma realiza\u00e7\u00e3o. Todo atleta, eu principalmente, sonha participar de uma Olimp\u00edada. Gra\u00e7as a Deus, conquistei [a vaga]. Fui prata nos Jogos Sul-Americanos [em 2022], bronze no Mundial [em 2021]. Estou muito feliz com todas essas conquistas em pouco tempo de sele\u00e7\u00e3o\u201d, comemorou Caroline em depoimento \u00e0 Ag\u00eancia Brasil.<\/p>\n<p>As outras 25 vagas foram alcan\u00e7adas para o pa\u00eds, o que significa que aqueles que ocupar\u00e3o os assentos no avi\u00e3o que vai \u00e0 Paris n\u00e3o necessariamente ser\u00e3o os mesmos que os conquistaram. A maior parte desses lugares s\u00e3o destinados a 14 atletas do handebol feminino. A sele\u00e7\u00e3o brasileira se credenciou aos Jogos gra\u00e7as \u00e0 medalha de ouro em Santiago, a s\u00e9tima consecutiva no evento.<\/p>\n<p>O hipismo rendeu mais seis vagas ol\u00edmpicas ao Brasil. Tr\u00eas no adestramento, com a prata de Jo\u00e3o Victor Oliva, Renderson Oliveira, Manuel Tavares e Paulo Cesar dos Santos na disputa por equipes. Outras tr\u00eas no Concurso Completo de Equita\u00e7\u00e3o (CCE), no qual o conjunto formado por M\u00e1rcio Jorge, Carlos Parro, Rafael Losano e Ruy Fonseca foi bronze. Jo\u00e3o Victor e M\u00e1rcio Jorge ainda obtiveram medalhas de bronze e prata, respectivamente, nas provas individuais.<\/p>\n<p>Na vela, as bicampe\u00e3s ol\u00edmpicas Martine Grael e Kahena Kunze conquistaram ouro em Santiago e garantiram a presen\u00e7a brasileira na classe 49er FX em Paris, enquanto Samuel Albrecht e Gabriela S\u00e1, bronze no Chile, classificaram o Brasil na Nacra 17. Por fim, Ana Machado assegurou vaga ao pa\u00eds na disputa do arco recurvo feminino, ao ser medalhista de prata na capital chilena.<\/p>\n<p><strong>Brilho delas<\/strong><br \/>\nA medalha de Ana Machado no tiro com arco foi uma das 95 alcan\u00e7adas pelo esporte feminino brasileiro em Santiago. Pela primeira vez, a campanha no Pan teve as mulheres como respons\u00e1veis pela maioria das conquistas do Brasil, tanto no total como no n\u00famero de ouros (33). Os homens atingiram 92 p\u00f3dios, com 30 ouros. Houve ainda 18 l\u00e1ureas &#8211; tr\u00eas douradas &#8211; em disputas mistas.<\/p>\n<p>O brilho feminino foi impulsionado pela gin\u00e1stica, esporte que mais rendeu p\u00f3dios ao Brasil, considerando as tr\u00eas modalidades (art\u00edstica, r\u00edtmica e de trampolim). Foram 31 medalhas, sendo oito conquistadas pelos homens e 23 por elas, o que representa praticamente um quarto (24,21%) do total atingido pelas mulheres do pa\u00eds em Santiago. No recorte somente de ouros, a propor\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda maior. As ginastas obtiveram dez l\u00e1ureas douradas, quase um ter\u00e7o (30,3%) das vezes em que uma brasileira foi ao topo do p\u00f3dio no Chile.<\/p>\n<p>Nas tr\u00eas modalidades da gin\u00e1stica, a r\u00edtmica foi aquela na qual o Brasil mais se destacou, amealhando os oito ouros em disputa, al\u00e9m de quatro pratas e um bronze. Houve dobradinha nas cinco provas individuais, com B\u00e1rbara Domingos em todos os p\u00f3dios, sendo tr\u00eas vezes no topo e duas em segundo. Ela, inclusive, dividiu o posto de maior medalhista do pa\u00eds em Santiago com mais duas mulheres: a nadadora Stephanie Balduccini (um ouro, tr\u00eas pratas e um bronze) e Fl\u00e1via Saraiva, da gin\u00e1stica art\u00edstica (quatro pratas e um bronze).<\/p>\n<p>\u201cIsso [campanha da gin\u00e1stica] \u00e9 fruto de muito trabalho, organiza\u00e7\u00e3o e planejamento. O importante agora \u00e9 n\u00e3o repousarmos sobre os louros da vit\u00f3ria. Sempre h\u00e1 espa\u00e7o para aperfei\u00e7oamento e progresso\u201d, comentou a presidente da Confedera\u00e7\u00e3o Brasileira de Gin\u00e1stica (CBG), Luciene Resende, ao site da entidade.<\/p>\n<p>As mulheres tamb\u00e9m foram as protagonistas em outros nove esportes. Em sete deles, os ouros conquistados pelo Brasil vieram somente com elas. Al\u00e9m do boxe e do handebol, isso aconteceu, tamb\u00e9m, na canoagem (Ana S\u00e1tila), no surfe (Tatiana Weston-Webb), no karat\u00ea (Barbara Hellen), na esgrima (equipe feminina de espada) e no wrestling (La\u00eds Nunes e Giulia Penalber).<\/p>\n<p>No t\u00eanis, foram tr\u00eas ouros, sendo dois com Laura Pigossi (simples e duplas femininas, ao lado de Lu\u00edsa Stefani). No jud\u00f4, que realizou a melhor campanha do pa\u00eds na hist\u00f3ria da modalidade em um Pan, com 16 medalhas, elas estiveram em evid\u00eancia. Dos sete ouros, quatro foram conquistados por mulheres: Larissa Pimenta, Rafaela Silva, Alexia Nascimento e Samantha Soares.<\/p>\n<p>\u201cMuitas modalidades est\u00e3o entendendo a import\u00e2ncia do trabalho espec\u00edfico e diferenciado entre homens e mulheres. Hoje em dia boa parte das confedera\u00e7\u00f5es est\u00e3o trabalhando nesse sentido e isso est\u00e1 fazendo uma grande diferen\u00e7a. Entendemos que algumas modalidades n\u00e3o est\u00e3o t\u00e3o avan\u00e7adas no trabalho com o feminino, o que acaba possibilitando uma evolu\u00e7\u00e3o mais r\u00e1pida\u201d, avaliou o diretor de Esportes do COB, Ney Wilson, \u00e0 p\u00e1gina oficial do Comit\u00ea.<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria feita<\/strong><br \/>\nAl\u00e9m de modalidades como jud\u00f4 e gin\u00e1stica, o Brasil alcan\u00e7ou desempenhos hist\u00f3ricos em outros esportes. O boxe foi 12 vezes ao p\u00f3dio. Al\u00e9m dos nove atletas finalistas, que se garantiram em Paris, houve mais tr\u00eas bronzes: Luiz Oliveira, Viviane Pereira e Yuri Falc\u00e3o. A campanha supera as medalhas de 1963, quando o Pan foi realizado em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>\u201cNossa proje\u00e7\u00e3o inicial era superar o de Lima [no Peru, sede do \u00faltimo Pan, em 2019], no qual conquistamos seis medalhas. O desempenho foi realmente favor\u00e1vel. Foram 12 medalhas em 13 poss\u00edveis, o que d\u00e1 93% de aproveitamento. O Pan tem um n\u00edvel alto, porque todas as equipes v\u00eam com o primeiro time, seja Cuba, Col\u00f4mbia ou Estados Unidos. E desta vez valia vaga ol\u00edmpica. Conseguimos nove classifica\u00e7\u00f5es [aos Jogos de Paris], cont\u00e1vamos com seis a sete. Ficamos em primeiro no quadro de medalhas [da modalidade], passando Cuba, que tinha uma hegemonia, e refor\u00e7amos a nossa equipe feminina como uma das mais fortes do mundo\u201d, destacou o t\u00e9cnico da sele\u00e7\u00e3o brasileira de boxe, Leonardo Macedo.<\/p>\n<p>O ouro da equipe feminina de espada, com Victoria Vizeu, Amanda Sime\u00e3o e a campe\u00e3 mundial Nathalie Moellhausen, foi o primeiro da esgrima no Pan em 56 anos. Outro jejum que chegou ao fim em Santiago foi o do futebol masculino, que voltou ao topo do p\u00f3dio depois de 36 anos. O Brasil foi representado pela sele\u00e7\u00e3o sub-20 e teve como destaque o goleiro Mycael, do Athletico-PR. Na final contra o Chile, decidida nos p\u00eanaltis, ele defendeu uma cobran\u00e7a e fez o gol do t\u00edtulo.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi somente no futebol que a nova gera\u00e7\u00e3o se fez presente. Na gin\u00e1stica r\u00edtmica, Maria Eduarda Alexandre, de 16 anos, foi a principal advers\u00e1ria de B\u00e1rbara Domingos e retornou do Chile com dois ouros, uma prata e um bronze. Na nata\u00e7\u00e3o, Guilherme Carib\u00e9, de 20 anos, despediu-se de Santiago com tr\u00eas ouros e uma prata, destacando-se justamente na conquista desta \u00faltima, ao nadar cem metros em menos de 47 segundos (o recorde mundial \u00e9 de 46s86) no revezamento 4&#215;100 metros medley. Com quatro medalhas, ele foi o protagonista masculino da delega\u00e7\u00e3o brasileira, junto do tamb\u00e9m nadador Guilherme Costa, que amealhou quatro ouros.<\/p>\n<p>Houve, ainda, conquistas in\u00e9ditas. O beisebol, por exemplo, subiu ao p\u00f3dio pela primeira vez em um Pan, levando a prata em uma campanha hist\u00f3rica, na qual a sele\u00e7\u00e3o brasileira superou equipes tradicionais como Venezuela e Cuba. No skate, modalidade estreante, foram cinco medalhas para brasileiros, duas douradas, com Rayssa Leal e Lucas Rabelo, no street (prova na qual os atletas manobram em pistas com elementos de rua).<\/p>\n<p>O Brasil encerrou o Pan na segunda coloca\u00e7\u00e3o do quadro de medalhas, repetindo a campanha de Lima, h\u00e1 quatro anos. O pa\u00eds se consolidou como segunda for\u00e7a do continente, atr\u00e1s somente dos Estados Unidos, com recorde de p\u00f3dios (205) e ouros (66).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma das metas do Comit\u00ea Ol\u00edmpico do Brasil (COB) nos Jogos Pan-Americanos de Santiago era retornar do Chile com o m\u00e1ximo poss\u00edvel de vagas \u00e0 Olimp\u00edada de Paris, em 2024. 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