{"id":316743,"date":"2023-11-11T13:16:48","date_gmt":"2023-11-11T16:16:48","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=316743"},"modified":"2023-11-11T14:12:44","modified_gmt":"2023-11-11T17:12:44","slug":"pesquisa-revela-desigualdades-nas-favelas-brasileiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/pesquisa-revela-desigualdades-nas-favelas-brasileiras\/","title":{"rendered":"Pesquisa revela desigualdades nas favelas brasileiras"},"content":{"rendered":"<p>Um estudo da Universidade Federal Fluminense (UFF) revelou que as favelas brasileiras n\u00e3o s\u00e3o \u00e1reas homog\u00eaneas e apresentam segrega\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica mesmo dentro de seus pr\u00f3prios territ\u00f3rios. A pesquisa, publicada na revista Cities, mostra que h\u00e1 disparidades racial, de renda e de acesso a servi\u00e7o nessas \u00e1reas.<\/p>\n<p>Os pesquisadores Camila Carvalho e Vin\u00edcius Netto, professor do Departamento de Urbanismo da UFF, analisaram 16 assentamentos informais em nove cidades, selecionadas nas cinco regi\u00f5es do pa\u00eds: Rio de Janeiro, Campinas, Belo Horizonte, Bras\u00edlia, Fortaleza, S\u00e3o Lu\u00eds, Porto Alegre, Manaus e Bel\u00e9m.<\/p>\n<p>Segundo Camila, a ideia do estudo era verificar se os padr\u00f5es de segrega\u00e7\u00e3o que existem nas cidades, em termos de desigualdade entre bairros, tamb\u00e9m existiria dentro das favelas, em termos de disparidades entre setores censit\u00e1rios localizados no interior dessas comunidades.<\/p>\n<p>Com base nos dados do Censo de 2010, o estudo verificou, nas 16 favelas, a exist\u00eancia de setores que concentram fam\u00edlias com renda mais alta em determinadas \u00e1reas dessas comunidades, ao mesmo tempo em que h\u00e1 setores que re\u00fanem pessoas com renda mais baixa (ou seja, com renda per capita em m\u00e9dia 60% mais baixa).<\/p>\n<p>No Rio de Janeiro, por exemplo, esse padr\u00e3o foi verificado nos complexos do Alem\u00e3o e da Mar\u00e9, na zona norte da cidade do Rio. O estudo constatou ainda que nas \u00e1reas com renda mais alta da favela, h\u00e1 maior percentual de pessoas brancas (36%) que nas \u00e1reas mais pobres (27%).<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda disparidades na oferta de servi\u00e7os p\u00fablicos, principalmente na coleta de lixo e no esgotamento sanit\u00e1rio. Enquanto nas \u00e1reas de renda mais alta, os percentuais de coleta de lixo e de esgoto sanit\u00e1rio de 83% e 62%, respectivamente, nas \u00e1reas de renda mais baixa, os percentuais s\u00e3o de 68% e 48%.<\/p>\n<p>\u201cA gente conseguiu detectar essa reprodu\u00e7\u00e3o do padr\u00e3o que a gente v\u00ea na escala da cidade, ent\u00e3o a gente viu que tinha menos pessoas brancas morando nas \u00e1reas de mais baixa renda mesmo dentro das favelas e a gente tamb\u00e9m viu que a infraestrutura, o acesso aos servi\u00e7os era mais baixo nas \u00e1reas de mais baixa renda das favelas\u201d, afirma Camila.<\/p>\n<p>Segundo a pesquisadora, o estudo n\u00e3o se debru\u00e7ou sobre os motivos pelos quais h\u00e1 uma segrega\u00e7\u00e3o dentro das favelas, mas acredita-se que isso e deva a diversos fatores, como a valoriza\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria em \u00e1reas mais urbanizadas.<\/p>\n<p>Por exemplo, em \u00e1reas com ruas mais largas, casas melhores, mais ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica e oferta de saneamento b\u00e1sico, os im\u00f3veis custam mais caro (tanto em termos de compra quanto de aluguel), atraindo pessoas com renda relativamente mais alta.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda \u00e1reas menos favorecidas dentro da pr\u00f3pria comunidade. Nos casos dos morros, as \u00e1reas mais elevadas e com maior dificuldade de acesso, por exemplo, os im\u00f3veis costumam ser mais desvalorizados.<\/p>\n<p>\u201cEm outro artigo, a gente viu a rela\u00e7\u00e3o entre a topografia, ou seja, as \u00e1reas mais altas e mais baixas, com a renda. Ent\u00e3o a gente conseguiu detectar que as \u00e1reas mais altas nas favelas de topografia mais acidentada, de dif\u00edcil acesso e tudo mais, s\u00e3o \u00e1reas de mais baixa renda. Onde as pessoas mais altas renda v\u00e3o ficar? Nas \u00e1reas de melhor acesso, onde se consegue entrar e sair mais f\u00e1cil\u201d, explica Camila.<\/p>\n<p>Segundo ela, \u00e9 importante que a sociedade e o poder p\u00fablico entendam que existe segrega\u00e7\u00e3o nas favelas e que essa quest\u00e3o seja levada em considera\u00e7\u00e3o no planejamento de pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>\u201cS\u00f3 investir na favela, n\u00e3o significa nada, se voc\u00ea vai concentrar investimento numa \u00e1rea que j\u00e1 tem uma boa infraestrutura. Tem partes das favelas que a gente n\u00e3o consegue diferenciar da \u00e1rea formal da cidade, porque \u00e9 muito similar. Qual o sentido de concentrar investimento nessas a\u00ed, se existem \u00e1reas muito mais prec\u00e1rias [nessas mesmas comunidades]?\u201d, conclui a pesquisadora.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um estudo da Universidade Federal Fluminense (UFF) revelou que as favelas brasileiras n\u00e3o s\u00e3o \u00e1reas homog\u00eaneas e apresentam segrega\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica mesmo dentro de seus pr\u00f3prios territ\u00f3rios. A pesquisa, publicada na revista Cities, mostra que h\u00e1 disparidades racial, de renda e de acesso a servi\u00e7o nessas \u00e1reas. 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