{"id":316767,"date":"2023-11-12T00:01:23","date_gmt":"2023-11-12T03:01:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=316767"},"modified":"2023-11-12T07:07:32","modified_gmt":"2023-11-12T10:07:32","slug":"urologistas-querem-incluir-mulheres-trans-no-novembro-azul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/urologistas-querem-incluir-mulheres-trans-no-novembro-azul\/","title":{"rendered":"Urologistas querem incluir mulheres trans no Novembro Azul"},"content":{"rendered":"<p>Voltada para a preven\u00e7\u00e3o e conscientiza\u00e7\u00e3o sobre o c\u00e2ncer de pr\u00f3stata, a campanha Novembro Azul deve alcan\u00e7ar a todas as pessoas que podem ser acometidas por essa doen\u00e7a, o que inclui as mulheres transexuais e travestis. O alerta \u00e9 de urologistas, como o m\u00e9dico Ubirajara Barroso Jr., chefe da Divis\u00e3o de Cirurgia Urol\u00f3gica Reconstrutora do hospital da Universidade Federal da Bahia (SFBA). Barroso foi respons\u00e1vel pela primeira cirurgia de transi\u00e7\u00e3o de g\u00eanero pelo Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) na Bahia.<\/p>\n<p>Realizada pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), a campanha agora \u00e9 mais abrangente, chamando a aten\u00e7\u00e3o do homem para a necessidade de se consultar com um urologista desde a adolesc\u00eancia. Al\u00e9m de enfatizar que \u00e9 preciso avaliar a sa\u00fade do homem desde a idade mais tenra, com a campanha Vem pra Uro!, a iniciativa volta-se para as pessoas que s\u00e3o designadas como sexo masculino ao nascer, mas passam a se identificar com o sexo feminino, que \u00e9 o caso das mulheres trans, afirma o urologista.<\/p>\n<p>Ubirajara Barroso Jr. ressalta que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a mulher trans precisa ser inclu\u00edda nos cuidados com a sa\u00fade. \u201cN\u00e3o esque\u00e7amos que muitos homens trans que, inicialmente, podem necessitar de cuidado ginecol\u00f3gico, porque persistem com vagina, \u00fatero, trompa e ov\u00e1rios, acabam submetendo-se \u00e0 corre\u00e7\u00e3o cir\u00fargica, com reconstru\u00e7\u00e3o de um falo, seja com o pr\u00f3prio clit\u00f3ris ou com retalhos, e passam a penetrar, ficando sujeitos a riscos de altera\u00e7\u00f5es urin\u00e1rias pela reconstru\u00e7\u00e3o da uretra e, tamb\u00e9m, de infec\u00e7\u00f5es sexualmente transmiss\u00edveis.\u201d<\/p>\n<p><strong>Gl\u00e2ndula<\/strong><br \/>\nNo caso da mulher trans, apesar de o sexo designado ao nascer ser o masculino, duas coisas podem acontecer durante ou ap\u00f3s transi\u00e7\u00e3o hormonal ou cirurgias. \u201cPrimeiro, todas as mulheres trans mant\u00eam a gl\u00e2ndula prost\u00e1tica, que n\u00e3o \u00e9 abordada no procedimento cir\u00fargico. E quem n\u00e3o foi submetido a cirurgia ainda tem p\u00eanis\u201d. Por isso, Barroso diz que n\u00e3o \u00e9 raro constatar, entre aquelas que evitam ir ao Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) por medo de preconceitos, casos de m\u00e1 higiene da genit\u00e1lia e lacera\u00e7\u00e3o da pele por amarrarem o p\u00eanis para escond\u00ea-lo, provocando irrita\u00e7\u00f5es, que s\u00e3o um fator de risco para o c\u00e2ncer.<\/p>\n<p>O m\u00e9dico destaca que, embora seja feita a transi\u00e7\u00e3o de g\u00eanero, muitas pessoas esquecem que ali existe uma pr\u00f3stata. \u201cA pr\u00f3pria mulher trans n\u00e3o tem consci\u00eancia disso. Muitas vezes, no cuidado com a sa\u00fade, isso n\u00e3o \u00e9 abordado\u201d. H\u00e1 ainda a cren\u00e7a de que o uso de horm\u00f4nios femininos pode proteger completamente a mulher trans do c\u00e2ncer de pr\u00f3stata. \u201cMas \u00e9 poss\u00edvel, mesmo usando horm\u00f4nios femininos, a mulher trans ser afetada pelo c\u00e2ncer de pr\u00f3stata\u201d. Outro equ\u00edvoco \u00e9 achar que a cirurgia engloba a retirada da pr\u00f3stata. \u201cA pr\u00f3stata fatalmente estar\u00e1 l\u00e1, a n\u00e3o ser que haja uma doen\u00e7a que exija sua retirada.\u201d<\/p>\n<p>Barroso diz que a mulher trans com pr\u00f3stata precisar\u00e1 do urologista \u00e0 medida que for envelhecendo, tanto quanto o homem cis. Por outro lado, lembra o m\u00e9dico, o c\u00e2ncer de pr\u00f3stata \u00e9 100% cur\u00e1vel se for detectado precocemente. Quanto mais tardia for transi\u00e7\u00e3o, pela pr\u00f3pria presen\u00e7a de mais horm\u00f4nios masculinos, maior ser\u00e1 a chance de c\u00e2ncer de pr\u00f3stata. \u201cE h\u00e1 relatos de c\u00e2nceres que j\u00e1 v\u00eam com met\u00e1stase, por conta tamb\u00e9m do mau acesso \u00e0 sa\u00fade, da desinforma\u00e7\u00e3o\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p><strong>Preconceito<\/strong><br \/>\nEmbora muitas pessoas transg\u00eanero deixem de procurar o SUS com receio de ouvir agress\u00f5es ou ser discriminadas, ofendidas ou mal recebidas, o especialista lembra que o sistema \u00e9 para todos, \u00e9 universal. \u201cTer acesso \u00e0 sa\u00fade, ao respeito, \u00e0 dignidade \u00e9 um direito da popula\u00e7\u00e3o trans. Isso \u00e9 constitucional\u201d, destaca Barroso. Segundo ele, a SBU tem um departamento que trata dos cuidados urol\u00f3gicos na popula\u00e7\u00e3o trans.<\/p>\n<p>\u201cPortanto, \u00e9 muito importante que o Novembro Azul seja, de fato, mais abrangente e mais inclusivo, n\u00e3o focando somente na preven\u00e7\u00e3o do c\u00e2ncer de pr\u00f3stata, mas tamb\u00e9m na conscientiza\u00e7\u00e3o, tanto dos homens cis quanto dos homens trans e das mulheres trans, da necessidade de procurar o urologista\u201d. O tema \u00e9 sempre abordado nas sess\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o continuada da entidade, diz Barroso Jr., reiterando que o Novembro Azul passou a ser o m\u00eas de conscientiza\u00e7\u00e3o da sa\u00fade do homem e, agora, tamb\u00e9m de todas as pessoas que precisam de um urologista.<\/p>\n<p>De acordo com o urologista e oncologista Carlos Carvalhal, membro da SBU e m\u00e9dico do Hospital S\u00e3o Francisco na Provid\u00eancia de Deus, independentemente da escolha de como a pessoa vai se relacionar com o mundo, os profissionais da sa\u00fade t\u00eam que fazer o mesmo trabalho com todos. O mais importante \u00e9 garantir que as pessoas trans sejam acolhidas da mesma forma que qualquer outro paciente, por todos os profissionais da \u00e1rea. Ele diz que preconceito n\u00e3o deveria existir e defende a realiza\u00e7\u00e3o de um trabalho social grande para tornar mais f\u00e1cil o acesso desses indiv\u00edduos tanto no SUS quanto no setor privado.<\/p>\n<p>Assim como Barroso Jr., Carlos Carvalhal enfatiza que ainda n\u00e3o existe protocolo para retirada da pr\u00f3stata em cirurgias de redesigna\u00e7\u00e3o de sexo. \u201cA retirada da pr\u00f3stata traz malef\u00edcios anat\u00f4micos que podem gerar complica\u00e7\u00f5es Por isso, as mulheres trans ficam com a pr\u00f3stata e devem fazer a mesma avalia\u00e7\u00e3o que o p\u00fablico masculino\u201d. Carvalhal ressalta que, como a parte da genit\u00e1lia era do sexo masculino, essas pessoas v\u00e3o ter problemas comuns aos homens. Algumas medica\u00e7\u00f5es podem diminuir a preval\u00eancia de c\u00e2ncer, mas n\u00e3o evitam a doen\u00e7a e, \u201c\u00e0s vezes, at\u00e9 dificultam o diagn\u00f3stico\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Com a detec\u00e7\u00e3o precoce, a chance de cura do c\u00e2ncer de pr\u00f3stata \u00e9 muito maior, confirma Carvalhal. Segundo ele, os homens t\u00eam pouco costume de procurar o urologista. \u201cAs mulheres se cuidam muito mais. O homem, n\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p><strong>Campanhas plurais<\/strong><br \/>\nA presidente da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), Keila Simpson, diz que campanhas como o Novembro Azul deveriam ser feitas o ano todo, para incentivar a avalia\u00e7\u00e3o frequente da pr\u00f3stata. \u201cPrecisamos ter, cada vez mais, campanhas orientando as pessoas a cuidarem da sa\u00fade durante todo o ano\u201d. Para Keila, campanhas espec\u00edficas como o Outubro Rosa, contra o c\u00e2ncer de mama, e o Novembro Azul, contra o c\u00e2ncer de pr\u00f3stata, podem ser entendidas como restritivas a mulheres e homens, respectivamente. E isso acaba levando as mulheres trans, por exemplo, a n\u00e3o se sentirem inclu\u00eddas. \u201cElas n\u00e3o v\u00e3o ter aten\u00e7\u00e3o com essas campanhas. Com a informa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o as est\u00e1 atingindo, de fato, elas n\u00e3o v\u00e3o ligar\u201d.<\/p>\n<p>Para Keila, o movimento social tem muito a contribuir para o debate sobre binaridade de g\u00eanero. \u201cE que as pessoas que n\u00e3o se identificam com o g\u00eanero a elas atribu\u00eddo no nascimento possam se sentir inclu\u00eddas, principalmente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade, que se sintam parte do processo\u201d<\/p>\n<p>Keila destaca ainda a necessidade de os profissionais do SUS se atualizarem e se reciclarem para atender \u00e0s mulheres trans da mesma forma que homens e mulheres cis s\u00e3o atendidos. &#8220;Por isso, muitas resistem em procurar consult\u00f3rios m\u00e9dicos que est\u00e3o inteiramente binarizados. \u201cE, a\u00ed, os preconceitos e as discrimina\u00e7\u00f5es acontecem. O que se espera \u00e9 que um espa\u00e7o que vai cuidar da sa\u00fade n\u00e3o tenha preconceitos. E n\u00e3o acabe estabelecendo situa\u00e7\u00f5es que fazem desse exame t\u00e3o importante um tipo de com\u00e9dia para estigmatizar um processo de cuidado da sa\u00fade.\u201d<\/p>\n<p>Uma das a\u00e7\u00f5es sugeridas por Keila \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os, principalmente p\u00fablicos, que n\u00e3o sejam separados para homens e mulheres, que sejam espa\u00e7os comuns, em que toda a popula\u00e7\u00e3o, incluindo mulheres trans, possam estar. \u201cQue sejam neutros. Homens e mulheres no mesmo espa\u00e7o, e cada especialidade atendendo os seus pacientes\u201d. A partir da\u00ed, seria poss\u00edvel evitar um pouco desse constrangimento, enfatiza.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voltada para a preven\u00e7\u00e3o e conscientiza\u00e7\u00e3o sobre o c\u00e2ncer de pr\u00f3stata, a campanha Novembro Azul deve alcan\u00e7ar a todas as pessoas que podem ser acometidas por essa doen\u00e7a, o que inclui as mulheres transexuais e travestis. O alerta \u00e9 de urologistas, como o m\u00e9dico Ubirajara Barroso Jr., chefe da Divis\u00e3o de Cirurgia Urol\u00f3gica Reconstrutora do [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":316768,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[95],"class_list":["post-316767","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil","tag-capa"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/316767","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=316767"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/316767\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":316769,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/316767\/revisions\/316769"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/316768"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=316767"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=316767"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=316767"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}