{"id":316869,"date":"2023-11-13T00:00:39","date_gmt":"2023-11-13T03:00:39","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=316869"},"modified":"2023-11-13T07:51:07","modified_gmt":"2023-11-13T10:51:07","slug":"pesquisadores-acham-ave-desaparecida-ha-40-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/pesquisadores-acham-ave-desaparecida-ha-40-anos\/","title":{"rendered":"Pesquisadores acham ave desaparecida h\u00e1 40 anos"},"content":{"rendered":"<p>Eram 4h da manh\u00e3 na v\u00e1rzea do rio que banha a Terra Ind\u00edgena M\u00e3e Maria, no munic\u00edpio de Bom Jesus do Tocantins (PA). O canto de p\u00e1ssaro surge de forma surpreendente para dois pesquisadores ornit\u00f3logos, no d\u00e9cimo dia da expedi\u00e7\u00e3o da pesquisa em que buscavam a ave mutum-pinima, criticamente amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o. Eles quase n\u00e3o acreditavam no que ouviam. E depois no que enxergavam. Havia 40 anos que nenhum pesquisador via o bicho de perto. E aconteceu.<\/p>\n<p>\u201cA gente observou e gravou o bicho por mais de dez minutos. Foi aquela felicidade\u201d, diz o ornit\u00f3logo Gustavo Gonsioroski que atuou no estudo realizado no m\u00eas passado. Foram registrados seis indiv\u00edduos, entre eles casais, o que garante a esperan\u00e7a de manuten\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie.<\/p>\n<p>Gonsioroski e outros pesquisadores preparam-se para voltar \u00e0 regi\u00e3o no m\u00eas que vem, na tentativa de encontrar outras aves mutum-pinima como essa para pol\u00edtica de manejo e prote\u00e7\u00e3o. Ele participa do Plano de A\u00e7\u00e3o Territorial para Conserva\u00e7\u00e3o de Esp\u00e9cies Amea\u00e7adas de Extin\u00e7\u00e3o do Territ\u00f3rio Meio Norte (PAT Meio Norte).<\/p>\n<p>O plano \u00e9 coordenado pela Secretaria de Meio Ambiente do Maranh\u00e3o (Sema) ,juntamente com o Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins) e o Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do estado do Par\u00e1 (Ideflor-Bio). A iniciativa faz parte do projeto Pr\u00f3-Esp\u00e9cies: Todos contra a extin\u00e7\u00e3o, iniciativa do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente e Mudan\u00e7a do Clima (MMA).<\/p>\n<p>\u201cEncontrar seis indiv\u00edduos \u00e9 algo in\u00e9dito. Foi muita adrenalina e emo\u00e7\u00e3o. Um momento bem exclusivo mesmo\u201d, afirmou Gonsioroski. Para encontrar os animais, os pesquisadores contaram com informa\u00e7\u00f5es de ind\u00edgenas da regi\u00e3o, da etnia Gavi\u00e3o Parkatej\u00ea, e da tecnologia com instala\u00e7\u00e3o de dez gravadores de \u00e1udio e dez c\u00e2meras trap, para registro de v\u00eddeo.<\/p>\n<p><strong>Amea\u00e7as<\/strong><br \/>\nO bi\u00f3logo e ornit\u00f3logo Leonardo Victor, que tamb\u00e9m participou da expedi\u00e7\u00e3o, relata que a identifica\u00e7\u00e3o ocorreu quando se preparavam para desistir. \u201cN\u00f3s t\u00ednhamos colocado as c\u00e2meras em locais que os ind\u00edgenas tinham recomendado. Primeiro tomamos um susto. H\u00e1 40 anos a esp\u00e9cie n\u00e3o aparecia\u201d.<\/p>\n<p>Os pesquisadores explicam que se trata de ave restrita a uma pequena regi\u00e3o da Amaz\u00f4nia, entre o leste do Rio Tocantins e a Amaz\u00f4nia maranhense. \u201cO maior problema da esp\u00e9cie \u00e9 que est\u00e1 restrita a uma \u00e1rea de mata de v\u00e1rzea devastada da Amaz\u00f4nia, muito impactada pela destrui\u00e7\u00e3o da floresta\u201d, afirma Gustavo Gonsioroski.<\/p>\n<p><strong>Conscientiza\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nAl\u00e9m da destrui\u00e7\u00e3o do habitat, ele explica que a ca\u00e7a de aves na regi\u00e3o \u00e9 cultural. Estar presente nessa regi\u00e3o, segundo os pesquisadores, indica que a terra ind\u00edgena \u00e9 ainda um local mais protegido. Segundo a pesquisadora La\u00eds Morais R\u00eago, superintendente de Biodiversidade e \u00c1reas Protegidas da Sema e coordenadora do plano de a\u00e7\u00e3o, a descoberta deve ser acompanhada do fortalecimento da legisla\u00e7\u00e3o para proteger o animal amea\u00e7ado.<\/p>\n<p>\u201cO plano tem como meta proteger 12 esp\u00e9cies amea\u00e7adas e melhorar o estado de conserva\u00e7\u00e3o delas. Est\u00e3o criticamente amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o\u201d, explica. Estar criticamente amea\u00e7ada \u00e9 o est\u00e1gio anterior da extin\u00e7\u00e3o. Outra meta do projeto, ressalta a superintendente, \u00e9 trabalhar na conscientiza\u00e7\u00e3o das comunidades da regi\u00e3o para ajudar na prote\u00e7\u00e3o do animal. \u201cEstamos agora nessa fase de constru\u00e7\u00e3o de material educativo para tamb\u00e9m conseguir melhorar esse aspecto da divulga\u00e7\u00e3o\u201d, afirma La\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cOs ind\u00edgenas ficaram muito comovidos com a situa\u00e7\u00e3o da ave e se colocaram \u00e0 total disposi\u00e7\u00e3o para ajudar a difundir a mensagem de que se evite a ca\u00e7a\u201d, afirma o bi\u00f3logo Leonardo Victor. De acordo com os pesquisadores, h\u00e1 uma estimativa de que exista no m\u00e1ximo 50 indiv\u00edduos vivos na natureza. \u201cN\u00f3s encontramos seis bichos l\u00e1 em dez dias\u201d.<\/p>\n<p><strong>Plantadores de a\u00e7a\u00ed<\/strong><br \/>\nSalvar uma esp\u00e9cie tem significados imensur\u00e1veis para o meio ambiente. N\u00e3o obstante, os pesquisadores lembram que, para sensibilizar pessoas leigas, \u00e9 necess\u00e1rio ratificar que uma esp\u00e9cie como o mutum-pinima colabora de forma fundamental para a vida humana. \u201cTento passar uma mensagem que a ave \u00e9 um prestador de servi\u00e7o natural\u201d, diz Leonardo Victor.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o adianta s\u00f3 falar que a legisla\u00e7\u00e3o trata de patrim\u00f4nio natural. \u00c9 preciso lembrar que a ave colabora para a planta\u00e7\u00e3o do a\u00e7a\u00ed na regi\u00e3o. Esse animal amea\u00e7ado leva as sementes que plantam floresta de a\u00e7a\u00ed na Amaz\u00f4nia, um bicho que dissemina o sustento de comunidades\u201d, acrescenta Gonsioroski.<\/p>\n<p>A coordenadora da pesquisa ratifica que a import\u00e2ncia das aves, pr\u00f3ximas aos rios, para a planta\u00e7\u00e3o do a\u00e7a\u00ed torna did\u00e1tica essa cadeia natural entre fauna e flora, por exemplo. \u201c\u00c9 uma engrenagem. Quando uma esp\u00e9cie deixa de existir, outras tamb\u00e9m v\u00e3o come\u00e7ar a faltar\u201d.<\/p>\n<p>Em dezembro, os pesquisadores voltam \u00e0 regi\u00e3o para recolher os gravadores e c\u00e2meras e continuar buscando a ave em locais em que ainda n\u00e3o passaram. Eles v\u00e3o procurar novamente o bicho de canto grave, dif\u00edcil de captar at\u00e9 com um gravador, j\u00e1 que \u00e9 t\u00edmido e arisco, que surge de manh\u00e3 e \u201csome\u201d. Depois, retorna no crep\u00fasculo. Os pesquisadores querem iluminar essa hist\u00f3ria, conhecer mais da ave para saber como preserv\u00e1-la.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eram 4h da manh\u00e3 na v\u00e1rzea do rio que banha a Terra Ind\u00edgena M\u00e3e Maria, no munic\u00edpio de Bom Jesus do Tocantins (PA). 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