{"id":317032,"date":"2023-11-15T16:26:32","date_gmt":"2023-11-15T19:26:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=317032"},"modified":"2023-11-15T16:28:16","modified_gmt":"2023-11-15T19:28:16","slug":"calor-vai-se-arrastar-ate-marco-fechando-tempo-durante-verao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/calor-vai-se-arrastar-ate-marco-fechando-tempo-durante-verao\/","title":{"rendered":"Calor vai se arrastar at\u00e9 mar\u00e7o, fechando tempo durante ver\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>A onda de calor sentida nos \u00faltimos dias nas regi\u00f5es Sudeste e Centro-Oeste do pa\u00eds sofre influ\u00eancia do fen\u00f4meno El Ni\u00f1o, segundo apontam pesquisadores ouvidos pela Ag\u00eancia Brasil. A Organiza\u00e7\u00e3o Meteorol\u00f3gica Mundial (OMM) estima que os efeitos do El Ni\u00f1o devem ser sentidos pelo menos at\u00e9 mar\u00e7o do pr\u00f3ximo ano.<\/p>\n<p>&#8220;Tudo indica que teremos um ver\u00e3o extremamente quente. \u00c9 um El Ni\u00f1o de intensidade muito forte que, juntamente com o aquecimento global, produz esses efeitos que n\u00f3s estamos vendo&#8221;, diz o coordenador da Rede Clima da Universidade de Bras\u00edlia (UnB), Saulo Rodrigues Pereira Filho. Como efeitos do fen\u00f4meno clim\u00e1tico, ele cita ainda a seca no Amazonas, as chuvas intensas no Sul do pa\u00eds e o calor extremo no Sudeste e no Centro-Oeste.<\/p>\n<p>Os term\u00f4metros do Rio de Janeiro j\u00e1 haviam superado os 40\u00b0C em algumas ocasi\u00f5es nesta semana. Na capital fluminense, a sensa\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica superou os 58\u00b0C nesta ter\u00e7a-feira (14). J\u00e1 no Centro-Oeste, dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) relativos a ontem indicaram que Cuiab\u00e1 foi a capital mais quente do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Ricardo de Camargo, meteorologista do Instituto de Astronomia, Geof\u00edsica e Ci\u00eancias Atmosf\u00e9ricas da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) tamb\u00e9m cr\u00ea que essa onda de calor intensa pode se repetir.<\/p>\n<p>&#8220;Realmente podemos enfrentar situa\u00e7\u00f5es parecidas como essa justamente por conta da influ\u00eancia do El Ni\u00f1o. \u00c9 bem prov\u00e1vel que a gente tenha as condi\u00e7\u00f5es prop\u00edcias para o acontecimento de novas ondas de calor. O que n\u00e3o d\u00e1 para fazer \u00e9 uma antecipa\u00e7\u00e3o t\u00e3o fidedigna e t\u00e3o assertiva de quando isso pode acontecer.&#8221;<\/p>\n<p>O fen\u00f4meno El Ni\u00f1o \u00e9 caracterizado pelo enfraquecimento dos ventos al\u00edsios (que sopram de Leste para Oeste) e pelo aquecimento anormal das \u00e1guas superficiais da por\u00e7\u00e3o leste da regi\u00e3o equatorial do Oceano Pac\u00edfico. As mudan\u00e7as na intera\u00e7\u00e3o entre a superf\u00edcie oce\u00e2nica e a baixa atmosfera t\u00eam consequ\u00eancias no tempo e no clima em diferentes partes do planeta. Isso porque a din\u00e2mica de circula\u00e7\u00e3o das massas de ar adota novos padr\u00f5es de transporte de umidade, afetando a temperatura e a distribui\u00e7\u00e3o das chuvas.<\/p>\n<p>O El Ni\u00f1o \u2013 que ocorre em intervalos de tempo que variam entre tr\u00eas e sete anos \u2013 persiste em m\u00e9dia de seis a 15 meses. Segundo Saulo Rodrigues, no Brasil, o fen\u00f4meno provoca seca nas regi\u00f5es Norte e Nordeste. J\u00e1 o Sul registra ocorr\u00eancia de chuvas torrenciais e ciclones extratropicais.<\/p>\n<p>No Sudeste, conforme observa Ricardo de Camargo, a transi\u00e7\u00e3o para o regime de chuvas, como \u00e9 esperada para essa \u00e9poca do ano, est\u00e1 demorando.<\/p>\n<p>&#8220;Estamos tendo um per\u00edodo extremamente longo em que n\u00e3o h\u00e1 atua\u00e7\u00e3o de nenhuma frente fria. Elas n\u00e3o est\u00e3o conseguindo avan\u00e7ar em dire\u00e7\u00e3o ao Sudeste e ao Centro-Oeste. Chove muito no Sul e as frentes frias v\u00e3o embora direto para o oceano&#8221;.<\/p>\n<p>O meteorologista explica como a movimenta\u00e7\u00e3o no Oceano Pac\u00edfico est\u00e1 ligada com essa situa\u00e7\u00e3o. &#8220;A atmosfera sente a mudan\u00e7a do posicionamento das \u00e1guas quentes que saem l\u00e1 de perto da \u00c1sia, da Austr\u00e1lia e da Oceania e v\u00eam ocupar por\u00e7\u00f5es mais centrais ou at\u00e9 mais pr\u00f3ximas da Am\u00e9rica do Sul. E a\u00ed existe um impacto. Uma das assinaturas \u00e9 justamente essa dificuldade dos sistemas frontais conseguirem avan\u00e7ar mais em dire\u00e7\u00e3o ao Sudeste e ao Centro-Oeste&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Aquecimento global<\/strong><br \/>\nMas s\u00f3 o El Ni\u00f1o n\u00e3o \u00e9 suficiente para explicar a situa\u00e7\u00e3o, segundo avalia o pesquisador da UnB. Ele considera que o fen\u00f4meno tem uma influ\u00eancia importante, mas a an\u00e1lise desses eventos extremos deve considerar em primeiro lugar o aquecimento global. O pesquisador alerta para as proje\u00e7\u00f5es indicando que as ocorr\u00eancias de fortes chuvas, calor extremo e secas severas dever\u00e3o ficar mais frequentes e mais intensas. S\u00e3o epis\u00f3dios que podem desencadear desastres socioambientais e problemas de sa\u00fade.<\/p>\n<p>&#8220;J\u00e1 existe um conhecimento cient\u00edfico s\u00f3lido sobre a capacidade que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas possuem de produzir grandes perdas e danos para a sociedade e para as atividades produtivas. As popula\u00e7\u00f5es vulner\u00e1veis se tornam muito potencialmente v\u00edtimas desse cen\u00e1rio&#8221;, observa Saulo Rodrigues.<\/p>\n<p>De acordo com Ricardo de Camargo, n\u00e3o d\u00e1 mais para colocar em d\u00favida que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas est\u00e3o em curso. &#8220;\u00c9 ineg\u00e1vel que as temperaturas est\u00e3o cada vez mais altas em todos os lugares do planeta de uma maneira quase geral. N\u00e3o h\u00e1 mais espa\u00e7o para negacionismo com rela\u00e7\u00e3o a isso. As proje\u00e7\u00f5es indicam que os sistemas transientes e os eventos extremos devem ficar mais frequentes, mais comuns e ir\u00e3o atingir com maior severidade. Se fizermos uma an\u00e1lise do que tem sido divulgado na m\u00eddia, veremos que realmente o mundo todo est\u00e1 enfrentando essas situa\u00e7\u00f5es de epis\u00f3dios severos&#8221;.<\/p>\n<p>O meteorologista, no entanto, faz uma pondera\u00e7\u00e3o. &#8220;\u00c9 dif\u00edcil atribuir um percentual de responsabilidade da mudan\u00e7a clim\u00e1tica nessa onda de calor que estamos vivenciando agora&#8221;, avalia. Segundo ele, considerando a mudan\u00e7a no regime de precipita\u00e7\u00e3o que tem se observado, \u00e9 poss\u00edvel fazer a associa\u00e7\u00e3o, mas com algum cuidado.<\/p>\n<p><strong>Pol\u00edticas P\u00fablicas<\/strong><br \/>\nSaulo Rodrigues observa que os principais respons\u00e1veis pelo aquecimento global s\u00e3o os pa\u00edses desenvolvidos, que emitem maior quantidade de gases de efeito estufa. Ao mesmo tempo, ele avalia que o Brasil tem um desafio.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00f3s temos uma matriz energ\u00e9tica com grande percentual de energia renov\u00e1vel. A matriz el\u00e9trica brasileira \u00e9 90% composta de energia renov\u00e1vel. Poucos pa\u00edses do mundo tem essa capacidade de produzir energia com baixas emiss\u00f5es de carbono. O Brasil tem esse ativo. O Brasil tamb\u00e9m tem a Floresta Amaz\u00f4nica e o Cerrado que retiram carbono da atmosfera. Isso \u00e9 muito importante para o equil\u00edbrio clim\u00e1tico. Ent\u00e3o o Brasil \u00e9 parte da solu\u00e7\u00e3o. O principal problema brasileiro \u00e9 a quest\u00e3o do desmatamento&#8221;.<\/p>\n<p>O pesquisador da UnB cita alguns resultados positivos neste ano, com o registro da queda das taxas de desmatamento, mas faz um alerta. Segundo ele, o governo deve elaborar pol\u00edticas p\u00fablicas que considerem os efeitos de m\u00e9dio e longo prazo.<\/p>\n<p>&#8220;Somos reconhecidamente um dos pa\u00edses mais vulner\u00e1veis aos impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, porque [o Brasil] se localiza em uma faixa tropical onde as temperaturas normalmente j\u00e1 s\u00e3o mais elevadas. O aquecimento global tende a intensificar essas temperaturas.&#8221;<\/p>\n<p>Segundo ele, a regulamenta\u00e7\u00e3o do mercado de carbono, em discuss\u00e3o da Congresso, \u00e9 positiva. Mas ele defende que o agroneg\u00f3cio n\u00e3o pode ficar de fora dos setores que dever\u00e3o cumprir metas de descarboniza\u00e7\u00e3o. Essa \u00e9 uma quest\u00e3o que tem gerado diverg\u00eancias.<\/p>\n<p>&#8220;O mercado volunt\u00e1rio de carbono, sem a regula\u00e7\u00e3o do estado, tem apresentado muitas imperfei\u00e7\u00f5es. Muitas empresas est\u00e3o vendendo cr\u00e9dito de carbono de forma irregular, n\u00e3o apresentando os resultados que oferecem e isso traz muita inseguran\u00e7a para os investidores. Por isso \u00e9 t\u00e3o importante a regula\u00e7\u00e3o desse segmento&#8221;, conclui.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A onda de calor sentida nos \u00faltimos dias nas regi\u00f5es Sudeste e Centro-Oeste do pa\u00eds sofre influ\u00eancia do fen\u00f4meno El Ni\u00f1o, segundo apontam pesquisadores ouvidos pela Ag\u00eancia Brasil. 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