{"id":317250,"date":"2023-11-19T04:42:47","date_gmt":"2023-11-19T07:42:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=317250"},"modified":"2023-11-19T05:29:55","modified_gmt":"2023-11-19T08:29:55","slug":"depois-do-horror-os-simbolos-do-brasil-voltam-a-ser-do-povo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/depois-do-horror-os-simbolos-do-brasil-voltam-a-ser-do-povo\/","title":{"rendered":"Depois do horror, os s\u00edmbolos do Brasil voltam a ser do povo"},"content":{"rendered":"<p>Em um desses dias de pura inspira\u00e7\u00e3o e certamente se antecipando aos abutres, aos psicopatas e aos negociadores da p\u00e1tria, o poeta Castro Alves escreveu que \u201cA pra\u00e7a \u00e9 do povo como o c\u00e9u \u00e9 do avi\u00e3o\u201d. Bem mais tarde, o menestrel tricordiano Milton Nascimento fechou o caix\u00e3o dos golpistas aventureiros ao afirmar que, com a roupa encharcada e a alma repleta de ch\u00e3o, todo artista tem de ir aonde o povo est\u00e1. Se disseram assim, assim ser\u00e1. Depois de quatro intermin\u00e1veis anos de paranoias ditatoriais e de lamban\u00e7as varonis com o Brasil, o dia 19 de novembro, tamb\u00e9m conhecido por Dia da Bandeira, ser\u00e1 uma data apenas comemorativa de uma das maiores marcas da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p>Desde o primeiro dia de janeiro deste ano, o resgate dos s\u00edmbolos sociais ficou marcado, principalmente, pelo fim das fanfarras dos patriotas idiotizados e vestidos de verde e amarelo da cabe\u00e7a aos p\u00e9s. Nos dias de festas, talvez tenhamos novamente tropas, coron\u00e9is, generais, ve\u00edculos militares, a Esquadrilha da Fuma\u00e7a, mas nunca mais teremos mais o desorientado capit\u00e3o comandando o fumac\u00ea dos tanques obsoletos que nos envergonharam no amea\u00e7ador desfile de 2021. Considerando que somos a segunda maior for\u00e7a militar das Am\u00e9ricas, acho que os comandantes da \u00e9poca escolheram as m\u00e1quinas a dedo.<\/p>\n<p>A explos\u00e3o de sentimentos f\u00fateis e o enfrentamento do ex-presidente \u00e0s institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas, particularmente ao Judici\u00e1rio, s\u00e3o \u00e1guas passadas. O pov\u00e3o tem uma vaga lembran\u00e7a do ent\u00e3o \u201cmito\u201d xingando, \u00e0s v\u00e9speras do 7 de Setembro daquele ano, Alexandre de Moraes de \u201ccanalha\u201d, afirmando, inclusive, que n\u00e3o obedeceria mais a nenhuma determina\u00e7\u00e3o do ministro. O vento mudou de lado, Alexandre virou Xand\u00e3o, n\u00e3o se \u201ccanalhou\u201d, tampouco se calou. O tal mito derrapou na rampa do Planalto, escorregou na pr\u00f3pria soberba e acabou assumindo o pavor da imbrochabilidade. \u00c9 o fim de mais um falador.<\/p>\n<p>Est\u00e1 ineleg\u00edvel e, em breve, dever\u00e1 se acostumar ao uniforme nada simp\u00e1tico usado por Walt Disney para \u201cenfeitar\u201d os Irm\u00e3os Metralhas. Para al\u00edvio da na\u00e7\u00e3o, \u00e9 o que lhe resta. Hoje, do alto de sua vasta e reluzente cabeleira, Xand\u00e3o \u00e9 quem d\u00e1 as cartas. Estou certo de que o ministro tem plena consci\u00eancia da lei, mas, se pudesse, diria para ele se mirar um pouquinho no romancista franc\u00eas Eug\u00e8ne Sue, autor da c\u00e9lebre express\u00e3o \u201cA vingan\u00e7a \u00e9 um prato que se come frio. Ainda mais emblem\u00e1tico, \u00e9 a certeza de que o bom do caminho \u00e9 haver volta. O que a sociedade ordeira quer ver diariamente pelas avenidas embandeiradas do pa\u00eds s\u00e3o as pessoas felizes e unidas cantando o Hino Nacional.<\/p>\n<p>Desde a posse de Luiz In\u00e1cio, os bolsonaristas apostam no fiasco das festas programadas pelo presidente eleito. Foi assim na recep\u00e7\u00e3o aos brasileiros repatriados da Faixa de Gaza. A morcegada extremada deve seguir o conselho do senador Fl\u00e1vio Bolsonaro e, como fez no \u00faltimo 7 de Setembro, optar pela doa\u00e7\u00e3o de sangue. Dif\u00edcil ser\u00e1 descobrir quem queira sangue contaminado de \u00f3dio e de frescurite aguda. Ainda que sinta as dores da hemorroida de bot\u00e3o aflorada, eu t\u00f4 fora. Prefiro ser sugado pelo pop sinf\u00f4nico dos artistas nas ruas. Eles far\u00e3o o contradit\u00f3rio dos que, em anos anteriores, defendiam a\u00e7\u00f5es antidemocr\u00e1ticas e exigiam de um gaseificado presidente um golpe militar. Mesmo com apoio expl\u00edcito e vergonhoso de autoridades da Rep\u00fablica, o golpe n\u00e3o veio. E n\u00e3o vir\u00e1 jamais.<\/p>\n<p>A festa da zombaria acabou, a noite esfriou, a luz apagou e seu povo sumiu. E agora, voc\u00ea? O que fazer sem nome, sem cargo e sem discurso? Cuspir j\u00e1 n\u00e3o pode. Sua lavra de ouro, sua incoer\u00eancia e seu \u00f3dio viraram p\u00f3. Dan\u00e7ou no mesmo tom de seus seguidores caixas de som, aqueles que s\u00f3 fazem barulho. N\u00e3o sou vidente, mas miss e mister Bolsonar\u00f4 n\u00e3o devem emplacar o pr\u00f3ximo ver\u00e3o fora das quatro linhas. Nesse caso, o foguet\u00f3rio do Ano Novo talvez seja visto exclusivamente pela telinha da Globo Lixo. Consequentemente, da esquadrilha certamente n\u00e3o ver\u00e3o sequer a fuma\u00e7a. Como diz o ditado, jacar\u00e9 que vacila vira bolsa.<\/p>\n<p><strong>*Armando Cardoso \u00e9 presidente do Conselho Editorial de <em>Notibras<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em um desses dias de pura inspira\u00e7\u00e3o e certamente se antecipando aos abutres, aos psicopatas e aos negociadores da p\u00e1tria, o poeta Castro Alves escreveu que \u201cA pra\u00e7a \u00e9 do povo como o c\u00e9u \u00e9 do avi\u00e3o\u201d. 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