{"id":317279,"date":"2023-11-19T10:09:23","date_gmt":"2023-11-19T13:09:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=317279"},"modified":"2023-11-19T12:14:10","modified_gmt":"2023-11-19T15:14:10","slug":"senhora-diretas-fafa-sugere-ouvir-povo-para-resolver-problemas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/senhora-diretas-fafa-sugere-ouvir-povo-para-resolver-problemas\/","title":{"rendered":"Senhora Diretas, Faf\u00e1 sugere ouvir povo para resolver problemas"},"content":{"rendered":"<p>Centro de Conven\u00e7\u00f5es do Hangar, o maior de Bel\u00e9m, no Par\u00e1. O evento Mercado das Ind\u00fastrias Criativas do Brasil (MICBR) ocorria, em seu terceiro dia, na sexta-feira (10), com as rodadas de neg\u00f3cios entre fazedores da cultura que buscavam comprar ou vender seus produtos. Enquanto centenas de atores, m\u00fasicos, escritores buscavam contratos, recursos para seus projetos, surpreendentemente, aparece uma das maiores cantoras populares do pa\u00eds: Faf\u00e1 de Bel\u00e9m.<\/p>\n<p>Na cidade que \u00e9 seu ber\u00e7o, Faf\u00e1 estava com Ma\u00edra Carvalho, produtora do projeto de sua cinebiografia, que j\u00e1 havia conversado com distribuidoras e produtoras presentes, mas contava com apoio da cantora na reuni\u00e3o marcada com o grupo Warner Media, um dos maiores do mundo.<\/p>\n<p>Ma\u00edra, que produziu recentemente o filme O Homem Cordial, do diretor Iber\u00ea Carvalho, explica que a produ\u00e7\u00e3o ainda est\u00e1 na fase de capta\u00e7\u00e3o de recursos para finaliza\u00e7\u00e3o do roteiro que vai contar o come\u00e7o da carreira de Faf\u00e1 at\u00e9 as \u201cDiretas J\u00e1\u201d, quando a cantora passou a ser o rosto e a voz da redemocratiza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds em 1984. Ma\u00edra afirma que a conversa com a Warner abriu \u00f3timas perspectivas para o projeto, ainda em fase de pr\u00e9-roteiro, na busca por financiadores.<\/p>\n<p>Faf\u00e1 atraia aten\u00e7\u00e3o por onde passava. Toda de branco, combinando com os cabelos da mesma cor e diversos colares, o sorriso e a famosa risada da belenense de 67 anos tomavam conta do centro de conven\u00e7\u00f5es. Mas, mesmo assim, antes de um almo\u00e7o agendado, ela abriu espa\u00e7o para conversar com uma comitiva de jornalistas. Sempre com uma paix\u00e3o contagiante, Faf\u00e1 falou sobre sua carreira, projetos no cinema, mercado cultural e Amaz\u00f4nia. &#8220;Ou\u00e7a o Ribeirinho. Ou\u00e7a o menino da floresta. Ou\u00e7a, porque eles t\u00eam a solu\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Cinebiografia<\/strong><br \/>\n\u201cEra um document\u00e1rio, a princ\u00edpio, e a\u00ed virou um filme inspirado na minha hist\u00f3ria. Ela [Ma\u00edra Carvalho, produtora] acha que pode falar com muita gente do norte, do sul, que as hist\u00f3rias s\u00e3o as mesmas. A xenofobia \u00e9 o peso, \u00e9 a medida errada, \u00e9 o comportamento, todo mundo que n\u00e3o pertence, todo mundo que n\u00e3o pertence ao padr\u00e3o. Ent\u00e3o \u00e9 o ass\u00e9dio, \u00e9 o abuso que voc\u00ea nem percebe.\u201d<\/p>\n<p>\u201cEu sa\u00ed daqui h\u00e1 18 anos e tive uma pessoa muito importante na minha vida, que foi o Roberto Santana [produtor musical], foi o cara que me convenceu a ser cantora. Eu nunca pensei em ser cantora. Eu sempre gostei de cantar, mas queria ser psic\u00f3loga [risadas]. E ele veio aqui fazer uma turn\u00ea com o Vin\u00edcius e Toquinho. A gente se reunia de tarde, depois da escola, para tocar viol\u00e3o. E ai ele entrou e disse assim: \u2018voc\u00ea canta muito bem\u2019. Ai falei para ele: eu sei [risadas]. Ele disse: \u2018voc\u00ea \u00e9 abusada, n\u00e9\u2019. Eu estava cantando \u2018Vapor Barato\u2019. Eu podia ter sido cantora ou psic\u00f3loga, mas Faf\u00e1 de Bel\u00e9m foi ele que formatou. \u2018Isso aqui \u00e9 sua verdade fundamental, voc\u00ea vai aprender a dizer n\u00e3o\u2019\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEnfim, e essa menina [Ma\u00edra Carvalho] soube algumas hist\u00f3rias minhas e agora transformaram isso numa fic\u00e7\u00e3o baseada na minha vida, mas que conta a hist\u00f3ria de uma menina que saiu do Norte e tudo que n\u00f3s continuamos enfrentando at\u00e9 hoje. E n\u00e3o muda. Pode ser do Norte, pode ser do Sul, tudo que n\u00e3o faz parte do que se est\u00e1 acostumado a ver\u201d.<\/p>\n<p><strong>COP 2025<\/strong><br \/>\n\u201cAcho maravilhoso esse evento [MICBR], onde acho maravilhoso o que teve da OTCA [Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado de Coopera\u00e7\u00e3o Amaz\u00f4nica], e o que eu chamo de fabuloso a coisa do olhar sobre n\u00f3s at\u00e9 chegar na COP [Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a do Clima, que em 2025 ser\u00e1 em Bel\u00e9m]. Acho que \u00e9 importante dizer que h\u00e1 uma expectativa muito grande para no dia seguinte da COP todos os nossos problemas estarem resolvidos. Isso n\u00e3o vai acontecer, mas h\u00e1 essa expectativa. Ent\u00e3o, eu entendo que \u00e9 fundamental que agora que est\u00e3o olhando para n\u00f3s, que olhem nos nossos olhos. Ningu\u00e9m tem que ensinar como \u00e9 que a gente funciona\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEnt\u00e3o \u00e9 preciso que nesse momento se olhe a s\u00e9rio e que se ou\u00e7a o nosso povo. Ou\u00e7a o Ribeirinho. Ou\u00e7a o menino da floresta. Ou\u00e7a, porque eles t\u00eam a solu\u00e7\u00e3o. A solu\u00e7\u00e3o vir\u00e1 por eles, por essa gente que maneja essa regi\u00e3o ancestralmente, com reflexo muito forte na capital.\u201d<\/p>\n<p><strong>Amaz\u00f4nia<\/strong><br \/>\n\u201cA Amaz\u00f4nia \u00e9 muito particular e agora est\u00e1 na moda, e isso me preocupa muito tamb\u00e9m. Porque todo mundo agora na Faria Lima [rua de S\u00e3o Paulo e s\u00edmbolo do mercado financeiro] sabe o que \u00e9 a Amaz\u00f4nia. Um dia desses eu vi o Pacto Global [evento em setembro que foi lan\u00e7ado um movimento para preserva\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia] e eu fiquei muito esperan\u00e7osa l\u00e1 na ONU. Mas n\u00e3o tinha um pensador amaz\u00f4nico, n\u00e3o tinha um artista amaz\u00f4nico, n\u00e3o tinha um fot\u00f3grafo amaz\u00f4nico, n\u00e3o tinha um jornalista amaz\u00f4nico, n\u00e3o tinha um intelectual amaz\u00f4nico. Mas fazer a figura\u00e7\u00e3o serve. A comunidade ind\u00edgena \u00e9 um dos povos amaz\u00f4nicos que acredito ser o mais explorado, como caricatura. N\u00f3s temos uma cultura, temos uma hist\u00f3ria, cada risco daquele tem um sentido. Cada estampa no corpo tem um sentido. Ent\u00e3o, n\u00e3o d\u00e1 para banalizar o que n\u00f3s somos. N\u00f3s somos muitos povos. Somos quilombolas, somos extrativistas, somos ribeirinhos, somos mulheres e homens da cidade, homens e mulheres da floresta. E todo esse povo que gira nessa regi\u00e3o m\u00e1gica, banhada de \u00e1guas poderosas que est\u00e3o secando pela sede de quem vem de fora\u201d.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s precisamos de dinheiro, n\u00f3s precisamos de recurso, n\u00f3s precisamos de holofote, mas antes de tudo precisamos de respeito. \u00c9 usar a marca Amaz\u00f4nia, que \u00e9 a mais poderosa do planeta. Ent\u00e3o, a gente tem que estar muito atento. Se voc\u00eas observarem, todas as campanhas que fizeram de preserva\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia no Sul, nenhuma teve a minha cara. Nenhuma. Nenhuma. Porque eu n\u00e3o me ajeito, n\u00e3o fa\u00e7o grupo. Eu tenho uma liberdade, sou muito amaz\u00f4nica\u201d.<\/p>\n<p><strong>Mulheres paraenses<\/strong><br \/>\n\u201cO corpo que me veste \u00e9 esse. Por isso aquela pol\u00eamica toda da foto da Vogue [revista que Faf\u00e1 fez um ensaio nu no \u00faltimo m\u00eas de outubro]. A\u00ed o Bob [Wolfenson, fot\u00f3grafo] falou: Faf\u00e1, voc\u00ea tira a roupa para mim? Eu disse: Para voc\u00ea eu tiro. Ele falou: \u2018sai todo mundo, porque a roupa que te veste \u00e9 o teu corpo\u2019. Eu estou plena. Porque n\u00f3s vivemos assim, tira a roupa entra no igarap\u00e9. N\u00f3s temos o prazer da \u00e1gua na pele, do sol. Isso n\u00e3o quer dizer que as nossas meninas t\u00eam que ser prostitu\u00eddas e nem estupradas no Maraj\u00f3. Elas apenas s\u00e3o meninas em desenvolvimento. T\u00eam que ser respeitadas. Essa regi\u00e3o \u00e9 a regi\u00e3o feminina. Somos as amaz\u00f4nicas, somos as amazonas e somos as encaminhadas. Mas foi sendo substitu\u00eddos pelo machismo, pelo dono da fazenda queria uma virgem no dia da lua cheia. E essas mulheres foram se habituando, como se fosse cultura. N\u00e3o \u00e9 cultura, \u00e9 mau h\u00e1bito. E a gente tem que combater tudo isso.\u201d<\/p>\n<p>\u201cEu acho que o componente fundamental da vida \u00e9 a leveza, sabe. E ter Dona Onete, come\u00e7ando uma carreira com 70 anos. Ent\u00e3o, em que outro lugar isso vai existir na vida? Clementina [de Jesus] explodiu aos 60, mas j\u00e1 ralava desde o 16. Dona Onete resolve cantar aos 70 anos, explode para o mundo com 75. N\u00f3s somos um povo diferente. Voc\u00ea v\u00ea a Dira [Paes, atriz paraense], Dira continua com 16 anos! [risadas]. Uma mulher fabulosa. E a\u00ed vem todos, n\u00e9? Vem Gabi [Amarantos], vem Joelma, que \u00e9 um fen\u00f4meno. Vem A\u00edla, Almirzinho [Gabriel], Trio Manari, Nilson Chaves. Tem muita coisa. N\u00f3s temos uma coisa transversal, de muitas coisas que vieram para c\u00e1\u201d.<\/p>\n<p><strong>O mercado musical<\/strong><br \/>\n\u201cA internet democratizou a chegada ao p\u00fablico, mas tem as r\u00e1dios feitas em S\u00e3o Paulo que massificam os sucessos. Ou seja, o velho jab\u00e1 nunca saiu de cena. S\u00f3 que num lugar de um liquidificador, que o cara levava no final da semana, hoje s\u00e3o pr\u00eamios negociados para dar visibilidade e fazer sucessos reais, porque as pessoas gostam, porque elas s\u00f3 ouvem aquilo. Mas a internet abriu uma possibilidade muito interessante, que eu digo que \u00e9 de intelig\u00eancia. O jovem brasileiro hoje tem possibilidade de achar coisas que ele n\u00e3o tem acesso. N\u00e3o s\u00f3 o jovem, todos.<\/p>\n<p>\u201cO que eu critico muito nas plataformas \u00e9 que voc\u00ea n\u00e3o sabe quem \u00e9 o arranjador, n\u00e3o sabe quem s\u00e3o os m\u00fasicos, n\u00e3o sabe que est\u00fadio foi feito. E acabaram com uma coisa chamada direito conexo. Para mim, essa \u00e9 a pior possibilidade que aconteceu na m\u00fasica. Porque se voc\u00ea gravasse uma m\u00fasica e vendesse um milh\u00e3o de c\u00f3pias e eu gravasse a mesma m\u00fasica e vendesse 5 mil c\u00f3pias, toda a equipe produtora, todo mundo que fez aquele sucesso, ganhava o equivalente percentual de um milh\u00e3o de c\u00f3pias ou de 5 mil c\u00f3pias, pelo p\u00fablico que a atingiu. Ent\u00e3o, o t\u00e9cnico do est\u00fadio, o produtor, o assistente de est\u00fadio, os m\u00fasicos. E hoje voc\u00ea n\u00e3o sabe nem quem toca\u201d.<\/p>\n<p><strong>Projetos<\/strong><br \/>\n\u201cEu tenho agora um projeto na minha cabe\u00e7a, que vou fazer, que \u00e9 um projeto de samba-can\u00e7\u00e3o, que eu amo a gera\u00e7\u00e3o de samba-can\u00e7\u00e3o. J\u00e1 tenho trabalhado muito, mas ainda preciso de patroc\u00ednio. Mas vamos fazer. Quero cantar Dolores Duran, Nora Ney, tudo, tudo. Aquele livro, \u2018A Noite do Meu Bem\u2019, do Ruy [Castro], que \u00e9 maravilhoso. Porque eu era crian\u00e7a, cantava aquilo. \u2018Ningu\u00e9m me ama, ningu\u00e9m me quer, ningu\u00e9m me chama de Baudelaire\u2019 [autopar\u00f3dia de Antonio Maria para \u2018Ningu\u00e9m me Ama\u2019].<\/p>\n<p>\u201cDia 25, agora, eu estreio em Porto Alegre um show chamado \u2018A Filha do Brasil\u2019, com temas de novela e grandes sucessos. Mais temas de novela, eu n\u00e3o nasci numa novela, nasci com o \u2018O Filho da Bahia\u2019 [tema da novela Gabriela, de 1975]. Nasci em uma novela e tenho mais de 60 temas de novela. Temas de novela que eu adoro, sou noveleira. A gente estreia agora, a gente faz [show em] S\u00e3o Paulo, dia 16 de dezembro, faz Rio dia 2 de fevereiro. A\u00ed tem carnaval e a gente estrutura a turn\u00ea para o resto do ano que vem\u201d.<\/p>\n<p>\u201cE sou samba-enredo da escola de samba da S\u00e3o Paulo, da Imp\u00e9rio da Casa Verde [Faf\u00e1 \u00e9 a homenageada, com o tema \u2018Faf\u00e1, a cabloca m\u00edstica em rituais da floresta\u2019]. \u00c9 lindo, lindo. Mas eu me perco toda. Espero que se fale muito de Bel\u00e9m, se fa\u00e7a muito. E fale das nossas lendas, como n\u00f3s somos leves\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Centro de Conven\u00e7\u00f5es do Hangar, o maior de Bel\u00e9m, no Par\u00e1. O evento Mercado das Ind\u00fastrias Criativas do Brasil (MICBR) ocorria, em seu terceiro dia, na sexta-feira (10), com as rodadas de neg\u00f3cios entre fazedores da cultura que buscavam comprar ou vender seus produtos. 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