{"id":317477,"date":"2023-11-22T00:04:16","date_gmt":"2023-11-22T03:04:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=317477"},"modified":"2023-11-22T06:56:59","modified_gmt":"2023-11-22T09:56:59","slug":"para-mst-caminho-da-mesa-passa-pela-producao-sustentavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/para-mst-caminho-da-mesa-passa-pela-producao-sustentavel\/","title":{"rendered":"Para MST, caminho da mesa passa pela produ\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel"},"content":{"rendered":"<p>O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) faz 40 anos em 2024 e de l\u00e1 para c\u00e1 registrou avan\u00e7os e enfrentou desafios. Uma das constata\u00e7\u00f5es da organiza\u00e7\u00e3o de ativismo pol\u00edtico e social neste per\u00edodo foi verificar que o modelo de produ\u00e7\u00e3o atual de alimentos est\u00e1 diretamente vinculado \u00e0 crise global do meio ambiente. A conclus\u00e3o \u00e9 de Ma\u00edra Pereira Santiago, integrante da dire\u00e7\u00e3o estadual do MST em Minas Gerais que participou nesta ter\u00e7a-feira (21) do Festival de Arte e Cultura da Agroecologia, evento vinculado ao Congresso Brasileiro de Agroecologia, que acontece nesta semana no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Para o enfrentamento desta quest\u00e3o, Ma\u00edra enxerga a reforma agr\u00e1ria como importante a\u00e7\u00e3o para a democratiza\u00e7\u00e3o de terras e socializa\u00e7\u00e3o de bens comuns e tamb\u00e9m para minimizar a crise ambiental. \u201cDe pandemias, de clima, de chuvas, de falta de alimento, com a fome, por exemplo. Esse \u00e9 um avan\u00e7o pra n\u00f3s muito importante e entender essa crise ambiental e como a gente pode colocar a reforma agr\u00e1ria \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para conter tudo isso\u201d, disse.<\/p>\n<p>A coordenadora participou nesta ter\u00e7a-feira (21) de uma roda de conversa do Barrac\u00e3o Contra Agrot\u00f3xicos e Transg\u00eanicos Tenda Rachel Karlson, no Festival de Arte e Cultura da Agroecologia, no Parque do Passeio P\u00fablico, centro do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>O local \u00e9 um dos oito barrac\u00f5es dos saberes montados no evento, que re\u00fane cerca de 350 expositores e expositoras de povos ind\u00edgenas, quilombolas e outras comunidades tradicionais, em 150 barracas. De hoje at\u00e9 quinta-feira das 8h \u00e0s 18h, ser\u00e3o vendidas pe\u00e7as de artesanato e produtos de alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel.<\/p>\n<p>A participa\u00e7\u00e3o da agricultura familiar dentro da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola do Brasil, segundo Ma\u00edra, apesar de ter registrado um crescimento ao longo da vida do MST, representou um desafio.<\/p>\n<p>\u201cNos \u00faltimos sete, oito anos deixamos de acessar muitas pol\u00edticas p\u00fablicas que s\u00e3o direitos dos agricultores familiares, e a\u00ed fez com que o que a gente vinha conseguindo de avan\u00e7ar na produ\u00e7\u00e3o de alimentos saud\u00e1veis e fazer com que esses alimentos sejam vinculados, de fato, \u00e0s popula\u00e7\u00f5es, retrocedesse. Retrocedeu tanto que hoje a gente tem 33 milh\u00f5es de pessoas que n\u00e3o comem [no pa\u00eds] e outros milh\u00f5es com inseguran\u00e7a alimentar\u201d, pontuou.<\/p>\n<p>Um avan\u00e7o no per\u00edodo, de acordo com Ma\u00edra que tamb\u00e9m \u00e9 uma das coordenadoras no pa\u00eds do Plano Nacional Plantar \u00c1rvores e Produzir Alimentos Saud\u00e1veis, foi o aumento da conscientiza\u00e7\u00e3o de agricultores familiares na produ\u00e7\u00e3o mais saud\u00e1vel.<\/p>\n<p>\u201cNa pandemia, a gente conseguiu, n\u00e3o s\u00f3 o MST, mas a agricultura familiar como um todo ter o que \u00e9 crucial na exist\u00eancia humana que \u00e9 a solidariedade. Diante de uma complexidade t\u00e3o grande que a sociedade passava e a fome t\u00e3o presente a gente conseguiu vincular territ\u00f3rios \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de alimentos que estava sendo distribu\u00eddo para comunidades urbanas perif\u00e9ricas das cidades. Com isso, a gente conseguiu a amplia\u00e7\u00e3o dessa nossa produ\u00e7\u00e3o de alimentos saud\u00e1veis\u201d, observou,<\/p>\n<p>O Plano Nacional Plantar \u00c1rvores e Produzir Alimentos Saud\u00e1veis, lan\u00e7ado em 2020, tem a perspectiva de plantar 100 mil \u00e1rvores at\u00e9 2030 em todas as \u00e1reas de assentamento e acampamento em todo Brasil.<\/p>\n<p>\u201cQueremos ampliar isso para outros territ\u00f3rios com a sociedade, nas cidades, nos parques para o plantio de \u00e1rvores. Para isso acontecer, trabalhamos estrat\u00e9gias diferentes de coletas de sementes e constru\u00e7\u00e3o de viveiros, hoje temos mais de 300 viveiros no Brasil todo que produzem mudas\u201d.<\/p>\n<p><strong>Ind\u00edgenas<\/strong><br \/>\nA preocupa\u00e7\u00e3o com a demarca\u00e7\u00e3o das terras ind\u00edgenas foi o foco de J\u00falio Garcia Karai Xiju da etnia guarani de uma aldeia de Angra dos Reis, na costa verde do Rio. O ind\u00edgena, que participa da coordena\u00e7\u00e3o da comiss\u00e3o guarani para o Sul e Sudeste, defendeu durante uma palestra no Barrac\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas que a demarca\u00e7\u00e3o preserva a cultura dos seus ancestrais e ainda garante a produ\u00e7\u00e3o de alimentos tradicionais dos ind\u00edgenas como o aipim e o milho crioulo, uma esp\u00e9cie com gr\u00e3os avermelhados como ocorre no seu territ\u00f3rio de 2017 hectares, que foi demarcado em 1985.<\/p>\n<p>\u201cHoje em dia, para garantir o territ\u00f3rio e implantar todas as atividades culturais que temos, a nossa vida \u00e9 pela demarca\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios. A partir da\u00ed, da demarca\u00e7\u00e3o de aldeias, vamos ter a ro\u00e7a, sa\u00fade, preserva\u00e7\u00e3o ambiental, vamos ter educa\u00e7\u00e3o. Tudo isso envolve o c\u00edrculo de luta pela demarca\u00e7\u00e3o do nosso territ\u00f3rio das comunidades ind\u00edgenas\u201d, afirmou \u00e0 reportagem da Ag\u00eancia Brasil.<\/p>\n<p>Segundo o l\u00edder ind\u00edgena, das oito aldeias existentes no estado do Rio de Janeiro, apenas tr\u00eas est\u00e3o demarcadas e o restante est\u00e1 em processo de discuss\u00e3o para a demarca\u00e7\u00e3o. As etnias s\u00e3o guarani, patax\u00f3 e guarani-kaiow\u00e1.<\/p>\n<p><strong>Produ\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nUm dos expositores do evento, Francisco Asturiano, 72 anos, \u00e9 agricultor e tem uma propriedade em Itabora\u00ed, na divisa com Cachoeiras de Macacu, na regi\u00e3o metropolitana do Rio, e faz parte de associa\u00e7\u00e3o de produtores org\u00e2nicos. Entre outros alimentos, Francisco produz berinjela, batata-doce e mandioca.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o planta\u00e7\u00f5es que se agregam uma \u00e0 outra. Planto aipim, mas do lado planto milho que vai jogar nitrog\u00eanio para a planta do aipim. \u00c9 consorciado. \u00c9 toda uma din\u00e2mica diferente. N\u00e3o \u00e9 a grande quantidade de produtos, mas \u00e9 consci\u00eancia de que a terra est\u00e1 sana e recebe aquilo que precisa para produzir da forma correta\u201d, disse.<\/p>\n<p>Para Mateus Andr\u00e9, que divide a barraca com Francisco, o grande gargalo do pequeno produtor continua sendo o transporte. \u201cInfelizmente n\u00e3o temos no Brasil uma forma de escoamento democr\u00e1tica. \u00c9 dist\u00e2ncia, frete sempre tem esse empecilho todo. Eu fa\u00e7o entrega a domic\u00edlio e participo tamb\u00e9m de feiras patrocinadas pela Abio [Associa\u00e7\u00e3o de Agricultores Biol\u00f3gicos do Estado do Rio de Janeiro] do Circuito Carioca de Feiras, onde tenho uns pontos e escoo um pouco desses produtos\u201d, conta<\/p>\n<p>Segundo o agricultor, participar da Feira \u00e9 uma forma de dar mais visibilidade aos produtos de pequenos produtores.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 importante que a sociedade de uma maneira geral reconhe\u00e7a o trabalho do pequeno agricultor porque somos n\u00f3s, na verdade, que produzimos o alimento s\u00e3o e sem agrot\u00f3xicos, sem importa\u00e7\u00f5es, utilizando aquilo que temos aqui. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 org\u00e2nico, mas a caracter\u00edstica principal que \u00e9 a sustentabilidade e o respeito pela terra\u201d.<\/p>\n<p>Marcos Andr\u00e9, que produz mel a partir de abelhas nativas sem ferr\u00e3o, est\u00e1 satisfeito de poder apresentar o seu produto na Feira que considera muito qualificado. De acordo com ele, essas abelhas t\u00eam origem no Brasil e ao longo dos anos ajudaram a polinizar florestas do pa\u00eds. Ele destacou ainda a import\u00e2ncia desta abelha em \u00e1reas reflorestadas.<\/p>\n<p>\u201cAs \u00e1rvores n\u00e3o s\u00e3o grandes o suficiente e n\u00e3o t\u00eam oco para as abelhas nativas, ent\u00e3o o meliponicultor, quando cultiva a abelha nativa ele est\u00e1 oferecendo um espa\u00e7o para que exista esta abelha em \u00e1reas rec\u00e9m florestadas\u201d, explica.<\/p>\n<p>Marcos Andr\u00e9 conta que a produ\u00e7\u00e3o na Fazenda S\u00e3o Marcos ainda \u00e9 pequena, mas tem avan\u00e7ado, e espera em breve chegar a uma quantidade maior de mel produzido no local. \u201cEstou trabalhando com tr\u00eas esp\u00e9cies e \u00e0 medida que a gente for expandindo vai aumentando o n\u00famero de esp\u00e9cies\u201d, comentou, completando que o valor agregado no mel dessas abelhas \u00e9 maior do que de a do tipo apis .<\/p>\n<p>\u201cA abelha jata\u00ed [um tipo de nativa], por exemplo, produz de meio a um litro de mel por ano, ent\u00e3o elas t\u00eam um valor agregado maior e tamb\u00e9m para a sa\u00fade. Elas desenvolveram v\u00e1rios antibactericidas. O mel e o pr\u00f3polis delas s\u00e3o antibi\u00f3ticos naturais. Ela tem uma produ\u00e7\u00e3o bem menor, mas a gente cobra um valor maior por todo benef\u00edcio que traz para as pessoas e para o meio ambiente\u201d, disse.<\/p>\n<p>O produtor explicou que \u00e9 chamado de apicultor quem produz a partir da abelha apis, que tem origem na Europa e n \u00c1frica.<\/p>\n<p>Isabela Santos Gon\u00e7alves Costa, da Firmeza Hub, empresa que organizou a feira, disse que o papel do evento \u00e9 trazer a diversidade dos produtores para se encontrar com os consumidores de uma forma mais pr\u00f3xima. \u201cAl\u00e9m da feira voltada \u00e0 venda de produtos populares e de alimentos a gente tem os barrac\u00f5es dos saberes, que s\u00e3o espa\u00e7os acad\u00eamicos, de fala e de compartilhamento\u201d, completou, destacando a presen\u00e7a de alunos de escolas p\u00fablicas que visitam a feira no Parque do Passeio<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a escolha do Parque do Passeio P\u00fablico, no centro do Rio, local que j\u00e1 teve muita representa\u00e7\u00e3o no passado e atualmente \u00e9 pouco aproveitado por moradores e visitantes da cidade, foi intencional. \u201cEstamos fazendo um processo de revitaliza\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os p\u00fablicos por meio da agroecologia e de incid\u00eancia cultural. Estamos ocupando o Parque do Passeio com pessoas do Brasil inteiro, de comunidades tradicionais, quilombolas e com uma produ\u00e7\u00e3o negra, disse.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) faz 40 anos em 2024 e de l\u00e1 para c\u00e1 registrou avan\u00e7os e enfrentou desafios. Uma das constata\u00e7\u00f5es da organiza\u00e7\u00e3o de ativismo pol\u00edtico e social neste per\u00edodo foi verificar que o modelo de produ\u00e7\u00e3o atual de alimentos est\u00e1 diretamente vinculado \u00e0 crise global do meio ambiente. 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