{"id":317652,"date":"2023-11-24T07:39:41","date_gmt":"2023-11-24T10:39:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=317652"},"modified":"2023-11-24T08:41:48","modified_gmt":"2023-11-24T11:41:48","slug":"brasil-politicamente-correto-vive-estereotipo-desnecessario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/brasil-politicamente-correto-vive-estereotipo-desnecessario\/","title":{"rendered":"Brasil, politicamente correto, vive estere\u00f3tipo desnecess\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<p>Politicamente incorreto desde sua descoberta, em abril de 1.500, o Brasil cresceu economicamente, evoluiu como na\u00e7\u00e3o, involuiu social e politicamente e continua indefinido ideologicamente. Nada de anormal para um pa\u00eds em que os disparates viram fatos e os atos, mirabolantes e sem nexo, nem sempre alcan\u00e7am quem deveria: o povo.<\/p>\n<p>A falta de sentido do que vira e mexe nos \u00e9 apresentado me faz rir. Por exemplo, ou\u00e7o h\u00e1 pelo menos cinco d\u00e9cadas e meia que o Brasil \u00e9 o pa\u00eds do futuro. Pedindo todas as v\u00eanias aos defensores do politicamente correto, essa afirma\u00e7\u00e3o lembra o Samba do Crioulo Doido, composto por S\u00e9rgio Porto, sob o pseud\u00f4nimo de Stanislaw Ponte Preta.<\/p>\n<p>Na composi\u00e7\u00e3o, escrita em 1966, o tricolor Ponte Preta satirizava o ensino de Hist\u00f3ria do Brasil nas escolas p\u00fablicas nos tempos da ditadura. A dita ficou mole, mas tudo continua como dantes no quartel de Abranches. Em algumas ocasi\u00f5es, como de 2018 a 2022, vivemos dias muito piores. No samba, Satanislaw afirma que Chica da Silva obrigou a Princesa Leopoldina a se casar com Tiradentes, que, eleito como Pedro Segundo, procurou o padre Jos\u00e9 de Anchieta e, juntos (Anchieta e Dom Pedro), proclamaram a escravid\u00e3o.<\/p>\n<p>Para leigos, entendidos e pouco afeitos \u00e0 Hist\u00f3ria, est\u00e1 claro que o enredo \u00e9 t\u00e3o louco como o autor, pois re\u00fane no mesmo contexto personalidades de \u00e9poca e lugares distintos em condi\u00e7\u00f5es absurdas. Da\u00ed o t\u00edtulo maluquete.<\/p>\n<p>Vale lembrar que, composto originalmente para o antigo Teatro de Revista, o samba virou o enredo de 1971 da Escola de Samba Unidos de Padre Miguel (n\u00e3o confundir com a Mocidade de Padre Miguel).<\/p>\n<p>Denso demograficamente, territorialmente extenso, de natureza aben\u00e7oada por Deus e com um povo com alegria bem acima da m\u00e9dia mundial, o Brasil tamb\u00e9m \u00e9 enorme nas incongru\u00eancias.<\/p>\n<p>H\u00e1 um grupelho pol\u00edtico quase em extin\u00e7\u00e3o que, usando o comunismo como tese acad\u00eamica, conseguiu fazer de um <em>capet\u00e3o<\/em> descompensado um <em>deplomado<\/em> presidente da Rep\u00fablica Patri\u00f3tica e Fundamentalista do Brasil. Sorte dos ditos comunistas que a sanha <em>capetista<\/em> durou pouco. Na verdade, quase nada.<\/p>\n<p>Foram quatro anos de variadas desventuras. Tantas que lembraram um daqueles vel\u00f3rios chatos e sem cacha\u00e7a do sub\u00farbio carioca. De t\u00e3o medonhos, a impress\u00e3o \u00e9 que, no fim do gurufim, o morto fica mais aliviado. Sem d\u00favida, relaxados est\u00e3o os que sobreviveram ou n\u00e3o acabaram presos.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m <em>deplomado<\/em>, o mito da sardinha em lata Valdemar Costa Neto \u00e9 idolatrado por aqueles que, na aus\u00eancia do mito frango frito com farofa, querem transformar a patroa em presidenta brasileira. Sonhar n\u00e3o paga imposto. No entanto, se depender da maioria dos brasileiros, nem em encarna\u00e7\u00f5es futuras.<\/p>\n<p>Para ilustrar minha despreocupa\u00e7\u00e3o com essa possibilidade, novamente recorro ao cronista, escritor, radialista, comentarista, teatr\u00f3logo, jornalista, humorista e compositor brasileiro S\u00e9rgio Marcus Rangel Porto, que, incorporando a verve de Stanislaw Ponte Preta, cunhou a seguinte frase: &#8220;Nem todo rico tem carro, nem todo ronco \u00e9 pigarro, nem toda tosse \u00e9 catarro e nem toda mulher eu agarro&#8221;.<\/p>\n<p>Fecho com ele. Stanislaw morreu em 1968, aos 45 anos. N\u00e3o teve oportunidade sequer de escrever algo sobre os 500 anos de sua p\u00e1tria. R\u00e1pido como um raio, com seu poder de s\u00edntese escreveu antes: &#8220;Quando estamos fora, o Brasil d\u00f3i na alma; quando estamos dentro, d\u00f3i na pele&#8221;.<\/p>\n<p>O tempo passou, mas nada mudou. Permanecemos movidos por interesses absolutamente pessoais. Se vivo fosse, Stanislaw Ponte Preta, como eu, lembraria que a senzala n\u00e3o tinha ideologia. A luta sempre foi por liberdade.<\/p>\n<p>Sempre rendo loas aos que lutam em defesa das minorias e contra o racismo, a misoginia, a homofobia, a xenofobia e tudo que disser respeito \u00e0 opress\u00e3o. Afinal, faz bem ao cora\u00e7\u00e3o e \u00e0 consci\u00eancia lembrar diariamente que o Brasil nasceu da viol\u00eancia escravagista e da luta dos escravizados. O negro \u00e9 bonito, tem brilho nos olhos, for\u00e7a nos cabelos, vigor nos bra\u00e7os e amor de sobra na alma. Por isso, entendo que a segrega\u00e7\u00e3o e a diversidade racial deveriam ser celebradas o ano inteiro.<\/p>\n<p>Respeitando as devidas rea\u00e7\u00f5es e prov\u00e1veis agress\u00f5es, em s\u00edntese, acho desnecess\u00e1rio estereotipar um povo. Tamb\u00e9m n\u00e3o vejo raz\u00e3o para a cria\u00e7\u00e3o de um dia para que os brasileiros de todos os rinc\u00f5es conhe\u00e7am, respeitem e valorizem a robustez f\u00edsica, emocional, profissional e cultural do povo afro-brasileiro. Tudo isso para afirmar que, como cidad\u00e3o pardo na carteira de identidade, fecho com aqueles que nos pedem compreens\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos demais povos.<\/p>\n<p>Para eles, n\u00e3o precisamos de um dia de consci\u00eancia negra, branca, parda, albina ou amarela. Precisamos \u00e9 de 365 dias de consci\u00eancia humana. Deus criou vidas e n\u00e3o ra\u00e7as. Para ilustrar, na mesma semana se comemorou o Dia do M\u00fasico. N\u00e3o vi ou li qualquer manifesta\u00e7\u00e3o de louvor a essa sofrida e mal paga categoria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Politicamente incorreto desde sua descoberta, em abril de 1.500, o Brasil cresceu economicamente, evoluiu como na\u00e7\u00e3o, involuiu social e politicamente e continua indefinido ideologicamente. Nada de anormal para um pa\u00eds em que os disparates viram fatos e os atos, mirabolantes e sem nexo, nem sempre alcan\u00e7am quem deveria: o povo. 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