{"id":318302,"date":"2023-12-03T05:25:34","date_gmt":"2023-12-03T08:25:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=318302"},"modified":"2023-12-02T22:08:02","modified_gmt":"2023-12-03T01:08:02","slug":"brasileiros-que-vivem-na-fronteira-temem-problemas-na-guiana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/brasileiros-que-vivem-na-fronteira-temem-problemas-na-guiana\/","title":{"rendered":"Brasileiros que vivem na fronteira temem problemas na Guiana"},"content":{"rendered":"<p>Bonfim, em Roraima, \u00e9 uma cidade pequena, com apenas 13 mil habitantes. Mas, se n\u00e3o chama aten\u00e7\u00e3o pelo tamanho, ou por qualquer atrativo tur\u00edstico, destaca-se por ser a \u00fanica conex\u00e3o vi\u00e1ria terrestre do exterior com a Guiana, nosso vizinho sul-americano que teve a maior taxa de crescimento econ\u00f4mico mundial, em 2022 (62,3%), segundo o Fundo Monet\u00e1rio Internacional.<\/p>\n<p>A Guiana faz fronteira com Brasil, Venezuela e Suriname. Al\u00e9m do Brasil, apenas Suriname tem posto fronteiri\u00e7o com o territ\u00f3rio guian\u00eas, mas, ali, a travessia entre os dois pa\u00edses \u00e9 feita de barco, diferentemente de Bonfim, onde uma ponte liga Brasil e Guiana.<\/p>\n<p>Bonfim e a guianesa Lethem s\u00e3o cidades irm\u00e3s, consideradas um arranjo populacional internacional pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). Todos os dias, v\u00e1rios brasileiros cruzam a fronteira para fazer compras nas lojas mais baratas da Guiana, para trabalhar ou para fazer neg\u00f3cios com a nova revela\u00e7\u00e3o da economia mundial.<\/p>\n<p>Nascido em Minas Gerais, Robero Osme j\u00e1 morou na capital da Guiana, Georgetown, antes de se estabelecer h\u00e1 tr\u00eas anos em Bonfim. H\u00e1 mais de uma d\u00e9cada, mant\u00e9m um hotel no munic\u00edpio brasileiro, que vive desse tr\u00e2nsito entre as duas cidades.<\/p>\n<p>\u201cNingu\u00e9m vem passear em Bonfim. Aqui n\u00e3o tem ponto tur\u00edstico, n\u00e3o tem nada. As pessoas passam aqui para fazer neg\u00f3cio, v\u00e3o para a Guiana. Aqui \u00e9 uma porta de sa\u00edda [para o pa\u00eds vizinho]\u201d, explica Osme.<\/p>\n<p>Assim como outros moradores de Bonfim, ele tem receios em rela\u00e7\u00e3o ao aumento das hostilidades entre Venezuela e Guiana, uma vez que o governo venezuelano realizar\u00e1 um referendo neste domingo (3), a fim de consultar a popula\u00e7\u00e3o sobre a redefini\u00e7\u00e3o da fronteira entre os dois pa\u00edses de modo a anexar 75% da Guiana.<\/p>\n<p>&#8216;<strong>Se fronteira fechar, acabou&#8217;<\/strong><br \/>\nSegundo ele, um dos receios imediatos \u00e9 o fechamento da fronteira entre Brasil e Guiana, composta por uma ponte que atravessa o rio Tacutu. \u201cN\u00f3s sofremos aqui com a covid. Ficamos fechados aqui durante quase dois anos [devido ao fechamento da fronteira]. N\u00f3s n\u00e3o t\u00ednhamos dinheiro nem para pagar a energia. E isso pode acontecer novamente. Se fechar a fronteira, acabou\u201d, afirmou o dono do hotel.<\/p>\n<p>Um poss\u00edvel fechamento da fronteira tamb\u00e9m preocupa Tarc\u00edsio Bezerra Almeida, dono de uma loja de materiais de constru\u00e7\u00e3o em Bonfim. \u201cO principal medo da gente que empreende aqui \u00e9 a quest\u00e3o do fechamento da Fronteira. Existe boato da possibilidade de haver um fechamento. Isso impactaria diretamente nossa mercadoria\u201d, afirma o brasileiro, que vende produtos de constru\u00e7\u00e3o, como tijolos, para clientes em Lethem.<\/p>\n<p>Almeida disse que, nos \u00faltimos dias, tem presenciado um aumento da fiscaliza\u00e7\u00e3o na fronteira entre Brasil e Guiana. \u201cHoje em dia, a fronteira da Guiana est\u00e1 aquecida. A Guiana est\u00e1 com um poder de compra muito grande e passa muita mercadoria l\u00e1 para dentro. A gente tem uma f\u00e1brica de tijolos e nosso caminh\u00e3o todo dia vai para Lethem. A gente manda mercadoria at\u00e9 para Georgetown\u201d, conta ele.<\/p>\n<p>Ambos empres\u00e1rios n\u00e3o desejam ver uma mudan\u00e7a de soberania em Lethem. \u201cDo jeito que est\u00e1, est\u00e1 \u00f3timo. N\u00e3o desejo que haja uma mudan\u00e7a n\u00e3o. Mas tamb\u00e9m n\u00e3o acredito que haver\u00e1 essa mudan\u00e7a\u201d, disse Almeida.<\/p>\n<p>\u201cHoje n\u00f3s temos como vizinhos o pa\u00eds que mais cresce no mundo. O com\u00e9rcio est\u00e1 incrementando muito. [Se Lethem passar \u00e0 administra\u00e7\u00e3o venezuelana] vamos passar a ter como vizinho um pa\u00eds que n\u00e3o cresce\u201d, ressalta Osme. \u201cDe cinco a oito anos para c\u00e1, o com\u00e9rcio com a Guiana cresceu assustadoramente. E agora pode simplesmente zerar\u201d.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio da Defesa brasileiro informou que tem acompanhado a situa\u00e7\u00e3o e que intensificou suas a\u00e7\u00f5es na \u201cfronteira ao norte do pa\u00eds\u201d, com um aumento da presen\u00e7a de militares na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>J\u00e1 o Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores defende que Venezuela e Guiana busquem uma solu\u00e7\u00e3o pac\u00edfica para a controv\u00e9rsia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bonfim, em Roraima, \u00e9 uma cidade pequena, com apenas 13 mil habitantes. 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