{"id":318348,"date":"2023-12-03T09:20:57","date_gmt":"2023-12-03T12:20:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=318348"},"modified":"2023-12-03T09:36:16","modified_gmt":"2023-12-03T12:36:16","slug":"tolstoi-volta-ao-cenario-politico-onde-pode-haver-guerra-ou-paz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/tolstoi-volta-ao-cenario-politico-onde-pode-haver-guerra-ou-paz\/","title":{"rendered":"Tolst\u00f3i volta ao cen\u00e1rio pol\u00edtico onde pode haver guerra ou paz"},"content":{"rendered":"<p>Enquanto a Venezuela avan\u00e7a para o referendo deste domingo (3), sobre a redefini\u00e7\u00e3o da fronteira com a vizinha Guiana, crescem as especula\u00e7\u00f5es sobre o risco de um conflito armado entre os pa\u00edses. Especialistas ouvidos pela <em>Ag\u00eancia Brasil<\/em> t\u00eam opini\u00f5es diferentes sobre o assunto e analisam a crise que se instaurou entre os vizinhos na Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n<p>O professor de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Williams Gon\u00e7alves, entende que existe a possibilidade de guerra e que ela pode envolver grandes pot\u00eancias estrangeiras.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o se trata apenas de [uma poss\u00edvel] guerra para tomar um peda\u00e7o de terra. Trata-se de tomar um mar de petr\u00f3leo que existe ali. Portanto, a possibilidade de internacionaliza\u00e7\u00e3o do conflito, em virtude da import\u00e2ncia do que est\u00e1 em jogo, \u00e9 muito grande\u201d, afirma Gon\u00e7alves. \u201cNicol\u00e1s Maduro procura fortalecer sua posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica interna para as elei\u00e7\u00f5es [marcadas para 2024], mexendo numa quest\u00e3o com a qual todos est\u00e3o de acordo [incorporar Essequibo \u00e0 Venezuela], inclusive a oposi\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Tradicionalmente um pa\u00eds pobre e com baixos indicadores sociais, a Guiana tem vivenciado um boom econ\u00f4mico nos \u00faltimos anos, devido \u00e0 descoberta de reservas de 11 bilh\u00f5es de barris de petr\u00f3leo e outros bilh\u00f5es de metros c\u00fabicos de g\u00e1s natural.<\/p>\n<p>Segundo o Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI), a Guiana teve o maior crescimento econ\u00f4mico entre todos os pa\u00edses do mundo, em 2022, com um avan\u00e7o de 62,3% no Produto Interno Bruto (PIB), a soma de todos os bens e servi\u00e7os produzidos no pa\u00eds. Em setembro, o FMI projetava um crescimento de 38% neste ano.<\/p>\n<p>\u201cOs Estados Unidos t\u00eam interesse na explora\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo [da Guiana] e na derrubada do governo Maduro. Mas, por outro lado, a Venezuela tem uma s\u00f3lida rela\u00e7\u00e3o com a R\u00fassia e China. A Venezuela se tornou uma base militar e tecnol\u00f3gica da China e da R\u00fassia. Portanto, uma internacionaliza\u00e7\u00e3o do conflito pode ser uma coisa realmente explosiva\u201d, diz Gon\u00e7alves.<\/p>\n<p><strong>Guerra improv\u00e1vel<\/strong><br \/>\nMariana Kalil, professora de geopol\u00edtica da Escola Superior de Guerra (ESG), acredita que a postura atual da Venezuela sobre a Guiana atende prioritariamente a interesses pol\u00edticos internos: a estrat\u00e9gia do presidente Nicol\u00e1s Maduro \u00e9 atrair apoio popular ao governo e tentar salvar o regime bolivariano. Para ela, portanto, \u00e9 muito improv\u00e1vel que aconte\u00e7a uma ofensiva militar.<\/p>\n<p>\u201cClaro que estamos lidando com um ator imprevis\u00edvel, o Maduro. Caso o regime comece a se esvair, ele pode lan\u00e7ar uma ofensiva militar em ato de desespero. Mas acredito que, mesmo com a aprova\u00e7\u00e3o do referendo, a comunidade internacional vai se mobilizar para evitar que o conflito ocorra. Os custos v\u00e3o ser altos demais para as rela\u00e7\u00f5es entre os pa\u00edses\u201d, disse Mariana.<\/p>\n<p>A especialista explica que mudan\u00e7as pol\u00edticas e econ\u00f4micas na Guiana ajudaram tanto a aumentar a desconfian\u00e7a do governo venezuelano com o vizinho, como alimentar um discurso de que o pa\u00eds virou uma base para interfer\u00eancia dos Estados Unidos nos assuntos da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>\u201cNo governo do presidente anterior, David Granger [2015-2020], havia apaziguamento em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Venezuela e proximidade com a R\u00fassia. Em 2020, Irfaan Ali foi eleito, mas Ganger o acusou de ter desestabilizado o governo e houve pedidos de recontagem de votos. Os Estados Unidos passaram a pressionar pelo fim das elei\u00e7\u00f5es e quem fez a recontagem dos votos foram a Organiza\u00e7\u00f5es dos Estados Americanos (OEA) e a Comunidade e Mercado Comum do Caribe (Caricom), duas organiza\u00e7\u00f5es consideradas pelo Maduro como bra\u00e7os dos Estados Unidos\u201d, afirma Mariana Kalil. \u201cA situa\u00e7\u00e3o na Guiana acabou gerando v\u00e1rios subterf\u00fagios para o discurso bolivariano de que os Estados Unidos querem desestabilizar regimes que n\u00e3o seguem uma cartilha imperialista\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p><strong>Papel do Brasil<\/strong><br \/>\nCom o acirramento das tens\u00f5es na Am\u00e9rica do Sul, \u00e9 colocado em pauta o papel do Brasil para evitar o aprofundamento da crise e uma guerra na regi\u00e3o. Para a professora Mariana Kalil, o pa\u00eds tem tradi\u00e7\u00e3o como mediador de conflitos na Venezuela e, por ter um governo atual que v\u00ea o mundo de forma cooperativa e multilateral, pode ajudar a mediar a situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cBrasil \u00e9 fundamental, especialmente com o governo Lula, por ter credibilidade com o regime bolivariano. N\u00e3o \u00e9 visto pelo Maduro como um vassalo dos Estados Unidos. \u00c9 visto como parceiro ou potencial parceiro. Por isso, o Brasil tem capacidade de transitar entre a Venezuela e a Guiana e legitimidade para encontrar solu\u00e7\u00f5es\u201d, avalia.<\/p>\n<p>O professor William Gon\u00e7alves concorda com a posi\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica do Brasil e acredita em uma atua\u00e7\u00e3o mais contundente de media\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que o pa\u00eds entende que a paz na regi\u00e3o \u00e9 o melhor caminho.<\/p>\n<p>\u201cPara o Brasil, [a internacionaliza\u00e7\u00e3o do conflito] \u00e9 uma coisa desastrosa. A possibilidade [desse conflito] existe. Agora, se isso vai prosperar depende muito da a\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica do Brasil. E tamb\u00e9m da Col\u00f4mbia. S\u00e3o os dois pa\u00edses, no contexto regional, mais interessados [em evitar o conflito] e com maior lastro diplom\u00e1tico para negociar tanto com um lado como com o outro\u201d, destaca o professor. \u201cS\u00e3o dois interlocutores credenciados\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio da Defesa brasileiro informou que tem acompanhado a situa\u00e7\u00e3o e que intensificou suas a\u00e7\u00f5es na \u201cfronteira ao norte do pa\u00eds\u201d, com um aumento da presen\u00e7a de militares na regi\u00e3o. J\u00e1 o Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores defende que Venezuela e Guiana busquem uma solu\u00e7\u00e3o pac\u00edfica para a controv\u00e9rsia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Enquanto a Venezuela avan\u00e7a para o referendo deste domingo (3), sobre a redefini\u00e7\u00e3o da fronteira com a vizinha Guiana, crescem as especula\u00e7\u00f5es sobre o risco de um conflito armado entre os pa\u00edses. 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