{"id":318669,"date":"2023-12-07T02:12:19","date_gmt":"2023-12-07T05:12:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=318669"},"modified":"2023-12-07T02:14:36","modified_gmt":"2023-12-07T05:14:36","slug":"justiceiros-podem-colocar-rio-em-ordem-mas-sem-abusar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/justiceiros-podem-colocar-rio-em-ordem-mas-sem-abusar\/","title":{"rendered":"&#8216;Justiceiros&#8217; podem colocar Rio em ordem, mas sem abusar"},"content":{"rendered":"<p>Subir no cl\u00e1ssico bondinho das ladeiras do Morro de Santa Teresa, assistir ao sol nascer na areia da Praia de Copacabana, andar na orla do Leme, Ipanema, Leblon, Praia Vermelha, Barra da Tijuca, s\u00e3o Conrado ou Barra de Guaratiba, sambar a noite inteira nas quadras do Salgueiro, Mangueira, Grande Rio ou Beija-Flor, visitar a Floresta da Tijuca, apreciar a natureza sobre as pedras do Arpoador, babar com a exuberante arquitetura do Museu do Amanh\u00e3, escolher o caranguejo que se vai comer na Pedra de Guaratiba, torcer pelo Meng\u00e3o no Maracan\u00e3, tomar um chope no Amarelinho, curtir um show sob os Arcos da Lapa ou simplesmente dan\u00e7ar no ritmo que ajudou a ampliar a voz da periferia e o romantismo das comunidades.<\/p>\n<p>Posso afirmar que, assim como o samba no p\u00e9, gostando ou n\u00e3o, o funk na veia \u00e9 imperd\u00edvel. Estes e outros centenas de mist\u00e9rios naturais permanecem na mem\u00f3ria dos cariocas que sofrem, mas n\u00e3o admitem que fa\u00e7am pouco caso dos cart\u00f5es postais do Rio de Janeiro, a divindade em forma de cidade que, apesar dos famosos e eternos 40 graus, deixou de ser maravilhosa exclusivamente pela m\u00e3o do ser humano. \u00c9 o homem destruindo o que Deus nos deixou de heran\u00e7a. Sobrou pouca coisa das fazendas de caf\u00e9, do burburinho cultural, da gastronomia internacional e da Princesinha do Mar. At\u00e9 a geral do templo mundial do futebol acabou.<\/p>\n<p>Craques na baldea\u00e7\u00e3o entre os v\u00e1rios palcos da Mata Atl\u00e2ntica, os macacos-prego tamb\u00e9m tiveram de se readaptar ao novo modus vivendi dos nativos do antigo para\u00edso. Embora fora h\u00e1 anos, eu e meu amigo Z\u00e9 Franciso, o Z\u00e9 de todos os amores, sofremos com o Rio que n\u00e3o existe mais. Existe, mas n\u00e3o \u00e9 mais nem a sombra daquele Rio de Janeiro que nos ensinou a ser pobre e preto com honradez e orgulho. Vencemos e n\u00e3o nos desfizemos jamais da cidade que nos formou. Entretanto, somos daqueles que deixam de lado a hipocrisia para assumir a dura realidade. Hoje, o lifestyle do carioca \u00e9 somente um verbete do dicion\u00e1rio e a defini\u00e7\u00e3o relativa ao conjunto de caracter\u00edsticas, personalidade e valores que representam o modo de vida de uma ou mais pessoas.<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que o Rio continua lindo. Todavia, n\u00e3o h\u00e1 mais diferen\u00e7as entre muitas de suas localidades e a Faixa de Gaza. Enfim entregue somente nas m\u00e3os do ocupad\u00edssimo Mestre Jesus, o Rio de Janeiro definitivamente n\u00e3o \u00e9 mais para amadores. Abandonados pelas autoridades federais, estaduais e municipais, o Estado e o Munic\u00edpio do Rio de Janeiro est\u00e3o entregues \u00e0 pr\u00f3pria sorte. O resultado \u00e9 que, certo ou errado, a sociedade perigosamente decidiu dar seu jeito contra a viol\u00eancia estabelecida em algumas regi\u00f5es. Ainda \u00e9 uma tend\u00eancia, mas recuperar os grupos de justiceiros deve ser a solu\u00e7\u00e3o para come\u00e7ar os trabalhos \u201cca\u00e7ando ladr\u00f5es em Copacabana\u201d, bairro que abriga os morros do Cantagalo, do Pav\u00e3o-Pav\u00e3ozinho e dos Cabritos e a Ladeira dos Tabajaras.<\/p>\n<p>A ideia pode ser embrion\u00e1ria, mas o esgotamento do povo com a aus\u00eancia do Poder P\u00fablico \u00e9 fato. Mat\u00e9ria publicada esta semana em <em>O Globo<\/em> revela que os \u201cjusticeiros\u201d est\u00e3o se mobilizando no melhor estilo dos esquadr\u00f5es dos anos 60 e 70. Sou da paz, mas, se \u00e9 para o bem da popula\u00e7\u00e3o ordeira e pac\u00edfica, que venham e fa\u00e7am o que o sistema corrupto de seguran\u00e7a n\u00e3o quer ou n\u00e3o pode (?) fazer. Triste e pouco recomend\u00e1vel. Contudo, se policiais irrespons\u00e1veis se paramentam de milicianos para negociar com o tr\u00e1fico, por que representantes do povo n\u00e3o devem se travestir de ca\u00e7adores de bandidos? O medo \u00e9 que ocorra com os \u201cjusticeiros\u201d o mesmo que ocorreu com os membros dos extintos esquadr\u00f5es da morte. Na \u00e9poca, esses grupos paramilitares eram definidos como policiais que eliminavam marginais considerados irrecuper\u00e1veis.<\/p>\n<p>Nos anos 80, o \u201ccolegiado\u201d passou por uma inflex\u00e3o, transformando-se em \u201cgrupos de exterm\u00ednio\u201d. O mais famoso Esquadr\u00e3o da Morte surgiu em 1964, a partir da Scuderie Detetive Le Cocq, quando seus membros se reuniram para vingar a morte do detetive Milton Le Cocq. Milton foi um agente influente da pol\u00edcia de ent\u00e3o, assassinado por Cara de Cavalo, marginal que atuava na Favela do Esqueleto, hoje campus da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). O problema foi o abuso de poder. Temidos e cru\u00e9is, alguns desses grupamentos, como o paulista Rota 66, passaram a servir \u00e0 ditadura, cometendo numerosas atrocidades contra os que se opunham aos militares. Matador de bandido no Rio foi o anarquista M\u00e3o Branca dos anos 80. An\u00f4nimo, ele matou e deu vida aos policiais que adoravam matar. Desapareceu como nasceu, mas at\u00e9 hoje, das estrelas, incomoda a bandidagem. O jornalista Amado Ribeiro que o diga. Que seu nome n\u00e3o seja novamente usado em v\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>*Mathuzal\u00e9m J\u00fanior \u00e9 jornalista profissional desde 1978<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Subir no cl\u00e1ssico bondinho das ladeiras do Morro de Santa Teresa, assistir ao sol nascer na areia da Praia de Copacabana, andar na orla do Leme, Ipanema, Leblon, Praia Vermelha, Barra da Tijuca, s\u00e3o Conrado ou Barra de Guaratiba, sambar a noite inteira nas quadras do Salgueiro, Mangueira, Grande Rio ou Beija-Flor, visitar a Floresta [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":318671,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[95],"class_list":["post-318669","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil","tag-capa"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/318669","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=318669"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/318669\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":318673,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/318669\/revisions\/318673"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/318671"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=318669"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=318669"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=318669"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}