{"id":318792,"date":"2023-12-09T00:05:46","date_gmt":"2023-12-09T03:05:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=318792"},"modified":"2023-12-08T23:07:06","modified_gmt":"2023-12-09T02:07:06","slug":"atlas-da-noticia-indica-ultimo-suspiro-de-midia-virtual-local","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/atlas-da-noticia-indica-ultimo-suspiro-de-midia-virtual-local\/","title":{"rendered":"Atlas da Not\u00edcia indica \u00faltimo suspiro de m\u00eddia virtual local"},"content":{"rendered":"<p>A sustentabilidade dos ve\u00edculos jornal\u00edsticos, em um ambiente cada vez mais digital onde interesse p\u00fablico e milit\u00e2ncia pol\u00edtica acabam se confundindo, foi o tema que abriu os debates no semin\u00e1rio Caminhos para um Jornalismo Sustent\u00e1vel, organizado pelo site <em>Congresso em Foc<\/em>o.<\/p>\n<p>Segundo os especialistas que participaram do semin\u00e1rio, a situa\u00e7\u00e3o financeira, em especial de ve\u00edculos locais, n\u00e3o est\u00e1 f\u00e1cil. Levantamento do Atlas da Not\u00edcia \u2013 iniciativa ligada ao Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo, que faz o mapeamento de ve\u00edculos produtores de not\u00edcia \u2013 mostra que 21,5% dos ve\u00edculos jornal\u00edsticos digitais que fazem coberturas locais n\u00e3o tiveram nenhuma receita em 2021.<\/p>\n<p>De acordo com o coordenador do Atlas da Not\u00edcia, S\u00e9rgio L\u00fcdtke, 68% desses ve\u00edculos faturaram at\u00e9 R$ 25 mil por m\u00eas em 2021; e apenas 71,4% dos ve\u00edculos jornal\u00edsticos locais s\u00e3o empresas legalmente constitu\u00eddas.<\/p>\n<p>\u201cIdentificamos que h\u00e1 [nesses ve\u00edculos] excesso de trabalho, sal\u00e1rios baixos e forma\u00e7\u00e3o deficiente dos jornalistas\u201d, destacou L\u00fcdtke. Ainda segundo o levantamento do Atlas da Not\u00edcia, em 40% dessas organiza\u00e7\u00f5es, todo trabalho \u00e9 feito de forma remota; 25,7% tem uma sede pr\u00f3pria; e apenas 36,8% dos gestores atuam no ve\u00edculo de maneira integral.<\/p>\n<p><strong>Situa\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nPresidente da Sociedade Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), K\u00e1tia Brembatti concordou ser dif\u00edcil manter a sustentabilidade desses ve\u00edculos jornal\u00edsticos. Ela, no entanto, acrescentou que manter o jornalismo investigativo \u00e9 ainda mais dif\u00edcil.<\/p>\n<p>\u201cA situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 terr\u00edvel. Estamos vivendo momentos muito dif\u00edceis em v\u00e1rios \u00e2mbitos. No conceitual sobre o que \u00e9 jornalismo; no \u00e2mbito da atua\u00e7\u00e3o profissional de quem vai para a rua, entrevista e faz reportagem; e na sustentabilidade financeira para manter o neg\u00f3cio, inclusive para manter bons profissionais\u201d, detalhou.<\/p>\n<p>K\u00e1tia Brembatti aproveitou a presen\u00e7a, no evento, de representantes do Google para lan\u00e7ar um desafio: fazer um diagn\u00f3stico do ecossistema da internet, de forma a diferenciar o que \u00e9 e o que n\u00e3o \u00e9 jornalismo.<\/p>\n<p>\u201cO fato de estarmos protelando essa discuss\u00e3o est\u00e1 nos colocando em um cen\u00e1rio ainda mais preocupante, porque o mundo mudou na forma de fazer comunica\u00e7\u00e3o, e a gente ainda n\u00e3o fez a parada t\u00e9cnica necess\u00e1ria para discutir que jornalismo \u00e9 esse, e o que diferencia jornalismo do n\u00e3o jornalismo\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p><strong>Desinforma\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nSegundo Brembatti, a desinforma\u00e7\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno a ser combatido. \u201cS\u00e3o muitas vezes propagadas por pessoas que se dizem jornalistas, mas n\u00e3o o s\u00e3o. Enquanto n\u00e3o enfrentarmos essa discuss\u00e3o para diferenciar quem \u00e9 e quem n\u00e3o \u00e9 jornalista, vamos andar em c\u00edrculos\u201d, argumentou.<\/p>\n<p>\u201cO sigilo de fonte, por exemplo, \u00e9 um direito. N\u00e3o para proteger o jornalista, mas para proteger a sociedade. Quem tem direito a sigilo de fonte \u00e9 o jornalista. Mas tem uma s\u00e9rie de processos no Judici\u00e1rio alegando sigilo de fonte para quem n\u00e3o \u00e9 jornalista\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m participando da mesa de abertura do semin\u00e1rio, o secretario de politicas digitais da Secretaria de Comunica\u00e7\u00e3o da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica (Secom), Jo\u00e3o Brant, disse concordar que o jornalismo tem passado por problemas, devido ao mau uso da internet e de plataformas \u201cpor pessoas que se dizem mas n\u00e3o s\u00e3o jornalistas\u201d.<\/p>\n<p><strong>Liberdade de express\u00e3o<\/strong><br \/>\n\u201cPrecisamos aprofundar o diagn\u00f3stico sobre esses fatos, uma vez que as redes sociais est\u00e3o sendo usadas cada vez mais para a busca por not\u00edcias\u201d, disse Brant, ao comentar que a liberdade de express\u00e3o tem uma \u201cface mal iluminada\u201d e que a sociedade depende de informa\u00e7\u00f5es confi\u00e1veis e dispon\u00edveis para tomar suas decis\u00f5es no dia a dia.<\/p>\n<p>Ao defender a busca por formas de entendimento e diferencia\u00e7\u00e3o sobre o que \u00e9 jornalismo de interesse p\u00fablico e o que \u00e9 apenas milit\u00e2ncia pol\u00edtica disfar\u00e7ada de jornalismo, Brant ponderou que h\u00e1 casos de \u201cjornalismo profissional que n\u00e3o cumpre quesitos jornal\u00edsticos, e de jornalismo militante fazendo esfor\u00e7o de apura\u00e7\u00e3o, ouvindo os dois lados e desenvolvendo pautas e exposi\u00e7\u00f5es mais profissionais do que os profissionais [do ramo]\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEsse debate precisa ser feito na sua complexidade, sob pena de ficarmos apenas em r\u00f3tulos que n\u00e3o ajudam\u201d, concluiu.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A sustentabilidade dos ve\u00edculos jornal\u00edsticos, em um ambiente cada vez mais digital onde interesse p\u00fablico e milit\u00e2ncia pol\u00edtica acabam se confundindo, foi o tema que abriu os debates no semin\u00e1rio Caminhos para um Jornalismo Sustent\u00e1vel, organizado pelo site Congresso em Foco. 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