{"id":319314,"date":"2023-12-17T00:02:34","date_gmt":"2023-12-17T03:02:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=319314"},"modified":"2023-12-16T13:19:55","modified_gmt":"2023-12-16T16:19:55","slug":"brasil-vira-celeiro-do-agrotoxico-lula-precisa-cortar-mal-pela-raiz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/brasil-vira-celeiro-do-agrotoxico-lula-precisa-cortar-mal-pela-raiz\/","title":{"rendered":"Brasil vira celeiro do agrot\u00f3xico; Lula precisa cortar mal pela raiz"},"content":{"rendered":"<p>Maior consumidor de agrot\u00f3xicos do mundo, o Brasil j\u00e1 aprovou 505 novos registros de pesticidas apenas neste ano, de acordo com dados do Minist\u00e9rio da Agricultura e Pecu\u00e1ria (Mapa). Entre 2019 e 2022 foram liberados 2.181 novos registros, uma m\u00e9dia de 545 ao ano, e a expectativa \u00e9 que esse n\u00famero cres\u00e7a ainda mais com a recente aprova\u00e7\u00e3o do Projeto de Lei dos Agrot\u00f3xicos pelo Senado, caso seja sancionado pelo presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva.<\/p>\n<p>Entre outras altera\u00e7\u00f5es, o projeto prev\u00ea a cria\u00e7\u00e3o do risco aceit\u00e1vel para subst\u00e2ncias que atualmente t\u00eam registro proibido por terem impactos relacionados ao desenvolvimento de c\u00e2ncer, altera\u00e7\u00f5es hormonais, problemas reprodutivos ou danos gen\u00e9ticos.<\/p>\n<p>A publica\u00e7\u00e3o Atlas dos Agrot\u00f3xicos, produzida pela Funda\u00e7\u00e3o Heinrich B\u00f6ll, revela que desde 2016, o Brasil tem batido consecutivos recordes na s\u00e9rie hist\u00f3rica de registro de agrot\u00f3xicos, que teve in\u00edcio em 2000. Em 2022, foram 652 agrot\u00f3xicos liberados, sendo 43 princ\u00edpios ativos in\u00e9ditos.<\/p>\n<p>Com a aprova\u00e7\u00e3o do PL 1459\/2022, as mudan\u00e7as propostas oficializam a prioridade do Minist\u00e9rio da Agricultura no registro de novos agrot\u00f3xicos: a pasta passaria a ser o \u00fanico \u00f3rg\u00e3o registrador dos agrot\u00f3xicos, restando ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis (Ibama) e \u00e0 Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa), um papel subordinado de avalia\u00e7\u00e3o ou homologa\u00e7\u00e3o das avalia\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Embora concorde que o processo de registros atual seja lento, Alan Tygel, da Campanha Contra os Agrot\u00f3xicos, acredita que o ideal, na verdade, seria haver mais participa\u00e7\u00e3o do Ibama, Anvisa e Minist\u00e9rio da Agricultura para an\u00e1lises em vez de flexibiliza\u00e7\u00e3o da lei. \u201cO primeiro ano do Lula causou um descontentamento grande. Esper\u00e1vamos sinaliza\u00e7\u00e3o de maior preocupa\u00e7\u00e3o\u201d, avalia Tygel, um dos autores do Atlas dos Agrot\u00f3xicos.<\/p>\n<p>A Anvisa informa que um em cada quatro alimentos de origem vegetal no pa\u00eds cont\u00e9m res\u00edduos de agrot\u00f3xicos, proibidos ou em n\u00edveis superiores ao permitido por lei. O levantamento faz parte de um estudo do Programa de Avalia\u00e7\u00e3o de Res\u00edduos de Agrot\u00f3xicos, vinculado \u00e0 Anvisa, que analisou 1.772 amostras de 13 alimentos diferentes coletados em 79 munic\u00edpios brasileiros em 2022.<\/p>\n<p>Os resultados mostraram que 41,1% das amostras analisadas no estudo n\u00e3o possu\u00edam res\u00edduos de agrot\u00f3xicos, enquanto 33,9% estavam dentro dos limites permitidos. Contudo, 25% apresentaram inconformidades, como a presen\u00e7a de agrot\u00f3xicos n\u00e3o autorizados ou em quantidades excessivas. Mais grave ainda, 0,17% das amostras, ou tr\u00eas amostras, apresentaram risco agudo, que, segundo a Anvisa, representa dano \u00e0 sa\u00fade ao ingerir muito alimento com esses insumos em pouco tempo, como numa refei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Das 2,6 milh\u00f5es de toneladas de agrot\u00f3xicos utilizadas ao ano no mundo, o Brasil emerge como um dos maiores consumidores desse mercado que movimentou quase 28 bilh\u00f5es de euros, cerca de R$ 101 bilh\u00f5es, apenas em 2020, de acordo com o Atlas dos Agrot\u00f3xicos. O estudo da Funda\u00e7\u00e3o Heinrich B\u00f6ll Brasil, mostra que em 2021, o pa\u00eds se tornou o maior importador mundial dessas subst\u00e2ncias, com um salto de 384.501 toneladas em 2010 para 720.870 toneladas em 2021, portanto, um aumento de 87%.<\/p>\n<p><strong>Sa\u00fade p\u00fablica<\/strong><br \/>\nO crescimento no uso de agrot\u00f3xicos no Brasil coloca o pa\u00eds em uma posi\u00e7\u00e3o sens\u00edvel no que diz respeito \u00e0 seguran\u00e7a alimentar e \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica. A partir de dados da pr\u00f3pria Anvisa, o Atlas levantou que entre 2010 e 2019 foram registrados 56.870 casos de intoxica\u00e7\u00f5es por agrot\u00f3xicos, o que representa uma m\u00e9dia de 5.687 casos por ano, ou aproximadamente 15 pessoas intoxicadas diariamente. Entretanto, o pr\u00f3prio Minist\u00e9rio da Sa\u00fade do Brasil admite que o n\u00famero de subnotifica\u00e7\u00f5es \u00e9 elevado e que, logo, o n\u00famero real de pessoas intoxicadas pode ser maior.<\/p>\n<p>Este impacto se d\u00e1, tamb\u00e9m, na sa\u00fade de crian\u00e7as e adolescentes. Cerca de 15% de todas as v\u00edtimas de intoxica\u00e7\u00e3o por agrot\u00f3xicos no Brasil pertencem a esse grupo et\u00e1rio. Entre os beb\u00eas, foram 542 intoxicados no per\u00edodo de 2010 a 2019. Al\u00e9m disso, as gestantes tamb\u00e9m sofreram com esse cen\u00e1rio, com 293 delas intoxicadas no mesmo per\u00edodo. Com efeitos que se estendem al\u00e9m do pr\u00f3prio corpo, a situa\u00e7\u00e3o pode afetar a sa\u00fade de seus beb\u00eas por meio do leite materno e at\u00e9 mesmo antes do nascimento.<\/p>\n<p>O documento aponta para uma correla\u00e7\u00e3o entre a exposi\u00e7\u00e3o prolongada aos agrot\u00f3xicos e o aumento da incid\u00eancia de doen\u00e7as cr\u00f4nicas. As evid\u00eancias indicam uma alta taxa de desenvolvimento de doen\u00e7as como Parkinson, leucemia infantil, c\u00e2ncer de f\u00edgado e de mama, diabetes tipo 2, asma, alergias, obesidade e dist\u00farbios end\u00f3crinos.<\/p>\n<p>No curto prazo, a exposi\u00e7\u00e3o aguda a esses insumos est\u00e1 ligada a uma s\u00e9rie de sintomas debilitantes, como fadiga extrema, apatia, dores de cabe\u00e7a intensas e dor nos membros. Em situa\u00e7\u00f5es cr\u00edticas, h\u00e1 o risco de falha de \u00f3rg\u00e3os vitais, incluindo cora\u00e7\u00e3o, pulm\u00f5es e rins. Aproximadamente 11 mil pessoas morrem anualmente em todo o mundo devido a envenenamentos n\u00e3o intencionais por agrot\u00f3xicos.<\/p>\n<p>O Atlas mostra que, no Brasil, o Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) pode gastar at\u00e9 R$ 150 por caso de intoxica\u00e7\u00e3o por agrot\u00f3xicos, totalizando um custo estimado anual de R$ 45 milh\u00f5es. O custo para o SUS pode chegar a US$ 1,28 para cada US$ 1 investido em pesticidas, a depender do tratamento.<\/p>\n<p><strong>Agrot\u00f3xicos no mundo<\/strong><br \/>\nA exposi\u00e7\u00e3o a esse risco n\u00e3o se restringe ao Brasil. Atualmente, estima-se que ocorram cerca de 385 milh\u00f5es de casos de intoxica\u00e7\u00f5es agudas por agrot\u00f3xicos a cada ano em todo o mundo; em 1990, de acordo com dados da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), o n\u00famero total de intoxica\u00e7\u00f5es era de 25 milh\u00f5es. A escalada desses n\u00fameros ao longo dos anos pode ser atribu\u00edda ao uso intensificado de agrot\u00f3xicos em escala global. Hoje, 11 mil pessoas morrem anualmente em todo o mundo devido a envenenamentos n\u00e3o intencionais.<\/p>\n<p>Desde 1990, a quantidade mundial de agrot\u00f3xicos utilizados aumentou em quase 62%, com crescimento expressivos em regi\u00f5es espec\u00edficas: 484% na Am\u00e9rica do Sul e 97% na \u00c1sia. Essa acelera\u00e7\u00e3o no uso de agrot\u00f3xicos \u00e9 particularmente preocupante em regi\u00f5es do Sul Global, onde as regulamenta\u00e7\u00f5es ambientais, de sa\u00fade e seguran\u00e7a s\u00e3o muitas vezes mais fracas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maior consumidor de agrot\u00f3xicos do mundo, o Brasil j\u00e1 aprovou 505 novos registros de pesticidas apenas neste ano, de acordo com dados do Minist\u00e9rio da Agricultura e Pecu\u00e1ria (Mapa). 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