{"id":319338,"date":"2023-12-18T00:00:12","date_gmt":"2023-12-18T03:00:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=319338"},"modified":"2023-12-17T20:12:46","modified_gmt":"2023-12-17T23:12:46","slug":"medo-e-que-el-loco-vire-cavalo-paraguaio-da-economia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/medo-e-que-el-loco-vire-cavalo-paraguaio-da-economia\/","title":{"rendered":"Medo \u00e9 que El Loco vire cavalo paraguaio da economia"},"content":{"rendered":"<p>O pacote econ\u00f4mico anunciado pelo governo do presidente Javier Milei, na Argentina, deve causar impactos expressivos e imediatos na maioria da popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. Para entender as poss\u00edveis consequ\u00eancias dessas medidas, a <em>Ag\u00eancia Brasil<\/em> entrevistou dois professores de economia de diferentes correntes de pensamento.<\/p>\n<p>Para o economista Andr\u00e9 Roncaglia, professor da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp), as medidas anunciadas devem cobrar um alto custo da maioria da popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds em uma verdadeira \u201cterapia de choque\u201d, que abre a possibilidade de convuls\u00f5es sociais.<\/p>\n<p>\u201cV\u00e3o tentar fazer uma terapia de choque na sociedade argentina, baseados num diagn\u00f3stico equivocado do ponto de vista te\u00f3rico, porque est\u00e1 tomando o efeito como causa. O d\u00e9ficit fiscal \u00e9 mais efeito do processo inflacion\u00e1rio do que causa e a terapia que eles est\u00e3o propondo tem o risco de causar uma severa recess\u00e3o na economia\u201d, alerta.<\/p>\n<p>Analise diferente faz o professor de economia da Universidade Federal de Minas Gerais Mauro Sayar, para quem o d\u00e9ficit p\u00fablico deve ser combatido com medidas duras. Ele pondera que os efeitos negativos devem ser amenizados pelo aumento dos benef\u00edcios sociais anunciados pelo governo.<\/p>\n<p>\u201cMedidas que aparentemente s\u00e3o boas, que a gente fala que s\u00e3o populistas e que v\u00eam sendo implementados na Argentina por v\u00e1rios governos, durante v\u00e1rios anos, mostraram-se equivocadas. Querer que coisas similares sejam colocadas em pr\u00e1tica \u00e9 desejar que a Argentina continue ruim. Infelizmente, tem horas que medidas mais duras devem ser tomadas\u201d, avalia.<\/p>\n<p>As an\u00e1lises divergentes podem ser explicadas porque, enquanto o professor Roncaglia \u00e9 identificado com o campo heterodoxo e desenvolvimentista da economia, o Sayar \u00e9 identificado com um campo liberal. S\u00e3o correntes de pensamento que, na maioria das vezes, divergem quanto as causas e as consequ\u00eancias dos eventos econ\u00f4micos.<\/p>\n<p><strong>Medidas<\/strong><br \/>\nO ministro da Economia da Argentina, Luis Caputo, defende que a origem de todos os problemas econ\u00f4micos do pa\u00eds \u00e9 o d\u00e9ficit fiscal do Estado, que gasta mais do que consegue arrecadar. \u201cEssa \u00e9 a raz\u00e3o dos nossos problemas. Por isso, agora, o que vamos fazer \u00e9 o oposto o que sempre foi feito, solucionar esse problema pela raiz\u201d, disse Caputo, que foi secret\u00e1rio de Finan\u00e7as durante o governo de Maur\u00edcio Macri (2015-2019).<\/p>\n<p>Para reduzir o d\u00e9ficit fiscal prim\u00e1rio, previsto para ser de menos de 3% do PIB (soma de todos os bens e servi\u00e7os produzidos no pa\u00eds) em 2024, o governo anunciou a redu\u00e7\u00e3o dos subs\u00eddios ao transporte e \u00e0 energia; a desvaloriza\u00e7\u00e3o da moeda em 50% (de 400 pesos para 800 pesos o valor do d\u00f3lar oficial); a redu\u00e7\u00e3o de 18 para nove minist\u00e9rios e de 106 para 54 secretarias; o cancelamento das obras p\u00fablicas j\u00e1 licitadas e n\u00e3o iniciadas, al\u00e9m de prometer n\u00e3o iniciar novas obras p\u00fablicas; a taxa\u00e7\u00e3o da importa\u00e7\u00e3o e exporta\u00e7\u00e3o, acabando com as licen\u00e7as para importar; al\u00e9m de n\u00e3o renovar os contratos dos trabalhadores com menos de 1 ano de servi\u00e7o no Estado.<\/p>\n<p>A promessa \u00e9 que essas medidas possam combater a infla\u00e7\u00e3o na Argentina, que fechou novembro em 160%, considerando o acumulado dos \u00faltimos 12 meses.<\/p>\n<p>O ministro da Economia reconhece que as medidas v\u00e3o piorar a situa\u00e7\u00e3o, no in\u00edcio, mas prometeu que, ap\u00f3s o choque inicial, a economia deve melhorar. \u201cVamos estar durante uns meses pior que antes, particularmente em termos de infla\u00e7\u00e3o\u201d, admitiu. Para amenizar os efeitos negativos da medida, o governo duplicou o valor do benef\u00edcio assistencial e aumentou o cart\u00e3o alimenta\u00e7\u00e3o em 50%.<\/p>\n<p><strong>Prejudica a maioria<\/strong><br \/>\nO professor Roncaglia explica que as medidas devem aumentar a infla\u00e7\u00e3o, prejudicando a maioria da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cAs medidas geram uma press\u00e3o inflacion\u00e1ria hoje, o que deprime os sal\u00e1rios de maneira muito profunda, gera dificuldade para os exportadores, porque est\u00e1 tributando exporta\u00e7\u00f5es e tributando importa\u00e7\u00f5es e n\u00e3o gera incentivo ao investimento. Ent\u00e3o, a combina\u00e7\u00e3o desses elementos sobrecarrega as massas populares no que diz respeito a suportar o custo da estabiliza\u00e7\u00e3o, ou seja, os trabalhadores, pensionistas e funcion\u00e1rios p\u00fablicos\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Por outro lado, acredita que a popula\u00e7\u00e3o mais rica n\u00e3o deve sentir o mesmo efeito. \u201cA camada mais rica da popula\u00e7\u00e3o que tem d\u00f3lar expatriado, que est\u00e1 fora do pa\u00eds, n\u00e3o vai sofrer nada\u201d, completou.<\/p>\n<p>O economista disse ainda que n\u00e3o h\u00e1 certeza de que a retomada econ\u00f4mica ocorra ap\u00f3s a terapia de choque. \u201c\u00c9 algo que n\u00e3o tem absolutamente nenhuma certeza, nenhuma seguran\u00e7a, porque eles n\u00e3o est\u00e3o atacando a causa do problema e a causa do problema inflacion\u00e1rio \u00e9 a falta de d\u00f3lares\u201d, ponderou.<\/p>\n<p>Para Roncaglia, as medidas anunciadas ter\u00e3o dificuldades em atrair d\u00f3lares, o que pode vir a ocorrer por meio de novos empr\u00e9stimos ao Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI). \u201cA quest\u00e3o que fica \u00e9, o que o FMI est\u00e1 disposto a emprestar para a Argentina? \u00c9 suficiente para estabilizar a economia?\u201d, questiona.<\/p>\n<p><strong>D\u00e9ficit alimenta a infla\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nO economista Mauro Sayar, em contraponto, acha que a popula\u00e7\u00e3o mais pobre j\u00e1 est\u00e1 sofrendo com a infla\u00e7\u00e3o, e acredita que a forma de combat\u00ea-la \u00e9 equilibrando as contas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>\u201c[Com o ajuste fiscal] o governo passa a ter mais cr\u00e9dito, coisa que o governo argentino n\u00e3o tem. Ningu\u00e9m est\u00e1 disposto a financiar um governo em que voc\u00ea compra um t\u00edtulo do governo que esse t\u00edtulo n\u00e3o vai valer nada porque vai ser corro\u00eddo pela infla\u00e7\u00e3o\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Sayar tamb\u00e9m defende o corte nos subs\u00eddios que, na sua vis\u00e3o, beneficia parcela mais rica da popula\u00e7\u00e3o, como no caso dos subs\u00eddios aos combust\u00edveis. \u201cN\u00e3o se deve ficar dando subs\u00eddios para tornar os pre\u00e7os de produtos artificialmente mais baratos. Vamos ver quais s\u00e3o os verdadeiros pre\u00e7os. Os pre\u00e7os devem refletir os custos das mercadorias\u201d, explica.<\/p>\n<p>As medidas do Milei tamb\u00e9m foram elogiadas pelo FMI. As medidas podem ajudar a \u201cestabilizar a economia e estabelecer as bases para um crescimento mais sustent\u00e1vel e liderado pelo setor privado\u201d, segundo Julie Kozarck, diretor de Comunica\u00e7\u00f5es do FMI.<\/p>\n<p>Por outro lado, movimentos sociais e sindicais argentinos prometem protestos contra o pacote de austeridade fiscal. Contra os protestos, o governo prometeu usar as For\u00e7as Armadas caso as manifesta\u00e7\u00f5es prejudiquem a circula\u00e7\u00e3o de pessoas e mercadorias.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O pacote econ\u00f4mico anunciado pelo governo do presidente Javier Milei, na Argentina, deve causar impactos expressivos e imediatos na maioria da popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. Para entender as poss\u00edveis consequ\u00eancias dessas medidas, a Ag\u00eancia Brasil entrevistou dois professores de economia de diferentes correntes de pensamento. 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