{"id":319665,"date":"2023-12-23T19:10:43","date_gmt":"2023-12-23T22:10:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=319665"},"modified":"2023-12-23T19:32:02","modified_gmt":"2023-12-23T22:32:02","slug":"auto-de-natal-mistura-tradicao-e-cultura-popular","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/auto-de-natal-mistura-tradicao-e-cultura-popular\/","title":{"rendered":"Auto de Natal mistura tradi\u00e7\u00e3o e cultura popular"},"content":{"rendered":"<p>Comemorar a chegada do Natal, mas com um toque brasileiro, no lugar da caracteriza\u00e7\u00e3o com flocos de neve que fazem mais sentido no Hemisf\u00e9rio Norte. \u00c9 com a proposta de fazer essa transposi\u00e7\u00e3o entre universos distintos que o espet\u00e1culo Baile do Menino Deus: Uma brincadeira de Natal retorna \u00e0 Pra\u00e7a do Marco Zero, no Recife, onde ganha holofotes desde 2004.<\/p>\n<p>A pe\u00e7a, que completa 40 anos nesta semana, deve reunir um p\u00fablico de 75 mil pessoas, sem contar com a audi\u00eancia no YouTube, onde poder\u00e1 ser assistida ao vivo na segunda-feira (25), \u00e0s 20h.<\/p>\n<p>O auto de Natal, criado pelo escritor Ronaldo Correia de Brito, autor do romance Galileia, Francisco Assis Lima e Antonio Madureira, tem porte de \u00f3pera, j\u00e1 que envolve cerca de 300 pessoas. S\u00e3o artistas das artes c\u00eanicas, do frevo, do maracatu, do cavalo marinho e outros com diversas fun\u00e7\u00f5es dentro da esfera da m\u00fasica, incluindo coros adulto e infantil.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o espet\u00e1culo conta com expoentes do movimento hip hop e nomes como o cantor pernambucano Alm\u00e9rio. Os ensaios da equipe come\u00e7aram em agosto, segundo o escritor, que tamb\u00e9m dirige a pe\u00e7a.<\/p>\n<p>&#8220;Para um espet\u00e1culo desse tamanho se realizar, \u00e9 preciso muita gente por tr\u00e1s do pano, na camarinha, equipe t\u00e9cnica, de reportagem, de produ\u00e7\u00e3o&#8221;, comenta o ator fulni-\u00f4 Caique Ferraz, o primeiro ind\u00edgena a interpretar Jos\u00e9.<\/p>\n<p>Um aspecto que marcou o ator, durante o processo de constru\u00e7\u00e3o do personagem e ensaios, foi saber que as pessoas em geral desconhecem a dimens\u00e3o dos conhecimentos dominados pelos ind\u00edgenas de sua regi\u00e3o. &#8220;O Brasil \u00e9 um pa\u00eds continental, e posso repetir esse clich\u00ea maravilhoso. Mas, al\u00e9m de continental, \u00e9 diverso, ecl\u00e9tico culturalmente. E, quando falo isso, \u00e9 porque, em cada pedacinho de ch\u00e3o do nosso pa\u00eds, temos muita cultura, muita riqueza hist\u00f3rica.&#8221;<\/p>\n<p>A jornada teve in\u00edcio na forma de um esbo\u00e7o de representa\u00e7\u00e3o teatral idealizada por Assis Lima, que foi enviado ao amigo Correia de Brito. Em trabalho conjunto com Madureira, tamb\u00e9m na casa dos 30 anos de idade, a representa\u00e7\u00e3o se transformou em nove composi\u00e7\u00f5es musicais, todas inspiradas em ritmos pernambucanos, nordestinos, brasileiros ou ib\u00e9ricos.<\/p>\n<p>As conex\u00f5es entre os tr\u00eas amigos, para dar andamento ao projeto, ficaram impressas em cartas e em &#8220;papos&#8221; por telefone. Da parceria, surgiu um disco, gravado na extinta Rozenblit e lan\u00e7ado pelo selo Eldorado, em 1983.<\/p>\n<p>Naquele ano, sua cria\u00e7\u00e3o se esticou sobre as cadeiras do Teatro Valdemar de Oliveira, lotado. Ao todo, os tr\u00eas companheiros ficaram em cartaz por oito anos, com a pe\u00e7a. &#8220;Mas sempre sonhamos que o lugar dessa pe\u00e7a era a rua, que \u00e9 o lugar de onde veio&#8221;, diz Correia de Brito.<\/p>\n<p>Com o passar dos anos, o auto se alongou um pouco mais, chegando a ocupar centenas de escolas a terreiros, de assentamentos a comunidades quilombolas. Os rodopios do baile, pa\u00eds afora, se deve grandemente ao apoio recebido pelo Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE), atrav\u00e9s do qual cerca de 700 mil exemplares com o texto da pe\u00e7a foram impressos.<\/p>\n<p><strong>S\u00edmbolos universais<\/strong><br \/>\nO que o espet\u00e1culo mant\u00e9m, no campo da tradi\u00e7\u00e3o, \u00e9 a conta\u00e7\u00e3o do nascimento de Jesus, filho de Maria e Jos\u00e9. Contudo, a narra\u00e7\u00e3o introduz elementos como folguedos e brincadeiras populares, como o ritual de abertura da porta do reisado, al\u00e9m de reflex\u00f5es sobre eventos recentes, que est\u00e3o, obviamente, em constante atualiza\u00e7\u00e3o e navegam pelo campo da pol\u00edtica, como a vulnerabilidade vivenciada por ind\u00edgenas em territ\u00f3rios que se tornam palco de conflitos.<\/p>\n<p>&#8220;Nas lapinhas, nos reisados e nas brincadeiras populares, existe essa manifesta\u00e7\u00e3o da atualidade&#8221;, observa o diretor da pe\u00e7a, explicando que, ao colocar refer\u00eancias como o terreiro de umbanda em cena significa reafirmar que, &#8220;Sim, estamos presentes, somos povo, somos gente, estamos nessa festa&#8221;.<\/p>\n<p>Uma das met\u00e1foras que o auto traz s\u00e3o as portas, que, conforme esclarece Correia de Brito, representam a disponibilidade que o espet\u00e1culo estimula o p\u00fablico a desenvolver, em rela\u00e7\u00e3o a outras pessoas e ao diferente. Outros paralelos tamb\u00e9m s\u00e3o tra\u00e7ados, como um jogo com o nome Nazar\u00e9, que acompanha o da fam\u00edlia de Jesus, j\u00e1 que, em Pernambuco, h\u00e1 um munic\u00edpio chamado Nazar\u00e9 da Mata. &#8220;\u00c0 medida que eu via o povo galileu, entendia que a Galileia \u00e9 um Brasil, uma favela do Rio e de S\u00e3o Paulo, aqui de Recife.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Comemorar a chegada do Natal, mas com um toque brasileiro, no lugar da caracteriza\u00e7\u00e3o com flocos de neve que fazem mais sentido no Hemisf\u00e9rio Norte. \u00c9 com a proposta de fazer essa transposi\u00e7\u00e3o entre universos distintos que o espet\u00e1culo Baile do Menino Deus: Uma brincadeira de Natal retorna \u00e0 Pra\u00e7a do Marco Zero, no Recife, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":319666,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[95],"class_list":["post-319665","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil","tag-capa"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/319665","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=319665"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/319665\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":319667,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/319665\/revisions\/319667"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/319666"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=319665"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=319665"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=319665"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}