{"id":320090,"date":"2024-01-04T08:42:00","date_gmt":"2024-01-04T11:42:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=320090"},"modified":"2024-01-04T08:42:00","modified_gmt":"2024-01-04T11:42:00","slug":"teto-do-rotativo-reduz-endividamento-mas-os-juros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/teto-do-rotativo-reduz-endividamento-mas-os-juros\/","title":{"rendered":"Teto do rotativo reduz endividamento, mas os juros&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>Em vigor desde a quarta-feira (3), o novo limite dos juros do rotativo do cart\u00e3o de cr\u00e9dito \u00e9 um importante passo para reduzir o endividamento no pa\u00eds, dizem especialistas. Eles alertam, no entanto, que a medida vale apenas para novos financiamentos e, mesmo com a redu\u00e7\u00e3o, os juros continuam altos, e os consumidores devem tomar cuidado para n\u00e3o se endividarem ainda mais.<\/p>\n<p>Quando o consumidor n\u00e3o paga o valor total da fatura do cart\u00e3o de cr\u00e9dito at\u00e9 o vencimento, automaticamente entra no cr\u00e9dito rotativo. Ou seja, contrai um empr\u00e9stimo e come\u00e7a a pagar juros sobre o valor que n\u00e3o conseguiu quitar. O problema \u00e9 que a taxa do rotativo est\u00e1 entre as mais altas do mercado.<\/p>\n<p>Segundo os dados mais recentes do Banco Central (BC), em outubro juros do rotativo do cart\u00e3o de cr\u00e9dito estavam, em m\u00e9dia, em 431,6% ao ano. Isso significa que uma pessoa que entre no rotativo em R$ 100 e n\u00e3o quita o d\u00e9bito, deve o equivalente a R$ 531,60 ap\u00f3s 12 meses.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s 30 dias no cr\u00e9dito rotativo, os consumidores devem quitar a d\u00edvida ou entrar no cr\u00e9dito parcelado e negoci\u00e1-la com as institui\u00e7\u00f5es financeiras.<\/p>\n<p>Agora, essa taxa de juros no rotativo ter\u00e1 um teto de 100%. Quem deixa de pagar uma fatura de R$ 100, por exemplo, pode ter que pagar, no m\u00e1ximo, o equivalente a R$ 200 ap\u00f3s 12 meses.<\/p>\n<p>Segundo o diretor Executivo do Procon-SP, Luiz Orsatti Filho, a medida \u00e9 um passo importante. No entanto, acredita que a taxa idealmente deveria ser ainda menor. \u201c[A medida] vai beneficiar o p\u00fablico em geral e n\u00e3o apenas o superendividado, que tem essa d\u00edvida com o cart\u00e3o de cr\u00e9dito, mas o p\u00fablico em geral que, \u00e0s vezes, precisa fazer algum tipo de financiamento\u201d, diz. \u201cPara um pa\u00eds como o Brasil, esse \u00edndice infelizmente ainda \u00e9 muito alto. \u00c9 um passo importante, mas ainda temos muito a caminhar, mas n\u00e3o deixa de ser um passo importante\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>No Brasil, tr\u00eas a cada quatro fam\u00edlias est\u00e3o endividadas. Segundo a Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Com\u00e9rcio de Bens, Servi\u00e7os e Turismo (CNC), 76,6% das fam\u00edlias brasileiras t\u00eam d\u00edvidas a vencer em cart\u00e3o de cr\u00e9dito, cheque especial, carn\u00ea de loja, cr\u00e9dito consignado, empr\u00e9stimo pessoal, cheque pr\u00e9-datado e presta\u00e7\u00f5es de carro e da casa. O maior percentual de d\u00edvidas em atraso (36,6%) \u00e9 dos consumidores de baixa renda, de at\u00e9 tr\u00eas sal\u00e1rios m\u00ednimos.<\/p>\n<p>A pesquisa mostra tamb\u00e9m que o cart\u00e3o de cr\u00e9dito ainda \u00e9 o mais usado pelos endividados, atingindo 87,7% do total de devedores. \u201cQualquer cr\u00e9dito deve ser a \u00faltima op\u00e7\u00e3o de qualquer situa\u00e7\u00e3o. Pode ser uma emerg\u00eancia, pode ser o acaso, mas deve ser a \u00faltima op\u00e7\u00e3o, e claro, procurar institui\u00e7\u00f5es financeiras autorizadas pelo Banco Central, n\u00e3o qualquer tipo de agente n\u00e3o oficial. E, claro, buscar o cr\u00e9dito mais barato, seja ele consignado, pessoal e, por \u00faltimo o rotativo\u201d, diz Orsatti Filho.<\/p>\n<p><strong>Crescimento econ\u00f4mico<\/strong><br \/>\nSegundo o presidente do Instituto Locomotiva e fundador do Data Favela, Renato Meirelles, a medida \u00e9 acertada, uma vez que o rotativo \u00e9 uma das maiores causas do endividamento. \u201cOs juros do rotativo eram maiores do que os que qualquer consumidor de baixa renda pagaria a um agiota do bairro onde mora, por exemplo. Sei que a frase \u00e9 forte, mas \u00e9 uma verdade absoluta. N\u00e3o tinha nenhum modelo de empr\u00e9stimo que cobrava mais juros do consumidor e acredito que o cr\u00e9dito rotativo \u00e9 o verdadeiro respons\u00e1vel pela inadimpl\u00eancia\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que a inadimpl\u00eancia cair, diz Meirelles, surgir\u00e3o novas necessidades dos consumidores. Al\u00e9m disso, novas condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas provocadas pela redu\u00e7\u00e3o dos juros dever\u00e3o influenciar a decis\u00e3o das autoridades e dos bancos. \u201cSe isso vai levar a uma queda ainda maior dos juros, isso o tempo vai dizer. Mas o que a gente v\u00ea \u00e9 um incentivo, um caminho da economia nacional de redu\u00e7\u00e3o da taxa de juros, o que tem impacto grande na redu\u00e7\u00e3o da inadimpl\u00eancia, de um lado, e no aumento do cr\u00e9dito \u00e0 popula\u00e7\u00e3o de menor renda, por outro, o que incentiva o crescimento de toda a economia\u201d, diz.<\/p>\n<p>Pesquisas realizadas pelo Instituto Locomotiva em setembro de 2023 mostram a import\u00e2ncia do cr\u00e9dito para os brasileiros, que acabam usando a modalidade para comprar bens de necessidade e tamb\u00e9m para realizar sonhos. Meirelles destaca tamb\u00e9m a import\u00e2ncia da modalidade de parcelamento sem juros, cuja mudan\u00e7a ou extin\u00e7\u00e3o chegou a ser cogitada em 2023.<\/p>\n<p>De acordo com o Instituto Locomotiva, a inadimpl\u00eancia chega a 50% entre aqueles que parcelaram com juros, caindo para 33% entre os que parcelaram a compra sem juros. Por isso, para Meirelles, a redu\u00e7\u00e3o do juro do rotativo foi acertada e ter\u00e1 impactos positivos.<\/p>\n<p><strong>Adequa\u00e7\u00e3o dos limites<\/strong><br \/>\nPara a professora de finan\u00e7as da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV) Myrian Lund, a redu\u00e7\u00e3o da taxa de juros dever\u00e1 fazer com que os bancos e as institui\u00e7\u00f5es financeiras reduzam tamb\u00e9m os limites dos cart\u00f5es de cr\u00e9dito \u201cCada banco te d\u00e1 um limite astron\u00f4mico e isso acaba levando as pessoas a consumir mais que a capacidade de pagamento\u201d, diz.<\/p>\n<p>Com a queda dos juros, as institui\u00e7\u00f5es deixar\u00e3o de ganhar com as taxas dos endividados e isso poder\u00e1 fazer com que revejam os limites, adequando-os \u00e0 capacidade de pagamento de cada consumidor. \u201cO limite do cart\u00e3o acaba virando complemento da renda. Na verdade, o que precisa \u00e9 um processo de educa\u00e7\u00e3o financeira, onde tem que se adequar ao que ganha\u201d.<\/p>\n<p>A taxa de 100% da d\u00edvida total, diz Lund, continua alta. Por isso, a professora da FGV d\u00e1 algumas dicas aos consumidores para evitar o endividamento. Primeiro, ter apenas um cart\u00e3o de cr\u00e9dito ativo. \u201cA nossa mente n\u00e3o soma os v\u00e1rios cart\u00f5es que tem, sempre acha que gastou pouco\u201d, justifica.<\/p>\n<p>A segunda dica \u00e9 reduzir o limite do cart\u00e3o, para evitar gastar al\u00e9m do que se pode pagar. E, por fim, evitar o parcelamento sem juros, a n\u00e3o ser para bens de maior valor como um notebook ou uma geladeira, evitando usar essa modalidade em compras di\u00e1rias, como roupas, farm\u00e1cia ou mercado. \u201cTeria que guardar dinheiro para pagar no m\u00eas seguinte e s\u00e3o rar\u00edssimas as pessoas que fazem isso\u201d, diz a professora.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em vigor desde a quarta-feira (3), o novo limite dos juros do rotativo do cart\u00e3o de cr\u00e9dito \u00e9 um importante passo para reduzir o endividamento no pa\u00eds, dizem especialistas. 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