{"id":320117,"date":"2024-01-04T15:15:59","date_gmt":"2024-01-04T18:15:59","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=320117"},"modified":"2024-01-04T16:09:10","modified_gmt":"2024-01-04T19:09:10","slug":"capitalismo-aposta-em-guerra-sem-resultados-para-manter-caixa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/capitalismo-aposta-em-guerra-sem-resultados-para-manter-caixa\/","title":{"rendered":"Capitalismo aposta em guerra sem resultados para manter caixa"},"content":{"rendered":"<p>No jogo de morte que o capital desencadeia contra a humanidade neste momento, a guerra que cresce na cena mundial e a viol\u00eancia contra as condi\u00e7\u00f5es de vida da for\u00e7a de trabalho, t\u00eam uma tend\u00eancia cada vez mais acentuada para varrer do protagonismo pol\u00edtico toda a \u201cesquerda do sistema\u201d.<\/p>\n<p>S\u00f3 a guerra recorrente se revelou eficaz, ao longo da hist\u00f3ria do capitalismo, para limpar em grande escala os capitais obsoletos e iniciar um novo grande ciclo de acumula\u00e7\u00e3o. O problema \u00e9 que a destrui\u00e7\u00e3o tem de ser cada vez maior para compensar a dimens\u00e3o cada vez maior da gangrena e da fic\u00e7\u00e3o da economia capitalista \u2013 de sobre acumula\u00e7\u00e3o de capitais sem qual n\u00e3o bastam guerras parciais, possibilidade de valoriza\u00e7\u00e3o \u2013 para a localizadas ou de \u201cpequena escala\u201d, mas \u00e9 necess\u00e1ria uma nova guerra de dimens\u00f5es globais.<\/p>\n<p>\u00c9 o que Henryk Grossmann j\u00e1 afirmava (e anunciava) em 1929: \u201cO imperialismo caracteriza-se tanto pela estagna\u00e7\u00e3o como pela agressividade. Estas tend\u00eancias t\u00eam de ser explicadas na sua unidade. Se a monopoliza\u00e7\u00e3o causa estagna\u00e7\u00e3o, como podemos explicar o car\u00e1cter agressivo do imperialismo?<\/p>\n<p>Na verdade, ambos os fen\u00f3menos radicam, em \u00faltima an\u00e1lise, na tend\u00eancia para a decomposi\u00e7\u00e3o, na valoriza\u00e7\u00e3o imperfeita devido \u00e0 sobre acumula\u00e7\u00e3o. O crescimento do monop\u00f3lio \u00e9 um meio de melhorar a rentabilidade atrav\u00e9s do aumento dos pre\u00e7os e, neste sentido, \u00e9 apenas uma apar\u00eancia superficial cuja estrutura interna \u00e9 uma valoriza\u00e7\u00e3o insuficiente ligada \u00e0 acumula\u00e7\u00e3o de capital.<\/p>\n<p>O car\u00e1ter agressivo do imperialismo tamb\u00e9m deriva necessariamente de uma crise de valoriza\u00e7\u00e3o. O imperialismo \u00e9 um esfor\u00e7o para restaurar a valoriza\u00e7\u00e3o do capital a qualquer custo, para enfraquecer ou eliminar a tend\u00eancia \u00e0 rutura.<\/p>\n<p>Isto explica as suas pol\u00edticas agressivas a n\u00edvel interno (um ataque intensificado \u00e0 classe trabalhadora) e externo (um esfor\u00e7o para transformar na\u00e7\u00f5es estrangeiras em tribut\u00e1rias).<\/p>\n<p>Esta \u00e9 a base oculta do Estado rentista burgu\u00eas, do car\u00e1cter parasit\u00e1rio do capitalismo numa fase avan\u00e7ada de acumula\u00e7\u00e3o. \u00c0 medida que a valoriza\u00e7\u00e3o do capital falha nos pa\u00edses numa determinada fase superior de acumula\u00e7\u00e3o, o tributo que vem do estrangeiro torna-se cada vez mais importante. O parasitismo torna-se um m\u00e9todo para prolongar a vida do capitalismo.<\/p>\n<p>A oposi\u00e7\u00e3o entre o capitalismo e as suas for\u00e7as produtivas \u00e9 uma oposi\u00e7\u00e3o entre valor e valor de uso, entre a tend\u00eancia para uma produ\u00e7\u00e3o ilimitada de valor de uso e uma produ\u00e7\u00e3o de valores limitada pelos limites da valoriza\u00e7\u00e3o\u201d. Grossmann foi o marxista que, na altura, na minha opini\u00e3o, melhor compreendeu a formula\u00e7\u00e3o marxiana da tend\u00eancia para o colapso capitalista].<\/p>\n<p>A guerra total tem sido evitada at\u00e9 agora devido ao seu car\u00e1cter nuclear, isto \u00e9, devido \u00e0s consequ\u00eancias da cat\u00e1strofe global sem vencedores que acarretaria, embora todas as tend\u00eancias sist\u00e9micas nos tenham arrastado para ela, e j\u00e1 estejamos imersos nas suas primeiras manifesta\u00e7\u00f5es, que t\u00eam vindo a germinar com a otaniza\u00e7\u00e3o de toda a Europa de Leste, mais as batalhas contra a R\u00fassia na Ge\u00f3rgia, na Chech\u00e9nia, na Jugosl\u00e1via e no Azerbaij\u00e3o, entre outros lugares, at\u00e9 ao seu princ\u00edpio de eclos\u00e3o com a ofensiva na Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p>Este percurso mort\u00edfero torna-se ainda mais prov\u00e1vel se considerarmos que com a degenera\u00e7\u00e3o do capitalismo se d\u00e1 tamb\u00e9m a decad\u00eancia da sua pot\u00eancia dominante \u00e0 escala planet\u00e1ria, a qual est\u00e1 apostada em dividir o mundo em dois blocos, os que aceitam as suas ordens e os que n\u00e3o aceitam, para empreender a destrui\u00e7\u00e3o das forma\u00e7\u00f5es s\u00f3cio-estatais e das alian\u00e7as capazes de a aliviar, especialmente a China e as suas redes de interconex\u00f5es planet\u00e1rias (mesmo que para isso tenha de se livrar primeiro da R\u00fassia). Ao faz\u00ea-lo, for\u00e7a todos os seus subordinados \u00e0 autodestrui\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica e militar (como exemplificam pateticamente a UE, a Austr\u00e1lia e o Jap\u00e3o).<\/p>\n<p>Mas um novo ciclo de guerra de tais dimens\u00f5es exige tamb\u00e9m um novo ciclo de fascistiza\u00e7\u00e3o ou nazifica\u00e7\u00e3o, bem como uma renovada cumplicidade total da (neo-)social-democracia. Al\u00e9m disso, como acabo de dizer, a militariza\u00e7\u00e3o de todas as forma\u00e7\u00f5es s\u00f3cio-estatais diretamente subordinadas aos EUA (alinhadas no seu \u201cbloco\u201d contra o mundo emergente, como o Eixo do Caos contra a Grande Alian\u00e7a da estabilidade e benef\u00edcio m\u00fatuo nas rela\u00e7\u00f5es internacionais pretendida pela China).<\/p>\n<p>Esta \u00e9 precisamente uma declara\u00e7\u00e3o do Gabinete de Informa\u00e7\u00e3o do Conselho de Estado da Rep\u00fablica Popular da China: O fascismo corporativo ou corporativismo fascista \u00e9 a \u00fanica forma que o capitalismo ocidental concebe de organizar a sociedade para a colocar ao servi\u00e7o das decis\u00f5es centralizadas do grande capital. \u00c9 a rea\u00e7\u00e3o do Ocidente \u00e0s conquistas do planejamento econ\u00f4mico do socialismo pelo povo chin\u00eas organizado no seu Partido Comunista.<\/p>\n<p>A din\u00e2mica err\u00e1tica do \u201cmercado\u201d conduziu a uma concentra\u00e7\u00e3o cada vez maior do capital em cada vez menos m\u00e3os. Uma centraliza\u00e7\u00e3o antidemocr\u00e1tica que procura gerir a pol\u00edtica sem ter de sustentar o dispendioso circo medi\u00e1tico da democracia representativa burguesa.<\/p>\n<p>A guerra e o complexo militar dos EUA tornam-se vetores de for\u00e7a maior que subjugam todo o Ocidente ao fascismo corporativo que j\u00e1 vemos em pleno andamento um ano ap\u00f3s a resposta russa a 8 anos de provoca\u00e7\u00f5es nazis no Donbass sob a dire\u00e7\u00e3o da OTAN.<\/p>\n<p>O fascismo-nazismo que est\u00e1 a ser criado a partir dos centros nevr\u00e1lgicos da OTAN nesta fase hist\u00f3rica n\u00e3o ser\u00e1 certamente uma repeti\u00e7\u00e3o do que foi forjado no s\u00e9culo XX, mas assumir\u00e1 novas formas, passando despercebido a uma parte significativa da popula\u00e7\u00e3o at\u00e9 cair na sua teia de aranha (inclusive at\u00e9 agora, em grande medida, as op\u00e7\u00f5es fascistas ou para-fascistas que est\u00e3o a crescer no campo eleitoral, por um lado arrastam uma parte importante da popula\u00e7\u00e3o farta de experimentar os golpes do Capital, sob a capa de candidaturas pretensamente iconoclastas e antissistema (um suposto anarco-capitalismo que fala sobretudo de \u201cliberdade\u201d), enquanto por outro lado fazem o papel do ogre das hist\u00f3rias de terror, a fim de que a \u201cneosocial-democracia\u201d pare\u00e7a aceit\u00e1vel, ou pelo menos um mal menor a apoiar contra o ogre).<\/p>\n<p>Mas j\u00e1 \u00e9 um fato que as popula\u00e7\u00f5es europeias est\u00e3o a familiarizar-se e a aceitar lentamente o fascismo do s\u00e9culo XXI, e que apoiam ou se resignam a medidas laborais, sociais, migrat\u00f3rias, fiscais, monet\u00e1rias, financeiras e b\u00e9licas cada vez mais atrozes promovidas pelos \u00f3rg\u00e3os de comando da UE-OTAN (a primeira ao servi\u00e7o da segunda) e dos seus Estados membros. Tudo isto dirigindo a sua raiva contra os mais fracos (os pobres, os imigrantes, os \u201cdiferentes\u201d\u2026).<\/p>\n<p>Seja como for, deve ficar claro, em suma, que na conjuntura da Guerra Total o Sistema n\u00e3o pode permitir discrep\u00e2ncias democr\u00e1ticas e precisa de um cerrar de fileiras de todas as esquerdas do capital ou esquerdas integradas (\u201ccompat\u00edveis\u201d, como a pr\u00f3pria OTAN as designou, e muitas vezes \u201ccriadas\u201d ou recriadas \u2013 remodeladas \u2013 por ela pr\u00f3pria). E \u00e9 a isso que assistimos hoje: ao seguidismo da OTAN, passivo e ativo, pelas esquerdas do sistema.<\/p>\n<p>A neo-social-democracia, tanto \u00e0 frente de governos como na oposi\u00e7\u00e3o, volta a ser vista como a mais determinada belicista. A seu lado, a neo-esquerda, partidos verdes, nacionalistas e independentistas, assim como os partidos comunistas, aplaudem nazis ucranianos, n\u00e3o se insurgem contra o militarismo-armamentismo da NATO, quando n\u00e3o aprovam diretamente ou manifestam-se a favor do aumento dos or\u00e7amentos militares e do envio incessante de armas para algumas guerras, e especialmente para a guerra da OTAN contra a R\u00fassia na Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p>Tudo isto enquanto apoiam (ou aceitam) o bloqueio \u00e0 R\u00fassia e a auto-supress\u00e3o do abastecimento energ\u00e9tico, no que \u00e9 claramente o suic\u00eddio econ\u00f4mico, mas tamb\u00e9m pol\u00edtico da Europa, em detrimento acelerado da sua posi\u00e7\u00e3o no mundo.<\/p>\n<p>Este suic\u00eddio explica-se, em grande parte, por se tratar de um pseudo-continente invadido pelos EUA desde a II Guerra Mundial (com dezenas de bases militares espalhadas em grande parte do seu territ\u00f3rio, algumas delas com armas nucleares), para al\u00e9m de estar cada vez mais ligado \u00e0 fict\u00edcia economia norte-americana.<\/p>\n<p>Da\u00ed que a den\u00fancia das guerras capitalistas s\u00f3 servir\u00e1 de algo (nunca movimentos anti-guerra ou pacifistas impediram uma guerra, porque estas n\u00e3o t\u00eam raz\u00f5es \u201cpessoais\u201d, n\u00e3o est\u00e3o ligadas a considera\u00e7\u00f5es \u00e9ticas ou de valores, mas sim a raz\u00f5es estruturais, geradas pelo sistema capitalista, como parte da viol\u00eancia que todas as sociedades desiguais promoveram), se forem assinaladas a tempo as causas estruturais, muitas vezes c\u00edclicas, que a elas conduzem e os objetivos prosseguidos pela classe capitalista em cada lugar a cada momento, de modo a convocar parcelas crescentes da popula\u00e7\u00e3o para se oporem a esses massacres, o que, por sua vez e posteriormente, implica necessariamente a oposi\u00e7\u00e3o ao pr\u00f3prio sistema que as gera.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o, nossas esquerdas integradas, sejam \u201cvelhas\u201d ou \u201cnovas\u201d e institucionais ou n\u00e3o, na melhor das hip\u00f3teses optam por n\u00e3o se pronunciar, d\u00e3o sinais claros de n\u00e3o (quererem) compreender nada do que est\u00e1 em jogo no mundo e nunca apontam as causas profundas subjacentes a cada a\u00e7\u00e3o b\u00e9lica.<\/p>\n<p>Por outro lado, aqueles que supostamente desempenham o papel de encarnar o purismo revolucion\u00e1rio, exibindo o esquerdismo mais inconsciente e c\u00famplice, como a maior parte do anarquismo e, em geral, as correntes basistas (oriundas ou n\u00e3o do marxismo), bem como o trotskismo internacional, a OTAN cultural (que sabe sempre que lenga-lenga fazer prevalecer em cada esfera social e pol\u00edtica), e que estrategicamente move as suas pe\u00e7as pol\u00edticas de esquerda a cada momento) h\u00e1 muito que lan\u00e7ou a palavra-de-ordem de n\u00e3o estar \u201cnem com um nem com outro lado\u201d nas sucessivas guerras de destrui\u00e7\u00e3o, por encomenda ou diretas, atrav\u00e9s de \u201crevolu\u00e7\u00f5es coloridas\u201d ou com a intermedia\u00e7\u00e3o de jihadistas e paramilitares, que os EUA desencadeiam por todo o lado, sozinhos ou com a intermedia\u00e7\u00e3o de jihadistas e paramilitares. Os EUA desencadeiam por todo o lado, sozinhos ou com a colabora\u00e7\u00e3o de alguns dos seus subordinados europeus, ou com a OTAN no meio (como Imperialismo Ocidental Coletivo). Afeganist\u00e3o, Iraque, Som\u00e1lia, S\u00edria, L\u00edbia, Jugosl\u00e1via, I\u00e9men, Sud\u00e3o\u2026 s\u00e3o exemplos dram\u00e1ticos disso, como forma de destruir a liga\u00e7\u00e3o produtivo-comercial-financeira e o entendimento internacional que, com todos os seus defeitos e problemas, a China procura no mundo (par\u00e2metros coerentes com a sua economia produtiva planificada em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 economia fict\u00edcia e especulativa do Eixo Anglo-Sax\u00f3nico).<\/p>\n<p>O \u201cnem-nismo\u201d em geral torna-se mais perigoso \u00e0 medida que assiste, cada vez mais imperturb\u00e1vel e impotente, \u00e0 aniquila\u00e7\u00e3o de sociedades inteiras, \u00e0 dissemina\u00e7\u00e3o da barb\u00e1rie e \u00e0s agress\u00f5es imperiais por toda a parte, defendendo sempre uma \u201cpaz abstrata\u201d, intemporal, imposs\u00edvel, sem qualquer ideia ou vislumbre da constru\u00e7\u00e3o de sujeitos internacionais e internacionalistas capazes de enfrentar verdadeiramente cada guerra e, portanto, sem a an\u00e1lise e os fundamentos das possibilidades e dos caminhos da paz, que s\u00e3o necessariamente o oposto daqueles que desencadeiam as guerras no seio do Sistema.<\/p>\n<p>As suas proclama\u00e7\u00f5es s\u00e3o, portanto, t\u00e3o in\u00fateis quanto uma ora\u00e7\u00e3o. E s\u00e3o-no porque o resultado da \u201cequidist\u00e2ncia\u201d (do \u201cnem-nismo\u201d) \u00e9 invariavelmente deixar as coisas como est\u00e3o, e os poderes fortes do capital global a vaguearem e a destru\u00edrem como lhes apetece.<\/p>\n<p>Ou seja, o \u201cnem-nismo\u201d, como corrente promovida pelos centros de comando global do capital, como slogan e atitude a seguir pelo esquerdismo e pelos socialmente bondosos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s suas guerras, torna aqueles que segue tais slogans c\u00famplices, por vezes conscientes por vezes ing\u00e9nuos, mas necess\u00e1rios, da barb\u00e1rie do capital.<\/p>\n<p>O \u201cn\u00e3o \u00e0 guerra\u201d, sem alternativa pol\u00edtica a esta sociedade, est\u00e1 na origem de todas as guerras. Est\u00e1 no comportamento de muitos esp\u00edritos sens\u00edveis aos males deste mundo, ao mesmo tempo embevecidos pelas gratifica\u00e7\u00f5es que a propriedade privada capitalista ainda lhes d\u00e1, subjugados pela magnific\u00eancia do capitalismo, mas que n\u00e3o querem as suas consequ\u00eancias necess\u00e1rias.<\/p>\n<p>Por isso, contentam-se com o protesto f\u00e1cil, nascido do mero sentimento negativo (quanto mais fraco, mais festivo e pac\u00edfico) do que n\u00e3o querem que aconte\u00e7a numa sociedade que consideram sua e que ajudam a sustentar iludindo os outros com a sua pr\u00f3pria ilus\u00e3o no \u201cnunca mais\u201d \u2013 que, no entanto, acontece vezes sem conta. Guerra do Iraque 2003-08: A luta pela paz \u00e9 insepar\u00e1vel da luta para fazer prevalecer os princ\u00edpios cient\u00edficos do proletariado enquanto classe (nodo50.org). A indispensabilidade do movimento comunista.<\/p>\n<p>Porque a paz no seu sentido pleno (n\u00e3o como aus\u00eancia de focos de conflito nem como submiss\u00e3o aquiescente) significa a elimina\u00e7\u00e3o das desigualdades e das opress\u00f5es. E no caminho para a sua conquista \u00e9 por vezes necess\u00e1rio apoiar interven\u00e7\u00f5es militares defensivas e certas a\u00e7\u00f5es virulentas, n\u00e3o muito agrad\u00e1veis, n\u00e3o muito \u201cleves\u201d, das pr\u00f3prias lutas de classes.<\/p>\n<p>Porque a grande pol\u00edtica n\u00e3o \u00e9 uma dan\u00e7a de sal\u00e3o em que os interesses antag\u00f3nicos da classe dominante em rela\u00e7\u00e3o ao resto da sociedade se resolvem com conversas e boas inten\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Porque, como bem o demonstram as palavras do meu querido Brecht com que iniciei este artigo, as elites do capital continuar\u00e3o a fazer a guerra, e cada vez com mais intensidade, \u00e0 medida que se esgotam os recursos b\u00e1sicos, que se estrangula o combust\u00edvel do valor e que cai a taxa de lucro real e produtivo. Por mais que tentemos fechar os olhos e dizer \u201cn\u00e3o \u00e0 guerra\u201d e \u201cnem um nem outro\u201d.<\/p>\n<p>Por isso \u00e9 imperativo organizarmo-nos para o que a\u00ed vem, por isso \u00e9 essencial saber qual a nossa posi\u00e7\u00e3o no tabuleiro geopol\u00edtico onde est\u00e1 em jogo o destino dos povos, o da verdadeira PAZ e soberania, saber quem apoiar em cada momento face ao Imp\u00e9rio da OTAN, quem se defende e quem ataca apesar das apar\u00eancias, junto de quem h\u00e1 mais hip\u00f3teses de conseguir o fim de um ou outro surto de guerra, mesmo que a sua realidade s\u00f3cio-pol\u00edtica n\u00e3o seja a nossa ideal.<\/p>\n<p>Vale a pena recordar mais uma vez as palavras de Lenine de 1915: \u201cN\u00f3s, marxistas, diferimos dos pacifistas, assim como dos anarquistas, porque reconhecemos a necessidade de analisar historicamente (do ponto de vista do materialismo dial\u00e9tico de Marx) cada guerra separadamente\u201d.<\/p>\n<p>E em 1917: \u201cN\u00f3s, marxistas, n\u00e3o somos opositores incondicionais de qualquer guerra. Dizemos: o nosso objetivo \u00e9 o estabelecimento do socialismo que, ao eliminar a divis\u00e3o da humanidade em classes, ao eliminar toda a explora\u00e7\u00e3o do homem pelo homem e de uma na\u00e7\u00e3o por outras na\u00e7\u00f5es, eliminar\u00e1 infalivelmente toda a possibilidade de guerra em geral\u201d.<\/p>\n<p>Se h\u00e1 algo que parece claro, \u00e9 que no jogo de morte que o capital desencadeia atualmente contra a humanidade, a Guerra que engorda na cena mundial e a Viol\u00eancia contra as condi\u00e7\u00f5es de vida da for\u00e7a de trabalho, t\u00eam cada vez mais uma tend\u00eancia acentuada para varrer o conjunto das \u201cesquerdas do sistema\u201d do protagonismo pol\u00edtico relacionado com a a\u00e7\u00e3o reativa das popula\u00e7\u00f5es nos pr\u00f3ximos lustros. Porque tais esquerdas j\u00e1 mostraram que n\u00e3o t\u00eam nada de real, eficaz, para opor \u00e0 crescente barb\u00e1rie do capital, depois de se haverem integrado mansamente (como queria a burocracia social-democrata da II Internacional) na din\u00e2mica (hoje j\u00e1 decadente) da acumula\u00e7\u00e3o do capital.<\/p>\n<p>Vejam-se, por exemplo, as esquerdas integradas (que fazem parte do governo espanhol) do Reino de Espanha: todas submissas \u00e0 OTAN e \u00e0 UE. Sem o questionamento destas institui\u00e7\u00f5es, falar de \u201cpaz\u201d, \u201cdireitos humanos\u201d, \u201cbem-estar dos povos\u201d, \u201capoio a Gaza\u201d ou outros slogans que lan\u00e7am n\u00e3o passa de comprimidos para narcotizar as popula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No jogo de morte que o capital desencadeia contra a humanidade neste momento, a guerra que cresce na cena mundial e a viol\u00eancia contra as condi\u00e7\u00f5es de vida da for\u00e7a de trabalho, t\u00eam uma tend\u00eancia cada vez mais acentuada para varrer do protagonismo pol\u00edtico toda a \u201cesquerda do sistema\u201d. S\u00f3 a guerra recorrente se revelou [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":320118,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[95],"class_list":["post-320117","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasilia","tag-capa"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/320117","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=320117"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/320117\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":320119,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/320117\/revisions\/320119"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/320118"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=320117"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=320117"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=320117"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}