{"id":320361,"date":"2024-01-10T07:22:15","date_gmt":"2024-01-10T10:22:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=320361"},"modified":"2024-01-10T07:22:53","modified_gmt":"2024-01-10T10:22:53","slug":"monopolio-do-amor-ao-brasil-nao-e-de-patriotas-bolsonaristas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/monopolio-do-amor-ao-brasil-nao-e-de-patriotas-bolsonaristas\/","title":{"rendered":"Monop\u00f3lio do amor ao Brasil n\u00e3o \u00e9 de \u201cpatriotas\u201d bolsonaristas"},"content":{"rendered":"<p>Gostar, amar, se apegar, idolatrar e defender algu\u00e9m ou alguma coisa \u00e9 mais do que leg\u00edtimo. \u00c9 inerente ao ser humano. O problema \u00e9 quando essa legitimidade \u00e9 extrapolada, isto \u00e9, quando o interlocutor ou pregador decide enxergar somente aquilo que sua idolatria permite. \u00c9 o tal do fanatismo que, partindo de qualquer lado, \u00e1rea, segmento ou classe, costuma deixar a pessoa cega e surda. Muda, jamais. Como definiu Friedrich Nietzsche, a adora\u00e7\u00e3o \u00e9 a \u00fanica for\u00e7a de vontade acess\u00edvel aos fracos. Antes de prosseguir, cito Nietzsche com alguma frequ\u00eancia apenas pela intelig\u00eancia do fil\u00f3sofo, cr\u00edtico e poeta alem\u00e3o. Fa\u00e7o esse pre\u00e2mbulo para evitar que, como opositor vanguardista de dogmas e da exist\u00eancia, ele e eu possamos ser taxados de comunistas.<\/p>\n<p>Para ilustrar, Friedrich ficou marcado por seu \u00f3dio ao socialismo, inclusive nas suas formas mais adocicadas. Dito isto, reitero que, apesar de meus posicionamentos contr\u00e1rios ao patriotismo exacerbado, ao fervor e ao conservadorismo, nada tenho de comunista. Ali\u00e1s, o que \u00e9 ser comunista para aqueles que denominam de \u201ccomunas\u201d todos os que se manifestam contra a tirania? Como eles n\u00e3o sabem, \u00e9 melhor deixar como est\u00e1. Seja \u00e0 direita, seja \u00e0 esquerda, seja ao centro, n\u00e3o gosto de nenhum tipo de fanatismo. Segundo os pensadores, o fan\u00e1tico vive de inventar inimigos. \u00c9 um ser irracional, que tortura e mata em nome de suas cren\u00e7as. O 8 de janeiro est\u00e1 bem vivo em nossas mem\u00f3rias. A data nunca nos permitir\u00e1 mentir.<\/p>\n<p>Verdade absoluta n\u00e3o existe. Ela n\u00e3o tem dono. Em outras palavras, nenhum brasileiro tem o monop\u00f3lio do amor ao Brasil. Nem mesmo os \u201cpatriotas\u201d. Por isso, benevol\u00eancia, paci\u00eancia e, sobretudo, consci\u00eancia s\u00e3o as minhas palavras de ordem para dois mil e l\u00e1 ele. De modo a evitar conflitos \u00edntimos, nem esse n\u00famero cabal\u00edstico usarei este ano. Desisti, por exemplo, de criar narrativas a respeito daquele governo que fez muita gente chorar. Para n\u00e3o bater de frente com a convic\u00e7\u00e3o alheia, melhor dizer que ele foi \u00f3timo. Como diria nossa poetisa maior, perdeu porque n\u00e3o ganhou e n\u00e3o ganhou porque perdeu. Poderia ter empatado, mas n\u00e3o empatou porque perdeu. Simples assim.<\/p>\n<p>Benevolente e fingindo admitir que o preto \u00e9 branco e que a urna \u00e9 viol\u00e1vel, tamb\u00e9m decidi aceitar sem replicar a cara de pau do mo\u00e7o que diz que o 8 de janeiro foi obra da esquerda. O que fazer contra a ignor\u00e2ncia de outrem? Nada. Apenas lembrar que a obstina\u00e7\u00e3o e a intelig\u00eancia n\u00e3o conseguem conviver harmonicamente. O fundamentalismo \u00e9 o pr\u00f3prio toque de arrog\u00e2ncia e de indiferen\u00e7a com todos os que n\u00e3o compartilham com a vis\u00e3o de mundo de seus pregadores. Mais dif\u00edcil \u00e9 engolir apoiadores e financiadores ocultos da fracassada intentona participando da festa em que a Casa do Povo comemorou a democracia e a harmonia entre os poderes. O que fazer para frear a hipocrisia festiva e barata de alguns de nossos representantes?<\/p>\n<p>Fa\u00e7o minhas as palavras da ativista paquistanesa Malala Yousafzai, autora do s\u00e1bio e verdadeiro ditado \u201cA caneta \u00e9 mais poderosa do que a espada\u201d. Segundo ela, os extremistas t\u00eam medo dos livros e das canetas. Assim como as mulheres, o poder da educa\u00e7\u00e3o os assusta. O poder da voz feminina os apavora. Embora haja repulsa de um extremo pelo que saiu das urnas eletr\u00f4nicas, o mundo inteiro se recorda de que partiu das mulheres boa parte dos votos que garantiram a liberdade ao pa\u00eds. O restante veio dos nordestinos, cuja maioria est\u00e1 conseguindo agora o acesso aos livros e \u00e0s canetas.<\/p>\n<p>Considerando que do fanatismo \u00e0 barb\u00e1rie n\u00e3o h\u00e1 mais do que um passo, iniciei o ano preferindo uma novena \u00e0 irrita\u00e7\u00e3o ou aos queixumes desrespeitosos \u00e0queles que, por conta da devo\u00e7\u00e3o intolerante, facciosa e man\u00edaca a mitos, n\u00e3o abrem m\u00e3o de que seu pir\u00e3o saia primeiro, independentemente de que a farinha seja pouca. Estou benevolente. No entanto, \u00e9 imposs\u00edvel encerrar esta narrativa sem incorporar e aprimorar o esp\u00edrito anarquista de Stanislaw Ponte Preta: A prosperidade dos conservadores extremados \u00e9 a prova de que eles lutariam pelo progresso do subdesenvolvimento do povo brasileiro. Resumindo, melhor ser uma &#8220;metamorfose ambulante do que ter aquela velha opini\u00e3o formada sobre tudo\u201d.<\/p>\n<p><strong>*Mathuzal\u00e9m J\u00fanior \u00e9 jornalista profissional desde 1978<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gostar, amar, se apegar, idolatrar e defender algu\u00e9m ou alguma coisa \u00e9 mais do que leg\u00edtimo. \u00c9 inerente ao ser humano. 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