{"id":321005,"date":"2024-01-23T06:25:19","date_gmt":"2024-01-23T09:25:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=321005"},"modified":"2024-01-23T06:26:20","modified_gmt":"2024-01-23T09:26:20","slug":"apocalipse-comeca-por-alagoas-com-acoes-maleficas-da-braskem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/apocalipse-comeca-por-alagoas-com-acoes-maleficas-da-braskem\/","title":{"rendered":"Apocalipse come\u00e7a por Alagoas com a\u00e7\u00f5es mal\u00e9ficas da Braskem"},"content":{"rendered":"<p>O fim est\u00e1 pr\u00f3ximo \u2013 dizem. Desastres naturais cada vez mais frequentes, crise clim\u00e1tica, trag\u00e9dias humanas, seriam estes os sinais de que estamos mais perto da nossa extin\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>De fato, no ano passado, o Rel\u00f3gio do Ju\u00edzo Final acelerou. Esse rel\u00f3gio indica o que calculam os cientistas: temos cada vez menos tempo para tentar evitar uma cat\u00e1strofe global. Em 2020, antes da pandemia de COVID-19, os ponteiros marcavam 100 segundos para a meia-noite, que representa o colapso geral. Agora s\u00e3o 90 segundos.<\/p>\n<p>Para muitas popula\u00e7\u00f5es, o apocalipse j\u00e1 come\u00e7ou. Em Macei\u00f3 (AL), o ch\u00e3o se abriu, engolindo casas e ruas inteiras, por causa da explora\u00e7\u00e3o desenfreada de sal-gema pela petrol\u00edfera Braskem. Mais de 50 mil pessoas foram expulsas de suas resid\u00eancias. No ano passado, muitas foram despejadas de forma truculenta no meio da madrugada, como quem foge da guerra.<\/p>\n<p>Bairros inteiros viraram zonas fantasmas. Parecia o fim dos tempos. No meio daquele caos, contei a hist\u00f3ria de uma igreja que decidiu ficar e enfrentar o drag\u00e3o do Apocalipse. Para essa comunidade de f\u00e9, o monstro poderoso de sete cabe\u00e7as descrito pelo livro b\u00edblico \u00e9 a Braskem.<\/p>\n<p>A Igreja Batista do Pinheiro virou um s\u00edmbolo de resist\u00eancia na luta desigual das popula\u00e7\u00f5es atingidas na capital alagoana contra a gigante petroqu\u00edmica, disputa que se arrasta h\u00e1 anos. Reconhecido como Patrim\u00f4nio Material e Imaterial de Alagoas, o templo foi um dos \u00faltimos im\u00f3veis a serem desocupados no ano passado nas regi\u00f5es sob risco de colapso. Pouco tempo depois, a mina 18 rompeu na Lagoa Munda\u00fa, a alguns quarteir\u00f5es do templo.<\/p>\n<p>Embora a igreja esteja no mapa de risco da Braskem, que determina \u00e1reas de desocupa\u00e7\u00e3o, an\u00e1lises t\u00e9cnicas da pr\u00f3pria Defesa Civil de Macei\u00f3 e da Universidade Federal de Alagoas atestam que o im\u00f3vel est\u00e1 seguro e &#8220;n\u00e3o apresenta danos nas estruturas que gere o risco iminente de colapso&#8221;.<\/p>\n<p>No \u00faltimo acordo, firmado em julho, a petroqu\u00edmica se comprometeu a pagar R$ 1,7 bilh\u00e3o \u00e0 Prefeitura de Macei\u00f3 em contrapartida \u00e0s indeniza\u00e7\u00f5es pagas e impostos que deixaram de ser recolhidos dos 14 mil im\u00f3veis afetados. Mas, em compensa\u00e7\u00e3o, a empresa se tornar\u00e1 dona dos terrenos abandonados.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o faremos acordo com a Braskem, ainda que a gente sofra o dano. N\u00e3o queremos que ela se torne dona do nosso terreno&#8221;, me disse a pastora Odja Barros, da Batista do Pinheiro.<\/p>\n<p>Em dezembro, uma CPI foi instalada no Senado Federal para investigar as responsabilidades da Braskem no que \u00e9 apontado como o maior crime ambiental urbano do pa\u00eds. Mas os trabalhos s\u00f3 devem come\u00e7ar efetivamente em fevereiro deste ano, ap\u00f3s o recesso parlamentar.<\/p>\n<p>Enquanto isso, o templo est\u00e1 interditado e os cultos da Batista do Pinheiro est\u00e3o sendo realizados em locais cedidos e \u00e1reas p\u00fablicas. As fam\u00edlias expulsas dos seus territ\u00f3rios est\u00e3o sendo empurradas para as periferias pela especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria. Muitas n\u00e3o foram indenizadas ou reclamam de terem recebido valores muito abaixo do mercado.<\/p>\n<p>Grandes empresas, como a Braskem, &#8220;operam como drag\u00f5es, destruindo a terra&#8221;, diz a pastora. Elas s\u00e3o as grandes operadoras do mal neste mundo, cavaleiros do apocalipse que amea\u00e7am popula\u00e7\u00f5es vulner\u00e1veis, perseguem quilombolas e ind\u00edgenas. S\u00e3o gigantes empresariais que desmatam florestas e jogam poluentes nas \u00e1guas, na terra e no ar, fazendo a temperatura do planeta subir.<\/p>\n<p>Seria poss\u00edvel vencer esses drag\u00f5es e adiar o fim do mundo? A pastora Odja Barros acha que n\u00e3o. Mas ela diz que \u00e9 necess\u00e1rio n\u00e3o se curvar, n\u00e3o se vender e discernir as estruturas do mal que causam destrui\u00e7\u00e3o. O fim pode estar pr\u00f3ximo, mas as vozes de resist\u00eancia s\u00e3o muitas. No que depender de n\u00f3s, estaremos dispostos e abertos a ouvi-las.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O fim est\u00e1 pr\u00f3ximo \u2013 dizem. 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