{"id":321204,"date":"2024-01-26T05:22:11","date_gmt":"2024-01-26T08:22:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=321204"},"modified":"2024-01-26T05:48:46","modified_gmt":"2024-01-26T08:48:46","slug":"bolsonaro-apostou-todas-as-fichas-no-descredito-da-midia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/bolsonaro-apostou-todas-as-fichas-no-descredito-da-midia\/","title":{"rendered":"Bolsonaro apostou todas as fichas no descr\u00e9dito da m\u00eddia"},"content":{"rendered":"<p>A Federa\u00e7\u00e3o Nacional dos Jornalistas (Fenaj) acaba de publicar a \u00edntegra do seu Relat\u00f3rio da Viol\u00eancia contra Jornalistas e Liberdade de Imprensa. O n\u00famero total j\u00e1 havia sido divulgado h\u00e1 alguns dias, indicando que foram 181 casos em 2023, uma redu\u00e7\u00e3o de 51,86% em rela\u00e7\u00e3o a 2022. Dessa vez, foram apresentados outros detalhes, como os tipos de agress\u00e3o, as diferen\u00e7as por g\u00eanero e estado, assim como os principais agressores.<\/p>\n<p>A presidente da Fenaj, Samira de Castro, explica que mudan\u00e7as em dois tipos de agress\u00e3o foram decisivas para o resultado. E envolveram o ex-presidente da Rep\u00fablica Jair Bolsonaro e a Empresa Brasil de Comunica\u00e7\u00e3o (EBC).<\/p>\n<p>\u201cN\u00fameros ca\u00edram principalmente em fun\u00e7\u00e3o da queda da categoria \u2018descredibiliza\u00e7\u00e3o da imprensa\u2019, uma estrat\u00e9gia adotada pelo Bolsonaro durante o seu governo, que acabou em 2022. S\u00f3 para comparar, foi uma queda de 91,95% dessa categoria de um ano para o outro. E tamb\u00e9m houve uma queda da censura de 91,53%, sobretudo em fun\u00e7\u00e3o da mudan\u00e7a de comando na Empresa Brasil de Comunica\u00e7\u00e3o, que era um foco de censura contra o trabalho dos jornalistas, promovida por gestores p\u00fablicos e que representaram um caso grav\u00edssimo contra a liberdade de imprensa no pa\u00eds\u201d, disse Samira.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio aponta que, de 2019 a 2022, o ex-presidente foi respons\u00e1vel por 570 ataques contra ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o e jornalistas. Uma m\u00e9dia de 142,5 agress\u00f5es por ano e uma agress\u00e3o a cada dois dias e meio. O que, para a Fenaj, significa uma \u201cviol\u00eancia verdadeiramente institucionalizada\u201d. Chama a aten\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, que foram registrados mais casos em 2023 (181) do que os contabilizados em 2018 (135), antes do governo Bolsonaro.<\/p>\n<p>Em 2023, descredibiliza\u00e7\u00e3o da imprensa e censura deixaram de figurar entre os cinco primeiros tipos de agress\u00e3o. A lista agora \u00e9 liderada por amea\u00e7as, hostiliza\u00e7\u00f5es e intimida\u00e7\u00f5es (42 casos); agress\u00f5es f\u00edsicas (40); agress\u00f5es verbais, ataques virtuais (27); cerceamento \u00e0 liberdade de imprensa por a\u00e7\u00f5es judiciais (25); impedimentos ao exerc\u00edcio profissional (13).<\/p>\n<p>A Fenaj destaca que, apesar da queda geral, o n\u00famero de casos de viol\u00eancia contra jornalistas ainda \u00e9 alto no pa\u00eds. E que alguns tipos se mostram mais preocupantes, como o crescimento de 92,31% das a\u00e7\u00f5es judiciais que tem como objetivo cercear \u00e0 liberdade de imprensa. E o ataque contra sindicatos e sindicalistas, que aumentaram 266,67% de um ano para o outro.<\/p>\n<p><strong>Segmentos<\/strong><br \/>\nQuando se consideram os principais agressores, lideram a lista: pol\u00edticos, assessores, parentes (44 casos); manifestantes de extrema-direita (29); populares (17); policiais civis e militares (14); dirigentes, jogadores e torcedores de futebol (11). J\u00e1 os principais tipos de m\u00eddias e ve\u00edculos em que foram registradas as agress\u00f5es s\u00e3o: televis\u00e3o (81 casos), m\u00eddia digital (79), jornal (42), r\u00e1dio (17) e assessoria de imprensa (6).<\/p>\n<p>Na divis\u00e3o de v\u00edtimas por g\u00eaneros, homens foram 179 dos casos, mulheres por 66 e outros 17 n\u00e3o se identificaram com as duas op\u00e7\u00f5es. O resultado chama a aten\u00e7\u00e3o pela diferen\u00e7a alta entre os g\u00eaneros, uma vez que as mulheres est\u00e3o presentes em grande n\u00famero na imprensa.<\/p>\n<p>\u201cO relat\u00f3rio n\u00e3o leva em conta a quest\u00e3o do ass\u00e9dio sexual e moral. S\u00e3o viol\u00eancias cotidianas para mulheres no exerc\u00edcio do jornalismo, mas que n\u00e3o t\u00eam obrigatoriamente o objetivo de impedir a circula\u00e7\u00e3o livre da informa\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica. S\u00e3o casos que os sindicatos tratam no \u00e2mbito da justi\u00e7a do trabalho. H\u00e1 ass\u00e9dios que fazem com que a jornalista n\u00e3o divulgue alguma informa\u00e7\u00e3o. Esses casos est\u00e3o no relat\u00f3rio. E \u00e9 preciso considerar tamb\u00e9m a subnotifica\u00e7\u00e3o. Muitas mulheres jornalistas, \u00e0s vezes, sequer percebem que foram v\u00edtimas de viol\u00eancia quando s\u00e3o, por exemplo, desqualificadas no exerc\u00edcio do trabalho\u201d, explica Samira de Castro.<\/p>\n<p>A viol\u00eancia tamb\u00e9m afeta os jornalistas de forma diferente pelo pa\u00eds. Os maiores n\u00fameros foram identificados na regi\u00e3o Sudeste (47), seguida de Nordeste (45), Centro-Oeste (40), Sul (30) e Norte (19). Na an\u00e1lise por estados e unidades da federa\u00e7\u00e3o, os que t\u00eam mais casos s\u00e3o Distrito Federal (21) e S\u00e3o Paulo (21), Mato Grosso do Sul (19) e Rio de Janeiro (19), e Rio Grande do Sul (12).<\/p>\n<p>\u201cA sociedade brasileira precisa entender que a viol\u00eancia contra os jornalistas \u00e9 um ataque \u00e0 democracia. No 8 de janeiro, quando dezenas de colegas foram agredidos em Bras\u00edlia, na Pra\u00e7a dos Tr\u00eas Poderes, a extrema-direita usou t\u00e1ticas e adotou modus operandi para tentar calar a imprensa e os profissionais que atuam no jornalismo\u201d, ressalta a presidente da Fenaj.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Federa\u00e7\u00e3o Nacional dos Jornalistas (Fenaj) acaba de publicar a \u00edntegra do seu Relat\u00f3rio da Viol\u00eancia contra Jornalistas e Liberdade de Imprensa. O n\u00famero total j\u00e1 havia sido divulgado h\u00e1 alguns dias, indicando que foram 181 casos em 2023, uma redu\u00e7\u00e3o de 51,86% em rela\u00e7\u00e3o a 2022. 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