{"id":321285,"date":"2024-01-28T11:31:14","date_gmt":"2024-01-28T14:31:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=321285"},"modified":"2024-01-28T11:31:14","modified_gmt":"2024-01-28T14:31:14","slug":"crise-climatica-baguncou-geral-o-brasil-em-2023","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/crise-climatica-baguncou-geral-o-brasil-em-2023\/","title":{"rendered":"Crise clim\u00e1tica bagun\u00e7ou geral o Brasil em 2023"},"content":{"rendered":"<p>Levantamentos e estudos divulgados nos \u00faltimos dias come\u00e7aram a dar uma ideia mais clara dos impactos que o calor\u00e3o do ano passado causou sobre o clima do Brasil em 2023. Acho que todo mundo sentiu, em maior ou menor grau, que foi um ano diferente, dif\u00edcil. Falar que foi muito quente n\u00e3o d\u00e1 a dimens\u00e3o do problema.<\/p>\n<p>No ano em que o planeta bateu recorde de temperatura, desastres relacionados \u00e0s chuvas no Brasil deixaram pelo menos 196 mortos, desalojaram mais de meio milh\u00e3o de pessoas e provocaram preju\u00edzos p\u00fablicos e privados da ordem de R$ 25 bilh\u00f5es \u2013 o maior valor desde 2013.<\/p>\n<p>\u00c9 um quadro que vem se agravando. Ao longo da d\u00e9cada, as trag\u00e9dias no pa\u00eds foram ocorrendo em maior quantidade, se tornando mais letais e mais custosas, especialmente a partir de 2019. \u00c9 o que mostra um levantamento compilado pelo pesquisador Rafael Luiz, do Cemaden, com base nos dados do Sistema Integrado de Informa\u00e7\u00f5es sobre Desastres (S2ID), da Secretaria Nacional de Defesa Civil, a pedido da P\u00fablica.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise foi feita apenas sobre os eventos de chuva reconhecidos pelo governo federal a partir dos pedidos feitos por munic\u00edpios de decreto de situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia ou estado de calamidade p\u00fablica. Entram nesse recorte apenas movimentos de massa (como deslizamentos de terra); eros\u00e3o de margem fluvial; inunda\u00e7\u00f5es; enxurradas; alagamentos e chuvas intensas.<\/p>\n<p>Luiz considerou tamb\u00e9m na an\u00e1lise os eventos que resultaram em danos humanos e\/ou materiais e\/ou preju\u00edzos econ\u00f4micos. S\u00f3 no ano passado foram reconhecidos 1.132 desastres desse tipo, o segundo maior n\u00famero desde 2013. O recorde foi em 2022, quando foram reconhecidos 1.210 eventos. O ano retrasado tamb\u00e9m foi o campe\u00e3o de mortes: 339.<\/p>\n<p>Houve um aumento desses eventos nos \u00faltimos anos. De acordo com o levantamento, entre 2019 e 2023, 1.026 pessoas morreram nesses desastres \u2013 seis vezes o n\u00famero de v\u00edtimas nos cinco anos anteriores (entre 2014 e 2018).<\/p>\n<p>O pico de 2022 se deu com a ocorr\u00eancia dos desastres de Petr\u00f3polis (fevereiro) e da regi\u00e3o metropolitana do Recife (abril). Em 2023, a maior parte das mortes ocorreu em S\u00e3o Sebasti\u00e3o (fevereiro) \u2013 um ter\u00e7o dos registros foi l\u00e1 \u2013 e nos munic\u00edpios ga\u00fachos (setembro e novembro).<\/p>\n<p>Mas o indicador que mais chama aten\u00e7\u00e3o pela sua rela\u00e7\u00e3o com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas talvez tenha sido o aumento, nos \u00faltimos anos, dos preju\u00edzos econ\u00f4micos, tanto p\u00fablicos quanto privados. No ano passado, os preju\u00edzos p\u00fablicos foram de R$ 11,3 bilh\u00f5es e os privados, de 13,7 bilh\u00f5es \u2013 a maior parte em um \u00fanico setor, a agricultura, que acumulou R$ 10 bilh\u00f5es em perdas.<\/p>\n<p>&#8220;Fica evidente, nesses dados, a necessidade da adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, tanto do poder p\u00fablico quanto dos setores econ\u00f4micos. A agricultura precisa se adaptar. As reconstru\u00e7\u00f5es que ter\u00e3o de ser feitas precisam ser adaptadas a esses grandes eventos&#8221;, comenta Luiz.<\/p>\n<p><strong>Das chuvas intensas \u00e0 seca extrema<\/strong><br \/>\nNa outra ponta dos eventos extremos que afetaram o Brasil no ano passado, um estudo divulgado nesta quarta-feira (24) revelou que a seca severa que atingiu a Amaz\u00f4nia \u2013 a pior do registro hist\u00f3rico, com rios chegando aos n\u00edveis mais baixos em 120 anos, foi 30 vezes mais prov\u00e1vel de ocorrer por causa das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. O fato de o planeta estar mais quente foi muito mais importante para o que aconteceu na regi\u00e3o do que, por exemplo, a ocorr\u00eancia do El Ni\u00f1o, como cientistas brasileiros j\u00e1 vinham alertando no ano passado.<\/p>\n<p>Identificar a rela\u00e7\u00e3o entre um evento espec\u00edfico com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas \u00e9 uma coisa que at\u00e9 outro dia era meio tabu entre cientistas da \u00e1rea, justamente porque a variabilidade natural clim\u00e1tica pode explicar muita coisa. \u00c9 normal um ano mais chuvoso que outro, uma seca extrema aqui, outra ali. Coisas que acontecem de quando em quando, uma vez por s\u00e9culo, uma vez a cada 300 anos.<\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil de pronto dizer que aquilo foi diferente porque o planeta est\u00e1 diferente. Mais seguro avaliar s\u00e9ries hist\u00f3ricas, e elas tamb\u00e9m revelam muita coisa. Com essas an\u00e1lises, j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel ver com seguran\u00e7a que eventos antes raros est\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 mais frequentes como tamb\u00e9m mais intensos. E isso \u00e9 resultado da mudan\u00e7a do clima.<\/p>\n<p>S\u00f3 que est\u00e1 acontecendo tanta coisa, em tudo quanto \u00e9 canto do mundo, que pesquisadores se debru\u00e7aram em tentar explicar o que est\u00e1 por tr\u00e1s de tantas trag\u00e9dias. Tornaram-se mais comuns os chamados estudos de atribui\u00e7\u00e3o, que ajudam muito a entender que o clima est\u00e1 mudando basicamente em tempo real.<\/p>\n<p>Este trabalho lan\u00e7ado nesta quarta, feito por pesquisadores ligados \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o World Weather Attribution (WWA), viu exatamente isso na Amaz\u00f4nia. Esse tipo de seca excepcional ocorre a cada 350 anos, mas o clima mais quente fez com que ela se tornasse 30 vezes mais poss\u00edvel de ocorrer.<\/p>\n<p>A ocorr\u00eancia do fen\u00f4meno natural do El Ni\u00f1o, que come\u00e7ou a se manifestar a partir de meados do ano passado, em geral traz seca para a Amaz\u00f4nia, mas o que os pesquisadores observaram \u00e9 que o cen\u00e1rio s\u00f3 se tornou t\u00e3o extremo porque a temperatura mais quente em todo o planeta reduziu ainda mais a quantidade de chuvas e aumentou a evapora\u00e7\u00e3o do solo. S\u00f3 o El Ni\u00f1o n\u00e3o \u00e9 capaz de responder a todo o estrago.<\/p>\n<p>E isso traz um sinal ainda mais preocupante para o futuro da Amaz\u00f4nia, porque a estimativa dos cientistas clim\u00e1ticos \u00e9 que a temperatura deve subir ainda mais nos pr\u00f3ximos anos. De acordo com Regina Rodrigues, que \u00e9 pesquisadora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e faz parte do WWA, boa parte da seca extrema da Amaz\u00f4nia se deu sobre \u00e1reas ainda bastante preservadas, o que ajuda a fragilizar mais uma floresta j\u00e1 afetada por outras amea\u00e7as, como desmatamento, retirada de madeira e fogo.<\/p>\n<p>Isso tudo junto aumenta o risco de a floresta alcan\u00e7ar o chamado ponto de n\u00e3o retorno \u2013 situa\u00e7\u00e3o-limite que cientistas estimam que pode acontecer se a floresta for desmatada e degradada a ponto de n\u00e3o conseguir mais prestar os servi\u00e7os ambientais que presta, como a produ\u00e7\u00e3o de chuva e a absor\u00e7\u00e3o de g\u00e1s carb\u00f4nico.<\/p>\n<p>Nesse cen\u00e1rio, se o clima continuar aquecendo e secando a floresta, s\u00f3 conter o desmatamento n\u00e3o vai salv\u00e1-la. E, se ela deixar de absorver carbono, o aquecimento global s\u00f3 vai piorar, aumentando a seca na Amaz\u00f4nia e as chuvas no Sul do pa\u00eds. Acho que nem precisa desenhar, n\u00e9?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Levantamentos e estudos divulgados nos \u00faltimos dias come\u00e7aram a dar uma ideia mais clara dos impactos que o calor\u00e3o do ano passado causou sobre o clima do Brasil em 2023. Acho que todo mundo sentiu, em maior ou menor grau, que foi um ano diferente, dif\u00edcil. 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